sexta-feira, 17 de abril de 2009

Faup debaixo de luz

Le Corbusier definiu a arquitectura como o jogo sábio, correcto e magnífico dos volumes sob a luz.

Só a luz permite o recorte de uma superfície ou a profundidade de um espaço;
a beleza sempre surpreendente da arquitectura acontece debaixo de luz.
A luz emociona e torna um espaço único.

Faup; Álvaro Siza.























quinta-feira, 16 de abril de 2009

Prémio ''Não haverá por aí uma mordaça?''

Acho admirável as coisas que se dizem. Será que certas pessoas são completamente deprovidas de filtro e auto-censura que as impeça de dizer tudo que pensam? Não haverá mecanismos de modéstia que obstem a que se profira palavras que, ainda que possam corresponder à mais pura das verdades, são completamente dispensáveis de cair no domínio público? Actualmente, já não haverá muito que possa espantar no que refere à exposição puública - tudo é comum e notícia - mas as particularidades do comportamento humano e os seus insondáveis propósitos confesso que continuam a espantar-me!



















P.S.- Imagem descoberta em http://www.nemtodasasgatassaoparvas.blogspot.com/

Expressão de opostos






















Uma das realidades mais ricas da arquitectura joga-se na relação interior/exterior. A comunicação entre dois universos, complementares, introduz uma complexidade na vivência espacial que a exploração de opostos deve potenciar. Uma das coisas marcantes na Holanda - com o hábito de não cortar a relação entre a cidade e o interior das habitações, à noite - é a extensão do ambiente doméstico com os seus rituais e rotinas, a sua escala mais contida, o calor da sua iluminação, as diversas tonalidades de mobiliário, livros e tecidos, sobre a rua, contaminando-a, dando-lhe calor e uma atmosfera mais humana, mais confortável.
No nosso plano, ninguém como Siza tira partido da iluminação interior para caracterizar os espaços externos. Não sendo um exclusivo da Faup, é neste edifício uma nota dominante. Os seus espaços exteriores não seriam apropriáveis à noite sem a invasão de luz originada nos ambientes internos. E é notável como essa iluminação, que sai pelas janelas, com penumbras e contrastes, se mostra tão amável.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Imagens de apropriação espacial

Só a presença humana lhe dá sentido. Só o corpo confere escala e permite medir os espaços. Sem pessoas, o espaço é uma abstracção indecifrável sem usos reconhecíveis.
O corpo permite medir, ao comportar-se de acordo com os sinais, ao manobrar gestos, ao afagar uma pedra macia, ao procurar o conforto que pressente.

Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra.




Testemunhos do tempo em movimento

domingo, 12 de abril de 2009

Zumthor, Pritzker 2009














“é um arquitecto magistral admirado pelos seus colegas de todo o mundo pelo seu trabalho centrado, sem compromissos e excepcionalmente determinado”

É com estas palavras o júri do prémio Pritzker de 2009 se refere a Peter Zumthor. O arquitecto suiço de 65 anos, de raro talento e sentido poético, foi o destacado para receber a edição deste ano da prestigiada distinção atribúida pela norte-americana Fundação Hyatt.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Museu Nacional de Machado de Castro; Gonçalo Byrne (remodelação), Coimbra.
































Gonçalo Byrne é um dos arquitectos portugueses mais significativos. É certamente um dos autores que mais tem contribuído para a boa fase que esta disciplina atravessa entre nós e a ele se deve, também, o amplo reconhecimento que a mesma tem alcançado para lá das fronteiras.
Reconhece-se-lhe cuidado e rigor dsciplinares, bem como um profundo sentido ético, em obra nova, em trabalhos à escala da cidade e do território, bem como em intervenções sobre o património.
A modéstia e simplicidade são marcas fortes da sua personalidade e um modelo que sempre me impressionou. Fui aluno de Gonçalo Byrne no início dos anos 90, em Projecto do 5º ano, e desde essa altura que passei a admirá-lo, também pessoalmente. Passei, pois, a seguir a sua obra de modo particular, sobretudo, a que vem realizando em Coimbra.
Foi com este espírito que aguardei, com curiosidade e interersse, a abertura do recentemente, embora não de todo concluído, remodelado Museu Nacional de Machado de Castro.
Esta intervenção tem sido encarada como uma lufada de ar fresco no centro histórico (marcado por um abandono de anos ou por – pior - intervenções ao arrepio do que deveriam ser as preocupações de regeneração, tanto no edificado, como no espaço público) e vista como um forte impulso no património museológico da cidade.
Não duvido de que o conseguirá - felizmente para a cidade - e, espera-se, com efeitos multiplicadores.

A intervenção pode ser encarada em vários planos: os que dizem respeito a uma abordagem eminentemente disciplinar - morfo-tipológica, espacial e de linguagem; urbana - de inserção no sítio e dos impactos no local (das rupturas e/ou continuidades) e quanto ao contributo para acentuar a vida, convocando novas dinâmicas; patrimonial - de valorização e promoção dos valores pré-existentes.

A minha visita, incompleta, não me permitirá juízos completos sobre o primeiro tema. No entanto, as primeiras impressões transmitem a ideia de um objecto belo, equilibrado pelo domínio das proporções, com um cuidado geral na escolha e combinação dos materiais e das soluções que lhes dão suporte físico.

A Alta só pode ter ganho com o novo Machado de Castro. É esta a primeira apreciação, parcelar, de uma abordagem de cariz urbano. A Rua Borges Carneiro é hoje seguramente melhor; o largo de entrada, abaixo da Sé Nova, está visivelmente mais qualificado; a paisagem urbana, numa visão distante sobre o tecido urbano, foi fortemente melhorada: desapareceram as feridas com que a demolição e a ruína marcavam há muitos anos as diversas vistas que se ofereciam a partir de vários importantes pontos de observação.
O partido proposto para a intervenção, assente na desmaterialização através de vários volumes dialogantes, mas fisicamente autónomos, revela-se uma estratégia acertada de inserção local e numa abordagem à escala urbana e de diálogo com todo o morro da Alta. As fendas que se abrem - nas novas superfícies, rompendo os volumes propostos, e entre estes e as pré-existências – mostram-se, adicionalmente, como mais um procedimento para a procura da escala justa, bem como para a construção das aberturas de luz, de entradas e percursos com distância física e formal relativamente às janelas e portas do edificado existente: às pré-existências oferece-se a serenidade, silêncio e enquadramento de planos lisos de pedra, desenhados como instrumento de fuga a rupturas e contrastes, no que refere à expressão e dimensão das fenestrações.
Adicionalmente, assistir-se-á, certamente, a uma nova dinâmica local, fruto da maior qualificação urbana, de um interesse renovado pelo museu (com capacidade de atrair um novo público, espera-se) e, como normalmente acontece, motivada pelo efeito de novidade que se espera que solidifique e evolua para qualquer coisa de mais perene e estruturado.

As questões patrimoniais colocam-se para além das condições de preservação e exposição, certamente irrepreensíveis.
O museu era marcante por três elementos, chave da sua caracterização do ponto de vista do edificado, do significado urbano e da riqueza patrimonial. A par com o acervo, partes fundamentais, adivinhavam-se três elementos fundadores do projecto: o pátio que se abre por detrás do portão de ferro, centro aglutinador do volume em U e primeiro momento de uma vista que se projectava sobre a cidade; a Loggia que o fecha sempre foi um ponto fundamental de observação da paisagem urbana, um local único da Alta aberta à contemplação, sendo, adicionalmente, uma peça de um refinamento excepcional, de uma beleza pura, de umas proporções exactas, com uma forte presença a partir, quer da Rua Borges Carneiro, quer de outros pontos de observação mais distantes; sob o pátio, o criptopórtico constitui a mais significativa presença da cidade romana de Aeminium.
O pátio, encontra-se mais clarificado, mais limpo, sem perturbações na apreensão da sua espacialidade e dos elementos que o pontuam: a fonte e a Loggia. Esta última, porém, não conservou o protagonismo que se desejava. Antes da intervenção, era um limite, uma fronteira entre o chão e a encosta. Era o último elemento entre o espaço apropriável e a cidade aberta à contemplação. Era um elemento de forte caracterização local, como mediador entre o olhar e a cidade, e como remate na subida a partir da Sé Velha.
Essas relações perderam a força e expressão que detinham: uma nova cafetaria com esplanada bloqueia um horizonte que se impunha como o de maior protagonismo local - a nova construção reclama essa importância, substituindo-se à pré-existência; na Rua Borges Carneiro o pano de fundo é, agora, desempenhado pela malha metálica da fachada de gradil, cuja dobtragem para o plano horizontal se constitui, na cota mais elevada, como prolongamento visual do pavimento do pátio - a Loggia deixa de se expor sem reservas como limite e elemento último no forte desnível e, onde antes se afirmava, esconde-se com timidez, por detrás dos novos elementos adicionados.
Provavelmente, a dimensão do programa não tornava fácil uma outra solução. Mas pela sua importância e qualidade arquitectónica, a loggia deveria ter-se assumido no projecto como um elemento-base, a que se deveria ter submetido toda a articulação volumétrica. Pelo valor intrínseco e significado urbano da mesma e devido admiração que manifesto pelo autor, lamento que a intervenção não tenha ido mais longe neste aspecto particular, mas de capital importância.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Sé Nova, segundo Il Gesú de Roma; Coimbra.



























Il Gesú; Roma.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Publicidade e (também) a vida



Declaro: sou um admirador de publicidade. Nunca me deu para ir uma das edições do Festival de Devoradores de Publicidade. Mas por puro acaso. Confesso que seria fantástico.
No cinema, por outro lado, os spots antes da sessão prendem-me completamente a atenção. Em tempos mais recentes, o filme Super Bock é dos meus preferidos. Não me canso de o ver. Considero-o uma homenagem ao Amor, à relação entre as pessoas, ao convívio são, à alegria, à boa disposição, à vida, à suprema beleza de um sorriso feminimo, à mulher, por que não dizê-lo. Só este último motivo seria razão suficiente para incorporar esse filme neste espaço. Mas, adicionalmente, trata-se de um belo filme, com uma articulação perfeita entre som e imagem e o Porto como pano de fundo. Aqui fica, portanto, a versão sem cortes.

Por estes dias... a janela que liga ao mundo

















No meio das palavras, evado-me.
O sol invade com sombra os espaços que percorre. A vontade de o tocar causa-me abandono e entrega. Move-me para outras paragens.
O tempo, imóvel, permanece suspenso. Faz morrer brevemente na agitação imaginada. Desejada.
Onde a luz se esgota, um sorriso recebe. A vida renasce no conforto desejado, entre dedos, na pele macia.
Lá fora, cá dentro, os opostos. E as palavras de novo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aforismos roubados

Deixa o mundo mudar-te e poderás mudar o mundo.

Ernesto Guevara de la Serna, El Che.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Imagens soltas de um mundo em movimento

Uma peça de arquitectura maravilhosa com um espaço excepcional; Emocionante.
Cemitério medieval, Pisa.





Imagens soltas de um mundo em movimento

A cidade com as suas acumulações inesperadas: a beleza fascinante de uma montra alimentar; Florença, entre o Palazzo Rucellai e a Piazza Antinori.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Quinta da Conceição; um outro regresso

Imagens soltas de um mundo em movimento

Boa Nova revisitada.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Boa Nova revisitada.

Prémio ''Não há por aí um Lápis Azul?!''
















Não será tempo de a opinião pública começar a exigir a revisão prévia do discurso político, com vista a censurar a falta de sentido das, infelizmnente, já frequentes declarações públicas dos suspeitos do costume?

“Não lhes falta nada. Têm cuidados médicos, comida quente... Claro que o actual lugar de abrigo é provisório, mas há que encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo”

Berlusconi à cadeia de Televisão alemã N-Tv, a propósito das vítimas do sismo em L'Aquila. in Público online.

Por estes dias...

Sem aulas, o edifício vazio e o tempo que teima em não sorrir abertamente.

Testemunhos do tempo em movimento

Por estes dias...

Poucos passos, entre torres, em mais um começo de dia.

Testemunhos do tempo em movimento

Parabéns Saca

Tiago Pires, qualificado para a segunda ronda do Rip Curl Pro, em realização na Austrália. Irá ter pela frente Mick Fanning. Força Saca!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Por estes dias...

Breves olhares sobre o exterior, entre papéis e palavras.

Testemunhos do tempo em movimento

Outros sentidos poéticos

José Duarte, reconhecido amante e divulgador do jazz e, segundo o visado neste post, um exímio manipulador de palavras, referindo-se a um amigo: O Arquiportas Nuno Tecto . Maravilhoso!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Poesia de Ambulatório

A habitual arrogância bem-pensante tem o hábito de olhar de soslaio para a criatividade com que alguns de nós usam a língua portuguesa. Eu, pelo contrário, prefiro enaltecer-lhes a capacidade poética e o sentido encantatório e enfático com que manipulam palavras e frases. Novos significados e realidades semânticas são desenvolvidos todos os dias. A língua é isso: um organismo vivo.
E a realidade é simplesmente maravilhosa!

Um senhor com dores no braço na urgência:
o médico - doi-lhe o braço?;
o doente - dói, dói, sr. dr... e pior do que isso... é que aleija!

domingo, 5 de abril de 2009

Imagens soltas de um mundo em movimento

A cidade acontece onde se manifesta o encantamento com o inesperado, revelado em cada esquina dobrada, em cada recanto percorrido, em permanente renovação e mutação.


Florença, junto ao Palazzo Vecchio.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Boa Nova revisitada.

Poesia de Ambulatório

Como a realidade pode ser surpreendente.
Uma senhora, idosa, de lenço na cabeça, num hospital do interior, a propósito do seu mal estar:
-tenho a cabeça subjugada!

imagns soltas de um mundo em movimento

Serralves a fechar

Imagens soltas de um mundo em movimento

Sala do 5º ano. Vazia, fica apenas a beleza do gesto.

sábado, 4 de abril de 2009

Obrigado, Eugene, por nunca teres ligado!



Perdeu-se em romance, ganhámos em música!
Graças a um ingrato - e palhaço, porque não dizer - que obteve o número de uma mulher, após pedir-lho, e a quem nunca ligou, temos esta música fenomenal.

Não, não é Pink Martini. Mas podia...

Hoje, no Quebra Costas

Portugal bom e que vale a pena, porque sim
























O Zé está cansado.
Na verdade, estamos todos: um Pouco!
Seria bom que, como que por milagre, para o futuro não se ouvisse falar mais do caso Freeport ou ''fripor''.
Antes de prosseguir, devo fazer um manifestação de ''desinteresse'': não tenho particular simpatia pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates. Na verdade, tão-pouco me lhe oponho violentamente. Entrei neste porto de águas calmas em que nada se agita, como, desconfio, a esmagadora maioria dos portugueses.
Retomando, dizia eu que ambiciono uma manhã em que os jornais não noticiem o que se passa ou passou em Alcochete. Já sabemos: nada! Não passou nada. Eu explico: nunca mais se ouviu falar da Quinta da falagueira; nunca mais se soube nada do abate de uns milhares de sobreiros para um projecto imobiliário de alto interesse nacional; nem de uma casa construída com legalidade anunciada como duvidosa na Arrábida. Com este alegado caso não vai certamente acontecer nada de diferente, tal como não sucedeu com o Eurostadium, em Coimbra, ou com o Cidade do Porto, nesta mesma cidade do Norte.
Todos sabemos as regras do jogo. Há sempre uns favores de final da mandato - ou de início, é indiferente -, não interessa a quem, nem em que contexto. Se esperarmos sentados, chegará a nossa vez. É só uma questão de tempo. Tem tocado a todos. Nós temos a manobra de circunstância no sangue. Não vamos mudar. É mais provável eu ganhar o Euromilhões - mesmo sem jogar - do que haver transformações muito grandes na política à portuguesa ou do que haver algum apuramento da verdade por parte da justiça. Adivinham-se mais trapalhadas processuais pelo caminho e meios de prova ineficazes. No final haverá muitas páginas de jornal escritas, muitos milhões de euros gastos em investigações, dossiês, apensos e processos e, pura e simplesmente, NADA!

É preferível, portanto, falar de coisas mais animadas e consequentes: a Escola da Segunda Oportunidade, em Matosinhos, é uma experiência fantástica; o Mercado do Quebra Costas, em Coimbra, é uma acção fundamental para a animação urbana e para devolver vida a essa zona da cidade - esperemos o seu efeito multiplicador e mais gente na rua; a Escola da Noite estreou uma nova peça, a partir da palavra de Kafka - “atravessando as palavras há restos de luz”, no Teatro da Cerca de São Bernardo. Hoje estará esgotada.

Isto sim, são coisas boas a acontecer em Portugal.

O passado aqui tão perto.



Descobri este vídeo através das Twittadas do Ricardo Castanheira e não resisti.
O Teledisco é fantástico e a versão maravilhosa.

Qualquer coisa mesmo diferente



E porque estamos na onda, uma homenagem à língua francesa.
Não há provavelmente nenhuma outra que atinja a mesma beleza, quando cantada.
Jane Birkin, de quem gosto bastante!

Les Deux Magots



Picasso conheceu aqui a sua musa Dora Maar em 1937. Oscar Wilde, Hemingway sentavam-se por lá. Por uns ridículos € 4,00 por um café, conquistamos acesso a um prazer semelhante ao que experimentavam. E o Café de Flore mesmo ali ao lado. E as esplandas completamente cheias. E a beleza que constrói e povoa as ruas. E as boa disposição e alegria que invade o ar. E nós, que nos deixamos contaminar e nos apetece parafrasear John Kennedy, tomando Paris por Berlim.
É um privilégio raro. Viver só pode passar por isto.

A loja mais Pequena do Mundo

Sacha Finkelsztajn
























Um Cheesecake verdadeiramente épico. Doce q.b.