quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O eterno problema

Nesta cidade, quase nada dá certo. Tudo demora a concretizar-se. A contemplação tomou o lugar da acção. A cidade é pouco usada. Os espaços são desqualificados. O locais de encontro e reunião de pessoas, praticamente inexistentes.
Quem vem de fora, ou não vem de todo, ou não se detém muito tempo.
A admiração do resto do país hà muito tempo que se esgotou.
A este propósito, que desejaria de outro modo, convoco outras palavras e uma outra visão sobre os problemas do costume e a forma como Coimbra continua obcecadamente a olhar para o seu interior, sem notar que existe um mundo fora do seu espaço.

''O problema de Coimbra é, como se sabe, o do sentimentalismo. O sentimentalismo afecta a cultura e o quotidiano Coimbrãos (...), criando uma retórica paralisante, antipragmática. Afogando os sentidos em mágoas, o sentimentalismo só produz reticências e pontos de exclamação.
(...)
São os estereótipos que se abatem sobre Coimbra, e que a cidade cultiva como património florescente, que permitem o desdém de Lisboa, e a crescente indiferença do país. O sentimentalismo, que se veste de uma episódica boémia, e se experimenta ritualista na praxe, prolonga a agonia de Coimbra.
(...)
Em Coimbra, os maneirismos ocupam o lugar da forma, e substituem a necessidade de confronto e projecto.''

Jorge Figueira, Para uma Coimbra não Sentimental, 2004

Nenhum comentário: