sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Entre sons e uma sombra no chão

Entre um solo de piano, música da adolescência a evocar um outro músico, sento-me na cadeira de sempre, com os papéis costumeiros.
Melhor o sol que me quer tirar a esta tentativa de concentração sobre o texto. As sombras no exterior são perfeitas sob estes sons. As pessoas passam, o movimento exterior corre por si, dão sentido à cidade. Nada é mais perfeito do que a cidade na sua imperfeição e sempre incompleta: os sorrisos acontecem, as palavras trocam-se, a conversa acontece, os encontros produzem-se. A minha atenção daqui se solta e aqui regressa. Quando me escapo é a este lugar que retorno.
Neste momento, prendo-me de novo às linhas que pretendo minhas.
Para de novo me evadir quando a palavra for uma prisão.
Este som é libertador.
Fico.

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