
Portugal é um erro histórico.
A frase é de Vasco Pulido Valente. Durante muitos anos quis recusar-me a aceitar que encerrasse alguma verdade. Mas a sucessão de factos e a ''evolução'' do país, cada vez me tornam mais céptico. Medina Carreira terá a sua responsabilidade. E nem Ricardo Costa tem conseguido desfazer o que o primeiro agrava. O seu optimismo não é suficiente forte perante a crueza e evidência dos factos, dos números, das estatísticas. Mas a verdade é que nem ele consegue explicar o seu modo de encarar a realidade portuguesa (E eu até sou bastante optimista. Não me pergunte é porquê).
Estou contagiado. A leitura do Dever da Verdade, daquele advogado de profissão e do jornalista da SIC, tem-me mostrado um futuro, tudo menos risonho e promissor:
''As estatísticas da OCDE mostram que, na pupulação dos 25 aos 64 e sem mais que o primeiro ciclo da do secundário, a Finlândia [o nosso modelo, se bem me lembro] registava em 2002 25%, a Irlanda 39% e Portugal 80%. Estamos pior que a Turquia e só melhor do que o México. Portugal é um dos três países com mais baixos níveis de instrução entre todos os trinta da OCDE''.
Será da falta de investimento?
A resposta é clara: ''(...) o esforo financeiro de Portugal é, em termos relativos, dos mais elevados da UE/15.
Em 2001 registávamos 5,9% do PIB, ficando acima de nós apenas a Dinamarca [da Flexisegurança!] (8,5%), a Suécia (7,3%), a Finlândia (6,2%) e a Bélgica (6,1%)''.
No lote dos que dispensam à educação uma percentagem do PIB inferior à nossa contam-se a Áustriam a Alemanha, a França, a Grécia, a Holanda, a Itália, o Luxemburgo e o Reino Unido. Claro que com melhores resultados.
Noutros indicadores não estamos melhor: ''(...) a economia mundial crece a 4%. Para 2007 prevê-se que a China evolua à taxa de 10%, os EUA a 2,9%, a Rússia 6,5%, a Espanha 3%, a zona Euro a 1,9% e a OCDE 2,5%.
Para Portugal admite-se apenas 1,3%, depois de, entre 2000 e 2005, termos registado uma média anual de de 0,5%''.
Fantástico. Que fazer com este pedaço de terra e com esta gente? Cada vez estamos mais brutos, laxistas, irresponsáveis, menos exigentes e, sobretudo, muito mais burocratas. Desde que me conheço, já houve 350 ministros da Educação e 2500 formas distintas de aceder ao ensino superior e 9800 modos distintos de organização do secundário. Claro que os decretos e as estatísticas não têm conseguido mudar a realidade. Essa parece não querer atender à vontade indómita das secretarias dos ministérios e das Direcções-Gerais (não se percebe porquê, confesso). Agora ambicionamos copiar outros países da Dinamarca à Finlândia, passando pela Irlanda. Acontece, porém, que nenhum fez e fará o favor de esperar por nós. Entre 45 e 75, durante 30 anos a seguir à guerra, período de crescimento ímpar, estiveram a tratar da vidinha. Agora, parece que para nosso mal, continuam a insistir no terrível hábito de crescer a um ritmo superior ao nosso. Acordámos, se é que acordámos, tarde e mal. É oportuno terminar como comecei, com Jorge Palma, perguntando a este país ...de que é que estás à espera?
Claro que estou a ser injusto porque José Sócrates tem a solução. Através do Programa Novas Oportunidades propõe-se formar 1 000 000 de activos até 2010. 10% da pupulação! Não se pode acusá-lo de falta de ambição. É de facto muita gente e muito pouco tempo. Mas há uma dúvida que me assola. Será que os restantes portugueses se vão transformar em formadores, para poder cuidar de todos esses formandos? Não, não vou ter a tentação de afirmar que será como a história dos 150 000 postos de trabalho até ao final da legislatura. Afinal ainda falta muito tempo! E se o primeito ministro der seguimento à sua carreira de projectista, com o fulgor que se lhe conhecia, decerto vai registar-se um forte incremento no sector da construção e um disparar da economia.
P.S.- Felizmente a arquitectura tornou-se um símbolo de status e vigor económico o que, com o cada vez mais profundo fosso entre ricos e pobres, o mais acentuado em toda a Europa, me deixa espaço para ter esperança num futuro mais risonho. Será essa a saída; como não pudemos aperceber-nos antes: vamos tornar Portugal numa imensa classe de arquitectos. ...isto, claro, se pudermos deixar de contar com a concorrência de todos esses ''pequenos projectistas da Covilhã'', espalhados por toda a parte, em todo o país.




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