terça-feira, 7 de abril de 2009
Outros sentidos poéticos
José Duarte, reconhecido amante e divulgador do jazz e, segundo o visado neste post, um exímio manipulador de palavras, referindo-se a um amigo: O Arquiportas Nuno Tecto . Maravilhoso!
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Poesia de Ambulatório
A habitual arrogância bem-pensante tem o hábito de olhar de soslaio para a criatividade com que alguns de nós usam a língua portuguesa. Eu, pelo contrário, prefiro enaltecer-lhes a capacidade poética e o sentido encantatório e enfático com que manipulam palavras e frases. Novos significados e realidades semânticas são desenvolvidos todos os dias. A língua é isso: um organismo vivo.
E a realidade é simplesmente maravilhosa!
Um senhor com dores no braço na urgência:
o médico - doi-lhe o braço?;
o doente - dói, dói, sr. dr... e pior do que isso... é que aleija!
E a realidade é simplesmente maravilhosa!
Um senhor com dores no braço na urgência:
o médico - doi-lhe o braço?;
o doente - dói, dói, sr. dr... e pior do que isso... é que aleija!
domingo, 5 de abril de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
Poesia de Ambulatório
Como a realidade pode ser surpreendente.
Uma senhora, idosa, de lenço na cabeça, num hospital do interior, a propósito do seu mal estar:
-tenho a cabeça subjugada!
Uma senhora, idosa, de lenço na cabeça, num hospital do interior, a propósito do seu mal estar:
-tenho a cabeça subjugada!
sábado, 4 de abril de 2009
Obrigado, Eugene, por nunca teres ligado!
Perdeu-se em romance, ganhámos em música!
Graças a um ingrato - e palhaço, porque não dizer - que obteve o número de uma mulher, após pedir-lho, e a quem nunca ligou, temos esta música fenomenal.
Portugal bom e que vale a pena, porque sim

O Zé está cansado.
Na verdade, estamos todos: um Pouco!
Seria bom que, como que por milagre, para o futuro não se ouvisse falar mais do caso Freeport ou ''fripor''.
Antes de prosseguir, devo fazer um manifestação de ''desinteresse'': não tenho particular simpatia pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates. Na verdade, tão-pouco me lhe oponho violentamente. Entrei neste porto de águas calmas em que nada se agita, como, desconfio, a esmagadora maioria dos portugueses.
Retomando, dizia eu que ambiciono uma manhã em que os jornais não noticiem o que se passa ou passou em Alcochete. Já sabemos: nada! Não passou nada. Eu explico: nunca mais se ouviu falar da Quinta da falagueira; nunca mais se soube nada do abate de uns milhares de sobreiros para um projecto imobiliário de alto interesse nacional; nem de uma casa construída com legalidade anunciada como duvidosa na Arrábida. Com este alegado caso não vai certamente acontecer nada de diferente, tal como não sucedeu com o Eurostadium, em Coimbra, ou com o Cidade do Porto, nesta mesma cidade do Norte.
Todos sabemos as regras do jogo. Há sempre uns favores de final da mandato - ou de início, é indiferente -, não interessa a quem, nem em que contexto. Se esperarmos sentados, chegará a nossa vez. É só uma questão de tempo. Tem tocado a todos. Nós temos a manobra de circunstância no sangue. Não vamos mudar. É mais provável eu ganhar o Euromilhões - mesmo sem jogar - do que haver transformações muito grandes na política à portuguesa ou do que haver algum apuramento da verdade por parte da justiça. Adivinham-se mais trapalhadas processuais pelo caminho e meios de prova ineficazes. No final haverá muitas páginas de jornal escritas, muitos milhões de euros gastos em investigações, dossiês, apensos e processos e, pura e simplesmente, NADA!
É preferível, portanto, falar de coisas mais animadas e consequentes: a Escola da Segunda Oportunidade, em Matosinhos, é uma experiência fantástica; o Mercado do Quebra Costas, em Coimbra, é uma acção fundamental para a animação urbana e para devolver vida a essa zona da cidade - esperemos o seu efeito multiplicador e mais gente na rua; a Escola da Noite estreou uma nova peça, a partir da palavra de Kafka - “atravessando as palavras há restos de luz”, no Teatro da Cerca de São Bernardo. Hoje estará esgotada.
Isto sim, são coisas boas a acontecer em Portugal.
O passado aqui tão perto.
Descobri este vídeo através das Twittadas do Ricardo Castanheira e não resisti.
O Teledisco é fantástico e a versão maravilhosa.
Qualquer coisa mesmo diferente
E porque estamos na onda, uma homenagem à língua francesa.
Não há provavelmente nenhuma outra que atinja a mesma beleza, quando cantada.
Jane Birkin, de quem gosto bastante!
Les Deux Magots

Picasso conheceu aqui a sua musa Dora Maar em 1937. Oscar Wilde, Hemingway sentavam-se por lá. Por uns ridículos € 4,00 por um café, conquistamos acesso a um prazer semelhante ao que experimentavam. E o Café de Flore mesmo ali ao lado. E as esplandas completamente cheias. E a beleza que constrói e povoa as ruas. E as boa disposição e alegria que invade o ar. E nós, que nos deixamos contaminar e nos apetece parafrasear John Kennedy, tomando Paris por Berlim.
É um privilégio raro. Viver só pode passar por isto.
Café de Flore

~
Nsceu em 1887. Em 1913, o poeta Guillaume Appolinaire fez ali o seu escritório. André Breton, Philipe Soupault e Louis Aragon conheceram-se no local e nele deram origem ao núcleo francês do Dadaismo. Na década de 30, torna-se um local de encontro de artistas e intelectuais. Camus, Dali, Alberto Giacometti frequentaram-no. Sartre e Beauvoir fizeram dele praticamente uma casa durante a II Guerra. nesses anos, o café converteu-se num importante foco da Resistência. Era ponto de reunião dos grupos de Jacques Prévert, do de Marguerite Duras e do de Sartre.
O local pode já não manter o mesmo perfil de frequentador, mas a atmosfera mantém-se mítica. E nada iguala o inultrapassável prazer de uma maravilhosa fatia de tarte de chocolate em Saint-Germain-des-Prés. Viver será seguramente isto.
Paris, as suas contradições e a vontade de voltar


Paris cidade Luz. Cidade do Amor, do romantismo e de cultura. Da música que nos fala ao coração. Da eterna, terna, sonoridade da língua francesa.
Mas, surpresa, a cidade que nos apaixona não resulta de nenhum desejo de elevação cultural. Não é a normal sequência da Revolução de 1789, de um desejo de liberdade. Não resulta de qualquer consequência do Iluminismo. Não há nela um traço, sequer, que derive do positivismo. De positivo, os seus criadores, perseguiram, tão só, uma maior facilidade na movimentação e fogo da artilharia.
Não há, provavelmente, maior contradição entre a beleza de uma realidade e a ideia que lhe deu origem. Paris, cidade única, imensa, fantástica, nasceu de um desejo de repressão. Após a revolução de 48, Napoleão III tem todo o interesse na realização de grandes obras, na destruição do tecido compacto e estreito de origem medieval e na eficácia do movimento das tropas, que pôde comprovar logo em 1851, reprimindo a tiro, através dos longos bouevards, o então Golpe de Estado.
Haussmann, o ideólogo da renovação urbana, prefeito de Paris, abre 95 km de novas ruas no centro da cidade, por sobre a malha urbana existente, e outros 70 na periferia. Uma cidade que possuía já 384 km na zona central e 355 nos subúrbios, permite perceber a violência da operação. E os prazos são em si mesmos reveladores. Em dezassete anos, a duração do mandato do Barão Georges- Eugéne Haussmann, surgem os princípios orientadores e grande parte da cidade que hoje causa um fascínio universal com a sua atmosfera verdadeiramente mágica. Paris de mil encantos, dos cafés e das livrarias. Dos museus e parques. Das praças e das ruas. Das coberturas e das mansardas. Das chaminés e das paredes corta-fogo. Das esplanadas e da vida urbana. De um magnífico tecido urbano, desenhado com mestria. Vivido com paixão.
Parte-se com o desejo de regresso. Em breve!
Assente a Poeira.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Por estes dias...
Mudei-me. Mudei de sítio e de piso.
O candeeiro talvez tenha de estar aceso. Mas que importa, quando lá fora o sol lava os planos em que se espalha sem tréguas?
...e o mundo a abandonar-se com um outro sol: divide-se em duas, para cada lado de si, permanecendo inteira, intacta, pontual e localizada, concentrada num só lugar, único. Alheio a tudo.
Na verdade, tudo que verdadeiramente interessa, não se encontra nos algoritmos por trás deste ecrã.

O candeeiro talvez tenha de estar aceso. Mas que importa, quando lá fora o sol lava os planos em que se espalha sem tréguas?
...e o mundo a abandonar-se com um outro sol: divide-se em duas, para cada lado de si, permanecendo inteira, intacta, pontual e localizada, concentrada num só lugar, único. Alheio a tudo.
Na verdade, tudo que verdadeiramente interessa, não se encontra nos algoritmos por trás deste ecrã.
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