quinta-feira, 16 de abril de 2009

Expressão de opostos






















Uma das realidades mais ricas da arquitectura joga-se na relação interior/exterior. A comunicação entre dois universos, complementares, introduz uma complexidade na vivência espacial que a exploração de opostos deve potenciar. Uma das coisas marcantes na Holanda - com o hábito de não cortar a relação entre a cidade e o interior das habitações, à noite - é a extensão do ambiente doméstico com os seus rituais e rotinas, a sua escala mais contida, o calor da sua iluminação, as diversas tonalidades de mobiliário, livros e tecidos, sobre a rua, contaminando-a, dando-lhe calor e uma atmosfera mais humana, mais confortável.
No nosso plano, ninguém como Siza tira partido da iluminação interior para caracterizar os espaços externos. Não sendo um exclusivo da Faup, é neste edifício uma nota dominante. Os seus espaços exteriores não seriam apropriáveis à noite sem a invasão de luz originada nos ambientes internos. E é notável como essa iluminação, que sai pelas janelas, com penumbras e contrastes, se mostra tão amável.

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