Assim , sim. Portugal dá indícios da sua normalidade. Em dia de eleições para a Ordem, mais um daqueles indicadores que demonstra que, neste país, quando se age é com dimensão e aparato. A parecer bem. À grande. Que ninguém acuse que, aqui, as coisas se fazem de forma mesquinha e pequenina. Há anos quase não havia arquitectos, é verdade. Pois bem, nada que não se pudesse resolver com rasgo: hoje são já mais de 15 mil. A Europa que se cuide. Já temos uma das mais altas taxas do continente. Aqui é a sério: 1 arquitecto por cada 650 habitantes e eles, restantes europeus, coitados, não passam de 1 por 1000 habitantes (na média do conjunto dos países). É triste, desgraçados, que se achavam ricos. Como se pode construir um país com tão pouca gente? Nós aqui, sim: mais de mil inscrições anuais na Ordem. Não se brinca! Melhor: já temos mais de 20 cursos de arquitectura! O objectivo devia ser ainda mais ambicioso. Mais cursos de arquitectura do que universidades. Isso sim, seria ousado.
Em todo o caso fico perplexo: porque é que mesmo assim, o ordemanento do território em Portugal é um desastre; porque é que o acesso dos cidadão à arquitectura, apesar dos evidentes progressos, continua a ser baixo, muito baixo, nuns casos por clara impossibilidade e, em muitos outros, por evidente indiferença; porque é que esta disciplina não é devidamente valorizada pelo poder político, como comprovam a qualidade média dos edifícios públicos e o actual processo de revisão do Decreto-Lei 73/73; por que é que, em suma; a qualidade média do que se constrói em Portugal é tão baixa, apesar de termos execelentes arquitectos, reconhecidos internacionalmente?
Apesar de tudo, por vezes queremos ser mesmo europeus e, pasme-se, até conseguimos: um terço dos arquitectos é já do sexo feminino. As mulheres são já a maioria a frequentar os cursos, bem como no conjunto daqueles que se licenciam todos os anos, o que, a manter-se o ritmo actual, conduzirá rapidamente à paridade. Cuidado, porque se o país se entusiasma, qualquer dia ainda se chega à estranha realidade de se criarem efectivas condições para o exercício da profissão. Não exageremos.