Fernando Guerra integrou a lista de convidados que Álvaro Siza fez deslocar a Londres para a cerimónia de entrega da Medalha de Ouro do RIBA. O acontecimento e a figura de Álvaro Siza não podiam ser mais claros. Fernando em grande!
Não resisto a colocar aqui um comentário que realizei a um post em http://objectotranslucido.blogspot.com/2009/02/deambulacoes-i.html.
Do latim deambulare de.am.bu.lar intransitivo
passear vagar
Não tenho vagar, é aqui claramente contrariado. Andar à deriva. Mas como o mar urbano é amigo, chega-se sempre a bom porto. ''O Homem que Gostava de Cidades'',inicialmente transmitido na TSF e depois publicado livro, em ambos os caso por Manuel Graça Dias, traduz bem o que pode ser a riqueza da vida urbana. E tal como as pessoas, quanto mais contraditória e complexa, mais rica, motivadora e inspiradora. A Surpresa, o inesperado são a chave do interesse da deambulação. Deambulação pelas ruas, alamedas, avenidas e praças, mas também pelas dobras e esquinas do tempo, e no cruzamento com as pessoas ao longo da vida. Deambular é obrigatório. Quem não o faz, regride. Fio condutor, saber tudo à partida, não faz parte do trajecto de quem quer realmente viver e aprender com a vida. Porque, como nos ensina Niemeyer de uma forma assustadoramente crua, tudo isto é demasiado elementar: ''nasceu, morreu, fodeu-se''.
Esmagador. Brutal. Magnífico. Belo. Culto. É um personagem maior da Arquitectura.
São as reacções possíveis à conferência - O que aprendi com a Arquitectura - que Eduardo Souto de Moura repetiu, hoje, no auditório Fernando Távora, na FAUP.
O fantástico DS foi eleito o automóvel mais bonito de todos os tempos, por um painel de designers. Na foto, retratado na viagem que o Alison e Peter Smithson realizaram por Inglaterra ao volante de ID DS 19. É impressionante como a arquitectura e os automóveis sempre se conjugaram tão bem - recordo as longínquas fotos da obra de Le Corbusier. Isto, claro, no tempo em que os carros não eram todos iguais.
Escultura de Ângelo de Sousa no Burgo. Agradece-se este encontro com Souto de Moura que temos a fortuna de poder desfrutar e viver. A cidade como local de cidadania e de beleza. Afinal, uma não existe sem a outra.
...e por entre estes planos. Por entre. Estar entre. Entre. Estou entre planos, espaços, páginas, palavras. Sempre entre alguma coisa. Transitoriamente.
Confesso. Embora numa casa que não partilhava ideias de direita, cresci a ouvir histórias sobre Salazar. Tanto ouvi sobre a sua faceta austera, como sobre os seus discuros com aquela voz marcada e sibilina. Ouvi também, bastante, sobre o seu alegado envolvimento com a jornalista francesa que o entrevistou. Daí que até consiga aceitar vê-lo no papel de sedutor, pese embora tudo o resto. Até aí ainda concedo: era um homem inteligente e poderoso. Mas há limites, mesmo para uma série televisiva. Salazar a beijar o pé de uma mulher - desculpem - é demais. Isso é tão improvável como a Nossa Senhora de Fátima a fazer street racing aos comandos de uma CBR 1000, na Avenida 24 de Julho. Não me lixem!
Mais uma vez. Aí está. Pode ser uma alternativa a Serralves. O Edifício também é do Siza, aliás. Receio, contudo, que a depressão esteja garantida. Pelas imagens transmitidas na televisão não é difícil ver que já em Barcelona a coisa é o que é: fraquinha. Esta proposta, porém... Um salão erótico em Gondomar deve ser coisa tão inspiradora como a Fórmula 1 na Carrapixana. Neste particular, prefiro o menu do Escorrupichoana. Muito bom!
A acusação habitual é a mesma: não faz cidade; é um objecto de excepção. Reconhece-se parte da verdade: também de excepções vivem as cidades. felizmente que Eduardo Souto de Moura as produz e nos faz acreditar que o quotidiano pode ser melhor.