

Paris cidade Luz. Cidade do Amor, do romantismo e de cultura. Da música que nos fala ao coração. Da eterna, terna, sonoridade da língua francesa.
Mas, surpresa, a cidade que nos apaixona não resulta de nenhum desejo de elevação cultural. Não é a normal sequência da Revolução de 1789, de um desejo de liberdade. Não resulta de qualquer consequência do Iluminismo. Não há nela um traço, sequer, que derive do positivismo. De positivo, os seus criadores, perseguiram, tão só, uma maior facilidade na movimentação e fogo da artilharia.
Não há, provavelmente, maior contradição entre a beleza de uma realidade e a ideia que lhe deu origem. Paris, cidade única, imensa, fantástica, nasceu de um desejo de repressão. Após a revolução de 48, Napoleão III tem todo o interesse na realização de grandes obras, na destruição do tecido compacto e estreito de origem medieval e na eficácia do movimento das tropas, que pôde comprovar logo em 1851, reprimindo a tiro, através dos longos bouevards, o então Golpe de Estado.
Haussmann, o ideólogo da renovação urbana, prefeito de Paris, abre 95 km de novas ruas no centro da cidade, por sobre a malha urbana existente, e outros 70 na periferia. Uma cidade que possuía já 384 km na zona central e 355 nos subúrbios, permite perceber a violência da operação. E os prazos são em si mesmos reveladores. Em dezassete anos, a duração do mandato do Barão Georges- Eugéne Haussmann, surgem os princípios orientadores e grande parte da cidade que hoje causa um fascínio universal com a sua atmosfera verdadeiramente mágica. Paris de mil encantos, dos cafés e das livrarias. Dos museus e parques. Das praças e das ruas. Das coberturas e das mansardas. Das chaminés e das paredes corta-fogo. Das esplanadas e da vida urbana. De um magnífico tecido urbano, desenhado com mestria. Vivido com paixão.
Parte-se com o desejo de regresso. Em breve!

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