sábado, 4 de abril de 2009

Não, não é Pink Martini. Mas podia...

Hoje, no Quebra Costas

Portugal bom e que vale a pena, porque sim
























O Zé está cansado.
Na verdade, estamos todos: um Pouco!
Seria bom que, como que por milagre, para o futuro não se ouvisse falar mais do caso Freeport ou ''fripor''.
Antes de prosseguir, devo fazer um manifestação de ''desinteresse'': não tenho particular simpatia pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates. Na verdade, tão-pouco me lhe oponho violentamente. Entrei neste porto de águas calmas em que nada se agita, como, desconfio, a esmagadora maioria dos portugueses.
Retomando, dizia eu que ambiciono uma manhã em que os jornais não noticiem o que se passa ou passou em Alcochete. Já sabemos: nada! Não passou nada. Eu explico: nunca mais se ouviu falar da Quinta da falagueira; nunca mais se soube nada do abate de uns milhares de sobreiros para um projecto imobiliário de alto interesse nacional; nem de uma casa construída com legalidade anunciada como duvidosa na Arrábida. Com este alegado caso não vai certamente acontecer nada de diferente, tal como não sucedeu com o Eurostadium, em Coimbra, ou com o Cidade do Porto, nesta mesma cidade do Norte.
Todos sabemos as regras do jogo. Há sempre uns favores de final da mandato - ou de início, é indiferente -, não interessa a quem, nem em que contexto. Se esperarmos sentados, chegará a nossa vez. É só uma questão de tempo. Tem tocado a todos. Nós temos a manobra de circunstância no sangue. Não vamos mudar. É mais provável eu ganhar o Euromilhões - mesmo sem jogar - do que haver transformações muito grandes na política à portuguesa ou do que haver algum apuramento da verdade por parte da justiça. Adivinham-se mais trapalhadas processuais pelo caminho e meios de prova ineficazes. No final haverá muitas páginas de jornal escritas, muitos milhões de euros gastos em investigações, dossiês, apensos e processos e, pura e simplesmente, NADA!

É preferível, portanto, falar de coisas mais animadas e consequentes: a Escola da Segunda Oportunidade, em Matosinhos, é uma experiência fantástica; o Mercado do Quebra Costas, em Coimbra, é uma acção fundamental para a animação urbana e para devolver vida a essa zona da cidade - esperemos o seu efeito multiplicador e mais gente na rua; a Escola da Noite estreou uma nova peça, a partir da palavra de Kafka - “atravessando as palavras há restos de luz”, no Teatro da Cerca de São Bernardo. Hoje estará esgotada.

Isto sim, são coisas boas a acontecer em Portugal.

O passado aqui tão perto.



Descobri este vídeo através das Twittadas do Ricardo Castanheira e não resisti.
O Teledisco é fantástico e a versão maravilhosa.

Qualquer coisa mesmo diferente



E porque estamos na onda, uma homenagem à língua francesa.
Não há provavelmente nenhuma outra que atinja a mesma beleza, quando cantada.
Jane Birkin, de quem gosto bastante!

Les Deux Magots



Picasso conheceu aqui a sua musa Dora Maar em 1937. Oscar Wilde, Hemingway sentavam-se por lá. Por uns ridículos € 4,00 por um café, conquistamos acesso a um prazer semelhante ao que experimentavam. E o Café de Flore mesmo ali ao lado. E as esplandas completamente cheias. E a beleza que constrói e povoa as ruas. E as boa disposição e alegria que invade o ar. E nós, que nos deixamos contaminar e nos apetece parafrasear John Kennedy, tomando Paris por Berlim.
É um privilégio raro. Viver só pode passar por isto.

A loja mais Pequena do Mundo

Sacha Finkelsztajn
























Um Cheesecake verdadeiramente épico. Doce q.b.

Café de Flore








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Nsceu em 1887. Em 1913, o poeta Guillaume Appolinaire fez ali o seu escritório. André Breton, Philipe Soupault e Louis Aragon conheceram-se no local e nele deram origem ao núcleo francês do Dadaismo. Na década de 30, torna-se um local de encontro de artistas e intelectuais. Camus, Dali, Alberto Giacometti frequentaram-no. Sartre e Beauvoir fizeram dele praticamente uma casa durante a II Guerra. nesses anos, o café converteu-se num importante foco da Resistência. Era ponto de reunião dos grupos de Jacques Prévert, do de Marguerite Duras e do de Sartre.
O local pode já não manter o mesmo perfil de frequentador, mas a atmosfera mantém-se mítica. E nada iguala o inultrapassável prazer de uma maravilhosa fatia de tarte de chocolate em Saint-Germain-des-Prés. Viver será seguramente isto.

Paris, as suas contradições e a vontade de voltar

















Paris cidade Luz. Cidade do Amor, do romantismo e de cultura. Da música que nos fala ao coração. Da eterna, terna, sonoridade da língua francesa.
Mas, surpresa, a cidade que nos apaixona não resulta de nenhum desejo de elevação cultural. Não é a normal sequência da Revolução de 1789, de um desejo de liberdade. Não resulta de qualquer consequência do Iluminismo. Não há nela um traço, sequer, que derive do positivismo. De positivo, os seus criadores, perseguiram, tão só, uma maior facilidade na movimentação e fogo da artilharia.
Não há, provavelmente, maior contradição entre a beleza de uma realidade e a ideia que lhe deu origem. Paris, cidade única, imensa, fantástica, nasceu de um desejo de repressão. Após a revolução de 48, Napoleão III tem todo o interesse na realização de grandes obras, na destruição do tecido compacto e estreito de origem medieval e na eficácia do movimento das tropas, que pôde comprovar logo em 1851, reprimindo a tiro, através dos longos bouevards, o então Golpe de Estado.
Haussmann, o ideólogo da renovação urbana, prefeito de Paris, abre 95 km de novas ruas no centro da cidade, por sobre a malha urbana existente, e outros 70 na periferia. Uma cidade que possuía já 384 km na zona central e 355 nos subúrbios, permite perceber a violência da operação. E os prazos são em si mesmos reveladores. Em dezassete anos, a duração do mandato do Barão Georges- Eugéne Haussmann, surgem os princípios orientadores e grande parte da cidade que hoje causa um fascínio universal com a sua atmosfera verdadeiramente mágica. Paris de mil encantos, dos cafés e das livrarias. Dos museus e parques. Das praças e das ruas. Das coberturas e das mansardas. Das chaminés e das paredes corta-fogo. Das esplanadas e da vida urbana. De um magnífico tecido urbano, desenhado com mestria. Vivido com paixão.
Parte-se com o desejo de regresso. Em breve!

Assente a Poeira.

Assente a poeira, faço um regresso aos locais do crime. Não sei se são highlights, mas são seguramente locais onde me quero voltar a ver. Tenho tema para uns quantos posts.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Por estes dias...

Mudei-me. Mudei de sítio e de piso.
O candeeiro talvez tenha de estar aceso. Mas que importa, quando lá fora o sol lava os planos em que se espalha sem tréguas?
...e o mundo a abandonar-se com um outro sol: divide-se em duas, para cada lado de si, permanecendo inteira, intacta, pontual e localizada, concentrada num só lugar, único. Alheio a tudo.
Na verdade, tudo que verdadeiramente interessa, não se encontra nos algoritmos por trás deste ecrã.


sexta-feira, 27 de março de 2009

Nneka no Gil Vicente

Extraordinário concerto.
Nneka trouxe até Coimbra o calor da sua voz e dos sons de África, que, com a ajuda de excelentes músicos, mistura com outras sonoridades. Soul, Funk, Blues, Hip Hop e Reggae deslizaram pelo palco numa síntese maravilhosa e ao ritmo do alinhamento que esta nigeriana de figura delicada, mas voz poderosa, cheia de cambiantes, fez ouvir com elevado entusiasmo.

É de lhe admirar, ainda, as causas que com sentido de oportunidade embora num registo nem sempre consensual, mas certamente com determinação e coragem, transporta pelos palcos a que vai subindo. É, certamente, um exemplo.

Surpreendente. Absolutamente rendido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Chico Espertismo

Depois de ter comprado um passagem aérea, através da internet - à distância, portanto, à companhia Air France e de ter solicitado o envio de uma factura via correio, recebi a seguinte resposta:


Exmo Senhor,

Acusamos a recepção da sua mensagem com data de 18 de Março de 2009, pedindo que lhe enviemos uma factura relativa à reserva 3IKTZX, feita ao seu nome.

Permitimo-nos informá-lo que para obter uma factura, deverá comparecer ao balcão Air France no aeroporto da Portela, onde poderá solicitar a emissão da factura correspondente.



A sanidade mental da empresa está fortemente afectada. Propõe-se vender serviços à distância, mas tratando-se da entrega de um documenmto de disponibilização obrigatória com qualquer venda, sugerem-me que me desloque 300 km, durante 3 horas.

Recomendo vôos na TAP.
Em Memória de Elefante (1979), António Lobo Antunes, coloca o personagem principal em confronto com o fracasso da vida pessoal, que se pergunta, atormentado: ..''onde é que eu me fodi?''

Ponho-me a mesma pergunta: onde é que nós, enquanto povo, nos fodemos?
Em que curva de percurso ou dobra do tempo entrámos em desnorte?

Os regressos são sempre complicados. A volta à rotina tem os seus impactos. Mas é muito mais do que isso. Não espero que me digam num café, à saída, ''até à vista'' ou ''até sempre'' e com um sorriso franco. Não damos essa confiança a um desconhecido. É mesmo de desconfiança que se trata. Não abrimos assim a porta da nossa vida e intimidade a um total desconhecido. Queremos lá vê-lo outra vez!?
Não deixo de me intrigar, apesar das fracas expectativas. O que leva esta gente a logo de manhã me atender com cara fechada, com quase indiferença, a reagir mal quando faço notar (delicadamente) que o que me é entregue não está de acordo com o meu pedido e que a demora é injustificada, a arrancar-me a nota com quase violência quando pago e a quase não olhar para mim no final?

O que nos terá acontecido? O que é que se passa aqui?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Quatro dias de Vélib



















Sempre me interessei e deixei seduzir pelo uso que certos povos conseguem dar às cidades, tornando-as, de facto, espaços de cidadania, de encontro: de alegria, no limite. São múltiplos os factores: seguramentre culturais, económicos, de organização do tempo e da sociedade, uns; urbanos, arquitectónicos, de qualificação da paisagem urbana, outros.
Sem complexos e com simplicidade, Paris está nesse universo. É belíssimo o contributo que a circulação em bicicletas oferece à cidade; e é magnífico que quem a visita possa participar na rotina diária, na vida da cidade, sentir-se incluído. O sistema de bicicletas de uso livre e partilhado Vélib contribui um pouco para isso. Parisienses e turistas usam os mesmos meios para circular pela cidade, isto de uma forma que introduz uma outra riqueza na vivência do espaço urbano. Percorrê-lo, necessita de velocidade, de movimento rápido ao longo das fachadas e das ruas, necessitando, também, de tempo para a observação. As bicicletas oferecem essa dupla possibilidade e, por outro lado, aproximam o movimento daqueles que se movem a pé ou estão parados nas esplandas, nas praças e jardins. Ambos se escutam - peões e ciclistas; ambos se misturam - parisienses e turistas.

Espero que Lisboa possa experimentar o mesmo tipo de realidade com a chegada da Vélib.

Hemingway, Shakespeare & Company e Les Deux Magots

There is never any ending to Paris and the memory of each person who has lived in it differs from that of any other. We always returned to it no matter who we were or how it was changed or with what difficulties, or ease, it could be reached. Paris was always worth it and you received return for whatever you brought to it. But this is how Paris was in the early days when we were very poor and very happy.

A Moveable Feast
Ernest Hemingway

Regressado

quarta-feira, 18 de março de 2009

sábado, 14 de março de 2009

A Vélib vai chegar a Lisboa

Um serviço de bicicletas de aluguer, há muitos anos existente em Paris, vai ser implementado em Lisboa.
A sua utilização tem um custo simbólico e é certamente uma boa notícia.