sexta-feira, 15 de maio de 2009

Detalhes de divina beleza

A janela perfeita sobre o mar largo.

Boa Nova; Álvaro Siza.

Testemunhos do tempo em movimento

quinta-feira, 14 de maio de 2009

36 anos DEPOIS!

Ao fim de quase quatro décadas, Portugal pôs fim a um regime de excepção, descontextualizado, desajustado, bárbaro e injusto.
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!

Testemunhos do tempo em movimento

quarta-feira, 13 de maio de 2009

imagens soltas de um mundo em movimento

Voltar a imagens do passado, revisitar a memória.
Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.

FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.







terça-feira, 12 de maio de 2009

Desenhos

No corpo feminino, como quem busca cura para os males do mundo.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Desenhos

Por vício ou prazer, por prazer e vício, rapidamente as esferográficas à volta da mesa se concentram no papel, eliminado progressivamente a folha branca, seguindo um traço após o outro. O desenho é uma forma de comunicação, de pensamento, também de evasão.

Desenhos

Em 1956, Roger Vadim realizou o filme cujo título expressa, certamente, a maior de todas as verdades:

E DEUS CRIOU A MULHER

A mulher não veio depois e não sucede a nenhum ser. É em si mesma. Uma criação única.
Isso é tão evidente como o sol nascer todos os dias, com a sua beleza, sempre renovada.

Desenhos

Na Almedina, enquanto trabalho. Todos os desenhos contam uma história e deixam adivinhar ou escondem outra. Indiscretamente, a Bic penetra no universo de outros.
Por instantes, demora-se na observação. Por vezes, mais reveladora; outras, pouco percebe.
Dedicadamente explicando ou empenhadamente seduzindo?


sexta-feira, 8 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Prémio AICA/MC 08
















Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, distnguidos com a última edição do Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte / Ministério da Cultura.

São duas das pessoas que mais contribuiram para a minha formação. Em planos distintos e em fases diversas, fico a dever-lhes muito. Agradeço-lhes enquanto arquitectos e professores e é, pois, com enorme prazer que os felicito.

Muitos parabéns Sérgio; muitos parabéns Alexandre.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Com a chegada da noite, é a Arquitectura que serve de fonte de luz para os espaços externos. O mundo como que se inverte.
As cores que antes se ocultavam sem desejo de exibição, tornam-se fortes, já sem o pudor que as fontes luminosas neutralizaram. As interacções entre o interior e o exterior são permanentemente renovadas e permitem novas descobertas. A riqueza da vida descobre-se nessas surpresas.


Roche. Basileia; Herzog & de Meuron


Imagens de apropriação espacial

As primeiras sensações foram de algum embaraço e apreensão, procurando identificar o modo de uso do espaço. Com o passar de algum tempo, as coisas surgem com mais naturalidade. Caminhando em redor do edifício por entre os seus espaços, contornando os apoios que tocam o chão, lançando o olhar para lá das perfurações que rasgam o volume desde o céu até aos passos que cadenciadamente se movem, começa um tactear que tudo revela. Os espaços imensos precisarão de gente, muita gente. A pouca ocupação humana permite perceber o quão insuficiente ainda é. O mistério apesar de tudo, vai acontecendo e faz desejar um regresso noutras circunstâncias. Com pessoas. Muitas.

Fórum 2004; Herzog & de Meuron; Barcelona.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Imagens soltas de um mundo em movimento

Na cidade, o olhar abandona-se ao desejo de descoberta de todos os brilhos e intensidades de luz, em permanente variação. A cidade não tem fim.

Fórum 2004; Herzog & de Meuron; Barcelona.

Ao lado das estatísticas.

Neorealismo ou imagem de um país abandonado à sua sorte?

A sempre surpreendente espessura do tempo.

O tempo imperfeito, descontínuo, desregrado, manifesta-se em cada superfície que toca. Não pede licença para se expressar, mas deixa-se contaminar por olhares sempre renovados. A Arquitectura é também isso.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Pela cidade, sem rumo, à deriva.

























Hoje em dia ninguém arrisca. Toda a gente quer estar segura, à partida. Só com todos os dados conhecidos avançam. Assim em tudo. Na vida.

Os Gps, Via Michelin, Multimaps e outros agentes da certeza tomaram o lugar do incerto e da descoberta. E há prazeres que ficam pelo caminho quando não se consegue resistir. Adoro perder-me na cidade, vaguear e deambular, sem me encontrar em cada momento. A seguir a cada lugar desconhecido, virá sempre o deslumbramento pelo conhecimento de um novo local. É fantástico.

Uma Carta Coreográfica

É o título da exposição inaugurada em 199 municípios e patente em todas as Livrarias Almedina, a propósito do dia mundial da dança, comemorado a 29 de Abril.

Os painéis que compõem a mostra exibem títulos de uma beleza singular. As fotos, na maioria de cena, correspondem à poesia do texto. Mas é sobretudo a palavra que mais me prendeu a atenção. Maravilhosamente bela.

Não resisto à transcrição.


''Terceira Fábula
Os dentes da princesa sem braços.

Braços, acreditar no que fazer sem usar os braços, prender alguém sem abraçar

Dentes, sorrir com os olhos, fazer covinhas no sorriso, chamar sem usar a voz

Mostrar a beleza do corpo incompleto

Por vezes, as mãos os braços não servem para nada. Isto se houver dentes, olhos e sorrisos que os saibam substituir. Hoje em dia, existem no campo e na cidade princesas que vivem incógnitas. Elas, só com os seus dentes muito brancos, os seus olhos de qualquer cor e os seus lábios que rasgam sorrisos preciososos, conseguem por um instante impressionar muito: criam com as suas armas a sugestão de um instante feito de luz, cor e transparências. E assim, sem necessitar de usar os braços que não têm, aprisionam-nos para sempre. Este instante duradouro chama-se amor à primeira e à última vista.
Faça de princesa: fixe um ponto desejado. Exercite a luz do seu olhar, focando, piscando, batendo as pálpebras como asas de insecto, recolhendo os olhos demoradamente, para os abrir em simultâneo com um sorriso novo.''

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Alguma novidade?!

Nada muda com este sol. O dia está de uma beleza sem limites. Todas as cores são outras. Tudo brilha. Mas o vento...
Nada é - nunca! - completo. Antes em Coimbra, que em frente do mar. Especialmente hoje.

Cheiro a papel

Nos jornais já é mau. Nos livros, insuportável.
Não gosto de livros em sacos. Após um livro acabado de comnprar, a célebre pergunta: - deseja um saco?!
Um livro de papel macio, que se adapta suavemente à forma das mãos, repentinamente apriosionado no interior de um saco de plástico, não é certamente objecto de comparações benévolas. É trágico.
Não me interessa.
Gosto do cheiro a papel. Gosto de sentir a capa nas mãos. Gosto de poder folhear o livro enquanto ainda o conservo entre os dedos.
Os sacos matam esse prazer. É como comprar um livro online, perdendo a sedução de entrar numa livraria.
Até no plano estético o resultado é mau. Muito mau. Um saco que pende das mãos de alguém que sai de uma livraria é feio. Infinitamente mais belo o gesto de quem conserva o livro debaixo do braço, entalado entre os dedos ou apertado contra o peito. Trata-se de uma proximidade com o objecto de leitura que o dignifica. O saco, não. Banaliza-o.