sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Tratado de Lisboa

A presidência está ganha. Como diz Teresa de Sousa, na edição de hoje do Público, ganha pelo sucesso da negociação do Tratado reformador da União Europeia, com assinatura marcada para 13 de Dezembro. Mas esta comentadora que me desculpe. Muito mais importante do que isso, não teremos que ceder a nossa cabeleireira ...o que não faz mais um deputado no Parlamento Europeu. Eu tinha razão: 750, 751, ninguém vê diferença (como em Portugal 229, 230...) e ficou muito mais barato... escusaram de comprar um chupa-chupa para o governo italiano deixar de fazer birra.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tristeza e vergonha

Segundo dados do jornal Público, na sua edição de ontem, Portugal está mal, muito mal:

40% de pobres activos (ter profissão não é suficiente para deixar de ser pobre);

740 mil portugueses vivem com menos de seis euros por dia;

2.1 milhões de pobres;

O estudo que conduziu a estes dados foi realizado entre 1997 e 2001. Imaginemos que o seria no actual contexto económico-financeiro. Não devemos ficar nada tranquilos, apesar de o estudo ter demonstrado que a pobreza não é uma condição e que a mobilidade é possível (num e noutro sentido, note-se). Tenhamos esperança.

Mas há mais: estamos no conjunto dos 10 países europeus, creio, onde o risco de pobreza é mais elevado. Recorde-se ainda que há um par de anos surgiram notícias que davam conta de que 300 mil portugueses passavam fome.

Se passarmos para o contexto internacional a realidade é ainda mais crua. 854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção mundial ser suficiente para todos. Não consigo deixar de pensar nas cotas de produção da União Europeia e no caminho que levam os excedentes de produção, que não são muito melhores do que as regras do comércio mundial.

Conversa de arquitecto I

Assim , sim. Portugal dá indícios da sua normalidade. Em dia de eleições para a Ordem, mais um daqueles indicadores que demonstra que, neste país, quando se age é com dimensão e aparato. A parecer bem. À grande. Que ninguém acuse que, aqui, as coisas se fazem de forma mesquinha e pequenina. Há anos quase não havia arquitectos, é verdade. Pois bem, nada que não se pudesse resolver com rasgo: hoje são já mais de 15 mil. A Europa que se cuide. Já temos uma das mais altas taxas do continente. Aqui é a sério: 1 arquitecto por cada 650 habitantes e eles, restantes europeus, coitados, não passam de 1 por 1000 habitantes (na média do conjunto dos países). É triste, desgraçados, que se achavam ricos. Como se pode construir um país com tão pouca gente? Nós aqui, sim: mais de mil inscrições anuais na Ordem. Não se brinca! Melhor: já temos mais de 20 cursos de arquitectura! O objectivo devia ser ainda mais ambicioso. Mais cursos de arquitectura do que universidades. Isso sim, seria ousado.

Em todo o caso fico perplexo: porque é que mesmo assim, o ordemanento do território em Portugal é um desastre; porque é que o acesso dos cidadão à arquitectura, apesar dos evidentes progressos, continua a ser baixo, muito baixo, nuns casos por clara impossibilidade e, em muitos outros, por evidente indiferença; porque é que esta disciplina não é devidamente valorizada pelo poder político, como comprovam a qualidade média dos edifícios públicos e o actual processo de revisão do Decreto-Lei 73/73; por que é que, em suma; a qualidade média do que se constrói em Portugal é tão baixa, apesar de termos execelentes arquitectos, reconhecidos internacionalmente?

Apesar de tudo, por vezes queremos ser mesmo europeus e, pasme-se, até conseguimos: um terço dos arquitectos é já do sexo feminino. As mulheres são já a maioria a frequentar os cursos, bem como no conjunto daqueles que se licenciam todos os anos, o que, a manter-se o ritmo actual, conduzirá rapidamente à paridade. Cuidado, porque se o país se entusiasma, qualquer dia ainda se chega à estranha realidade de se criarem efectivas condições para o exercício da profissão. Não exageremos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Portugal no seu melhor

Não sei como é que estas coisas acontecem neste país. É insólito, irreal, mesmo. Mas é isso que torna este pedaço de terra tão amado por todos nós. Somos únicos. Não há igual, mesmo que por vezes nos apareça um certo amargo de boca ou nos cause perplexidade e estranheza. Aí está: Santana Lopes ressuscitou. Quais passivos, desnorte do país, nada disso conta. O homem tem 7 vidas. Não se percebe, mas é mesmo assim. Somos assim. Esquecenos rapidamente. Bom para os investigadores do ISCTE: aí está um bom case study. Isto para já não falar do Gato Fedorento. Decerto, matéria, e da boa, para muitos e bons sketches, não vai faltar.

Por falar em parlamento, parece que nem tudo corre bem com o futuro Novo Tratado Europeu. A Discórdia centra-se em torno de um único deputado do Parlamento Europeu. Um só! não se percebe a aparente preocupação. Porque não ceder um dos nossos? Em 230 ninguém vai notar e em relação à representatividade dos eleitores ninguém vai protestar. Ninguém, nenhum círculo eleitoral se vai sentir lesado. Aposto! 230, 229?!... Difere muito? A este propósito, lembro-me sempre da sra. com ar de cabeleireira da margem Sul (sem ofensa para estas estimáveis trabalhadoras e para a população ali residente) que me foi referida, quando a vi há uns anos atrás, como sendo deputada da nação e, nessa qualidade, membro da comissão de saúde. Não foi preciso dizerem-me que nada percebia do assunto para que havia sido designada pelos insondáveis e ocultos caminhos da constituição das listas. Dá um certa ideia do desvelo emprestado ao assunto. Já foi há duas legislaturas atrás, reconheço. Claro que hoje em dia já não é nada assim. Temos toda a razão para acreditar.

Imigração

Desta vez Portugal excedeu-se despudoramente. É obsceno, mas parece que resolvemos ter um bom indicador internacional. Não dá para acreditar, é verdade, mas, no seio da União Europeia e segundo um estudo de uma organização independente, ocupamos o segundo lugar, apenas atrás da Suécia (excessos mas não demasiados), no que refere à integração dos imigrantes.

Já agora podia aproveitar-se a boa onda e resolver alguns pequenos problemas de umas senhoras que, ao que parece, vêm para aí sem grande vontade e sem saberem com grande rigor a tarefa a que estão destinadas.

So simple

Sempre me deixei impressionar pela força com que alguns de nós lutam contra problemas ou limitações verdadeiros, sem complicar. Vivendo, apenas.

Não resisti a ''roubar'' este vídeo ao amigo Raúl porque faz realmente pensar. Não quis deixar de o ter aqui. Desculpa, companheiro.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Música Parte II

Sou um fanático não praticante de publicidade. Não praticante no sentido em que vejo bem menos do que gostaria. A televisão e eu não temos uma relação pacífica.

Elejo como particularmente bons e no panorama nacional os anúncios da Optimus. É verdade, os operadores de telemóveis, além de nos facilitarem a vida (tarefa que lhes deve ser relativamente indiferente) e de de nos levarem muitos euros todos os meses, têm servido de excelentes divulgadores de música. Recorde-se a excepcional música dos primeiros spots da operadora da Sonae ou The leaver's dance, da banda The veils que a mesma veio utilizar mais tarde. Quem não se lembra de Bohemian like you, dos Dandy Warhols, este trazido à cena pela Vodafone?

Mais uma vez, a Optimus faz um bom esforço nestas últimas campanhas, com Young Folks de Peter, Bjorn & John. Tanto mais grata me é esta música, quanto mais presente tenho que me entrou definitivamente no ouvido, estas férias, no L Colesterol. Faz falta!

Miles Davis + Jamiroquai

Ontem, deslocação à Fnac. Objectivo, perfeitamente definido: comprar blhetes para o concerto do Caetano Veloso. Como seria expectável, sem grandes dotes de oráculo, estava esgotado. O optimismo leva sempre a imaginar que dois dias de antedência serão sempre suficientes para qualquer coisa, mesmo que o homem seja brasileiro, famoso e não passe aqui os dias.

A lógica dizia-me ser necessário não desperdiçar a viagem. Das prateleiras, que sempre me parecem ter vida, e sempre me parece difícil resistir-lhes, saltam duas pérolas: Jamiroquai - High Times - e Miles Davis - Kind of Blue, considerado o seu melhor álbum -, ambos, literalmente em saldo.

Vale a pena passar por lá!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Liberdade Total












A essencialidade de uma onda.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Parque Mayer mais uma vez

Parque Mayer, novamente notícia.
Depois de €2 500 000 gastos, e passados vários anos e muita polémica, foi anunciada a solução genial (Portugal é fértil nestas coisas): Já não há Ghery! Agora a solução é muito melhor: concurso de ideias. Já antevejo o sucesso da medida. A Câmara de Lisboa está tão credibilizada neste processo, que imagino os arquitectos todos - ninguém vai querer ficar de fora - a fazer fila para entregar as propostas.

Mas há outra questão muito mais pertinente em tudo isto. Sem juízos sobre a quem atribuir responsabilidade, estes processos e decisões fazem-me sempre pensar em como é fácil lidar com dinheiros públicos. Os casos abundam, mas este, concreto, basta. Depois de €2 500 000 gastos em estudos e projectos, dinheiro que não aproveita a ninguém se o projecto a que respeitam não se concretizar, a decisão política manda parar. Tudo para o lixo! Fantástico! Ninguém se lembrou de tornar o projecto mais adaptado à realidade e à disponibilidade financeira da autarquia? Terei andado distraído ou ninguém se lembrou de explicar isto convenientemente e da viabilidade ou inviabilidade de o fazer?

Alguém se lembra, por acaso, do que sucedeu há anos atrás ao Plano da Avenida da Liberdade? É esse mesmo, o que foi posto na gaveta para evitar heranças políticas. Com certeza estarei a ver mal e não há aqui qualquer semelhança. Mas não resisto à pergunta: será da câmara, da cidade ou da zona?

Nem tudo correu bem nas escadas do Quebra...

O Quebra abriu. Está disponível. Fazia Falta. Já não direi o mesmo das alterações introduzidas. Não eram necessárias e nem por isso ficaram bem. Apesar de tudo, é bom estar de volta.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Quebra de novo

Este fim de semana, grande acontecimento, em Coimbra: reabertura do Quebra Costas, o Quebra Velho, o autêntico. O acontecimento decerto despertará, em todos que se habituaram a frequentá-lo, um misto de apreensão e desejo de voltar. Esperemos que regresse bem e que as obras não tenham descaracterizado o mais cosmopolita da já nada cosmopolita cidade de Coimbra.

Santana e Capucho...

Na semana que passou, Santana Lopes e António Capucho vieram a terreiro dar um contributo para a crescente descredibilização da classe política. No primeiro, são já comuns as afirmações em que dá mostras de não ter o mínimo entendimento do que se passa à sua volta (ainda hoje é o único que não percebeu porque foi apeado do poder). É certo que em relação ao Sr. Santana Lopes as expectativas não são elevadas, pelo que só pode surpreender-nos positivamente, mas de António capucho esperava-se um pouco mais. Muito se tem dito a propósito da Câmara de Lisboa, mas o que estes dois senhores nos trazem é fantástico. Capucho defende que o PSD devia ter sido mais (mais???) solidário com Carmona Rodrigues, com todas as implicações que a sua manutenção na autarquia acarretaria; Santana, no mesmo registo, deu mostras de não concordar que os autarcas constituidos arguidos sejam forçados a abandonar os seus cargos. Será que alguém pode explicar a esses senhores o que se passa no país? Tais afirmações só se podem dever a uma total incompreensão da realidade que os rodeia. É pena, muita pena, já que são pessoas politicamente influentes. Assim nos governamos.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Niemeyer & Tchékhov

Que Título! Chegada a hora, porquê este e não outro? A pergunta impõe-se. Repete-se a mesma cena da escolha do nome, vezes sem conta. Não podía ter sido mais encontrado nas dobras do acaso, como geralmente acontece com tudo que realmente importa.
Recentemente, vi um filme sobre Óscar Niemeyer, no qual o próprio aparece (já próximo dos seus actuais 99 anos) em vários depoimentos na primeira pessoa. O que mais ali impressiona não é a qualidade, impressionante, da arquitectura que este arquitecto (dos mais significativos do Séc. XX) realizou e continua a produzir; não é, tão pouco, a vitalidade actual de que este homem continua a dar testemunho, não obstante a sua adiantada idade; o que mais emociona no filme é a enorme lição de vida que ali encontramos. Niemeyer viveu (continua a viver) a vida com grande sensibilidade e intensidade, com uma dimensão humana fora do comum, sorvendo-a até à última gota, com consciência de que tudo se resume de forma muito evidente e crua, e, no momento de fazer balanços, não vai sobrar muito. Isso mesmo transparece poeticamente no título do filme: A vida é um sopro.
Um pouco antes de, em boa hora, ter descoberto esse magnífico testemunho fílmico, tive a oportunidade de ver um conjunto de peças de Tchékhov, reunidas sob o mesmo título Tchékhov e a Arte Menor. Com evidente ironia, somos confrontados com a forma, quase desesperada, como os personagens questionam a vida aprisionada que os atormenta e que nos faz encarar Os Malefícios do Tabaco como dos menores males que podem assolar a natureza humana. Conservo como símbolo desse texto e dessa noite (que magnífico espectáculo, pela Escola da Noite) um personagem que, repetidas vezes, vezes sem conta, e alternadamente, terminava as frases com e por aí adiante... e e tudo mais...
Um sopro e tudo mais, porque a vida vale a pena e porque vale bem o esforço para a conquista de alguma liberdade. E, aí, nada melhor do que a poesia com que Niemeyer viveu e criou.