quinta-feira, 27 de março de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
A esperança
Estou sempre a dizer mal. Estou cansado! Vou tentar ter uma atitude mais positiva.
A esperança está aí. Com Luís Filipe Menezes, Portugal vai retomar o caminho da convergência europeia. Se o homem conseguiu despoluir 16 quilómetros de praias, também conseguirá por esta coisa a crescer 3 ou 4% ao ano. Afinal o que é que são 3 ou 4 unidades comparadas com 16?!
A esperança está aí. Com Luís Filipe Menezes, Portugal vai retomar o caminho da convergência europeia. Se o homem conseguiu despoluir 16 quilómetros de praias, também conseguirá por esta coisa a crescer 3 ou 4% ao ano. Afinal o que é que são 3 ou 4 unidades comparadas com 16?!
Demasiado
Fantástico, a criminalidade violenta diminui no ano passado. Mas como nem tudo é perfeito, o mesmo não se passou com a pequena criminalidade. O carjacking chegou mesmo a um incrível aumento de 30%. Mas para o que conta para este ministro é a crueza dos números. Não importa que as pessoas se sintam inseguras. Se sentem é porque são parvas! O ministro não é, em todo o caso, das pessoas que dê mais prazer ouvir e a verdade, além do mais, é que o Estado português está em perfeita falência e ruína. A Justiça é a injustiça do tempo longo e ainda temos que ser confrontados com um bastonário da Ordem dos Advogados desbocado e pouco institucional. A educação apresenta-se tão incrivelmente pouco educada, que está a empurrar os filhos das famílias de maiores rendimentos para o ensino particular, no qual se reprova, se tem faltas disciplinares e se é expulso; basta não cumprir as regras. Mas para a ministra, tudo está bem e qualquer incidente é de um caso isolado que se trata. Nada mais. A cultura, bem dessa nem se ouve, nem ouviu falar (tricas à volta da mesma não contam).
A saúde já esteve mais sã, antes de se ter começado a extinguir serviços sem que tivesse sido implementada uma alternativa. É verdade que quem não tem dinheiro não tem vícios; não há, não se gasta; mas onde é que se meteu o princípio da solidariedade nacional? Se todos temos que pagar as obras públicas em Lisboa, não parece justo que muitos cidadãos deste país sejam literalmente abandonados, esvazidas que vão sendo as regiões onde vivem de todos e quaisquer serviços públicos. Provavelmente até tem lógica. Veja-se: fechando todas as unidades de saúde desse interior que já não conta, consegue-se, sem tanto esforço, construir mais umas quantas circulares e nós viários ou mais uma travessia sobre o Tejo (como a tecnocracia gosta de lhe chamar). Poupamos todos e, além do mais, o TGV vai precisar na nova ponte. É pena que todos os esses seres bizarros que não migraram para as cidades do litoral, por vontade própria, falta de meios ou incapacidade, só muito remotamente o possam utilizar, ao TGV e a mais uns quantos investimentos públicos. É a vida! Azar! Como aquele que impediu umas quantas ambulâncias do INEM de se moverem pela falta de abertura de vagas para provimento de lugares de Técnicos de Ambulâncias. Isto em locais onde já muitos serviços de saúde foram encerrados. Claro que não foi em Lisboa, no Porto, em Braga ou em Coimbra. Aí os azares vão sendo menores. Neste país não há dinheiro, é certo. Mas o desiquilíbrio a que o território nacional é sujeito é de uma injustiça sem qualquer desculpa ou justificação. É demasiado. Ponto!
A saúde já esteve mais sã, antes de se ter começado a extinguir serviços sem que tivesse sido implementada uma alternativa. É verdade que quem não tem dinheiro não tem vícios; não há, não se gasta; mas onde é que se meteu o princípio da solidariedade nacional? Se todos temos que pagar as obras públicas em Lisboa, não parece justo que muitos cidadãos deste país sejam literalmente abandonados, esvazidas que vão sendo as regiões onde vivem de todos e quaisquer serviços públicos. Provavelmente até tem lógica. Veja-se: fechando todas as unidades de saúde desse interior que já não conta, consegue-se, sem tanto esforço, construir mais umas quantas circulares e nós viários ou mais uma travessia sobre o Tejo (como a tecnocracia gosta de lhe chamar). Poupamos todos e, além do mais, o TGV vai precisar na nova ponte. É pena que todos os esses seres bizarros que não migraram para as cidades do litoral, por vontade própria, falta de meios ou incapacidade, só muito remotamente o possam utilizar, ao TGV e a mais uns quantos investimentos públicos. É a vida! Azar! Como aquele que impediu umas quantas ambulâncias do INEM de se moverem pela falta de abertura de vagas para provimento de lugares de Técnicos de Ambulâncias. Isto em locais onde já muitos serviços de saúde foram encerrados. Claro que não foi em Lisboa, no Porto, em Braga ou em Coimbra. Aí os azares vão sendo menores. Neste país não há dinheiro, é certo. Mas o desiquilíbrio a que o território nacional é sujeito é de uma injustiça sem qualquer desculpa ou justificação. É demasiado. Ponto!
terça-feira, 25 de março de 2008
Assim não!
Sim. Também nós fazíamos m... Lembro-me de um estirador que virei literalmente ao contrário, numa aula de Teoria do Design. A vítima foi o meu colega e amigo João Carlos. A professora, quando viu (porque inicialmente estava de costas) não tinha sido ninguém, nem se havia passado nada. O habitual. Tenho presente a sessão de colagem de autocolantes da campanha para as presidências de 86, nas costa do professor de História de Arte do 10º ano, por cada um de nós e sempre que nos dirigíamos à sua secretária. Isto a propósito de dúvidas que inventávamos com esperança de que o docente se pusesse uma vez mais a jeito, de costas, para mais um selo da nossa inconsequente insolência. Recordo as inúmeras vezes que íamos para a rua - ou por eu e o Chico andarmos a correr, a fugir um do outro, à volta dos estiradores na aula de desenho, ou por outras manifestações de pequena indisciplina, muitas vezes com esquecimento de que nos encontrávamos numa sala de aula, outras por querermos ser mais engraçados do que na realidade éramos. Mas por vezes tinha mesmo graça, ainda que na altura não fizéssemos rir os professores. A história do Raul é das melhores. Não percebendo nada do que lhe era perguntado num ‘’ponto’’ o Raul, que sempre teve o que se costuma designar de jeito para desenho, resolveu responder ao enunciado numa espécie de Mandarim, imitando e criando caracteres à medida das necessidades e da sua incapacidade para uma resposta mais séria. A professora, chocada com a audácia, chamou-o, após a correcção das provas, para lhe dar o ralhete da vida. O Raul, de mãos atrás das costas e mochila às costas, cabisbaixo, inventou que estava a passar um mau bocado, que não era conveniente apresentar queixa do incidente aos pais, porque estavam em processo de divórcio. A docente, tocada pelo que desconhecia ser uma mentira, concedeu segunda oportunidade ao chinês da Infanta D. Maria. O Raul, recebeu o novo ‘’ponto’’ e, agradecido, abandonou o mandarim, para, fazendo uso das suas capacidades - as de desenho, não as cognitivas - responder em ÁRABE!
Eram estas as nossas manifestações de indisciplina. Claro que tínhamos noção dos limites. Desde logo, os nossos pais tinham bom senso e sabiam porque nos punham na escola. Exigiam-nos que aprendessemos! Além de que os professores impunham respeito; tinham mecanismos para o fazer (não era difícil reprovar - a tal palavra anti-pedagógica, que, por o ser, foi banida – e havia múltiplas formas de o conseguir), e a ameaça de ser presente ao Conselho Directivo era como ter que falar com Deus, numa mistura de susto e vexame. Lembro-me de me ver forçado a lidar com isso depois de, junto com outro colega do 7º ano, ter partido uns quantos expositores em vidro de uma exposição. A perspectiva de ir falar com alguém da direcção da escola era bem pior do que ter que pagar os estragos. Servia de emenda. Para que não voltasse a acontecer bastava que nos obrigassem a pagar um quantia simbólica - como ocorreu na realidade - cujo fim – percebi-o bastante mais tarde – era o da responsabilização. Sem falsos moralismos, a verdade é que os actos que cometíamos não eram de uma gravidade extrema e éramos responsabilizados. Não havia a obsessão por tudo que ‘’pudesse’’ ser anti-pedagógico nem se pretendia vencer o atraso por medidas administrativas e de gabinete, a partir da 5 de Outubro. É verdade que não tínhamos telemóveis. Mas a agressão de professores tão pouco nos passava pela cabeça. O objectivo da nossa indisciplina era precisamente o de não sermos apanhados (um certo pudor e vergonha, além do medo das consequências também ajudavam). Certo é, na verdade, que os sucessivos ministros da educação, apesar de sempre contestados, não diziam a enormidades que se ouvem, como esta de que ‘’o código da estrada não impede que haja acidentes’’. Isto dito de uma responsável que promove a falta de rigor de exigência, de responsabilização, parece uma provocação a quem todos os dias tem que lidar com as consequências de medidas patéticas como o novo estatuto do aluno e outras desgraças do género. Durante algum tempo achei que havia um queixume, um certo exagero, quando os professores instavam a tutela a ir para as escolas ver o que lá se passava. Mas hoje estou certo. Esses senhores de secretária, burocratas da educação, deviam deixar a 5 de Outubro e constatar in loco os resultados práticos das suas opções. Sim porque os teóricos já conhecemos. A Eurostat divulga-os. Parolos como só nós, pode ser que agora que os Estados Unidos, após anos de maus resultados, puseram em causa as teorias construtivistas no ensino da matemática, os ventos de mudança se façam senti por cá. É bom que aconteça. É pena é que seja sempre a reboque. Que país! Agora parece que vai ser, ou foi, anunciado um programa para tornar os têxteis nacionais mais competitivos. O primeiro comentário que me surge é que não sabia que ainda era possível. Ainda bem que o é. Mas a medida vem do gabinete do ministro Pinho, o tal do fim da crise e do ALLGARVE! O que é que aí virá?!
Quanto à educação, falta o quê, depois do youtube? Que espanquem um professor em directo na TVI?
Eram estas as nossas manifestações de indisciplina. Claro que tínhamos noção dos limites. Desde logo, os nossos pais tinham bom senso e sabiam porque nos punham na escola. Exigiam-nos que aprendessemos! Além de que os professores impunham respeito; tinham mecanismos para o fazer (não era difícil reprovar - a tal palavra anti-pedagógica, que, por o ser, foi banida – e havia múltiplas formas de o conseguir), e a ameaça de ser presente ao Conselho Directivo era como ter que falar com Deus, numa mistura de susto e vexame. Lembro-me de me ver forçado a lidar com isso depois de, junto com outro colega do 7º ano, ter partido uns quantos expositores em vidro de uma exposição. A perspectiva de ir falar com alguém da direcção da escola era bem pior do que ter que pagar os estragos. Servia de emenda. Para que não voltasse a acontecer bastava que nos obrigassem a pagar um quantia simbólica - como ocorreu na realidade - cujo fim – percebi-o bastante mais tarde – era o da responsabilização. Sem falsos moralismos, a verdade é que os actos que cometíamos não eram de uma gravidade extrema e éramos responsabilizados. Não havia a obsessão por tudo que ‘’pudesse’’ ser anti-pedagógico nem se pretendia vencer o atraso por medidas administrativas e de gabinete, a partir da 5 de Outubro. É verdade que não tínhamos telemóveis. Mas a agressão de professores tão pouco nos passava pela cabeça. O objectivo da nossa indisciplina era precisamente o de não sermos apanhados (um certo pudor e vergonha, além do medo das consequências também ajudavam). Certo é, na verdade, que os sucessivos ministros da educação, apesar de sempre contestados, não diziam a enormidades que se ouvem, como esta de que ‘’o código da estrada não impede que haja acidentes’’. Isto dito de uma responsável que promove a falta de rigor de exigência, de responsabilização, parece uma provocação a quem todos os dias tem que lidar com as consequências de medidas patéticas como o novo estatuto do aluno e outras desgraças do género. Durante algum tempo achei que havia um queixume, um certo exagero, quando os professores instavam a tutela a ir para as escolas ver o que lá se passava. Mas hoje estou certo. Esses senhores de secretária, burocratas da educação, deviam deixar a 5 de Outubro e constatar in loco os resultados práticos das suas opções. Sim porque os teóricos já conhecemos. A Eurostat divulga-os. Parolos como só nós, pode ser que agora que os Estados Unidos, após anos de maus resultados, puseram em causa as teorias construtivistas no ensino da matemática, os ventos de mudança se façam senti por cá. É bom que aconteça. É pena é que seja sempre a reboque. Que país! Agora parece que vai ser, ou foi, anunciado um programa para tornar os têxteis nacionais mais competitivos. O primeiro comentário que me surge é que não sabia que ainda era possível. Ainda bem que o é. Mas a medida vem do gabinete do ministro Pinho, o tal do fim da crise e do ALLGARVE! O que é que aí virá?!
Quanto à educação, falta o quê, depois do youtube? Que espanquem um professor em directo na TVI?
quarta-feira, 19 de março de 2008
Confusao habitual
Na minha profissão, sou vítima da híper-produção de legislação e de forma desarticulada e dispersa, o que, é evidente, condiciona o conhecimento dos códigos e regulamentos. É impossível. Nem sei como nas cãmaras e outroas instituiçoes do Estado alguém pode mover-se na intrincada teia de Leis, Decreto-Leis, Portarias, Despachos, normas e artigos.
Mais uma vez, está-nos no sangue. Já era assim em 1920, nos primórdios do Código da Estrada. Nada de Novo, portanto.
''(...) se por outro lado houvesse tambem menos cahos nas leis que vigoram e que em vez de disseminadas em vinte mil decretos, posturas, regulamentos deveriam pelo contario ser reduzidas a um documento unico, de fácil consulta por parte dos interessados.
Assim como tudo está é dificil entendermo-nos.
Um exemplo: o artigo 45 do decreto de 27 de Maio de 1911 regulando a circulação diz:
É prohibido ao conductor abandonar o automovel nas ruas ou estradasplanas sem tomar todas as precauções necessarias para evitar qualquer acidente. Em caso algum é permitido o abandono em ruas ou estradas inclinadas.
D'aqui parece concluir-se que é permitido abandonar o automovel n'uma rua ou estrada plana desde o momento que sejam tomadas as precauções tendentes a evitar qulaquer desastre.
Mas o artigo 66 do código de posturas diz
Ninguém guiando ou conduzindo vehiculos pode deixal-os abandonados na via publica sob pena de 2$00 de multa.
Pode-se ou não se pode abandonar o automóvel em rua plana?
Mais uma vez, está-nos no sangue. Já era assim em 1920, nos primórdios do Código da Estrada. Nada de Novo, portanto.
''(...) se por outro lado houvesse tambem menos cahos nas leis que vigoram e que em vez de disseminadas em vinte mil decretos, posturas, regulamentos deveriam pelo contario ser reduzidas a um documento unico, de fácil consulta por parte dos interessados.
Assim como tudo está é dificil entendermo-nos.
Um exemplo: o artigo 45 do decreto de 27 de Maio de 1911 regulando a circulação diz:
É prohibido ao conductor abandonar o automovel nas ruas ou estradasplanas sem tomar todas as precauções necessarias para evitar qualquer acidente. Em caso algum é permitido o abandono em ruas ou estradas inclinadas.
D'aqui parece concluir-se que é permitido abandonar o automovel n'uma rua ou estrada plana desde o momento que sejam tomadas as precauções tendentes a evitar qulaquer desastre.
Mas o artigo 66 do código de posturas diz
Ninguém guiando ou conduzindo vehiculos pode deixal-os abandonados na via publica sob pena de 2$00 de multa.
Pode-se ou não se pode abandonar o automóvel em rua plana?
Tudo sempre igual
A história, neste país, não reserva surpresas. Ia dizer que é cíclica, mas seria um erro, porque na verdade é contínua, sem cortes, sobressaltos ou mudanças significativas, em todos os campos e sectores. Não é necessariamente mau! Se conhecermos bem o passado, saberemos lidar bem como a vidinha, pois já sabemos que daqui não vêm surpresas.
O nº 2 da revista O Automóvel , de 30 de janeiro de 1920, contém um artigo fantástico. Fica a sua passagem mais relevante:
Turismo
A nova signalisação das estradas em França
Todos os nossos automobilistas sabem, por experiencia propria, como é mais que deficiente a signalisação das estradas em Portugal. Quantos de nós não temos perdido um tempo precioso, no cruzamento de estradas desconhecidas, indecisos no caminho a tomar, e obrigados a perguntas constantes, - quando há a quem se possa faze lo.
Em França, porem, estas cousas são tratadas d’outra maneira. A signalisação das estradas, que era já ali muito completa, vae ser remodelada e profundamente melhorada, pois se prevê que certos itinerários, comportando troços de vias publicas diversos – estradas nacionaes e departamentaes, caminhos vicinaes, etc. – vão ser submetidos a um movimento intenso, de turismo e industrial.
O nº 2 da revista O Automóvel , de 30 de janeiro de 1920, contém um artigo fantástico. Fica a sua passagem mais relevante:
Turismo
A nova signalisação das estradas em França
Todos os nossos automobilistas sabem, por experiencia propria, como é mais que deficiente a signalisação das estradas em Portugal. Quantos de nós não temos perdido um tempo precioso, no cruzamento de estradas desconhecidas, indecisos no caminho a tomar, e obrigados a perguntas constantes, - quando há a quem se possa faze lo.
Em França, porem, estas cousas são tratadas d’outra maneira. A signalisação das estradas, que era já ali muito completa, vae ser remodelada e profundamente melhorada, pois se prevê que certos itinerários, comportando troços de vias publicas diversos – estradas nacionaes e departamentaes, caminhos vicinaes, etc. – vão ser submetidos a um movimento intenso, de turismo e industrial.
A actualidade, em 1920
''Muito se tem escrito sobre o problema nacional, melhor diria sobre os vasto conjunto de problemas fundamentais da vida portugueza. Grande trabalho será um dia o dos historiadores de recolherem tantos alvitres tantos projectos de soluções, utopias vãs e realidades sensatas perdidas no oceano das palavras e inutilizadas pela crise política.''
As palavras são de um artigo do nº 1, Revista O Automóvel, de 15 de Janeiro de 1920. 88 anos separam o texto da actualidade, mas sem que se perceba qualquer mudança.
As palavras são de um artigo do nº 1, Revista O Automóvel, de 15 de Janeiro de 1920. 88 anos separam o texto da actualidade, mas sem que se perceba qualquer mudança.
Formação perfeita na Arrifana
terça-feira, 18 de março de 2008
Biblioteca Nacional
As bibliotecas são lugares fantásticos. É espantosa a atmosfera que se vive a partir da sala do catálogo até à sala de leitura. A calma e o silêncio que separam do mundo exterior são o que mais fascinam nestes edifícios. Parece que de facto se estabelece uma suspensão no tempo e um corte com a vida que temos ''lá fora''. O nível sonoro não é um ponto forte na Sala de Leitura da Biblioteca Nacional (fortemente condicionado pela constante passagem de aviões), ainda assim, dá vontade de entrar e permanecer. A luz velada ajuda a superar o que a rota de aproximação ao aeroporto perturba. Podia elogiar a qualidade do desenho do mobiliário, a nobreza da imagem e ambiente dos espaços internos, a perenidade do seu desenho ou a robustez com que tem resistido ao passar dos anos, mas isso são coisas do passado, quando a política de obras publicas não se costumava enganar ou enveredar por vias mais incultas ou pelo facilitismo. Não é novidade. Costumava ser assim. Já se sabe. Surpreendente é a forma como são realizados os pedidos de consulta de leitura a partir da sala do catálogo e dos computadores onde se faz pesquisa da base de dados dos fundos depositados na biblioteca. No novo sistema de pedidos on-line, o primeiro passo consiste na escolha de lugar, com um simples clique de rato, depois de realizado o login. Seguidamente, durante a pesquisa, acto contínuo, é só clicar num campo que está associado à listagem das obras pesquisadas, e aquela(s) que for(em) escolhida(s) passa(m) do ecrã para processamento directo pelos funcionários, nos depósitos. Quando chegamos ao nosso lugar, previamente escolhido, já parte das obras a consultar se encontram sobre a secretária. Até parece de país civilizado. O horário também. Depois de meses metido em sítios com horários estranhos, encontrar uma biblioteca aberta até às 19h30 é o mesmo que a imagem de um oásis num deserto. Que país de contradições, capaz do mais insólito e destes nichos de excelência. Mas desta vez está bem, bastante bem.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Festival de Blues em Coimbra
Para me redimir do mal que digo, um elogio à edição deste ano do festival Coimbra em Blues que se realizou este final de semana. Numa cidade que parece estar um pouco letárgica, iniciativas como esta contribuem decisivamente para a por no mapa. A direcçao musical de Paulo Furtado só pode estar de parabéns.
O último dia contou com a presença de Ruby Ann (como coninbricense só podia mesmo cantar bem!) e, claro, com a do magistral Super Chikan. Grande concerto. O Gil Vicente animado como nunca o tinha visto.
Ambos para descobrir no youtube. Imperdível.
O último dia contou com a presença de Ruby Ann (como coninbricense só podia mesmo cantar bem!) e, claro, com a do magistral Super Chikan. Grande concerto. O Gil Vicente animado como nunca o tinha visto.
Ambos para descobrir no youtube. Imperdível.
€ 0,30 a fotocópia
De novo na rotina de ''investigador''. Enquanto tento perceber exactamente o que vem a ser esta mais ou menos profissão/ocupação/trabalho, vou tentando deixar, para trás, plantas de localização e a várias cotas, detalhes de fachadas e de vãos a escalas e com definição várias, esquemas de pintura e de localização de pontos de iluminação, pormenores de arranjos exteriores e um sem número de folhas e de impressões em formato XL. Mais uma pausa, um afastamento muito temporário, sem grande quebra, até porque as obras não darão, felizmente, tréguas, requerendo a minha presença na alternância entre alguns problemas para resolver, verdadeiras catástrofes e um normal desnvolvimento. Enquanto tento concentração e penso na estrutura do texto que é suposto escrever ao longo dos próximos anos, vou testanto a minha capacidade para bater as teclas, o que me dará enorme jeito nos próximos tempos e enquanto não conseguir deixar o Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas. Depois das 1600 fotocópias que acumulei graças ao acervo do Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento urbano, eis-me a pensar em poupar papel e, consequentemente, a assumir uma veia ecologista e a salvar umas quantas árvores de um abate mais do que certo. É que isto de fazer capitular uns quantos eucaliptos com a cópia a € 0,03 não é tarefa heróica. Ningém deverá ser lembrado por essa coisa de meninos. No MOP, sim! Aí a coisa é a sério. Talvez um pouco surpreendente, ainda assim. Dizem os nossos responsáveis políticos e decisores que a aposta agora é na qualificação e na investigação. Há um ano ou dois, inclusivamente, o Sr. Primeiro Ministro fez atrasar o resultado das candidaturas às bolsas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, depois de ter anunciado, na Assembleia da República, o seu reforço em € 20 000 000,00. A experiência parece querer dizer-me outra coisa. Apesar de ter sido um dos felizes contemplados não encontro um cenário assim tão coerente. Maldade minha, porque na verdade o MOP é coisa séria. De um país que não vê a investigação como coisa de pelintra. Mais nada! A tabela de preços que ali vigora é a do Arquivo Nacional da Torre do Tombo! Nada de brincadeiras!
Mas que se pague € 0,30 por uma fotocópia na na Torre do Tombo, eu percebo, já que desincentiva a reprodução de documentos raros e garante a sua preservação . Mas parece-me um claro excesso ter que me ver confrontado com um custo semelhante para obter a cópia de uma vulgar fotocópia e nem sempre de boa qualidade. Mais uma falácia do nosso Estado. Já não se trata de preservação dos originais, que estão a salvo e bem guardados, mas do financiamento dos serviços públicos, lamentavelmente por vias que entram em clara contradição com as políticas definidas e com a utilidade dos impostos que nós, utilizadores/pagadores/financiadores e contribuintes temos que entregar à fazenda pública.
Só mais um pormenor: a digitalização de documentos tem o preço unitário de € 0,15, no Arquivo Histórico do MOP. Mas infelizmente o digitalizador tem estado persistentemente avariado.
Mas que se pague € 0,30 por uma fotocópia na na Torre do Tombo, eu percebo, já que desincentiva a reprodução de documentos raros e garante a sua preservação . Mas parece-me um claro excesso ter que me ver confrontado com um custo semelhante para obter a cópia de uma vulgar fotocópia e nem sempre de boa qualidade. Mais uma falácia do nosso Estado. Já não se trata de preservação dos originais, que estão a salvo e bem guardados, mas do financiamento dos serviços públicos, lamentavelmente por vias que entram em clara contradição com as políticas definidas e com a utilidade dos impostos que nós, utilizadores/pagadores/financiadores e contribuintes temos que entregar à fazenda pública.
Só mais um pormenor: a digitalização de documentos tem o preço unitário de € 0,15, no Arquivo Histórico do MOP. Mas infelizmente o digitalizador tem estado persistentemente avariado.
segunda-feira, 10 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Estranho critério
A ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, confirmou ontem o empenho deste governo na avaliação por objectivos e mérito, dos professores. Não deixa de ser insólito, tendo em conta que a avaliação dos discentes deixou de ser uma prioridade. A passagem de ano, cada vez mais facilitada (mesmo no caso de um aluno faltoso), e a indisciplina generalizada, facilitada pelo esvaziamento de autoridade da escola e dos professores, não apontam para a definição de objectivos e mérito que os alunos tenham que cumprir e demonstar. É realmente estranha a falta de coerência e, sobretudo, e impossibilidade da medida, tendo em conta o mínimo de rigor e objectividade. Como se pode avaliar os professores, se os alunos não têm o seu desempenho devidamente apreciado? Neste contexto de indisciplina generalizada e em que não se consegue ensinar nada a ninguém, como é que os professores podem ser avaliados? Num quadro em que a escola deixou de ser valorizada pela sociedade, correspondendo muito mais a um depósito onde os paizinhos largam os filhos durante o dia, como é que se pode querer apreciar o desempenho de quem quer que seja, pelo menos numa base séria?
A ideia da avaliação é boa, mas deste modo parece que está tudo a começar pelo fim. Melhor seria começar por devolver o rigor e a dignidade ao sistema de ensino.
Mas claro que a acusação de falta de rigor é injusta. A visita da polícia a escolas, no quadro da manifestação de professores em Lisboa, demonstra um rigor assinalável para a rigorosa regulação do trânsito na capital, onde será rigorosamente acautelada a segurança dos manifestantes. Muito bem!
A ideia da avaliação é boa, mas deste modo parece que está tudo a começar pelo fim. Melhor seria começar por devolver o rigor e a dignidade ao sistema de ensino.
Mas claro que a acusação de falta de rigor é injusta. A visita da polícia a escolas, no quadro da manifestação de professores em Lisboa, demonstra um rigor assinalável para a rigorosa regulação do trânsito na capital, onde será rigorosamente acautelada a segurança dos manifestantes. Muito bem!
quinta-feira, 6 de março de 2008
Caro Raúl
Fiquei realmente convencido com a tua argumentação. Temos de sugerir ao presidente da Comissão, já que é nosso patrício, para que, o mais depressa possível, proponha o alargamento da União Europeia. Mas não à Turquia (esses têm indicadores melhores do que Portugal). A misereráveis ainda mais ignorantes e brutos do que nós. Sei que vai ser difícil encontrar; não esqueço isso. Mas o homem é habilidoso. No fim de contas conseguiu os acordos de paz de Bicesse. É certo que foi sol de pouca dura e não muito tempo depois O José (o Eduardo) e o Jonas já andavam ao estalo outra vez. De qualquer forma foi uma boa tentiva e, seguramente, ele conhecia muito pior África do que conhece agora a Europa, lá a partir e Bruxelas.
Aí sim, se ele conseguir, se conseguirmos esse desígnio de um verdadeiro alargamento, vai ser bom. A Europa tem de deixar de ser elitista. Temos que dizer não a esta união de estados, ou ricos, ou instruídos, quando não acumulam as duas condições. Temos, além de mais, como dizes, de ter pensamento positivo. E na verdade, tudo é muito relativo. Se conseguirmos passar da 19ª posição numa Europa a 27, para o lugar 19º numa Europa a 49... toda a Europa! ...estaremos perfeitos. O problema, ver-se-á, é que nesses 49 estão países como a Suiça, o Liechtenstein, a Noruega e a Rússia. Se não os conseguirmos deixar de fora, passamos para o 23º posto. Paciência. Mas se os senhores do Vaticano quiserem, também... mau! Ou nem tanto, mais vale tê-los do nosso lado que isto sem milagres não vai lá! Mas os do Mónaco e de San Marino que nem pensem. Não queremos princípes, nem capitalistas, nem princípes capitalistas! Além de que como dizem (e não queremos aborrecer os senhores do Vaticano) é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus. De qualquer forma, podemos ainda contar com a Arménia, o Azerbaijão, a Ucrânia, a República Moldava, a Bielorrússia e a Albânia. Nada Mau.
Aí sim, se ele conseguir, se conseguirmos esse desígnio de um verdadeiro alargamento, vai ser bom. A Europa tem de deixar de ser elitista. Temos que dizer não a esta união de estados, ou ricos, ou instruídos, quando não acumulam as duas condições. Temos, além de mais, como dizes, de ter pensamento positivo. E na verdade, tudo é muito relativo. Se conseguirmos passar da 19ª posição numa Europa a 27, para o lugar 19º numa Europa a 49... toda a Europa! ...estaremos perfeitos. O problema, ver-se-á, é que nesses 49 estão países como a Suiça, o Liechtenstein, a Noruega e a Rússia. Se não os conseguirmos deixar de fora, passamos para o 23º posto. Paciência. Mas se os senhores do Vaticano quiserem, também... mau! Ou nem tanto, mais vale tê-los do nosso lado que isto sem milagres não vai lá! Mas os do Mónaco e de San Marino que nem pensem. Não queremos princípes, nem capitalistas, nem princípes capitalistas! Além de que como dizem (e não queremos aborrecer os senhores do Vaticano) é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus. De qualquer forma, podemos ainda contar com a Arménia, o Azerbaijão, a Ucrânia, a República Moldava, a Bielorrússia e a Albânia. Nada Mau.
Ainda a propósito...
Sempre me fascinaram as pessoas que pronunciam, de forma quase mágica, há-des e há-dem (que criatividade, que liberdade no uso da língua); é que dá muito mais trabalho! Não sei como conseguem. É quase o mesmo fascíno que sinto quando ouço trocar e baralhar biografia com bibliografia; quase a mesma coisa!
Ainda assim, não há quem chegue à malta das obras. É que trocar viga de travamento por viga de travação... Travação é daquelas invenções linguísticas de se lhe tirar o chapéu... de sol, de preferência, pois só essa dimensão presta a devida homenagem.
Ainda assim, não há quem chegue à malta das obras. É que trocar viga de travamento por viga de travação... Travação é daquelas invenções linguísticas de se lhe tirar o chapéu... de sol, de preferência, pois só essa dimensão presta a devida homenagem.
Poesia popular
Esta coisa da língua Portuguesa e do acordo ortográfico tem motivado os mais diversos posts artigos de opinião e intervemções públicas. Como não quero ficar arredado do debate (desejo estar na moda e actual), fica o meu contributo, deixando um testemunho de como o nosso idioma pode ser objecto de grande expressividade e de como se presta a grande criatividade, como língua viva que sempre tem sido.
Há anos atrás, numa das habituais incursões de elementos das forças de segurança nos cafés abertos a hora tardia na cidade de Coimbra (nem sempre para impor ordem e o fecho, mas algumas vezes para matar a sede...), foi registada esta brilhante frase, no Avenida, por um polícia, quase um poeta: ...ou a gente vai todos ou não vamos ninguém!
Há anos atrás, numa das habituais incursões de elementos das forças de segurança nos cafés abertos a hora tardia na cidade de Coimbra (nem sempre para impor ordem e o fecho, mas algumas vezes para matar a sede...), foi registada esta brilhante frase, no Avenida, por um polícia, quase um poeta: ...ou a gente vai todos ou não vamos ninguém!
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