Nem mesmo Santana quer dormir!
Que tal hibernar, como os ursos. O sr. dr. ficava a descansar por um longo período e nós também.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Frases de sucesso para T'shirts banais
Aqui há ns dias vi uma t´shirt na Rua da Escola Politécnica, daquelas que todos gostaríamos que tivesse surgido de um nosso assomo de imaginação. Frase simples e forte:
Nietzsche est mort!
Dieu
Nietzsche est mort!
Dieu
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Força das circunstâncias

Por força das circunstâncias, vejo-me cada vez mais a encarnar o papel de investigador. Eu que nem sei bem o que isso venha a ser. Não interessa saber se a tarefa me agrada ou não. Tenho que a desempenhar e encará-la como apenas uma etapa para prosseguir a vida com normalidade, sem grandes sobressaltos, como se deseja e espera na super-bem-organizada sociedade que é a nossa. E pensando bem, é um privilégio raro. Estou obrigado a permanecer em casa, durante 3 anos, para estudar e investigar um tema que eu previamente escolhi, onde previamente escolhi. Podia ter aproveitado para ir para fora, para novos mundos, novas realidades. Mas mais uma vez a força das circunstâncias, como força que são, forçaram-me a ficar, ou pelo menos não tive a sabedoria e a força (mais uma vez) para me libertar e aprofundar o privilégio. A verdade é que, voltando atrás, à obrigação a que estou sujeito, não tenho tido umas semanas más. É verdade que estou muito no início, que de vez em quando a pesquisa (ver se o que procuro e encontro me interessa, marcar as páginas que devo fotocopiar, tirar os apontamento e fazer as anotações que se mostram pertinentes e indispensáveis) se mostra, dizia, bastante exasperante. Mas tem compensado muito. Deixei de estar sujeito à pressão diária da arquitectura. Dos projectos de especialidades que tardam, das decisões que não chegam, de obras que se perpetuam, de descobertas, no estaleiro, inesperadas e imcompatíveis com o já definido, e que obrigam a alterações também inesperadas. Dos assucatanços habituais, do ritmo de trabalho idiota, das horas parvas, dos inúmeros mails e faxes. Não sei se estou melhor. Mas estou seguramente diferente. Os arquivos têm horários que ninguém entende (10h30m - 12h30m; 14h30m 17h00m; fechado à quinta-feira). As regras burocráticas não confirmam a tão anunciada aposta governativa em investigação. A FCT tem mais meios financeiros, mas no terreno a conversa é outra: as esperas pela consulta, apesar da boa vontade de funcionários, são de loucos e os pedidos de autorização fazem cair os cabelos a um careca. Temos tempo! Não se incomodem. Isto para já não falar das condições. Tenho estado bem sentado, é verdade, a temperatura ambiente não está mal, não chove, nem faz vento, mas fazia falta um rasgo de iluminação natural. Deve ser para acalmar, que me sinto afastado do pulsar dos dias, da variação de luminosidade ao longo do ciclo diáro e das estações. Para mim, enquanto ali estiver, tudo permanece na mesma. Nada muda. Se deixar o relógio em casa, o tempo permanecerá imóvel, e, se por lá dormir e viver durante meses, não notarei grande diferença. Deve ser mesmo para me acalmar; não notarei o tempo passado, será tão imóvel como a cabeça da velha, na Serra da Estrela. Sem a pressão do tempo, no stress!
Valham-me, no meio disto, as relações humanas. De quem me tem atendido, só posso dizer bem. Sempre o mesmo empenho em dar resposta aos pedidos que faço, sempre com a mesma solicitude e sorriso. Para quem diz mal dos serviços públicos, para quem afirma que só encontra má vontade e falta de educação, recomendo uma visita à biblioteca da Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano.
Voltando ao início e à força das circunstâncias, mais uma vez verifico que, como reconhecido por Maria Filomena Mónica no prefácio da sua autobiografia, a parcela daquilo que controlamos nas nossas vidas é menor do que julgamos. Estou a fazer o que estou, porque as minhas circunstâncias me enrolaram, nunca o pensei fazer; é verdade que é porque quero, para poder manter-me onde estava; porém, onde eu estou, é já resultado do que me havia já sido posto à frente e no caminho por uma conjugação de factos sobre o qual não tive controlo total. Apareceram assim na sua conjugação. Escolha, quem é que falou em Escolha? Mas a Liberdade é fantástica.
Arte Lisboa
De 7 a 12 decorre a Arte Lisboa.
Confesso a minha ingenuidade de ter pensado que se tratava de uma ARCO, em Lisboa. Imaginava eu que existia um mercado para essa dimensão. Enganei-me. E as palavras dos Joões (Fernandes e Pinharanda) desfazem o meu equívoco: não existe mercado em Portugal. Seja como for, mesmo que a dimensão não seja a esperada, aí está um dos pavilhões da FIl recheado de muitas e boas obras, para comprar ou, simplesmente, para deleite visual. Não me referindo aqui aos já muito consagrados, vale a pena ir ver Teresa Silva, Gabriela Rodrigues e, sobretudo - para mim a grande revelação - Diogo Pimentão. É de comprar enquanto é possível.
Confesso a minha ingenuidade de ter pensado que se tratava de uma ARCO, em Lisboa. Imaginava eu que existia um mercado para essa dimensão. Enganei-me. E as palavras dos Joões (Fernandes e Pinharanda) desfazem o meu equívoco: não existe mercado em Portugal. Seja como for, mesmo que a dimensão não seja a esperada, aí está um dos pavilhões da FIl recheado de muitas e boas obras, para comprar ou, simplesmente, para deleite visual. Não me referindo aqui aos já muito consagrados, vale a pena ir ver Teresa Silva, Gabriela Rodrigues e, sobretudo - para mim a grande revelação - Diogo Pimentão. É de comprar enquanto é possível.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Pura irracionalidade
Aí está. Mais uma daquelas coisas inexplicáveis que só se passam neste país. Um Estatuto do Estudante para formar selvagens em potência. Ninguém reprova por faltas.Um pagode completo. Todos sabemos que os estudantes - com exlusão dos mais tótós, é óbvio - só irão às aulas a que forem mesmo obrigados a ir. Sei eu e sabem todos que, tal como o autor destas linhas, se fartaram de faltar para não deixar de estar presentes em coisas que nos pareciam inadiáveis. A adolescência tem dessas coisas e a Ministra da Educação parece ser a única pessoa que não o sabe. Posso estar enganado, mas se não é importante ir às aulas, se o aproveitamento e a aquisição de conhecimentos não tem nada que ver com a presença nas salas de aula, na escola; se a escola não é também um local de formação, de sociabilização, de crescimento do estudante, como individuo, no contacto com os colegas, pois fechem-se todos os estabelecimentos de ensino. Retome-se o modelo da tele-escola. Sairá muito mais barato. Será um importante contributo para a meta de 2,4%.
Esse, que a Minitra nos queria impor, não é o modelo de escola em que me revejo. Não é assim que formaremos cidadãos. Já todos sabemos dos terríveis hábitos que a universidade portuguesa ajuda a criar ao não impor a presença nas aulas como um requisito fundamental para o aproveitamento. Com base em horários de vida, de estudo, de sono, de vigília, completamente invertidos, sai-se da faculdade com a firme convicção de que não se é capaz de trabalhar de manhã ou, pior, de dia. E isto apenas como efeito dos últimos 5 anos do sistema de ensino. O que não seria ao fim de 12 anos com a ideia do ministério. Tenham juízo! Felizmente o PS desta vez não se curvou perante a arrogância e os golpes de secretaria do ministério. O abandono escolar é um problema, é certo. Coloca-nos muito mal na Europa. Correcto. Mas querer acabar com ele por via administrativa parece uma péssima ideia, contraditória com a aposta, tão anunciada, de investir os fundos de 2007-2013 (os últimos) em formação e qualificação. Que país. Quando chegará o rigor e a exigência? Quando nos obrigaremos a ser bons, a ser excelentes? Essa talvez seja a via para nos tornarmos realmente europeus. De outro modo, não passaremos de uma pálida imitação, de péssima qualidade e ridícula.
Esse, que a Minitra nos queria impor, não é o modelo de escola em que me revejo. Não é assim que formaremos cidadãos. Já todos sabemos dos terríveis hábitos que a universidade portuguesa ajuda a criar ao não impor a presença nas aulas como um requisito fundamental para o aproveitamento. Com base em horários de vida, de estudo, de sono, de vigília, completamente invertidos, sai-se da faculdade com a firme convicção de que não se é capaz de trabalhar de manhã ou, pior, de dia. E isto apenas como efeito dos últimos 5 anos do sistema de ensino. O que não seria ao fim de 12 anos com a ideia do ministério. Tenham juízo! Felizmente o PS desta vez não se curvou perante a arrogância e os golpes de secretaria do ministério. O abandono escolar é um problema, é certo. Coloca-nos muito mal na Europa. Correcto. Mas querer acabar com ele por via administrativa parece uma péssima ideia, contraditória com a aposta, tão anunciada, de investir os fundos de 2007-2013 (os últimos) em formação e qualificação. Que país. Quando chegará o rigor e a exigência? Quando nos obrigaremos a ser bons, a ser excelentes? Essa talvez seja a via para nos tornarmos realmente europeus. De outro modo, não passaremos de uma pálida imitação, de péssima qualidade e ridícula.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
O mealheiro

A propósito da onda de júbilo à volta do compromisso alcançado com o Tratado reformador da europa - o de Lisboa - não deixa de me sair da ideia um racicínio simples a propósito daquelas que ficaram vistas como as desmancha-prazeres-e-intoleráveis-manifestações-de-nacionalismo da Itália, Polónia e Bulgária. Esperemos para ver para onde vai esse orgulho optimista todo (como se o nome ''de Lisboa'' fosse o fim em si mesmo) quando se acabarem os euros que enchem o mealheiro até 2013 e Portugal tiver que viver com o que então for capaz de produzir. Até agora o guito, a massa, tem dado razões de sobra para que a Europa seja uma realidade que não se referenda, não se discute (Deus e a virtude dos nossos tempos). Vamos ver se continuamos todos mudos quando Lisboa tiver que se sujeitar às decisões emanadas do sistema de dupla maioria e a nossa opinião contar tanto como o que se pensa em Coimbra sobre a orientação das políticas nacionais ou sobre a distribuição do investimento público. Nessa altura talvez Lisboa não se recorde com a mesma alegria do seu próprio nome. Mas o Tratado tem um nome bonito e o consenso foi alcançado graças à intervenção de uma presidência portuguesa. Isso é que importa.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Puro Génio
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Puro dever
Frases de sucesso para T'shirts banais
T'shirt para Pinto Monteiro
No Ministério Público ninguém manda.
...nem mesmo eu!
No Ministério Público ninguém manda.
...nem mesmo eu!
Conversa de arquitecto
João Belo Rodeia é o novo Presidente da Ordem dos arquitectos, eleito num processo que não ficou isento de polémica, a propósito da exclusão da candidatura de Manuel Vicente, por motivos reclamados injustos por este último. A afirmação da profissão está em pleno processo de consolidação, estão a processar-se importantes alterações no panorama legislativo e administrativo que em muito condicionam a prática disciplinar, pelo que todo e qualquer processo de divisão e luta internas não vem dar um sinal positivo à sociedade e aos meios políticos. As demonstrações de força exercidas internamente são um sinal de fraqueza para o exterior. Independentemente das razões que assistam a cada uma das partes, o resultado não será benéfico.
Frases de sucesso para T'shirts banais
T'shirt para Sua Exa. Sr. Engº Primeiro Ministro
Porreiro, pá!...
Porreiro, pá!...
Tratados e outras Europas
Enquanto a Europa se consolida politicamente, a coesão social portuguesa vai aprofundando o seu colapso: 20% da população de Portugal detém 80% da riqueza, ou seja, o maior fosso entre pobres e ricos na Europa. Mais um factor de divergência que nos deixa para trás.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Livros
Não percebo. Devo ser um leitor péssimo. Atrevo-me mesmo a pensar que nem português sou capaz de entender. Tanta histeria com a alegada obra prima de Ian McEwan, Na praia de Chesil. Não gostei, achei previsível e não vejo como pode haver tanta onda em volta do livro.
Conversa de arquitecto II
Os arquitectos não querem subsídios. A própria natureza da sua actividade não o justifica. São criadores é certo. Muitos deles promovem a cultura, tanto como diversos agentes culturais, não está em causa (basta ver tão só que a arquitectura portuguesa atravessa um bom período e que atrai a atenção internacional). O Estado assegura condições para que a cultura aconteça, assegurando os necessários meios financeiros, é evidente. Mas a questão não se põe. Não faz sentido. Não quer isto dizer que a arquitectura não deva ser vista com uma forma de cultura; que não deva ter uma atenção especial por parte do estado e do governo. Pode até pensar-se no assunto com um olhar puramente económico e mercantilista. Devemos ir mais longe, no entanto; mas com consciência de que a arquitectura vende, num contexto cada vez mais feroz de competição urbana, em contexto global. Mas é sobretudo como acto cultural e, nessa condição, como definidora e modeladora da identidade, que a arquitectura deve merecer atenção. Não são necessários euros. Basta que os poderes públicos deixem de ter critérios de encomenda ridículos, que promovam a livre concorrência sem a apoiar em critérios duvidosos, que promovam a qualidade nas suas escolhas e deixem de escolher com base no imediatismo, no preço; que o estado deixe de legislar de forma contrária ao interesse público ou que puramente não o faça, deixando o projecto de arquitectura nas mãos de quem lhe quer pegar, não de quem o pode e deve fazer. Basta, simplesmente, que deixe a arquitectura acontecer. Tão só.
Tratado de Lisboa
A presidência está ganha. Como diz Teresa de Sousa, na edição de hoje do Público, ganha pelo sucesso da negociação do Tratado reformador da União Europeia, com assinatura marcada para 13 de Dezembro. Mas esta comentadora que me desculpe. Muito mais importante do que isso, não teremos que ceder a nossa cabeleireira ...o que não faz mais um deputado no Parlamento Europeu. Eu tinha razão: 750, 751, ninguém vê diferença (como em Portugal 229, 230...) e ficou muito mais barato... escusaram de comprar um chupa-chupa para o governo italiano deixar de fazer birra.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Tristeza e vergonha
Segundo dados do jornal Público, na sua edição de ontem, Portugal está mal, muito mal:
40% de pobres activos (ter profissão não é suficiente para deixar de ser pobre);
740 mil portugueses vivem com menos de seis euros por dia;
2.1 milhões de pobres;
O estudo que conduziu a estes dados foi realizado entre 1997 e 2001. Imaginemos que o seria no actual contexto económico-financeiro. Não devemos ficar nada tranquilos, apesar de o estudo ter demonstrado que a pobreza não é uma condição e que a mobilidade é possível (num e noutro sentido, note-se). Tenhamos esperança.
Mas há mais: estamos no conjunto dos 10 países europeus, creio, onde o risco de pobreza é mais elevado. Recorde-se ainda que há um par de anos surgiram notícias que davam conta de que 300 mil portugueses passavam fome.
Se passarmos para o contexto internacional a realidade é ainda mais crua. 854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção mundial ser suficiente para todos. Não consigo deixar de pensar nas cotas de produção da União Europeia e no caminho que levam os excedentes de produção, que não são muito melhores do que as regras do comércio mundial.
40% de pobres activos (ter profissão não é suficiente para deixar de ser pobre);
740 mil portugueses vivem com menos de seis euros por dia;
2.1 milhões de pobres;
O estudo que conduziu a estes dados foi realizado entre 1997 e 2001. Imaginemos que o seria no actual contexto económico-financeiro. Não devemos ficar nada tranquilos, apesar de o estudo ter demonstrado que a pobreza não é uma condição e que a mobilidade é possível (num e noutro sentido, note-se). Tenhamos esperança.
Mas há mais: estamos no conjunto dos 10 países europeus, creio, onde o risco de pobreza é mais elevado. Recorde-se ainda que há um par de anos surgiram notícias que davam conta de que 300 mil portugueses passavam fome.
Se passarmos para o contexto internacional a realidade é ainda mais crua. 854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção mundial ser suficiente para todos. Não consigo deixar de pensar nas cotas de produção da União Europeia e no caminho que levam os excedentes de produção, que não são muito melhores do que as regras do comércio mundial.
Assinar:
Postagens (Atom)




