Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Continua tudo no melhor dos mundos

Segundo dados apresentados por Medina Carreira, na Sic Notícias, Portugal será, em 2015, note-se bem, o país mais pobre da União Europeia.
Haja quem seja capaz de entender a nossa incompetência e impreparação ao fim de 21 anos, até ao presente, de fundos estruturais.
Realmente, nada como a história para compreender a evolução de um povo e de um país. É triste, muito triste, mas suspeito, com grande pesar, que nada mudará, nunca, no país da mão de obra barata do ministro Pinho, na WestCoast do ICEP... já agora, a propósito dessa campanha, já houve alguém que questionou a razão de quase todas as fotografias serem de desportistas, de não haver ninguém da literatura, da ciência, de outras áreas do saber... Que pergunta!! Não estará essa estratégia de acordo com tudo que disse acima?! Além do mais, não é inteiramente verdade que não haja outros representantes. Lembro aqui o Sr. arqto Câncio Martins, que ninguém faz a mínima ideia de quem seja. Em Portugal, em Lisboa, conhecem-lhe a obra mais recente (o Hotel Heritage, na Avenida da Liberdade) e por esse mundo fora os clientes e habituais conhecerão alguns dos mais badalados sítios de diversão, como restaurantes e bares, mas duvido que saibam quem venha a ser o autor. Seja como for, será sempre uma franja muito diminuta do potencial público alvo da campanha. Tudo sempre bem feito, à portuguesa, e de modo a que em 2015 não se confirme o presságio, ou previsão - mesmo - de que Medina Carreira nos lembrou.
por favor...

Estou farto da supremacia da imagem em tudo o que nos rodeia.
O design tornou-se, muitas das vezes, a par com a arquitectura, verdadeiramente idiota. E a ideia de sustentabilidade e eco-qualquer-coisa está a tornar-se a passos largos uma manifestação de estupidez e mau gosto permanentes. Isto de ser engraçado ou pretender sê-lo tem que se lhe diga.
E os ''cubos e cilindros amontoados'' são o quê? sustentabilidade japonesa? preservação do espaço, para aprisionar o ser humano em pequenas células de sobrevivência mínima? Há-de valer de muito! Depois de loucos, o espaço envolvente será certamente muito apreciado. Assim se vai pensando e representando o mundo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Vida charmosa e, porque não, ocupada
.jpg)
Estas coisas da vida charmosa não vão lá sem mais, por acaso. É por isso mesmo que num aturado e empenhado treino estamos no escritório, desde sexta, dia 26, a efectuar impressões de teste e a corrigir 60 ''lençóis'' que, se espera, alguém saiba interpretar totalmente.
De manhã à noite, sem parar.
A isto sim, se chama Glamour!
Para subverter tudo isto, e dar mesmo ideia de que tudo resulta de exercícios de total desprendimento e absoluta e única inspiração, nada como, para a confusão, deixar as imagens que a Ana competentemente realizou.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Davos de novo

Digam aos senhores que todos os anos se juntam para decidir sobre os males do mundo - sim, sobre os males do mundo - que insistem em querer piorar, em nome das regras do comércio mundial e de mais uns quantos assomos de vaidade, ganância, cinismo, maldade e, não raras vezes, incopetência, que nos deixem em paz e aproveitem a estância de ski, a neve, que se divirtam, que gozem a vida, que desçam muitas pistas pretas e de bossas, para que se estraguem de vez... ah, mas primeiro visitem bem a estância, da autoria de Gigon/Guyer architekten. Pelo menos aproveitavam a viagem.
Um pouco de optimismo
Nem tudo é enfado e os resultados compensam muito, O acto criativo, o seu processo, nem sempre deixa de ser doloroso, mas é uma sensação inexplicável conseguir materializar qualquer coisa a partir no nada. Qualquer coisa que na origem só se encontra no interior das células cerebrais, e vai ganhando definição, complexidade, espessura e visibilidade em plantas, cortes, alçados, detalhes a escalas variadas, modelos, e finalmente na obra.
O projecto da última imagem de baixo não foi pago, trabalhei para aquecer, fiquei a arder, fui enganado, verdadeiramente ludibriado, a minha confiança foi traída, vilipendiada, desprezada e espezinhada, mas é sempre um prazer imenso olhar para estas imagens, fazendo-me esquecer o desprezível dinheiro. Talvez esta seja uma das essências do acto criativo. Apesar das contrariedades, apesar de todos os encargos, no final nada mais interessa. Fomos nós. É um trabalho nosso, que nos pertence. Espero que nada tenha de vaidade, mas é realmente boa, a sensação.
Glamour mal medido
Para quem acha que a vida de arquitecto é glamourosa, umas quantas recomendações:
1. pode começar pela revisão de um projecto, que por acaso, leve acaso, até já se encontra em obra, alterando dezenas de peças desenhadas que se davam por terminadas, a que se adiciona a solução de projecto que se pensava terminada e estabilizada;
2. mas o top dos tops, o highlight mesmo, é a finalização de um projecto de execução. Vale a pena passar pela experiência da correcção indindável das gralhas e incoerências que existem nos desenhos e entre folhas; já para não falar da definição, até à exaustão, em todas as escalas e adornados com as mais imaginativos tipos de tramas e legendas, dos múltiplos aspectos da obra que alguém usará, espera-se que bem, mas que nós, nós mesmos, raramente visitaremos de novo, desde logo para resistir ao desconforto de a ver ir-se tornando pior, dia a dia, com a legítima, ou nem tanto, apropriação por parte do dono ou ocupante; isto para já não falar do sem fim de mapas, com informação até ao infinito, como o de vãos, de acabamentos e de outras coisas mais, para terminar com as peças mais maravilhosas de todas: os mapas de medições (quantos m2 de tela de impermebilização ou de placas de isolamento térmico tem um edifício é seguramente um dado que interessa à UNICF, ao G8, à Organização Mundial de Saúde, a todos os países da EFTA, à Presidência do Concelho de Ministros e, porque não dizê-lo, à CENTRAL MODELS e, muito mais, a Karl Lagerfeld e, por maioria de razão, à felicidade de Sarkozy e Carla Bruni... quelqu'un m'a dit...), isto sem me esquecer, seria imperdoável, do glorioso Caderno de Encargos, este sim: ó chefe, aplique lá o geotêxtil, como deve ser, sobre a camada de forma e não deixe de afagar bem esse argamassa sobre o massame armado.
Maravilhoso?
É que é possível repetir a operação vezes sem conta, até à senilidade. Isto é, até ao dia em que deixarmos de trabalhar por manifesta incapacidade, ou, com juízo e fortuna, até ao dia em que a acumularmos precocemente, por herança ou golpe de sorte, que isto, como já se viu, com trabalho não vai lá, está toda a humanidade cansada de saber; esta ausência de pólvora está mais do que descoberta; não há roda, nem fogo nessas paragens.
1. pode começar pela revisão de um projecto, que por acaso, leve acaso, até já se encontra em obra, alterando dezenas de peças desenhadas que se davam por terminadas, a que se adiciona a solução de projecto que se pensava terminada e estabilizada;
2. mas o top dos tops, o highlight mesmo, é a finalização de um projecto de execução. Vale a pena passar pela experiência da correcção indindável das gralhas e incoerências que existem nos desenhos e entre folhas; já para não falar da definição, até à exaustão, em todas as escalas e adornados com as mais imaginativos tipos de tramas e legendas, dos múltiplos aspectos da obra que alguém usará, espera-se que bem, mas que nós, nós mesmos, raramente visitaremos de novo, desde logo para resistir ao desconforto de a ver ir-se tornando pior, dia a dia, com a legítima, ou nem tanto, apropriação por parte do dono ou ocupante; isto para já não falar do sem fim de mapas, com informação até ao infinito, como o de vãos, de acabamentos e de outras coisas mais, para terminar com as peças mais maravilhosas de todas: os mapas de medições (quantos m2 de tela de impermebilização ou de placas de isolamento térmico tem um edifício é seguramente um dado que interessa à UNICF, ao G8, à Organização Mundial de Saúde, a todos os países da EFTA, à Presidência do Concelho de Ministros e, porque não dizê-lo, à CENTRAL MODELS e, muito mais, a Karl Lagerfeld e, por maioria de razão, à felicidade de Sarkozy e Carla Bruni... quelqu'un m'a dit...), isto sem me esquecer, seria imperdoável, do glorioso Caderno de Encargos, este sim: ó chefe, aplique lá o geotêxtil, como deve ser, sobre a camada de forma e não deixe de afagar bem esse argamassa sobre o massame armado.
Maravilhoso?
É que é possível repetir a operação vezes sem conta, até à senilidade. Isto é, até ao dia em que deixarmos de trabalhar por manifesta incapacidade, ou, com juízo e fortuna, até ao dia em que a acumularmos precocemente, por herança ou golpe de sorte, que isto, como já se viu, com trabalho não vai lá, está toda a humanidade cansada de saber; esta ausência de pólvora está mais do que descoberta; não há roda, nem fogo nessas paragens.
No hay camino
“O melhor das mulheres é descobri-las. Não há nada que chegue à primeira vez. Uma pessoa não sabe o que é a vida enquanto não despe pela primeira vez uma mulher.”
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento
Encontrei este post no blog do meu grande amigo Raúl. Não querendo tirar-lhe a originalidade, não resisti a postá-lo aqui, para que conste! Sobretudo, o melhor deste Ruiz Záfon é que cada descoberta é uma decoberta única, irrepetível, sem receitas, nem passos previamente estudados ou aprendidos. Como bem sabe António Machado:
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.*
"Cantares" de (1875-1939)
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento
Encontrei este post no blog do meu grande amigo Raúl. Não querendo tirar-lhe a originalidade, não resisti a postá-lo aqui, para que conste! Sobretudo, o melhor deste Ruiz Záfon é que cada descoberta é uma decoberta única, irrepetível, sem receitas, nem passos previamente estudados ou aprendidos. Como bem sabe António Machado:
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.*
"Cantares" de (1875-1939)
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Geo-estratégia, política internacional, qualquer coisa...

Tenho uma tendência natural para me deixar questionar sobre os limites da diplomacia internacional. Ao que parece, a Cimeira EU África foi um sucesso, como costumam ser estas coisas em que os governantes se encontram e trocam salamaleques. Teria sido ainda melhor, se o Sr. Mugabe não tivesse vindo, a ponto de o primeiro ministro Inglês se recusar a estar presente, o nosso presidente escusar-se a comentar a presença do dito e o antigo chefe de estado, Ramalho Eanes, em entrevista televisiva, ter visto como preferencial a ausência do senhor. Mais: parece que além da líder alemã, houve mais uns quantos que fizerem questão de recordar que o sr. Mugabe ingligia grande sofrimento ao seu povo, agindo contrariamente às suas incumbências por inerência das suas funções. No meio disto tudo, parece que se esqueceram de referir que tratou muito mal cidadãos britãnicos, o que à luz do pensamento europeu, é inadmissível e que isso o torna indesejado em solo do velho continente. Talvez eu esteja a exagerar, de qualquer modo, se não for essa a razão, o que é que torna a maioria dos presentes na cimeira parceiros recomendáveis?! De repente, de repente, a única coisa que me ocorre é que só chateiam pretos seus conterrãneos, ao contrário de Mugabe que não gostava particularmente de europeus, ainda por cima brancos, ainda por cima britãnicos, membros de um dos estados mais fortes da UE. Mas é claro que um dos argumentos que foi apresentado ao senhor, de que estava a tornar a vida dos seus governados muito difícil devido a uma inflação que já ninguém consegue calcular é perfeitamente válido e determinante para a forma como na europa e em particular em Inglaterra se morre de amores por ele. Provalemnete a inflação no Sudão, em Angola, na Suazilândia, na Líbia, etc, etc, é muito menor e torna tudo mais compreensível.
Mais um Ano, mais um Natal, tudo na mesma
O ano passou. O Natal aí está. As grandes empresas continuam a patrocinar, num exercício reforçado, os motivos de animação urbana desta quadra, como se aos poucos se fossem apoderando do espírito natalício, o que de resto já vai acontecendo com o assalto cada vez menos louco ao comércio (mas apenas por força das circunstâncias finaceiras menos favoráveis e não por qualquer transformação ética ou espiritual). Enquanto vamos trocando sorrisos de circunstância nestes últimos dias em que procuramos um presente cujo valor não nos deixe ficar mal nesta corrida ao consumismo, e ao mesmo tempo que nos preocupamos com a classe do bacalhau que pretendemos ver à mesa com a nossa melhor toalha, continuam pessoas a dormir na rua de 24 para 25, a ir à sopa dos pobres e a não ter ninguém a quem oferecer o dito sorriso e a vê-lo retribuído... não é esse, o de circunstância, de centro comercial em hora de ponta ou de esplanda de chá de última hora em noite de consoada. É o verdadeiro, fraterno de dádiva, generoso. Mas que importa tudo isto?! Dia 26 é já a seguir e não tarda temos saldos, sem esquecer um déficit de 2,4% anunciado para o ano que vem, no qual, como se espera, haverá Natal de novo.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Tudo trocado
Nem mesmo Santana quer dormir!
Que tal hibernar, como os ursos. O sr. dr. ficava a descansar por um longo período e nós também.
Que tal hibernar, como os ursos. O sr. dr. ficava a descansar por um longo período e nós também.
Frases de sucesso para T'shirts banais
Aqui há ns dias vi uma t´shirt na Rua da Escola Politécnica, daquelas que todos gostaríamos que tivesse surgido de um nosso assomo de imaginação. Frase simples e forte:
Nietzsche est mort!
Dieu
Nietzsche est mort!
Dieu
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Força das circunstâncias

Por força das circunstâncias, vejo-me cada vez mais a encarnar o papel de investigador. Eu que nem sei bem o que isso venha a ser. Não interessa saber se a tarefa me agrada ou não. Tenho que a desempenhar e encará-la como apenas uma etapa para prosseguir a vida com normalidade, sem grandes sobressaltos, como se deseja e espera na super-bem-organizada sociedade que é a nossa. E pensando bem, é um privilégio raro. Estou obrigado a permanecer em casa, durante 3 anos, para estudar e investigar um tema que eu previamente escolhi, onde previamente escolhi. Podia ter aproveitado para ir para fora, para novos mundos, novas realidades. Mas mais uma vez a força das circunstâncias, como força que são, forçaram-me a ficar, ou pelo menos não tive a sabedoria e a força (mais uma vez) para me libertar e aprofundar o privilégio. A verdade é que, voltando atrás, à obrigação a que estou sujeito, não tenho tido umas semanas más. É verdade que estou muito no início, que de vez em quando a pesquisa (ver se o que procuro e encontro me interessa, marcar as páginas que devo fotocopiar, tirar os apontamento e fazer as anotações que se mostram pertinentes e indispensáveis) se mostra, dizia, bastante exasperante. Mas tem compensado muito. Deixei de estar sujeito à pressão diária da arquitectura. Dos projectos de especialidades que tardam, das decisões que não chegam, de obras que se perpetuam, de descobertas, no estaleiro, inesperadas e imcompatíveis com o já definido, e que obrigam a alterações também inesperadas. Dos assucatanços habituais, do ritmo de trabalho idiota, das horas parvas, dos inúmeros mails e faxes. Não sei se estou melhor. Mas estou seguramente diferente. Os arquivos têm horários que ninguém entende (10h30m - 12h30m; 14h30m 17h00m; fechado à quinta-feira). As regras burocráticas não confirmam a tão anunciada aposta governativa em investigação. A FCT tem mais meios financeiros, mas no terreno a conversa é outra: as esperas pela consulta, apesar da boa vontade de funcionários, são de loucos e os pedidos de autorização fazem cair os cabelos a um careca. Temos tempo! Não se incomodem. Isto para já não falar das condições. Tenho estado bem sentado, é verdade, a temperatura ambiente não está mal, não chove, nem faz vento, mas fazia falta um rasgo de iluminação natural. Deve ser para acalmar, que me sinto afastado do pulsar dos dias, da variação de luminosidade ao longo do ciclo diáro e das estações. Para mim, enquanto ali estiver, tudo permanece na mesma. Nada muda. Se deixar o relógio em casa, o tempo permanecerá imóvel, e, se por lá dormir e viver durante meses, não notarei grande diferença. Deve ser mesmo para me acalmar; não notarei o tempo passado, será tão imóvel como a cabeça da velha, na Serra da Estrela. Sem a pressão do tempo, no stress!
Valham-me, no meio disto, as relações humanas. De quem me tem atendido, só posso dizer bem. Sempre o mesmo empenho em dar resposta aos pedidos que faço, sempre com a mesma solicitude e sorriso. Para quem diz mal dos serviços públicos, para quem afirma que só encontra má vontade e falta de educação, recomendo uma visita à biblioteca da Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano.
Voltando ao início e à força das circunstâncias, mais uma vez verifico que, como reconhecido por Maria Filomena Mónica no prefácio da sua autobiografia, a parcela daquilo que controlamos nas nossas vidas é menor do que julgamos. Estou a fazer o que estou, porque as minhas circunstâncias me enrolaram, nunca o pensei fazer; é verdade que é porque quero, para poder manter-me onde estava; porém, onde eu estou, é já resultado do que me havia já sido posto à frente e no caminho por uma conjugação de factos sobre o qual não tive controlo total. Apareceram assim na sua conjugação. Escolha, quem é que falou em Escolha? Mas a Liberdade é fantástica.
Arte Lisboa
De 7 a 12 decorre a Arte Lisboa.
Confesso a minha ingenuidade de ter pensado que se tratava de uma ARCO, em Lisboa. Imaginava eu que existia um mercado para essa dimensão. Enganei-me. E as palavras dos Joões (Fernandes e Pinharanda) desfazem o meu equívoco: não existe mercado em Portugal. Seja como for, mesmo que a dimensão não seja a esperada, aí está um dos pavilhões da FIl recheado de muitas e boas obras, para comprar ou, simplesmente, para deleite visual. Não me referindo aqui aos já muito consagrados, vale a pena ir ver Teresa Silva, Gabriela Rodrigues e, sobretudo - para mim a grande revelação - Diogo Pimentão. É de comprar enquanto é possível.
Confesso a minha ingenuidade de ter pensado que se tratava de uma ARCO, em Lisboa. Imaginava eu que existia um mercado para essa dimensão. Enganei-me. E as palavras dos Joões (Fernandes e Pinharanda) desfazem o meu equívoco: não existe mercado em Portugal. Seja como for, mesmo que a dimensão não seja a esperada, aí está um dos pavilhões da FIl recheado de muitas e boas obras, para comprar ou, simplesmente, para deleite visual. Não me referindo aqui aos já muito consagrados, vale a pena ir ver Teresa Silva, Gabriela Rodrigues e, sobretudo - para mim a grande revelação - Diogo Pimentão. É de comprar enquanto é possível.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Pura irracionalidade
Aí está. Mais uma daquelas coisas inexplicáveis que só se passam neste país. Um Estatuto do Estudante para formar selvagens em potência. Ninguém reprova por faltas.Um pagode completo. Todos sabemos que os estudantes - com exlusão dos mais tótós, é óbvio - só irão às aulas a que forem mesmo obrigados a ir. Sei eu e sabem todos que, tal como o autor destas linhas, se fartaram de faltar para não deixar de estar presentes em coisas que nos pareciam inadiáveis. A adolescência tem dessas coisas e a Ministra da Educação parece ser a única pessoa que não o sabe. Posso estar enganado, mas se não é importante ir às aulas, se o aproveitamento e a aquisição de conhecimentos não tem nada que ver com a presença nas salas de aula, na escola; se a escola não é também um local de formação, de sociabilização, de crescimento do estudante, como individuo, no contacto com os colegas, pois fechem-se todos os estabelecimentos de ensino. Retome-se o modelo da tele-escola. Sairá muito mais barato. Será um importante contributo para a meta de 2,4%.
Esse, que a Minitra nos queria impor, não é o modelo de escola em que me revejo. Não é assim que formaremos cidadãos. Já todos sabemos dos terríveis hábitos que a universidade portuguesa ajuda a criar ao não impor a presença nas aulas como um requisito fundamental para o aproveitamento. Com base em horários de vida, de estudo, de sono, de vigília, completamente invertidos, sai-se da faculdade com a firme convicção de que não se é capaz de trabalhar de manhã ou, pior, de dia. E isto apenas como efeito dos últimos 5 anos do sistema de ensino. O que não seria ao fim de 12 anos com a ideia do ministério. Tenham juízo! Felizmente o PS desta vez não se curvou perante a arrogância e os golpes de secretaria do ministério. O abandono escolar é um problema, é certo. Coloca-nos muito mal na Europa. Correcto. Mas querer acabar com ele por via administrativa parece uma péssima ideia, contraditória com a aposta, tão anunciada, de investir os fundos de 2007-2013 (os últimos) em formação e qualificação. Que país. Quando chegará o rigor e a exigência? Quando nos obrigaremos a ser bons, a ser excelentes? Essa talvez seja a via para nos tornarmos realmente europeus. De outro modo, não passaremos de uma pálida imitação, de péssima qualidade e ridícula.
Esse, que a Minitra nos queria impor, não é o modelo de escola em que me revejo. Não é assim que formaremos cidadãos. Já todos sabemos dos terríveis hábitos que a universidade portuguesa ajuda a criar ao não impor a presença nas aulas como um requisito fundamental para o aproveitamento. Com base em horários de vida, de estudo, de sono, de vigília, completamente invertidos, sai-se da faculdade com a firme convicção de que não se é capaz de trabalhar de manhã ou, pior, de dia. E isto apenas como efeito dos últimos 5 anos do sistema de ensino. O que não seria ao fim de 12 anos com a ideia do ministério. Tenham juízo! Felizmente o PS desta vez não se curvou perante a arrogância e os golpes de secretaria do ministério. O abandono escolar é um problema, é certo. Coloca-nos muito mal na Europa. Correcto. Mas querer acabar com ele por via administrativa parece uma péssima ideia, contraditória com a aposta, tão anunciada, de investir os fundos de 2007-2013 (os últimos) em formação e qualificação. Que país. Quando chegará o rigor e a exigência? Quando nos obrigaremos a ser bons, a ser excelentes? Essa talvez seja a via para nos tornarmos realmente europeus. De outro modo, não passaremos de uma pálida imitação, de péssima qualidade e ridícula.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
O mealheiro

A propósito da onda de júbilo à volta do compromisso alcançado com o Tratado reformador da europa - o de Lisboa - não deixa de me sair da ideia um racicínio simples a propósito daquelas que ficaram vistas como as desmancha-prazeres-e-intoleráveis-manifestações-de-nacionalismo da Itália, Polónia e Bulgária. Esperemos para ver para onde vai esse orgulho optimista todo (como se o nome ''de Lisboa'' fosse o fim em si mesmo) quando se acabarem os euros que enchem o mealheiro até 2013 e Portugal tiver que viver com o que então for capaz de produzir. Até agora o guito, a massa, tem dado razões de sobra para que a Europa seja uma realidade que não se referenda, não se discute (Deus e a virtude dos nossos tempos). Vamos ver se continuamos todos mudos quando Lisboa tiver que se sujeitar às decisões emanadas do sistema de dupla maioria e a nossa opinião contar tanto como o que se pensa em Coimbra sobre a orientação das políticas nacionais ou sobre a distribuição do investimento público. Nessa altura talvez Lisboa não se recorde com a mesma alegria do seu próprio nome. Mas o Tratado tem um nome bonito e o consenso foi alcançado graças à intervenção de uma presidência portuguesa. Isso é que importa.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Puro Génio
Assinar:
Postagens (Atom)



