Mais de dois terços da população vive na miséria.
O país está em 162º de uma lista de 177 estados, quanto ao desnvolvimento humano.
Segundo o relatório da International Transparency, posiciona-se em 158º lugar em 180 estados avaliados quanto à presença e importância da corrupção.
De acordo com um índice usado para avaliar as assimetrias sociais - o fosso entre os mais favorecidos e os mais pobres - a sociedade angolana é das mais desiguais do planeta.
É dos piores países para se fazer negócios, segundo o índice Doing Business, do Banco Mundial - Angola ocupa a 168ª possição de um total de 181.
Um relatório da Freedom House dá conta das continuadas restrições aos direitos, liberdades e garantias.
As participações em empresas portuguesas têm aumentado significativamente nos últimos anos, com a compra de acções por parte da empresas públicas angolanas - como a Sonangol - ou pela holding pessoal da filha de José Eduardo dos Santos; a título de exemplo, a petrolífera angolana já é o maior accionista do BCP, com 9,99 do capital, enquanto no BPI, Isabel dos Santos detém 9,69 dos títulos.
Aos dados da Visão, junta-se o relato de quem por lá passou.
Em Luanda, o arrendamento de um T2 normal (para os padrões portugueses, claro) pode custar mensalmente 4500 e Dólares, com um ano pago à cabeça.
Um jantar para 3 pessoas na Ilha, na capital angolana, pode ascender aos 600 Dólares. No interior, tudo é impecável; no exterior, há lixo à porta.
A diária num hotel poderá ter um custo e 400 Dólares e é difícil de conseguir: os hotéis estão esgotados.
Serão estes contrastes uma surpresa? Complementando a afirmação do personagem interpretado por Michael Dougla em Wall Street - o dinheiro não dorme - direi: o dinheiro não faz juízos de valor. É simplesmente assim.
sábado, 14 de março de 2009
Casa das Histórias e Desenhos Paula Rego
Ai Portugal, Portugal...
Para quem duvida de que chegamos ''inclusivamente'' a ser bem governados:
em 1979, foi decido que o novo Palácio da Justiça de Coimbra seria construído no terreno que actualmente serve de estacionamento aos funcionários do Ministério da Justiça, próximo das actuais instalações do tribunal;
cumprimdo com naturalidade a decisão, no início dos anos 90 chegou a haver um projecto completo, acabado, para obra - tudo a correr como esperado, embora com atrasos ciclópicos;
mais tarde, segundo o normal exercício da política em terras lusas, houve um governo que decidiu que o projecto realizado não se adequava às necessidades de Coimbra, em matéria de justiça;
com essa decisão, ou em concomitância com ela, foi encontrado um novo terreno, na margem esquerda, junto da recolha dos transportes públicos (que ocupa o local mais anormal do mundo, tendo em conta as potencialidades do sítio) e, para dar seguimento ao assunto, é lançado um concurso de arquitectura - houve um vencedor e, no mínimo, prémios a pagar (desconhço se foi iniciada alguma fase posterior do projecto e, em consequência, mais custos com honorários, estudos e consultorias);
no entanto, sem que se saiba muito bem porque motivo (certamente para dar outros usos à margem do rio e garantir maior qualificação dos espaços da cidade não foi certamente), o processo nunca avançou;
agora, 20 anos e muitos milhares de escudos e euros depois, o Ministério da Justiça, em conjunto com a Câmara Municipal, decidiu voltar ao terreno inicial - foi apenas um passeio, tudo bem!
Bom, agora imaginemos estes senhores que nos governaram e governaram, com as seguintes decisões:
Mandam realizar uma casa num terreno que possuem, mas depois do projecto integralmente realizado e pago, decidem que afinal o programa que pensaram não lhes serve, e que o terreno é exíguo para o que pretendem;
seguidamente, fazem uma permuta de terrenos, para conseguir o local adequado para outro projecto, para o que lançam um concurso de arquitectura e pagam os respectivos prémios;
não, afinal não é ali, é melhor voltar ao terreno inicial e desfazer a permuta;
agora só faltará encomendar um novo projecto e pagá-lo, naturalmente (não sem antes explorar mais uns projectistas, com a fixação de um custo irreal por metro quadrado para efeitos de cáculo dos honorários).
Real? Claro que não! Ninguém gere assim os seus dinheiros e bens!
...sim, eu sei. Admito. A comparação está mal feita. Os governos não gastam senão o dinheiro de outrem e com a morosidade de decisão na construção de uma casa nenhum particular lesa profundamente a sociedade e o seu funcionamento.
Brindemos à Justiça.
em 1979, foi decido que o novo Palácio da Justiça de Coimbra seria construído no terreno que actualmente serve de estacionamento aos funcionários do Ministério da Justiça, próximo das actuais instalações do tribunal;
cumprimdo com naturalidade a decisão, no início dos anos 90 chegou a haver um projecto completo, acabado, para obra - tudo a correr como esperado, embora com atrasos ciclópicos;
mais tarde, segundo o normal exercício da política em terras lusas, houve um governo que decidiu que o projecto realizado não se adequava às necessidades de Coimbra, em matéria de justiça;
com essa decisão, ou em concomitância com ela, foi encontrado um novo terreno, na margem esquerda, junto da recolha dos transportes públicos (que ocupa o local mais anormal do mundo, tendo em conta as potencialidades do sítio) e, para dar seguimento ao assunto, é lançado um concurso de arquitectura - houve um vencedor e, no mínimo, prémios a pagar (desconhço se foi iniciada alguma fase posterior do projecto e, em consequência, mais custos com honorários, estudos e consultorias);
no entanto, sem que se saiba muito bem porque motivo (certamente para dar outros usos à margem do rio e garantir maior qualificação dos espaços da cidade não foi certamente), o processo nunca avançou;
agora, 20 anos e muitos milhares de escudos e euros depois, o Ministério da Justiça, em conjunto com a Câmara Municipal, decidiu voltar ao terreno inicial - foi apenas um passeio, tudo bem!
Bom, agora imaginemos estes senhores que nos governaram e governaram, com as seguintes decisões:
Mandam realizar uma casa num terreno que possuem, mas depois do projecto integralmente realizado e pago, decidem que afinal o programa que pensaram não lhes serve, e que o terreno é exíguo para o que pretendem;
seguidamente, fazem uma permuta de terrenos, para conseguir o local adequado para outro projecto, para o que lançam um concurso de arquitectura e pagam os respectivos prémios;
não, afinal não é ali, é melhor voltar ao terreno inicial e desfazer a permuta;
agora só faltará encomendar um novo projecto e pagá-lo, naturalmente (não sem antes explorar mais uns projectistas, com a fixação de um custo irreal por metro quadrado para efeitos de cáculo dos honorários).
Real? Claro que não! Ninguém gere assim os seus dinheiros e bens!
...sim, eu sei. Admito. A comparação está mal feita. Os governos não gastam senão o dinheiro de outrem e com a morosidade de decisão na construção de uma casa nenhum particular lesa profundamente a sociedade e o seu funcionamento.
Brindemos à Justiça.
Por estes dias...
sexta-feira, 13 de março de 2009
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