sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Mais uma vez, fim-de-semana

O mealheiro















A propósito da onda de júbilo à volta do compromisso alcançado com o Tratado reformador da europa - o de Lisboa - não deixa de me sair da ideia um racicínio simples a propósito daquelas que ficaram vistas como as desmancha-prazeres-e-intoleráveis-manifestações-de-nacionalismo da Itália, Polónia e Bulgária. Esperemos para ver para onde vai esse orgulho optimista todo (como se o nome ''de Lisboa'' fosse o fim em si mesmo) quando se acabarem os euros que enchem o mealheiro até 2013 e Portugal tiver que viver com o que então for capaz de produzir. Até agora o guito, a massa, tem dado razões de sobra para que a Europa seja uma realidade que não se referenda, não se discute (Deus e a virtude dos nossos tempos). Vamos ver se continuamos todos mudos quando Lisboa tiver que se sujeitar às decisões emanadas do sistema de dupla maioria e a nossa opinião contar tanto como o que se pensa em Coimbra sobre a orientação das políticas nacionais ou sobre a distribuição do investimento público. Nessa altura talvez Lisboa não se recorde com a mesma alegria do seu próprio nome. Mas o Tratado tem um nome bonito e o consenso foi alcançado graças à intervenção de uma presidência portuguesa. Isso é que importa.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Puro Génio















Não resisti a postar estas imagens retiradas do site da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, no Brasil.

Aqui ficam as fotografias do genial edifício da sede, desenhado por Álvaro Siza.

Mais imagens em http://ibere.ag2.com.br/content/novasede/maquetes.asp

Frases de sucesso para T'shirts banais

Sou extremamente RARO!!!
Não tenho o telefone sob escuta!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Puro dever

Se alguém encontrar por aí este homem, agradeça-lhe. Por tudo. Por nada. Por admiração. Por reconhecimento.

Puro(s) prazer(es)

Big Ben...

Frases de sucesso para T'shirts banais

T'shirt para Pinto Monteiro

No Ministério Público ninguém manda.
...nem mesmo eu!

Conversa de arquitecto

João Belo Rodeia é o novo Presidente da Ordem dos arquitectos, eleito num processo que não ficou isento de polémica, a propósito da exclusão da candidatura de Manuel Vicente, por motivos reclamados injustos por este último. A afirmação da profissão está em pleno processo de consolidação, estão a processar-se importantes alterações no panorama legislativo e administrativo que em muito condicionam a prática disciplinar, pelo que todo e qualquer processo de divisão e luta internas não vem dar um sinal positivo à sociedade e aos meios políticos. As demonstrações de força exercidas internamente são um sinal de fraqueza para o exterior. Independentemente das razões que assistam a cada uma das partes, o resultado não será benéfico.

Frases de sucesso para T'shirts banais

T'shirt para Sua Exa. Sr. Engº Primeiro Ministro

Porreiro, pá!...

Tratados e outras Europas

Enquanto a Europa se consolida politicamente, a coesão social portuguesa vai aprofundando o seu colapso: 20% da população de Portugal detém 80% da riqueza, ou seja, o maior fosso entre pobres e ricos na Europa. Mais um factor de divergência que nos deixa para trás.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Livros

Não percebo. Devo ser um leitor péssimo. Atrevo-me mesmo a pensar que nem português sou capaz de entender. Tanta histeria com a alegada obra prima de Ian McEwan, Na praia de Chesil. Não gostei, achei previsível e não vejo como pode haver tanta onda em volta do livro.

Conversa de arquitecto II

Os arquitectos não querem subsídios. A própria natureza da sua actividade não o justifica. São criadores é certo. Muitos deles promovem a cultura, tanto como diversos agentes culturais, não está em causa (basta ver tão só que a arquitectura portuguesa atravessa um bom período e que atrai a atenção internacional). O Estado assegura condições para que a cultura aconteça, assegurando os necessários meios financeiros, é evidente. Mas a questão não se põe. Não faz sentido. Não quer isto dizer que a arquitectura não deva ser vista com uma forma de cultura; que não deva ter uma atenção especial por parte do estado e do governo. Pode até pensar-se no assunto com um olhar puramente económico e mercantilista. Devemos ir mais longe, no entanto; mas com consciência de que a arquitectura vende, num contexto cada vez mais feroz de competição urbana, em contexto global. Mas é sobretudo como acto cultural e, nessa condição, como definidora e modeladora da identidade, que a arquitectura deve merecer atenção. Não são necessários euros. Basta que os poderes públicos deixem de ter critérios de encomenda ridículos, que promovam a livre concorrência sem a apoiar em critérios duvidosos, que promovam a qualidade nas suas escolhas e deixem de escolher com base no imediatismo, no preço; que o estado deixe de legislar de forma contrária ao interesse público ou que puramente não o faça, deixando o projecto de arquitectura nas mãos de quem lhe quer pegar, não de quem o pode e deve fazer. Basta, simplesmente, que deixe a arquitectura acontecer. Tão só.

Tratado de Lisboa

A presidência está ganha. Como diz Teresa de Sousa, na edição de hoje do Público, ganha pelo sucesso da negociação do Tratado reformador da União Europeia, com assinatura marcada para 13 de Dezembro. Mas esta comentadora que me desculpe. Muito mais importante do que isso, não teremos que ceder a nossa cabeleireira ...o que não faz mais um deputado no Parlamento Europeu. Eu tinha razão: 750, 751, ninguém vê diferença (como em Portugal 229, 230...) e ficou muito mais barato... escusaram de comprar um chupa-chupa para o governo italiano deixar de fazer birra.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tristeza e vergonha

Segundo dados do jornal Público, na sua edição de ontem, Portugal está mal, muito mal:

40% de pobres activos (ter profissão não é suficiente para deixar de ser pobre);

740 mil portugueses vivem com menos de seis euros por dia;

2.1 milhões de pobres;

O estudo que conduziu a estes dados foi realizado entre 1997 e 2001. Imaginemos que o seria no actual contexto económico-financeiro. Não devemos ficar nada tranquilos, apesar de o estudo ter demonstrado que a pobreza não é uma condição e que a mobilidade é possível (num e noutro sentido, note-se). Tenhamos esperança.

Mas há mais: estamos no conjunto dos 10 países europeus, creio, onde o risco de pobreza é mais elevado. Recorde-se ainda que há um par de anos surgiram notícias que davam conta de que 300 mil portugueses passavam fome.

Se passarmos para o contexto internacional a realidade é ainda mais crua. 854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção mundial ser suficiente para todos. Não consigo deixar de pensar nas cotas de produção da União Europeia e no caminho que levam os excedentes de produção, que não são muito melhores do que as regras do comércio mundial.

Conversa de arquitecto I

Assim , sim. Portugal dá indícios da sua normalidade. Em dia de eleições para a Ordem, mais um daqueles indicadores que demonstra que, neste país, quando se age é com dimensão e aparato. A parecer bem. À grande. Que ninguém acuse que, aqui, as coisas se fazem de forma mesquinha e pequenina. Há anos quase não havia arquitectos, é verdade. Pois bem, nada que não se pudesse resolver com rasgo: hoje são já mais de 15 mil. A Europa que se cuide. Já temos uma das mais altas taxas do continente. Aqui é a sério: 1 arquitecto por cada 650 habitantes e eles, restantes europeus, coitados, não passam de 1 por 1000 habitantes (na média do conjunto dos países). É triste, desgraçados, que se achavam ricos. Como se pode construir um país com tão pouca gente? Nós aqui, sim: mais de mil inscrições anuais na Ordem. Não se brinca! Melhor: já temos mais de 20 cursos de arquitectura! O objectivo devia ser ainda mais ambicioso. Mais cursos de arquitectura do que universidades. Isso sim, seria ousado.

Em todo o caso fico perplexo: porque é que mesmo assim, o ordemanento do território em Portugal é um desastre; porque é que o acesso dos cidadão à arquitectura, apesar dos evidentes progressos, continua a ser baixo, muito baixo, nuns casos por clara impossibilidade e, em muitos outros, por evidente indiferença; porque é que esta disciplina não é devidamente valorizada pelo poder político, como comprovam a qualidade média dos edifícios públicos e o actual processo de revisão do Decreto-Lei 73/73; por que é que, em suma; a qualidade média do que se constrói em Portugal é tão baixa, apesar de termos execelentes arquitectos, reconhecidos internacionalmente?

Apesar de tudo, por vezes queremos ser mesmo europeus e, pasme-se, até conseguimos: um terço dos arquitectos é já do sexo feminino. As mulheres são já a maioria a frequentar os cursos, bem como no conjunto daqueles que se licenciam todos os anos, o que, a manter-se o ritmo actual, conduzirá rapidamente à paridade. Cuidado, porque se o país se entusiasma, qualquer dia ainda se chega à estranha realidade de se criarem efectivas condições para o exercício da profissão. Não exageremos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Portugal no seu melhor

Não sei como é que estas coisas acontecem neste país. É insólito, irreal, mesmo. Mas é isso que torna este pedaço de terra tão amado por todos nós. Somos únicos. Não há igual, mesmo que por vezes nos apareça um certo amargo de boca ou nos cause perplexidade e estranheza. Aí está: Santana Lopes ressuscitou. Quais passivos, desnorte do país, nada disso conta. O homem tem 7 vidas. Não se percebe, mas é mesmo assim. Somos assim. Esquecenos rapidamente. Bom para os investigadores do ISCTE: aí está um bom case study. Isto para já não falar do Gato Fedorento. Decerto, matéria, e da boa, para muitos e bons sketches, não vai faltar.

Por falar em parlamento, parece que nem tudo corre bem com o futuro Novo Tratado Europeu. A Discórdia centra-se em torno de um único deputado do Parlamento Europeu. Um só! não se percebe a aparente preocupação. Porque não ceder um dos nossos? Em 230 ninguém vai notar e em relação à representatividade dos eleitores ninguém vai protestar. Ninguém, nenhum círculo eleitoral se vai sentir lesado. Aposto! 230, 229?!... Difere muito? A este propósito, lembro-me sempre da sra. com ar de cabeleireira da margem Sul (sem ofensa para estas estimáveis trabalhadoras e para a população ali residente) que me foi referida, quando a vi há uns anos atrás, como sendo deputada da nação e, nessa qualidade, membro da comissão de saúde. Não foi preciso dizerem-me que nada percebia do assunto para que havia sido designada pelos insondáveis e ocultos caminhos da constituição das listas. Dá um certa ideia do desvelo emprestado ao assunto. Já foi há duas legislaturas atrás, reconheço. Claro que hoje em dia já não é nada assim. Temos toda a razão para acreditar.

Imigração

Desta vez Portugal excedeu-se despudoramente. É obsceno, mas parece que resolvemos ter um bom indicador internacional. Não dá para acreditar, é verdade, mas, no seio da União Europeia e segundo um estudo de uma organização independente, ocupamos o segundo lugar, apenas atrás da Suécia (excessos mas não demasiados), no que refere à integração dos imigrantes.

Já agora podia aproveitar-se a boa onda e resolver alguns pequenos problemas de umas senhoras que, ao que parece, vêm para aí sem grande vontade e sem saberem com grande rigor a tarefa a que estão destinadas.

So simple

Sempre me deixei impressionar pela força com que alguns de nós lutam contra problemas ou limitações verdadeiros, sem complicar. Vivendo, apenas.

Não resisti a ''roubar'' este vídeo ao amigo Raúl porque faz realmente pensar. Não quis deixar de o ter aqui. Desculpa, companheiro.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Música Parte II

Sou um fanático não praticante de publicidade. Não praticante no sentido em que vejo bem menos do que gostaria. A televisão e eu não temos uma relação pacífica.

Elejo como particularmente bons e no panorama nacional os anúncios da Optimus. É verdade, os operadores de telemóveis, além de nos facilitarem a vida (tarefa que lhes deve ser relativamente indiferente) e de de nos levarem muitos euros todos os meses, têm servido de excelentes divulgadores de música. Recorde-se a excepcional música dos primeiros spots da operadora da Sonae ou The leaver's dance, da banda The veils que a mesma veio utilizar mais tarde. Quem não se lembra de Bohemian like you, dos Dandy Warhols, este trazido à cena pela Vodafone?

Mais uma vez, a Optimus faz um bom esforço nestas últimas campanhas, com Young Folks de Peter, Bjorn & John. Tanto mais grata me é esta música, quanto mais presente tenho que me entrou definitivamente no ouvido, estas férias, no L Colesterol. Faz falta!

Miles Davis + Jamiroquai

Ontem, deslocação à Fnac. Objectivo, perfeitamente definido: comprar blhetes para o concerto do Caetano Veloso. Como seria expectável, sem grandes dotes de oráculo, estava esgotado. O optimismo leva sempre a imaginar que dois dias de antedência serão sempre suficientes para qualquer coisa, mesmo que o homem seja brasileiro, famoso e não passe aqui os dias.

A lógica dizia-me ser necessário não desperdiçar a viagem. Das prateleiras, que sempre me parecem ter vida, e sempre me parece difícil resistir-lhes, saltam duas pérolas: Jamiroquai - High Times - e Miles Davis - Kind of Blue, considerado o seu melhor álbum -, ambos, literalmente em saldo.

Vale a pena passar por lá!