quarta-feira, 29 de abril de 2009

Entre dois mundos

Entre dois mundos, como Janus - a divindade de duas cabeças.
Colocada nas portas das cidades romanas, observava o confronto de opostos e marcava o contraste entre a civilização e a natureza - um outro universo.
Uma porta é sempre uma antinomia. Deve convidar a entrar, a abandonar um universo a favor de outro, que se deseja confortável e com vida própria, idiossincrático. As penumbras devem marcar-se. O contraste passa também pela luz. Só a diferença interessa.

Sta Clara-a-Velha; Atelier 15; Coimbra.



Recomendações para o prazer da vida

Imagens soltas de um mundo em movimento

A Cidade descobre-se em cada passo, em cada mistério arrancado a cada nova esquina forçada sob o andar. O tempo sucede-se em intervalos superiores aos da cadência do movimento. A Cidade é isso: permanente revelação, sob um tempo em permanente movimento e desfile encantatório. É assim que os olhos descobrem a primeira obra renascentista.

Santa Maria das Flores; Cúpula de Fillipo Bruneleschi; Florença.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Imagens soltas de um mundo em movimento

A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana.
in Memórias de Adriano
















Panteão; Projecto de Adriano; Roma.

Imagens de apropriação espacial

Coliseu; Roma.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Imagens soltas de um mundo em movimento

São Pedro; Roma.


Simplesmente belo.

Em Gran Torino, Clint Eastwood com grande intensidade.
Só o amor pode salvar?

Boas Notícias e Sta. Clara

Sta. Clara-a-Velha inaugurou.
Depois da visita:
Parabéns Alexandre
Parabéns Sérgio
Parabéns Luís.


Nem tudo é Péssimo

A Escola da Noite decidiu-se por um prolongamento de temporada. Bravo!

Mais um chapitô

Ali está. Impassível.
Todos os anos, nesta altura, um chapitô ocupa a Praça da República. É um clássico, afastado, ainda assim, do clássico que era entrar num circo a sério. Neste, recordo o mistério do cheiro a terra, a mofo e a animal que se escondiam debaixo da tela e despertavam, em cada entrada renovada, a curiosidade pelo que iria ser o espectáculo. No outro, no que todos os anos insiste em ocupar selvaticamente uma das poucas Praças da cidade, não se reconhece a mesma atmosfera fascinante. A escuridão não cativa ninguém, as bancas entortadas pelos desníveis do pavimento não são desejadas, o mobiliário estilo ''Móveis Paços de Ferreira com estilos florais'' ou a esplanada interna de ferro forjado - estupidamente afastada do exterior - mostram a pior face da cidade, que parece querer mostrar-se provinciana, mesmo contra a vontade de muita da população, mesmo da que frequenta a Feira do Livro. As pinturas - não é de obras de arte que se trata - expostas nesses ambientes reforçam a desqualificação geral e afastam, ainda mais, esta cidade e a iniciativa de quem sonha com uma cidade cosmopolita e integrada nas melhores dinâmicas nacionais.
Coimbra tem um panorama livreiro só comparável aos de Lisboa e do Porto. Há inumeras e boas livrarias em inúmeros locais da cidade, espalhadas não só pelos centros comerciais, mas pelas ruas. Por isso digo: não merecia este horror!

No exterior, o ambiente não melhora. O espaço onde o chapitô aterra fica desfeito por um longo período. É incrível, como, em nome da cultura, a cidade atenta contra si mesma. A Cidade é a expressão e realização máximas da cultura. A Cidade é sinónimo e motor de civilização. Todas as grandes civilizações são e foram urbanas. Todas as grandes formas de cultura nasceram nos espaços qualificados da Urbe. Coimbra afasta-se desta evidência e quer afastar os seus cidadãos do espaço público. Do espaço de cidadania. Não consigo entender!

sábado, 25 de abril de 2009

Elogio da cidade

''(...) amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestada irregular da cidade tranquila, sob o luar, visto da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.''

Bernardo Soares in Livro do Desassossego

Hoje

















Associação 25 de Abril; Álvaro Siza; Lisboa

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cassandra de novo.

Não resisto. A fechar a semana, a iniciar o fim-de-semana, a voz tocante de Cassandra Wilson.

O que Aprendi com a Arquitectura
















Siza fechou o ciclo. Depois de Eduardo Souto de Moura, coube-lhe a tarefa. Os mil e duzentos lugares da Casa da Música completamente esgotados para ouvir aquele que é provavelmente o maior vulto da cultura portuguesa. Durante quase 2 horas revelou o que ''aprendi com a arquitectura'', partilhando referências e entendimentos, lugares e viagens marcantes. Sempre com poética, a mesma que coloca nas obras, apresentou um discurso lindíssimo, falando-nos de uma carreira que se inicia em Barcelona, com Gaudi, e não terminará nunca, não cessará, como poeticamente se referiu a Le Corbusier, um exemplo a todos os título para Siza. A mesma perseverança e apego aos locais amados vão certamente movê-lo. Sempre.

Aproveitando as novas tecnologias e o desleixo que me impediu de conseguir bilhete antecipadamente, fiquei em casa, sentado no sofá, com o portátil ligado ao LCD, a ver a transmissão em directo em http://www.casadamusica.tv/. Não foi a mesma coisa, mas não me impediu de aprender imenso com as arquitecturas de Siza.

35 anos depois















Amanhã é dia 25 de Abril. 35 anos depois, eis a qualidade da nossa democracia:
- 2 milhões de cidadãos (sim, cidadãos) vivem na pobreza (um quinto da população, sublinhe-se);
- A fome aumenta todos os anos, segundo dados do Banco Alimentar Contra a Fome (em 2007 foram mais de 200 mil as pessoas que receberam apoio desta instituição);
- quase 10% de analfabetos (9 em cada 100 portugueses, com 10 anos ou mais, não sabem ler nem escrever, conforme os resultados definitivos do Censos 2001);
- Fátima Felgueiras foi absolvida;
- Avelino Ferreira Torres segue o mesmo caminho;
- Isaltino Morais perfila-se como candidato à Câmara de Oeiras;
- Santana Lopes é indicado como o homem certo para o lugar certo pela coligação de quatro partidos que o suporta na corrida à Câmara Municipal de Lisboa;
- Seis anos depois, o Processo Casa Pia não tem fim à vista;
- Os partidos políticos brincam no Parlamento sobre as medidas de combate e punição ao enriquecimento ilícito (em todo o mundo civilizado a matéria é entregue a especilistas em Direito Penal, segundo Maria José Morgado, que classifica a discussão como ''conversa de Casino e de Café'');
- ao abrigo da liberdade de imprensa, a comunicação social viola sistematicamente o segredo de justiça, achincalha qualquer cidadão na praça pública através de processos sumários em que se substitui à sede própria.

São apenas alguns exemplos. Não vou repetir a pergunta de Lobo Antunes. Mas, de facto, podiamos ter feito muito mais. Passou muito tempo. Avançámos muito, mas é claramente insuficiente e muitas vezes fizémo-lo de forma torpe. Enganados os que ano após ano dizem que estão fartos de comemorações do 25 de Abril, confundindo os que lembram a data com comunismo ou com a hipocrisía de quem não quer ficar de fora por motivos políticos. Não sou comunista, nunca fui, jamais exercerei política. No entanto, tenho a certeza: Abril está por cumprir. Portugal merece mais!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quebrar a Regra

Na Arquitectura como na vida. A poesia surge quando se quebram as regras.

Casa de Férias; Viana de Lima; Marinhas, Esposende.

Viana de Lima

Casa de férias; Marinhas, Esposende.


Música para a vida

É uma das vozes mais incríveis que conheço. O tom quente, a melodia incrível da música, são para conservar. Guardar e ouvir sempre.

A Cidade e os Outros

A cidade é o local onde tudo se sobrepõe. Continuamente.

Praça do Hospício dos Inocentes; Florença.

Os Vários Estratos do Tempo















Piazza del Duomo; Florença

A acumulação do tempo na cidade é intrigante, mas maravilhosa. Fala das várias sobreposições que a espessura da vida ao longo dos anos deposita, época atrás de época. Não gosto de áreas novas. Falta a vida incongruente, não planeada, nem programada. Falta a incoerência de histórias e percursos que nada sabem uns dos outros. Falta quase tudo.
A cidade fala com normalidade dos seus vários tempos, como uma fachada à qual se retiram pedaços, fazendo-o com a naturalidade da abertura de janelas ao sabor das necessidades e segundo os locais mais convenientes - sempre sob a acção da passagem do tempo, sempre de acordo com a vida.