quarta-feira, 19 de março de 2008

Formação perfeita na Arrifana













Não, o tamanho não importa. Esta imagem da Arrifana, encontrada algures na net, é disso prova inequívoca.

terça-feira, 18 de março de 2008

Biblioteca Nacional

As bibliotecas são lugares fantásticos. É espantosa a atmosfera que se vive a partir da sala do catálogo até à sala de leitura. A calma e o silêncio que separam do mundo exterior são o que mais fascinam nestes edifícios. Parece que de facto se estabelece uma suspensão no tempo e um corte com a vida que temos ''lá fora''. O nível sonoro não é um ponto forte na Sala de Leitura da Biblioteca Nacional (fortemente condicionado pela constante passagem de aviões), ainda assim, dá vontade de entrar e permanecer. A luz velada ajuda a superar o que a rota de aproximação ao aeroporto perturba. Podia elogiar a qualidade do desenho do mobiliário, a nobreza da imagem e ambiente dos espaços internos, a perenidade do seu desenho ou a robustez com que tem resistido ao passar dos anos, mas isso são coisas do passado, quando a política de obras publicas não se costumava enganar ou enveredar por vias mais incultas ou pelo facilitismo. Não é novidade. Costumava ser assim. Já se sabe. Surpreendente é a forma como são realizados os pedidos de consulta de leitura a partir da sala do catálogo e dos computadores onde se faz pesquisa da base de dados dos fundos depositados na biblioteca. No novo sistema de pedidos on-line, o primeiro passo consiste na escolha de lugar, com um simples clique de rato, depois de realizado o login. Seguidamente, durante a pesquisa, acto contínuo, é só clicar num campo que está associado à listagem das obras pesquisadas, e aquela(s) que for(em) escolhida(s) passa(m) do ecrã para processamento directo pelos funcionários, nos depósitos. Quando chegamos ao nosso lugar, previamente escolhido, já parte das obras a consultar se encontram sobre a secretária. Até parece de país civilizado. O horário também. Depois de meses metido em sítios com horários estranhos, encontrar uma biblioteca aberta até às 19h30 é o mesmo que a imagem de um oásis num deserto. Que país de contradições, capaz do mais insólito e destes nichos de excelência. Mas desta vez está bem, bastante bem.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Festival de Blues em Coimbra

Para me redimir do mal que digo, um elogio à edição deste ano do festival Coimbra em Blues que se realizou este final de semana. Numa cidade que parece estar um pouco letárgica, iniciativas como esta contribuem decisivamente para a por no mapa. A direcçao musical de Paulo Furtado só pode estar de parabéns.

O último dia contou com a presença de Ruby Ann (como coninbricense só podia mesmo cantar bem!) e, claro, com a do magistral Super Chikan. Grande concerto. O Gil Vicente animado como nunca o tinha visto.
Ambos para descobrir no youtube. Imperdível.

€ 0,30 a fotocópia

De novo na rotina de ''investigador''. Enquanto tento perceber exactamente o que vem a ser esta mais ou menos profissão/ocupação/trabalho, vou tentando deixar, para trás, plantas de localização e a várias cotas, detalhes de fachadas e de vãos a escalas e com definição várias, esquemas de pintura e de localização de pontos de iluminação, pormenores de arranjos exteriores e um sem número de folhas e de impressões em formato XL. Mais uma pausa, um afastamento muito temporário, sem grande quebra, até porque as obras não darão, felizmente, tréguas, requerendo a minha presença na alternância entre alguns problemas para resolver, verdadeiras catástrofes e um normal desnvolvimento. Enquanto tento concentração e penso na estrutura do texto que é suposto escrever ao longo dos próximos anos, vou testanto a minha capacidade para bater as teclas, o que me dará enorme jeito nos próximos tempos e enquanto não conseguir deixar o Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas. Depois das 1600 fotocópias que acumulei graças ao acervo do Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento urbano, eis-me a pensar em poupar papel e, consequentemente, a assumir uma veia ecologista e a salvar umas quantas árvores de um abate mais do que certo. É que isto de fazer capitular uns quantos eucaliptos com a cópia a € 0,03 não é tarefa heróica. Ningém deverá ser lembrado por essa coisa de meninos. No MOP, sim! Aí a coisa é a sério. Talvez um pouco surpreendente, ainda assim. Dizem os nossos responsáveis políticos e decisores que a aposta agora é na qualificação e na investigação. Há um ano ou dois, inclusivamente, o Sr. Primeiro Ministro fez atrasar o resultado das candidaturas às bolsas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, depois de ter anunciado, na Assembleia da República, o seu reforço em € 20 000 000,00. A experiência parece querer dizer-me outra coisa. Apesar de ter sido um dos felizes contemplados não encontro um cenário assim tão coerente. Maldade minha, porque na verdade o MOP é coisa séria. De um país que não vê a investigação como coisa de pelintra. Mais nada! A tabela de preços que ali vigora é a do Arquivo Nacional da Torre do Tombo! Nada de brincadeiras!

Mas que se pague € 0,30 por uma fotocópia na na Torre do Tombo, eu percebo, já que desincentiva a reprodução de documentos raros e garante a sua preservação . Mas parece-me um claro excesso ter que me ver confrontado com um custo semelhante para obter a cópia de uma vulgar fotocópia e nem sempre de boa qualidade. Mais uma falácia do nosso Estado. Já não se trata de preservação dos originais, que estão a salvo e bem guardados, mas do financiamento dos serviços públicos, lamentavelmente por vias que entram em clara contradição com as políticas definidas e com a utilidade dos impostos que nós, utilizadores/pagadores/financiadores e contribuintes temos que entregar à fazenda pública.

Só mais um pormenor: a digitalização de documentos tem o preço unitário de € 0,15, no Arquivo Histórico do MOP. Mas infelizmente o digitalizador tem estado persistentemente avariado.

segunda-feira, 10 de março de 2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

Estranho critério

A ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, confirmou ontem o empenho deste governo na avaliação por objectivos e mérito, dos professores. Não deixa de ser insólito, tendo em conta que a avaliação dos discentes deixou de ser uma prioridade. A passagem de ano, cada vez mais facilitada (mesmo no caso de um aluno faltoso), e a indisciplina generalizada, facilitada pelo esvaziamento de autoridade da escola e dos professores, não apontam para a definição de objectivos e mérito que os alunos tenham que cumprir e demonstar. É realmente estranha a falta de coerência e, sobretudo, e impossibilidade da medida, tendo em conta o mínimo de rigor e objectividade. Como se pode avaliar os professores, se os alunos não têm o seu desempenho devidamente apreciado? Neste contexto de indisciplina generalizada e em que não se consegue ensinar nada a ninguém, como é que os professores podem ser avaliados? Num quadro em que a escola deixou de ser valorizada pela sociedade, correspondendo muito mais a um depósito onde os paizinhos largam os filhos durante o dia, como é que se pode querer apreciar o desempenho de quem quer que seja, pelo menos numa base séria?
A ideia da avaliação é boa, mas deste modo parece que está tudo a começar pelo fim. Melhor seria começar por devolver o rigor e a dignidade ao sistema de ensino.
Mas claro que a acusação de falta de rigor é injusta. A visita da polícia a escolas, no quadro da manifestação de professores em Lisboa, demonstra um rigor assinalável para a rigorosa regulação do trânsito na capital, onde será rigorosamente acautelada a segurança dos manifestantes. Muito bem!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Caro Raúl

Fiquei realmente convencido com a tua argumentação. Temos de sugerir ao presidente da Comissão, já que é nosso patrício, para que, o mais depressa possível, proponha o alargamento da União Europeia. Mas não à Turquia (esses têm indicadores melhores do que Portugal). A misereráveis ainda mais ignorantes e brutos do que nós. Sei que vai ser difícil encontrar; não esqueço isso. Mas o homem é habilidoso. No fim de contas conseguiu os acordos de paz de Bicesse. É certo que foi sol de pouca dura e não muito tempo depois O José (o Eduardo) e o Jonas já andavam ao estalo outra vez. De qualquer forma foi uma boa tentiva e, seguramente, ele conhecia muito pior África do que conhece agora a Europa, lá a partir e Bruxelas.
Aí sim, se ele conseguir, se conseguirmos esse desígnio de um verdadeiro alargamento, vai ser bom. A Europa tem de deixar de ser elitista. Temos que dizer não a esta união de estados, ou ricos, ou instruídos, quando não acumulam as duas condições. Temos, além de mais, como dizes, de ter pensamento positivo. E na verdade, tudo é muito relativo. Se conseguirmos passar da 19ª posição numa Europa a 27, para o lugar 19º numa Europa a 49... toda a Europa! ...estaremos perfeitos. O problema, ver-se-á, é que nesses 49 estão países como a Suiça, o Liechtenstein, a Noruega e a Rússia. Se não os conseguirmos deixar de fora, passamos para o 23º posto. Paciência. Mas se os senhores do Vaticano quiserem, também... mau! Ou nem tanto, mais vale tê-los do nosso lado que isto sem milagres não vai lá! Mas os do Mónaco e de San Marino que nem pensem. Não queremos princípes, nem capitalistas, nem princípes capitalistas! Além de que como dizem (e não queremos aborrecer os senhores do Vaticano) é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus. De qualquer forma, podemos ainda contar com a Arménia, o Azerbaijão, a Ucrânia, a República Moldava, a Bielorrússia e a Albânia. Nada Mau.

Ainda a propósito...

Sempre me fascinaram as pessoas que pronunciam, de forma quase mágica, há-des e há-dem (que criatividade, que liberdade no uso da língua); é que dá muito mais trabalho! Não sei como conseguem. É quase o mesmo fascíno que sinto quando ouço trocar e baralhar biografia com bibliografia; quase a mesma coisa!
Ainda assim, não há quem chegue à malta das obras. É que trocar viga de travamento por viga de travação... Travação é daquelas invenções linguísticas de se lhe tirar o chapéu... de sol, de preferência, pois só essa dimensão presta a devida homenagem.

Poesia popular

Esta coisa da língua Portuguesa e do acordo ortográfico tem motivado os mais diversos posts artigos de opinião e intervemções públicas. Como não quero ficar arredado do debate (desejo estar na moda e actual), fica o meu contributo, deixando um testemunho de como o nosso idioma pode ser objecto de grande expressividade e de como se presta a grande criatividade, como língua viva que sempre tem sido.
Há anos atrás, numa das habituais incursões de elementos das forças de segurança nos cafés abertos a hora tardia na cidade de Coimbra (nem sempre para impor ordem e o fecho, mas algumas vezes para matar a sede...), foi registada esta brilhante frase, no Avenida, por um polícia, quase um poeta: ...ou a gente vai todos ou não vamos ninguém!

O habitual estigma da beleza

Joana Amaral Dias na televisão com Guilherme Silva no frente-a-frente da SIC Notícias. Mário Crespo com a sua evidente e habitual verve e delicadeza podia ter explicado a esta bonita e inteligente mulher que não precisa ser arrogante, quase desagradável, para que seja levada a sério.

Um grande favor ao país

Algum dos senhores deputados pode explicar ao seu colega da bancada comunista, Bernardino Soares, que é o personagem mais irritante e incomodativo da vida política nacional, e que prestaria um grande serviço à nação e à imagem dos políticos se se eclipssasse?

Resposta óbvia

Um grande amigo meu, o Raúl, coloca-se perante uma dúvida com toda a pertinência: porque é que os homens têm mamilos? Com tanto vigor a questão toma conta do seu pensamento que seria aquela que, se pudesse, Lhe apresentaria. Esquece um dado essencial. De nada valeria. O Raúl acabou de mandar para o sotão, para a cave, para a estratosfera, a teoria criacionista e todos os seus defensores. O Raúl, tal como eu, e todos os do nosso género, é um derivado de gaja. Qual costela...

Ai Portugal, Portugal...





Portugal é um erro histórico.

A frase é de Vasco Pulido Valente. Durante muitos anos quis recusar-me a aceitar que encerrasse alguma verdade. Mas a sucessão de factos e a ''evolução'' do país, cada vez me tornam mais céptico. Medina Carreira terá a sua responsabilidade. E nem Ricardo Costa tem conseguido desfazer o que o primeiro agrava. O seu optimismo não é suficiente forte perante a crueza e evidência dos factos, dos números, das estatísticas. Mas a verdade é que nem ele consegue explicar o seu modo de encarar a realidade portuguesa (E eu até sou bastante optimista. Não me pergunte é porquê).
Estou contagiado. A leitura do Dever da Verdade, daquele advogado de profissão e do jornalista da SIC, tem-me mostrado um futuro, tudo menos risonho e promissor:
''As estatísticas da OCDE mostram que, na pupulação dos 25 aos 64 e sem mais que o primeiro ciclo da do secundário, a Finlândia [o nosso modelo, se bem me lembro] registava em 2002 25%, a Irlanda 39% e Portugal 80%. Estamos pior que a Turquia e só melhor do que o México. Portugal é um dos três países com mais baixos níveis de instrução entre todos os trinta da OCDE''.
Será da falta de investimento?
A resposta é clara: ''(...) o esforo financeiro de Portugal é, em termos relativos, dos mais elevados da UE/15.
Em 2001 registávamos 5,9% do PIB, ficando acima de nós apenas a Dinamarca [da Flexisegurança!] (8,5%), a Suécia (7,3%), a Finlândia (6,2%) e a Bélgica (6,1%)''.
No lote dos que dispensam à educação uma percentagem do PIB inferior à nossa contam-se a Áustriam a Alemanha, a França, a Grécia, a Holanda, a Itália, o Luxemburgo e o Reino Unido. Claro que com melhores resultados.

Noutros indicadores não estamos melhor: ''(...) a economia mundial crece a 4%. Para 2007 prevê-se que a China evolua à taxa de 10%, os EUA a 2,9%, a Rússia 6,5%, a Espanha 3%, a zona Euro a 1,9% e a OCDE 2,5%.
Para Portugal admite-se apenas 1,3%, depois de, entre 2000 e 2005, termos registado uma média anual de de 0,5%''.

Fantástico. Que fazer com este pedaço de terra e com esta gente? Cada vez estamos mais brutos, laxistas, irresponsáveis, menos exigentes e, sobretudo, muito mais burocratas. Desde que me conheço, já houve 350 ministros da Educação e 2500 formas distintas de aceder ao ensino superior e 9800 modos distintos de organização do secundário. Claro que os decretos e as estatísticas não têm conseguido mudar a realidade. Essa parece não querer atender à vontade indómita das secretarias dos ministérios e das Direcções-Gerais (não se percebe porquê, confesso). Agora ambicionamos copiar outros países da Dinamarca à Finlândia, passando pela Irlanda. Acontece, porém, que nenhum fez e fará o favor de esperar por nós. Entre 45 e 75, durante 30 anos a seguir à guerra, período de crescimento ímpar, estiveram a tratar da vidinha. Agora, parece que para nosso mal, continuam a insistir no terrível hábito de crescer a um ritmo superior ao nosso. Acordámos, se é que acordámos, tarde e mal. É oportuno terminar como comecei, com Jorge Palma, perguntando a este país ...de que é que estás à espera?

Claro que estou a ser injusto porque José Sócrates tem a solução. Através do Programa Novas Oportunidades propõe-se formar 1 000 000 de activos até 2010. 10% da pupulação! Não se pode acusá-lo de falta de ambição. É de facto muita gente e muito pouco tempo. Mas há uma dúvida que me assola. Será que os restantes portugueses se vão transformar em formadores, para poder cuidar de todos esses formandos? Não, não vou ter a tentação de afirmar que será como a história dos 150 000 postos de trabalho até ao final da legislatura. Afinal ainda falta muito tempo! E se o primeito ministro der seguimento à sua carreira de projectista, com o fulgor que se lhe conhecia, decerto vai registar-se um forte incremento no sector da construção e um disparar da economia.

P.S.- Felizmente a arquitectura tornou-se um símbolo de status e vigor económico o que, com o cada vez mais profundo fosso entre ricos e pobres, o mais acentuado em toda a Europa, me deixa espaço para ter esperança num futuro mais risonho. Será essa a saída; como não pudemos aperceber-nos antes: vamos tornar Portugal numa imensa classe de arquitectos. ...isto, claro, se pudermos deixar de contar com a concorrência de todos esses ''pequenos projectistas da Covilhã'', espalhados por toda a parte, em todo o país.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Entre os teus lábios

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.


Retrato Ardente
, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Continua tudo no melhor dos mundos



Segundo dados apresentados por Medina Carreira, na Sic Notícias, Portugal será, em 2015, note-se bem, o país mais pobre da União Europeia.
Haja quem seja capaz de entender a nossa incompetência e impreparação ao fim de 21 anos, até ao presente, de fundos estruturais.
Realmente, nada como a história para compreender a evolução de um povo e de um país. É triste, muito triste, mas suspeito, com grande pesar, que nada mudará, nunca, no país da mão de obra barata do ministro Pinho, na WestCoast do ICEP... já agora, a propósito dessa campanha, já houve alguém que questionou a razão de quase todas as fotografias serem de desportistas, de não haver ninguém da literatura, da ciência, de outras áreas do saber... Que pergunta!! Não estará essa estratégia de acordo com tudo que disse acima?! Além do mais, não é inteiramente verdade que não haja outros representantes. Lembro aqui o Sr. arqto Câncio Martins, que ninguém faz a mínima ideia de quem seja. Em Portugal, em Lisboa, conhecem-lhe a obra mais recente (o Hotel Heritage, na Avenida da Liberdade) e por esse mundo fora os clientes e habituais conhecerão alguns dos mais badalados sítios de diversão, como restaurantes e bares, mas duvido que saibam quem venha a ser o autor. Seja como for, será sempre uma franja muito diminuta do potencial público alvo da campanha. Tudo sempre bem feito, à portuguesa, e de modo a que em 2015 não se confirme o presságio, ou previsão - mesmo - de que Medina Carreira nos lembrou.

por favor...




Estou farto da supremacia da imagem em tudo o que nos rodeia.
O design tornou-se, muitas das vezes, a par com a arquitectura, verdadeiramente idiota. E a ideia de sustentabilidade e eco-qualquer-coisa está a tornar-se a passos largos uma manifestação de estupidez e mau gosto permanentes. Isto de ser engraçado ou pretender sê-lo tem que se lhe diga.
E os ''cubos e cilindros amontoados'' são o quê? sustentabilidade japonesa? preservação do espaço, para aprisionar o ser humano em pequenas células de sobrevivência mínima? Há-de valer de muito! Depois de loucos, o espaço envolvente será certamente muito apreciado. Assim se vai pensando e representando o mundo.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Vida charmosa e, porque não, ocupada



Estas coisas da vida charmosa não vão lá sem mais, por acaso. É por isso mesmo que num aturado e empenhado treino estamos no escritório, desde sexta, dia 26, a efectuar impressões de teste e a corrigir 60 ''lençóis'' que, se espera, alguém saiba interpretar totalmente.
De manhã à noite, sem parar.
A isto sim, se chama Glamour!

Para subverter tudo isto, e dar mesmo ideia de que tudo resulta de exercícios de total desprendimento e absoluta e única inspiração, nada como, para a confusão, deixar as imagens que a Ana competentemente realizou.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Davos de novo


Digam aos senhores que todos os anos se juntam para decidir sobre os males do mundo - sim, sobre os males do mundo - que insistem em querer piorar, em nome das regras do comércio mundial e de mais uns quantos assomos de vaidade, ganância, cinismo, maldade e, não raras vezes, incopetência, que nos deixem em paz e aproveitem a estância de ski, a neve, que se divirtam, que gozem a vida, que desçam muitas pistas pretas e de bossas, para que se estraguem de vez... ah, mas primeiro visitem bem a estância, da autoria de Gigon/Guyer architekten. Pelo menos aproveitavam a viagem.

Um pouco de optimismo



Nem tudo é enfado e os resultados compensam muito, O acto criativo, o seu processo, nem sempre deixa de ser doloroso, mas é uma sensação inexplicável conseguir materializar qualquer coisa a partir no nada. Qualquer coisa que na origem só se encontra no interior das células cerebrais, e vai ganhando definição, complexidade, espessura e visibilidade em plantas, cortes, alçados, detalhes a escalas variadas, modelos, e finalmente na obra.
O projecto da última imagem de baixo não foi pago, trabalhei para aquecer, fiquei a arder, fui enganado, verdadeiramente ludibriado, a minha confiança foi traída, vilipendiada, desprezada e espezinhada, mas é sempre um prazer imenso olhar para estas imagens, fazendo-me esquecer o desprezível dinheiro. Talvez esta seja uma das essências do acto criativo. Apesar das contrariedades, apesar de todos os encargos, no final nada mais interessa. Fomos nós. É um trabalho nosso, que nos pertence. Espero que nada tenha de vaidade, mas é realmente boa, a sensação.




Glamour mal medido

Para quem acha que a vida de arquitecto é glamourosa, umas quantas recomendações:
1. pode começar pela revisão de um projecto, que por acaso, leve acaso, até já se encontra em obra, alterando dezenas de peças desenhadas que se davam por terminadas, a que se adiciona a solução de projecto que se pensava terminada e estabilizada;
2. mas o top dos tops, o highlight mesmo, é a finalização de um projecto de execução. Vale a pena passar pela experiência da correcção indindável das gralhas e incoerências que existem nos desenhos e entre folhas; já para não falar da definição, até à exaustão, em todas as escalas e adornados com as mais imaginativos tipos de tramas e legendas, dos múltiplos aspectos da obra que alguém usará, espera-se que bem, mas que nós, nós mesmos, raramente visitaremos de novo, desde logo para resistir ao desconforto de a ver ir-se tornando pior, dia a dia, com a legítima, ou nem tanto, apropriação por parte do dono ou ocupante; isto para já não falar do sem fim de mapas, com informação até ao infinito, como o de vãos, de acabamentos e de outras coisas mais, para terminar com as peças mais maravilhosas de todas: os mapas de medições (quantos m2 de tela de impermebilização ou de placas de isolamento térmico tem um edifício é seguramente um dado que interessa à UNICF, ao G8, à Organização Mundial de Saúde, a todos os países da EFTA, à Presidência do Concelho de Ministros e, porque não dizê-lo, à CENTRAL MODELS e, muito mais, a Karl Lagerfeld e, por maioria de razão, à felicidade de Sarkozy e Carla Bruni... quelqu'un m'a dit...), isto sem me esquecer, seria imperdoável, do glorioso Caderno de Encargos, este sim: ó chefe, aplique lá o geotêxtil, como deve ser, sobre a camada de forma e não deixe de afagar bem esse argamassa sobre o massame armado.

Maravilhoso?
É que é possível repetir a operação vezes sem conta, até à senilidade. Isto é, até ao dia em que deixarmos de trabalhar por manifesta incapacidade, ou, com juízo e fortuna, até ao dia em que a acumularmos precocemente, por herança ou golpe de sorte, que isto, como já se viu, com trabalho não vai lá, está toda a humanidade cansada de saber; esta ausência de pólvora está mais do que descoberta; não há roda, nem fogo nessas paragens.

No hay camino

O melhor das mulheres é descobri-las. Não há nada que chegue à primeira vez. Uma pessoa não sabe o que é a vida enquanto não despe pela primeira vez uma mulher.”

Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento


Encontrei este post no blog do meu grande amigo Raúl. Não querendo tirar-lhe a originalidade, não resisti a postá-lo aqui, para que conste! Sobretudo, o melhor deste Ruiz Záfon é que cada descoberta é uma decoberta única, irrepetível, sem receitas, nem passos previamente estudados ou aprendidos. Como bem sabe António Machado:

caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
*

"Cantares" de (1875-1939)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Geo-estratégia, política internacional, qualquer coisa...



Tenho uma tendência natural para me deixar questionar sobre os limites da diplomacia internacional. Ao que parece, a Cimeira EU África foi um sucesso, como costumam ser estas coisas em que os governantes se encontram e trocam salamaleques. Teria sido ainda melhor, se o Sr. Mugabe não tivesse vindo, a ponto de o primeiro ministro Inglês se recusar a estar presente, o nosso presidente escusar-se a comentar a presença do dito e o antigo chefe de estado, Ramalho Eanes, em entrevista televisiva, ter visto como preferencial a ausência do senhor. Mais: parece que além da líder alemã, houve mais uns quantos que fizerem questão de recordar que o sr. Mugabe ingligia grande sofrimento ao seu povo, agindo contrariamente às suas incumbências por inerência das suas funções. No meio disto tudo, parece que se esqueceram de referir que tratou muito mal cidadãos britãnicos, o que à luz do pensamento europeu, é inadmissível e que isso o torna indesejado em solo do velho continente. Talvez eu esteja a exagerar, de qualquer modo, se não for essa a razão, o que é que torna a maioria dos presentes na cimeira parceiros recomendáveis?! De repente, de repente, a única coisa que me ocorre é que só chateiam pretos seus conterrãneos, ao contrário de Mugabe que não gostava particularmente de europeus, ainda por cima brancos, ainda por cima britãnicos, membros de um dos estados mais fortes da UE. Mas é claro que um dos argumentos que foi apresentado ao senhor, de que estava a tornar a vida dos seus governados muito difícil devido a uma inflação que já ninguém consegue calcular é perfeitamente válido e determinante para a forma como na europa e em particular em Inglaterra se morre de amores por ele. Provalemnete a inflação no Sudão, em Angola, na Suazilândia, na Líbia, etc, etc, é muito menor e torna tudo mais compreensível.

Mais um Ano, mais um Natal, tudo na mesma

O ano passou. O Natal aí está. As grandes empresas continuam a patrocinar, num exercício reforçado, os motivos de animação urbana desta quadra, como se aos poucos se fossem apoderando do espírito natalício, o que de resto já vai acontecendo com o assalto cada vez menos louco ao comércio (mas apenas por força das circunstâncias finaceiras menos favoráveis e não por qualquer transformação ética ou espiritual). Enquanto vamos trocando sorrisos de circunstância nestes últimos dias em que procuramos um presente cujo valor não nos deixe ficar mal nesta corrida ao consumismo, e ao mesmo tempo que nos preocupamos com a classe do bacalhau que pretendemos ver à mesa com a nossa melhor toalha, continuam pessoas a dormir na rua de 24 para 25, a ir à sopa dos pobres e a não ter ninguém a quem oferecer o dito sorriso e a vê-lo retribuído... não é esse, o de circunstância, de centro comercial em hora de ponta ou de esplanda de chá de última hora em noite de consoada. É o verdadeiro, fraterno de dádiva, generoso. Mas que importa tudo isto?! Dia 26 é já a seguir e não tarda temos saldos, sem esquecer um déficit de 2,4% anunciado para o ano que vem, no qual, como se espera, haverá Natal de novo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Tudo trocado

Nem mesmo Santana quer dormir!
Que tal hibernar, como os ursos. O sr. dr. ficava a descansar por um longo período e nós também.

Post atrás de post

Será que Pedro Mexia não dorme?

Frases de sucesso para T'shirts banais

Aqui há ns dias vi uma t´shirt na Rua da Escola Politécnica, daquelas que todos gostaríamos que tivesse surgido de um nosso assomo de imaginação. Frase simples e forte:

Nietzsche est mort!
Dieu

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Força das circunstâncias












Por força das circunstâncias, vejo-me cada vez mais a encarnar o papel de investigador. Eu que nem sei bem o que isso venha a ser. Não interessa saber se a tarefa me agrada ou não. Tenho que a desempenhar e encará-la como apenas uma etapa para prosseguir a vida com normalidade, sem grandes sobressaltos, como se deseja e espera na super-bem-organizada sociedade que é a nossa. E pensando bem, é um privilégio raro. Estou obrigado a permanecer em casa, durante 3 anos, para estudar e investigar um tema que eu previamente escolhi, onde previamente escolhi. Podia ter aproveitado para ir para fora, para novos mundos, novas realidades. Mas mais uma vez a força das circunstâncias, como força que são, forçaram-me a ficar, ou pelo menos não tive a sabedoria e a força (mais uma vez) para me libertar e aprofundar o privilégio. A verdade é que, voltando atrás, à obrigação a que estou sujeito, não tenho tido umas semanas más. É verdade que estou muito no início, que de vez em quando a pesquisa (ver se o que procuro e encontro me interessa, marcar as páginas que devo fotocopiar, tirar os apontamento e fazer as anotações que se mostram pertinentes e indispensáveis) se mostra, dizia, bastante exasperante. Mas tem compensado muito. Deixei de estar sujeito à pressão diária da arquitectura. Dos projectos de especialidades que tardam, das decisões que não chegam, de obras que se perpetuam, de descobertas, no estaleiro, inesperadas e imcompatíveis com o já definido, e que obrigam a alterações também inesperadas. Dos assucatanços habituais, do ritmo de trabalho idiota, das horas parvas, dos inúmeros mails e faxes. Não sei se estou melhor. Mas estou seguramente diferente. Os arquivos têm horários que ninguém entende (10h30m - 12h30m; 14h30m 17h00m; fechado à quinta-feira). As regras burocráticas não confirmam a tão anunciada aposta governativa em investigação. A FCT tem mais meios financeiros, mas no terreno a conversa é outra: as esperas pela consulta, apesar da boa vontade de funcionários, são de loucos e os pedidos de autorização fazem cair os cabelos a um careca. Temos tempo! Não se incomodem. Isto para já não falar das condições. Tenho estado bem sentado, é verdade, a temperatura ambiente não está mal, não chove, nem faz vento, mas fazia falta um rasgo de iluminação natural. Deve ser para acalmar, que me sinto afastado do pulsar dos dias, da variação de luminosidade ao longo do ciclo diáro e das estações. Para mim, enquanto ali estiver, tudo permanece na mesma. Nada muda. Se deixar o relógio em casa, o tempo permanecerá imóvel, e, se por lá dormir e viver durante meses, não notarei grande diferença. Deve ser mesmo para me acalmar; não notarei o tempo passado, será tão imóvel como a cabeça da velha, na Serra da Estrela. Sem a pressão do tempo, no stress!
Valham-me, no meio disto, as relações humanas. De quem me tem atendido, só posso dizer bem. Sempre o mesmo empenho em dar resposta aos pedidos que faço, sempre com a mesma solicitude e sorriso. Para quem diz mal dos serviços públicos, para quem afirma que só encontra má vontade e falta de educação, recomendo uma visita à biblioteca da Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano.
Voltando ao início e à força das circunstâncias, mais uma vez verifico que, como reconhecido por Maria Filomena Mónica no prefácio da sua autobiografia, a parcela daquilo que controlamos nas nossas vidas é menor do que julgamos. Estou a fazer o que estou, porque as minhas circunstâncias me enrolaram, nunca o pensei fazer; é verdade que é porque quero, para poder manter-me onde estava; porém, onde eu estou, é já resultado do que me havia já sido posto à frente e no caminho por uma conjugação de factos sobre o qual não tive controlo total. Apareceram assim na sua conjugação. Escolha, quem é que falou em Escolha? Mas a Liberdade é fantástica.

Arte Lisboa

De 7 a 12 decorre a Arte Lisboa.
Confesso a minha ingenuidade de ter pensado que se tratava de uma ARCO, em Lisboa. Imaginava eu que existia um mercado para essa dimensão. Enganei-me. E as palavras dos Joões (Fernandes e Pinharanda) desfazem o meu equívoco: não existe mercado em Portugal. Seja como for, mesmo que a dimensão não seja a esperada, aí está um dos pavilhões da FIl recheado de muitas e boas obras, para comprar ou, simplesmente, para deleite visual. Não me referindo aqui aos já muito consagrados, vale a pena ir ver Teresa Silva, Gabriela Rodrigues e, sobretudo - para mim a grande revelação - Diogo Pimentão. É de comprar enquanto é possível.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Pura irracionalidade

Aí está. Mais uma daquelas coisas inexplicáveis que só se passam neste país. Um Estatuto do Estudante para formar selvagens em potência. Ninguém reprova por faltas.Um pagode completo. Todos sabemos que os estudantes - com exlusão dos mais tótós, é óbvio - só irão às aulas a que forem mesmo obrigados a ir. Sei eu e sabem todos que, tal como o autor destas linhas, se fartaram de faltar para não deixar de estar presentes em coisas que nos pareciam inadiáveis. A adolescência tem dessas coisas e a Ministra da Educação parece ser a única pessoa que não o sabe. Posso estar enganado, mas se não é importante ir às aulas, se o aproveitamento e a aquisição de conhecimentos não tem nada que ver com a presença nas salas de aula, na escola; se a escola não é também um local de formação, de sociabilização, de crescimento do estudante, como individuo, no contacto com os colegas, pois fechem-se todos os estabelecimentos de ensino. Retome-se o modelo da tele-escola. Sairá muito mais barato. Será um importante contributo para a meta de 2,4%.
Esse, que a Minitra nos queria impor, não é o modelo de escola em que me revejo. Não é assim que formaremos cidadãos. Já todos sabemos dos terríveis hábitos que a universidade portuguesa ajuda a criar ao não impor a presença nas aulas como um requisito fundamental para o aproveitamento. Com base em horários de vida, de estudo, de sono, de vigília, completamente invertidos, sai-se da faculdade com a firme convicção de que não se é capaz de trabalhar de manhã ou, pior, de dia. E isto apenas como efeito dos últimos 5 anos do sistema de ensino. O que não seria ao fim de 12 anos com a ideia do ministério. Tenham juízo! Felizmente o PS desta vez não se curvou perante a arrogância e os golpes de secretaria do ministério. O abandono escolar é um problema, é certo. Coloca-nos muito mal na Europa. Correcto. Mas querer acabar com ele por via administrativa parece uma péssima ideia, contraditória com a aposta, tão anunciada, de investir os fundos de 2007-2013 (os últimos) em formação e qualificação. Que país. Quando chegará o rigor e a exigência? Quando nos obrigaremos a ser bons, a ser excelentes? Essa talvez seja a via para nos tornarmos realmente europeus. De outro modo, não passaremos de uma pálida imitação, de péssima qualidade e ridícula.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Mais uma vez, fim-de-semana

O mealheiro















A propósito da onda de júbilo à volta do compromisso alcançado com o Tratado reformador da europa - o de Lisboa - não deixa de me sair da ideia um racicínio simples a propósito daquelas que ficaram vistas como as desmancha-prazeres-e-intoleráveis-manifestações-de-nacionalismo da Itália, Polónia e Bulgária. Esperemos para ver para onde vai esse orgulho optimista todo (como se o nome ''de Lisboa'' fosse o fim em si mesmo) quando se acabarem os euros que enchem o mealheiro até 2013 e Portugal tiver que viver com o que então for capaz de produzir. Até agora o guito, a massa, tem dado razões de sobra para que a Europa seja uma realidade que não se referenda, não se discute (Deus e a virtude dos nossos tempos). Vamos ver se continuamos todos mudos quando Lisboa tiver que se sujeitar às decisões emanadas do sistema de dupla maioria e a nossa opinião contar tanto como o que se pensa em Coimbra sobre a orientação das políticas nacionais ou sobre a distribuição do investimento público. Nessa altura talvez Lisboa não se recorde com a mesma alegria do seu próprio nome. Mas o Tratado tem um nome bonito e o consenso foi alcançado graças à intervenção de uma presidência portuguesa. Isso é que importa.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Puro Génio















Não resisti a postar estas imagens retiradas do site da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, no Brasil.

Aqui ficam as fotografias do genial edifício da sede, desenhado por Álvaro Siza.

Mais imagens em http://ibere.ag2.com.br/content/novasede/maquetes.asp

Frases de sucesso para T'shirts banais

Sou extremamente RARO!!!
Não tenho o telefone sob escuta!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Puro dever

Se alguém encontrar por aí este homem, agradeça-lhe. Por tudo. Por nada. Por admiração. Por reconhecimento.

Puro(s) prazer(es)

Big Ben...

Frases de sucesso para T'shirts banais

T'shirt para Pinto Monteiro

No Ministério Público ninguém manda.
...nem mesmo eu!

Conversa de arquitecto

João Belo Rodeia é o novo Presidente da Ordem dos arquitectos, eleito num processo que não ficou isento de polémica, a propósito da exclusão da candidatura de Manuel Vicente, por motivos reclamados injustos por este último. A afirmação da profissão está em pleno processo de consolidação, estão a processar-se importantes alterações no panorama legislativo e administrativo que em muito condicionam a prática disciplinar, pelo que todo e qualquer processo de divisão e luta internas não vem dar um sinal positivo à sociedade e aos meios políticos. As demonstrações de força exercidas internamente são um sinal de fraqueza para o exterior. Independentemente das razões que assistam a cada uma das partes, o resultado não será benéfico.

Frases de sucesso para T'shirts banais

T'shirt para Sua Exa. Sr. Engº Primeiro Ministro

Porreiro, pá!...

Tratados e outras Europas

Enquanto a Europa se consolida politicamente, a coesão social portuguesa vai aprofundando o seu colapso: 20% da população de Portugal detém 80% da riqueza, ou seja, o maior fosso entre pobres e ricos na Europa. Mais um factor de divergência que nos deixa para trás.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Livros

Não percebo. Devo ser um leitor péssimo. Atrevo-me mesmo a pensar que nem português sou capaz de entender. Tanta histeria com a alegada obra prima de Ian McEwan, Na praia de Chesil. Não gostei, achei previsível e não vejo como pode haver tanta onda em volta do livro.

Conversa de arquitecto II

Os arquitectos não querem subsídios. A própria natureza da sua actividade não o justifica. São criadores é certo. Muitos deles promovem a cultura, tanto como diversos agentes culturais, não está em causa (basta ver tão só que a arquitectura portuguesa atravessa um bom período e que atrai a atenção internacional). O Estado assegura condições para que a cultura aconteça, assegurando os necessários meios financeiros, é evidente. Mas a questão não se põe. Não faz sentido. Não quer isto dizer que a arquitectura não deva ser vista com uma forma de cultura; que não deva ter uma atenção especial por parte do estado e do governo. Pode até pensar-se no assunto com um olhar puramente económico e mercantilista. Devemos ir mais longe, no entanto; mas com consciência de que a arquitectura vende, num contexto cada vez mais feroz de competição urbana, em contexto global. Mas é sobretudo como acto cultural e, nessa condição, como definidora e modeladora da identidade, que a arquitectura deve merecer atenção. Não são necessários euros. Basta que os poderes públicos deixem de ter critérios de encomenda ridículos, que promovam a livre concorrência sem a apoiar em critérios duvidosos, que promovam a qualidade nas suas escolhas e deixem de escolher com base no imediatismo, no preço; que o estado deixe de legislar de forma contrária ao interesse público ou que puramente não o faça, deixando o projecto de arquitectura nas mãos de quem lhe quer pegar, não de quem o pode e deve fazer. Basta, simplesmente, que deixe a arquitectura acontecer. Tão só.

Tratado de Lisboa

A presidência está ganha. Como diz Teresa de Sousa, na edição de hoje do Público, ganha pelo sucesso da negociação do Tratado reformador da União Europeia, com assinatura marcada para 13 de Dezembro. Mas esta comentadora que me desculpe. Muito mais importante do que isso, não teremos que ceder a nossa cabeleireira ...o que não faz mais um deputado no Parlamento Europeu. Eu tinha razão: 750, 751, ninguém vê diferença (como em Portugal 229, 230...) e ficou muito mais barato... escusaram de comprar um chupa-chupa para o governo italiano deixar de fazer birra.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tristeza e vergonha

Segundo dados do jornal Público, na sua edição de ontem, Portugal está mal, muito mal:

40% de pobres activos (ter profissão não é suficiente para deixar de ser pobre);

740 mil portugueses vivem com menos de seis euros por dia;

2.1 milhões de pobres;

O estudo que conduziu a estes dados foi realizado entre 1997 e 2001. Imaginemos que o seria no actual contexto económico-financeiro. Não devemos ficar nada tranquilos, apesar de o estudo ter demonstrado que a pobreza não é uma condição e que a mobilidade é possível (num e noutro sentido, note-se). Tenhamos esperança.

Mas há mais: estamos no conjunto dos 10 países europeus, creio, onde o risco de pobreza é mais elevado. Recorde-se ainda que há um par de anos surgiram notícias que davam conta de que 300 mil portugueses passavam fome.

Se passarmos para o contexto internacional a realidade é ainda mais crua. 854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção mundial ser suficiente para todos. Não consigo deixar de pensar nas cotas de produção da União Europeia e no caminho que levam os excedentes de produção, que não são muito melhores do que as regras do comércio mundial.

Conversa de arquitecto I

Assim , sim. Portugal dá indícios da sua normalidade. Em dia de eleições para a Ordem, mais um daqueles indicadores que demonstra que, neste país, quando se age é com dimensão e aparato. A parecer bem. À grande. Que ninguém acuse que, aqui, as coisas se fazem de forma mesquinha e pequenina. Há anos quase não havia arquitectos, é verdade. Pois bem, nada que não se pudesse resolver com rasgo: hoje são já mais de 15 mil. A Europa que se cuide. Já temos uma das mais altas taxas do continente. Aqui é a sério: 1 arquitecto por cada 650 habitantes e eles, restantes europeus, coitados, não passam de 1 por 1000 habitantes (na média do conjunto dos países). É triste, desgraçados, que se achavam ricos. Como se pode construir um país com tão pouca gente? Nós aqui, sim: mais de mil inscrições anuais na Ordem. Não se brinca! Melhor: já temos mais de 20 cursos de arquitectura! O objectivo devia ser ainda mais ambicioso. Mais cursos de arquitectura do que universidades. Isso sim, seria ousado.

Em todo o caso fico perplexo: porque é que mesmo assim, o ordemanento do território em Portugal é um desastre; porque é que o acesso dos cidadão à arquitectura, apesar dos evidentes progressos, continua a ser baixo, muito baixo, nuns casos por clara impossibilidade e, em muitos outros, por evidente indiferença; porque é que esta disciplina não é devidamente valorizada pelo poder político, como comprovam a qualidade média dos edifícios públicos e o actual processo de revisão do Decreto-Lei 73/73; por que é que, em suma; a qualidade média do que se constrói em Portugal é tão baixa, apesar de termos execelentes arquitectos, reconhecidos internacionalmente?

Apesar de tudo, por vezes queremos ser mesmo europeus e, pasme-se, até conseguimos: um terço dos arquitectos é já do sexo feminino. As mulheres são já a maioria a frequentar os cursos, bem como no conjunto daqueles que se licenciam todos os anos, o que, a manter-se o ritmo actual, conduzirá rapidamente à paridade. Cuidado, porque se o país se entusiasma, qualquer dia ainda se chega à estranha realidade de se criarem efectivas condições para o exercício da profissão. Não exageremos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Portugal no seu melhor

Não sei como é que estas coisas acontecem neste país. É insólito, irreal, mesmo. Mas é isso que torna este pedaço de terra tão amado por todos nós. Somos únicos. Não há igual, mesmo que por vezes nos apareça um certo amargo de boca ou nos cause perplexidade e estranheza. Aí está: Santana Lopes ressuscitou. Quais passivos, desnorte do país, nada disso conta. O homem tem 7 vidas. Não se percebe, mas é mesmo assim. Somos assim. Esquecenos rapidamente. Bom para os investigadores do ISCTE: aí está um bom case study. Isto para já não falar do Gato Fedorento. Decerto, matéria, e da boa, para muitos e bons sketches, não vai faltar.

Por falar em parlamento, parece que nem tudo corre bem com o futuro Novo Tratado Europeu. A Discórdia centra-se em torno de um único deputado do Parlamento Europeu. Um só! não se percebe a aparente preocupação. Porque não ceder um dos nossos? Em 230 ninguém vai notar e em relação à representatividade dos eleitores ninguém vai protestar. Ninguém, nenhum círculo eleitoral se vai sentir lesado. Aposto! 230, 229?!... Difere muito? A este propósito, lembro-me sempre da sra. com ar de cabeleireira da margem Sul (sem ofensa para estas estimáveis trabalhadoras e para a população ali residente) que me foi referida, quando a vi há uns anos atrás, como sendo deputada da nação e, nessa qualidade, membro da comissão de saúde. Não foi preciso dizerem-me que nada percebia do assunto para que havia sido designada pelos insondáveis e ocultos caminhos da constituição das listas. Dá um certa ideia do desvelo emprestado ao assunto. Já foi há duas legislaturas atrás, reconheço. Claro que hoje em dia já não é nada assim. Temos toda a razão para acreditar.

Imigração

Desta vez Portugal excedeu-se despudoramente. É obsceno, mas parece que resolvemos ter um bom indicador internacional. Não dá para acreditar, é verdade, mas, no seio da União Europeia e segundo um estudo de uma organização independente, ocupamos o segundo lugar, apenas atrás da Suécia (excessos mas não demasiados), no que refere à integração dos imigrantes.

Já agora podia aproveitar-se a boa onda e resolver alguns pequenos problemas de umas senhoras que, ao que parece, vêm para aí sem grande vontade e sem saberem com grande rigor a tarefa a que estão destinadas.

So simple

Sempre me deixei impressionar pela força com que alguns de nós lutam contra problemas ou limitações verdadeiros, sem complicar. Vivendo, apenas.

Não resisti a ''roubar'' este vídeo ao amigo Raúl porque faz realmente pensar. Não quis deixar de o ter aqui. Desculpa, companheiro.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Música Parte II

Sou um fanático não praticante de publicidade. Não praticante no sentido em que vejo bem menos do que gostaria. A televisão e eu não temos uma relação pacífica.

Elejo como particularmente bons e no panorama nacional os anúncios da Optimus. É verdade, os operadores de telemóveis, além de nos facilitarem a vida (tarefa que lhes deve ser relativamente indiferente) e de de nos levarem muitos euros todos os meses, têm servido de excelentes divulgadores de música. Recorde-se a excepcional música dos primeiros spots da operadora da Sonae ou The leaver's dance, da banda The veils que a mesma veio utilizar mais tarde. Quem não se lembra de Bohemian like you, dos Dandy Warhols, este trazido à cena pela Vodafone?

Mais uma vez, a Optimus faz um bom esforço nestas últimas campanhas, com Young Folks de Peter, Bjorn & John. Tanto mais grata me é esta música, quanto mais presente tenho que me entrou definitivamente no ouvido, estas férias, no L Colesterol. Faz falta!

Miles Davis + Jamiroquai

Ontem, deslocação à Fnac. Objectivo, perfeitamente definido: comprar blhetes para o concerto do Caetano Veloso. Como seria expectável, sem grandes dotes de oráculo, estava esgotado. O optimismo leva sempre a imaginar que dois dias de antedência serão sempre suficientes para qualquer coisa, mesmo que o homem seja brasileiro, famoso e não passe aqui os dias.

A lógica dizia-me ser necessário não desperdiçar a viagem. Das prateleiras, que sempre me parecem ter vida, e sempre me parece difícil resistir-lhes, saltam duas pérolas: Jamiroquai - High Times - e Miles Davis - Kind of Blue, considerado o seu melhor álbum -, ambos, literalmente em saldo.

Vale a pena passar por lá!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Liberdade Total












A essencialidade de uma onda.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Parque Mayer mais uma vez

Parque Mayer, novamente notícia.
Depois de €2 500 000 gastos, e passados vários anos e muita polémica, foi anunciada a solução genial (Portugal é fértil nestas coisas): Já não há Ghery! Agora a solução é muito melhor: concurso de ideias. Já antevejo o sucesso da medida. A Câmara de Lisboa está tão credibilizada neste processo, que imagino os arquitectos todos - ninguém vai querer ficar de fora - a fazer fila para entregar as propostas.

Mas há outra questão muito mais pertinente em tudo isto. Sem juízos sobre a quem atribuir responsabilidade, estes processos e decisões fazem-me sempre pensar em como é fácil lidar com dinheiros públicos. Os casos abundam, mas este, concreto, basta. Depois de €2 500 000 gastos em estudos e projectos, dinheiro que não aproveita a ninguém se o projecto a que respeitam não se concretizar, a decisão política manda parar. Tudo para o lixo! Fantástico! Ninguém se lembrou de tornar o projecto mais adaptado à realidade e à disponibilidade financeira da autarquia? Terei andado distraído ou ninguém se lembrou de explicar isto convenientemente e da viabilidade ou inviabilidade de o fazer?

Alguém se lembra, por acaso, do que sucedeu há anos atrás ao Plano da Avenida da Liberdade? É esse mesmo, o que foi posto na gaveta para evitar heranças políticas. Com certeza estarei a ver mal e não há aqui qualquer semelhança. Mas não resisto à pergunta: será da câmara, da cidade ou da zona?

Nem tudo correu bem nas escadas do Quebra...

O Quebra abriu. Está disponível. Fazia Falta. Já não direi o mesmo das alterações introduzidas. Não eram necessárias e nem por isso ficaram bem. Apesar de tudo, é bom estar de volta.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Quebra de novo

Este fim de semana, grande acontecimento, em Coimbra: reabertura do Quebra Costas, o Quebra Velho, o autêntico. O acontecimento decerto despertará, em todos que se habituaram a frequentá-lo, um misto de apreensão e desejo de voltar. Esperemos que regresse bem e que as obras não tenham descaracterizado o mais cosmopolita da já nada cosmopolita cidade de Coimbra.

Santana e Capucho...

Na semana que passou, Santana Lopes e António Capucho vieram a terreiro dar um contributo para a crescente descredibilização da classe política. No primeiro, são já comuns as afirmações em que dá mostras de não ter o mínimo entendimento do que se passa à sua volta (ainda hoje é o único que não percebeu porque foi apeado do poder). É certo que em relação ao Sr. Santana Lopes as expectativas não são elevadas, pelo que só pode surpreender-nos positivamente, mas de António capucho esperava-se um pouco mais. Muito se tem dito a propósito da Câmara de Lisboa, mas o que estes dois senhores nos trazem é fantástico. Capucho defende que o PSD devia ter sido mais (mais???) solidário com Carmona Rodrigues, com todas as implicações que a sua manutenção na autarquia acarretaria; Santana, no mesmo registo, deu mostras de não concordar que os autarcas constituidos arguidos sejam forçados a abandonar os seus cargos. Será que alguém pode explicar a esses senhores o que se passa no país? Tais afirmações só se podem dever a uma total incompreensão da realidade que os rodeia. É pena, muita pena, já que são pessoas politicamente influentes. Assim nos governamos.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Niemeyer & Tchékhov

Que Título! Chegada a hora, porquê este e não outro? A pergunta impõe-se. Repete-se a mesma cena da escolha do nome, vezes sem conta. Não podía ter sido mais encontrado nas dobras do acaso, como geralmente acontece com tudo que realmente importa.
Recentemente, vi um filme sobre Óscar Niemeyer, no qual o próprio aparece (já próximo dos seus actuais 99 anos) em vários depoimentos na primeira pessoa. O que mais ali impressiona não é a qualidade, impressionante, da arquitectura que este arquitecto (dos mais significativos do Séc. XX) realizou e continua a produzir; não é, tão pouco, a vitalidade actual de que este homem continua a dar testemunho, não obstante a sua adiantada idade; o que mais emociona no filme é a enorme lição de vida que ali encontramos. Niemeyer viveu (continua a viver) a vida com grande sensibilidade e intensidade, com uma dimensão humana fora do comum, sorvendo-a até à última gota, com consciência de que tudo se resume de forma muito evidente e crua, e, no momento de fazer balanços, não vai sobrar muito. Isso mesmo transparece poeticamente no título do filme: A vida é um sopro.
Um pouco antes de, em boa hora, ter descoberto esse magnífico testemunho fílmico, tive a oportunidade de ver um conjunto de peças de Tchékhov, reunidas sob o mesmo título Tchékhov e a Arte Menor. Com evidente ironia, somos confrontados com a forma, quase desesperada, como os personagens questionam a vida aprisionada que os atormenta e que nos faz encarar Os Malefícios do Tabaco como dos menores males que podem assolar a natureza humana. Conservo como símbolo desse texto e dessa noite (que magnífico espectáculo, pela Escola da Noite) um personagem que, repetidas vezes, vezes sem conta, e alternadamente, terminava as frases com e por aí adiante... e e tudo mais...
Um sopro e tudo mais, porque a vida vale a pena e porque vale bem o esforço para a conquista de alguma liberdade. E, aí, nada melhor do que a poesia com que Niemeyer viveu e criou.