Extraordinário concerto.
Nneka trouxe até Coimbra o calor da sua voz e dos sons de África, que, com a ajuda de excelentes músicos, mistura com outras sonoridades. Soul, Funk, Blues, Hip Hop e Reggae deslizaram pelo palco numa síntese maravilhosa e ao ritmo do alinhamento que esta nigeriana de figura delicada, mas voz poderosa, cheia de cambiantes, fez ouvir com elevado entusiasmo.
É de lhe admirar, ainda, as causas que com sentido de oportunidade embora num registo nem sempre consensual, mas certamente com determinação e coragem, transporta pelos palcos a que vai subindo. É, certamente, um exemplo.
Surpreendente. Absolutamente rendido.
sexta-feira, 27 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Chico Espertismo
Depois de ter comprado um passagem aérea, através da internet - à distância, portanto, à companhia Air France e de ter solicitado o envio de uma factura via correio, recebi a seguinte resposta:
Exmo Senhor,
Acusamos a recepção da sua mensagem com data de 18 de Março de 2009, pedindo que lhe enviemos uma factura relativa à reserva 3IKTZX, feita ao seu nome.
Permitimo-nos informá-lo que para obter uma factura, deverá comparecer ao balcão Air France no aeroporto da Portela, onde poderá solicitar a emissão da factura correspondente.
A sanidade mental da empresa está fortemente afectada. Propõe-se vender serviços à distância, mas tratando-se da entrega de um documenmto de disponibilização obrigatória com qualquer venda, sugerem-me que me desloque 300 km, durante 3 horas.
Recomendo vôos na TAP.
Exmo Senhor,
Acusamos a recepção da sua mensagem com data de 18 de Março de 2009, pedindo que lhe enviemos uma factura relativa à reserva 3IKTZX, feita ao seu nome.
Permitimo-nos informá-lo que para obter uma factura, deverá comparecer ao balcão Air France no aeroporto da Portela, onde poderá solicitar a emissão da factura correspondente.
A sanidade mental da empresa está fortemente afectada. Propõe-se vender serviços à distância, mas tratando-se da entrega de um documenmto de disponibilização obrigatória com qualquer venda, sugerem-me que me desloque 300 km, durante 3 horas.
Recomendo vôos na TAP.
Em Memória de Elefante (1979), António Lobo Antunes, coloca o personagem principal em confronto com o fracasso da vida pessoal, que se pergunta, atormentado: ..''onde é que eu me fodi?''
Ponho-me a mesma pergunta: onde é que nós, enquanto povo, nos fodemos?
Em que curva de percurso ou dobra do tempo entrámos em desnorte?
Os regressos são sempre complicados. A volta à rotina tem os seus impactos. Mas é muito mais do que isso. Não espero que me digam num café, à saída, ''até à vista'' ou ''até sempre'' e com um sorriso franco. Não damos essa confiança a um desconhecido. É mesmo de desconfiança que se trata. Não abrimos assim a porta da nossa vida e intimidade a um total desconhecido. Queremos lá vê-lo outra vez!?
Não deixo de me intrigar, apesar das fracas expectativas. O que leva esta gente a logo de manhã me atender com cara fechada, com quase indiferença, a reagir mal quando faço notar (delicadamente) que o que me é entregue não está de acordo com o meu pedido e que a demora é injustificada, a arrancar-me a nota com quase violência quando pago e a quase não olhar para mim no final?
O que nos terá acontecido? O que é que se passa aqui?
Ponho-me a mesma pergunta: onde é que nós, enquanto povo, nos fodemos?
Em que curva de percurso ou dobra do tempo entrámos em desnorte?
Os regressos são sempre complicados. A volta à rotina tem os seus impactos. Mas é muito mais do que isso. Não espero que me digam num café, à saída, ''até à vista'' ou ''até sempre'' e com um sorriso franco. Não damos essa confiança a um desconhecido. É mesmo de desconfiança que se trata. Não abrimos assim a porta da nossa vida e intimidade a um total desconhecido. Queremos lá vê-lo outra vez!?
Não deixo de me intrigar, apesar das fracas expectativas. O que leva esta gente a logo de manhã me atender com cara fechada, com quase indiferença, a reagir mal quando faço notar (delicadamente) que o que me é entregue não está de acordo com o meu pedido e que a demora é injustificada, a arrancar-me a nota com quase violência quando pago e a quase não olhar para mim no final?
O que nos terá acontecido? O que é que se passa aqui?
quarta-feira, 25 de março de 2009
Quatro dias de Vélib


Sempre me interessei e deixei seduzir pelo uso que certos povos conseguem dar às cidades, tornando-as, de facto, espaços de cidadania, de encontro: de alegria, no limite. São múltiplos os factores: seguramentre culturais, económicos, de organização do tempo e da sociedade, uns; urbanos, arquitectónicos, de qualificação da paisagem urbana, outros.
Sem complexos e com simplicidade, Paris está nesse universo. É belíssimo o contributo que a circulação em bicicletas oferece à cidade; e é magnífico que quem a visita possa participar na rotina diária, na vida da cidade, sentir-se incluído. O sistema de bicicletas de uso livre e partilhado Vélib contribui um pouco para isso. Parisienses e turistas usam os mesmos meios para circular pela cidade, isto de uma forma que introduz uma outra riqueza na vivência do espaço urbano. Percorrê-lo, necessita de velocidade, de movimento rápido ao longo das fachadas e das ruas, necessitando, também, de tempo para a observação. As bicicletas oferecem essa dupla possibilidade e, por outro lado, aproximam o movimento daqueles que se movem a pé ou estão parados nas esplandas, nas praças e jardins. Ambos se escutam - peões e ciclistas; ambos se misturam - parisienses e turistas.
Espero que Lisboa possa experimentar o mesmo tipo de realidade com a chegada da Vélib.
Marcadores:
imagem realizada junto à Pont D'Alma
Hemingway, Shakespeare & Company e Les Deux Magots
There is never any ending to Paris and the memory of each person who has lived in it differs from that of any other. We always returned to it no matter who we were or how it was changed or with what difficulties, or ease, it could be reached. Paris was always worth it and you received return for whatever you brought to it. But this is how Paris was in the early days when we were very poor and very happy.
A Moveable Feast
Ernest Hemingway
A Moveable Feast
Ernest Hemingway
quarta-feira, 18 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
A Vélib vai chegar a Lisboa
Um serviço de bicicletas de aluguer, há muitos anos existente em Paris, vai ser implementado em Lisboa.
A sua utilização tem um custo simbólico e é certamente uma boa notícia.
A sua utilização tem um custo simbólico e é certamente uma boa notícia.
Angola, terra de oportunidades
Mais de dois terços da população vive na miséria.
O país está em 162º de uma lista de 177 estados, quanto ao desnvolvimento humano.
Segundo o relatório da International Transparency, posiciona-se em 158º lugar em 180 estados avaliados quanto à presença e importância da corrupção.
De acordo com um índice usado para avaliar as assimetrias sociais - o fosso entre os mais favorecidos e os mais pobres - a sociedade angolana é das mais desiguais do planeta.
É dos piores países para se fazer negócios, segundo o índice Doing Business, do Banco Mundial - Angola ocupa a 168ª possição de um total de 181.
Um relatório da Freedom House dá conta das continuadas restrições aos direitos, liberdades e garantias.
As participações em empresas portuguesas têm aumentado significativamente nos últimos anos, com a compra de acções por parte da empresas públicas angolanas - como a Sonangol - ou pela holding pessoal da filha de José Eduardo dos Santos; a título de exemplo, a petrolífera angolana já é o maior accionista do BCP, com 9,99 do capital, enquanto no BPI, Isabel dos Santos detém 9,69 dos títulos.
Aos dados da Visão, junta-se o relato de quem por lá passou.
Em Luanda, o arrendamento de um T2 normal (para os padrões portugueses, claro) pode custar mensalmente 4500 e Dólares, com um ano pago à cabeça.
Um jantar para 3 pessoas na Ilha, na capital angolana, pode ascender aos 600 Dólares. No interior, tudo é impecável; no exterior, há lixo à porta.
A diária num hotel poderá ter um custo e 400 Dólares e é difícil de conseguir: os hotéis estão esgotados.
Serão estes contrastes uma surpresa? Complementando a afirmação do personagem interpretado por Michael Dougla em Wall Street - o dinheiro não dorme - direi: o dinheiro não faz juízos de valor. É simplesmente assim.
O país está em 162º de uma lista de 177 estados, quanto ao desnvolvimento humano.
Segundo o relatório da International Transparency, posiciona-se em 158º lugar em 180 estados avaliados quanto à presença e importância da corrupção.
De acordo com um índice usado para avaliar as assimetrias sociais - o fosso entre os mais favorecidos e os mais pobres - a sociedade angolana é das mais desiguais do planeta.
É dos piores países para se fazer negócios, segundo o índice Doing Business, do Banco Mundial - Angola ocupa a 168ª possição de um total de 181.
Um relatório da Freedom House dá conta das continuadas restrições aos direitos, liberdades e garantias.
As participações em empresas portuguesas têm aumentado significativamente nos últimos anos, com a compra de acções por parte da empresas públicas angolanas - como a Sonangol - ou pela holding pessoal da filha de José Eduardo dos Santos; a título de exemplo, a petrolífera angolana já é o maior accionista do BCP, com 9,99 do capital, enquanto no BPI, Isabel dos Santos detém 9,69 dos títulos.
Aos dados da Visão, junta-se o relato de quem por lá passou.
Em Luanda, o arrendamento de um T2 normal (para os padrões portugueses, claro) pode custar mensalmente 4500 e Dólares, com um ano pago à cabeça.
Um jantar para 3 pessoas na Ilha, na capital angolana, pode ascender aos 600 Dólares. No interior, tudo é impecável; no exterior, há lixo à porta.
A diária num hotel poderá ter um custo e 400 Dólares e é difícil de conseguir: os hotéis estão esgotados.
Serão estes contrastes uma surpresa? Complementando a afirmação do personagem interpretado por Michael Dougla em Wall Street - o dinheiro não dorme - direi: o dinheiro não faz juízos de valor. É simplesmente assim.
Casa das Histórias e Desenhos Paula Rego
Ai Portugal, Portugal...
Para quem duvida de que chegamos ''inclusivamente'' a ser bem governados:
em 1979, foi decido que o novo Palácio da Justiça de Coimbra seria construído no terreno que actualmente serve de estacionamento aos funcionários do Ministério da Justiça, próximo das actuais instalações do tribunal;
cumprimdo com naturalidade a decisão, no início dos anos 90 chegou a haver um projecto completo, acabado, para obra - tudo a correr como esperado, embora com atrasos ciclópicos;
mais tarde, segundo o normal exercício da política em terras lusas, houve um governo que decidiu que o projecto realizado não se adequava às necessidades de Coimbra, em matéria de justiça;
com essa decisão, ou em concomitância com ela, foi encontrado um novo terreno, na margem esquerda, junto da recolha dos transportes públicos (que ocupa o local mais anormal do mundo, tendo em conta as potencialidades do sítio) e, para dar seguimento ao assunto, é lançado um concurso de arquitectura - houve um vencedor e, no mínimo, prémios a pagar (desconhço se foi iniciada alguma fase posterior do projecto e, em consequência, mais custos com honorários, estudos e consultorias);
no entanto, sem que se saiba muito bem porque motivo (certamente para dar outros usos à margem do rio e garantir maior qualificação dos espaços da cidade não foi certamente), o processo nunca avançou;
agora, 20 anos e muitos milhares de escudos e euros depois, o Ministério da Justiça, em conjunto com a Câmara Municipal, decidiu voltar ao terreno inicial - foi apenas um passeio, tudo bem!
Bom, agora imaginemos estes senhores que nos governaram e governaram, com as seguintes decisões:
Mandam realizar uma casa num terreno que possuem, mas depois do projecto integralmente realizado e pago, decidem que afinal o programa que pensaram não lhes serve, e que o terreno é exíguo para o que pretendem;
seguidamente, fazem uma permuta de terrenos, para conseguir o local adequado para outro projecto, para o que lançam um concurso de arquitectura e pagam os respectivos prémios;
não, afinal não é ali, é melhor voltar ao terreno inicial e desfazer a permuta;
agora só faltará encomendar um novo projecto e pagá-lo, naturalmente (não sem antes explorar mais uns projectistas, com a fixação de um custo irreal por metro quadrado para efeitos de cáculo dos honorários).
Real? Claro que não! Ninguém gere assim os seus dinheiros e bens!
...sim, eu sei. Admito. A comparação está mal feita. Os governos não gastam senão o dinheiro de outrem e com a morosidade de decisão na construção de uma casa nenhum particular lesa profundamente a sociedade e o seu funcionamento.
Brindemos à Justiça.
em 1979, foi decido que o novo Palácio da Justiça de Coimbra seria construído no terreno que actualmente serve de estacionamento aos funcionários do Ministério da Justiça, próximo das actuais instalações do tribunal;
cumprimdo com naturalidade a decisão, no início dos anos 90 chegou a haver um projecto completo, acabado, para obra - tudo a correr como esperado, embora com atrasos ciclópicos;
mais tarde, segundo o normal exercício da política em terras lusas, houve um governo que decidiu que o projecto realizado não se adequava às necessidades de Coimbra, em matéria de justiça;
com essa decisão, ou em concomitância com ela, foi encontrado um novo terreno, na margem esquerda, junto da recolha dos transportes públicos (que ocupa o local mais anormal do mundo, tendo em conta as potencialidades do sítio) e, para dar seguimento ao assunto, é lançado um concurso de arquitectura - houve um vencedor e, no mínimo, prémios a pagar (desconhço se foi iniciada alguma fase posterior do projecto e, em consequência, mais custos com honorários, estudos e consultorias);
no entanto, sem que se saiba muito bem porque motivo (certamente para dar outros usos à margem do rio e garantir maior qualificação dos espaços da cidade não foi certamente), o processo nunca avançou;
agora, 20 anos e muitos milhares de escudos e euros depois, o Ministério da Justiça, em conjunto com a Câmara Municipal, decidiu voltar ao terreno inicial - foi apenas um passeio, tudo bem!
Bom, agora imaginemos estes senhores que nos governaram e governaram, com as seguintes decisões:
Mandam realizar uma casa num terreno que possuem, mas depois do projecto integralmente realizado e pago, decidem que afinal o programa que pensaram não lhes serve, e que o terreno é exíguo para o que pretendem;
seguidamente, fazem uma permuta de terrenos, para conseguir o local adequado para outro projecto, para o que lançam um concurso de arquitectura e pagam os respectivos prémios;
não, afinal não é ali, é melhor voltar ao terreno inicial e desfazer a permuta;
agora só faltará encomendar um novo projecto e pagá-lo, naturalmente (não sem antes explorar mais uns projectistas, com a fixação de um custo irreal por metro quadrado para efeitos de cáculo dos honorários).
Real? Claro que não! Ninguém gere assim os seus dinheiros e bens!
...sim, eu sei. Admito. A comparação está mal feita. Os governos não gastam senão o dinheiro de outrem e com a morosidade de decisão na construção de uma casa nenhum particular lesa profundamente a sociedade e o seu funcionamento.
Brindemos à Justiça.
Por estes dias...
sexta-feira, 13 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
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