sexta-feira, 1 de junho de 2007

Quebra de novo

Este fim de semana, grande acontecimento, em Coimbra: reabertura do Quebra Costas, o Quebra Velho, o autêntico. O acontecimento decerto despertará, em todos que se habituaram a frequentá-lo, um misto de apreensão e desejo de voltar. Esperemos que regresse bem e que as obras não tenham descaracterizado o mais cosmopolita da já nada cosmopolita cidade de Coimbra.

Santana e Capucho...

Na semana que passou, Santana Lopes e António Capucho vieram a terreiro dar um contributo para a crescente descredibilização da classe política. No primeiro, são já comuns as afirmações em que dá mostras de não ter o mínimo entendimento do que se passa à sua volta (ainda hoje é o único que não percebeu porque foi apeado do poder). É certo que em relação ao Sr. Santana Lopes as expectativas não são elevadas, pelo que só pode surpreender-nos positivamente, mas de António capucho esperava-se um pouco mais. Muito se tem dito a propósito da Câmara de Lisboa, mas o que estes dois senhores nos trazem é fantástico. Capucho defende que o PSD devia ter sido mais (mais???) solidário com Carmona Rodrigues, com todas as implicações que a sua manutenção na autarquia acarretaria; Santana, no mesmo registo, deu mostras de não concordar que os autarcas constituidos arguidos sejam forçados a abandonar os seus cargos. Será que alguém pode explicar a esses senhores o que se passa no país? Tais afirmações só se podem dever a uma total incompreensão da realidade que os rodeia. É pena, muita pena, já que são pessoas politicamente influentes. Assim nos governamos.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Niemeyer & Tchékhov

Que Título! Chegada a hora, porquê este e não outro? A pergunta impõe-se. Repete-se a mesma cena da escolha do nome, vezes sem conta. Não podía ter sido mais encontrado nas dobras do acaso, como geralmente acontece com tudo que realmente importa.
Recentemente, vi um filme sobre Óscar Niemeyer, no qual o próprio aparece (já próximo dos seus actuais 99 anos) em vários depoimentos na primeira pessoa. O que mais ali impressiona não é a qualidade, impressionante, da arquitectura que este arquitecto (dos mais significativos do Séc. XX) realizou e continua a produzir; não é, tão pouco, a vitalidade actual de que este homem continua a dar testemunho, não obstante a sua adiantada idade; o que mais emociona no filme é a enorme lição de vida que ali encontramos. Niemeyer viveu (continua a viver) a vida com grande sensibilidade e intensidade, com uma dimensão humana fora do comum, sorvendo-a até à última gota, com consciência de que tudo se resume de forma muito evidente e crua, e, no momento de fazer balanços, não vai sobrar muito. Isso mesmo transparece poeticamente no título do filme: A vida é um sopro.
Um pouco antes de, em boa hora, ter descoberto esse magnífico testemunho fílmico, tive a oportunidade de ver um conjunto de peças de Tchékhov, reunidas sob o mesmo título Tchékhov e a Arte Menor. Com evidente ironia, somos confrontados com a forma, quase desesperada, como os personagens questionam a vida aprisionada que os atormenta e que nos faz encarar Os Malefícios do Tabaco como dos menores males que podem assolar a natureza humana. Conservo como símbolo desse texto e dessa noite (que magnífico espectáculo, pela Escola da Noite) um personagem que, repetidas vezes, vezes sem conta, e alternadamente, terminava as frases com e por aí adiante... e e tudo mais...
Um sopro e tudo mais, porque a vida vale a pena e porque vale bem o esforço para a conquista de alguma liberdade. E, aí, nada melhor do que a poesia com que Niemeyer viveu e criou.