quinta-feira, 28 de maio de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
A beleza decadente de uma ruína é intrigante. Já tudo está fora de sítio; a perfeição de uma ordem clássica espalha-se pelo chão; as paredes perderam o revestimento de mármore; o espaço apenas se adivinha; o dramatismo é acentuado pela presença dominante de uma árvore, a composição torna-se aleatória sob a acção do tempo, superior à do homem.
Mas Souto de Moura tem razão. Esse mundo desfeito oferece uma beleza intensa.
Monte Palatino; Roma.
Mas Souto de Moura tem razão. Esse mundo desfeito oferece uma beleza intensa.
Monte Palatino; Roma.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Para lá da utopia
Sim, a perfeição existe.
Sequeira Costa, a Orquestra Nacional do Porto e a direcção de Cristoph Konig, na Casa da Música e numa tarde luminosa, aparentemente sem qualquer esforço e como se tratasse da coisa mais natural deste mundo, deixaram a prova. está no concerto para piano e orquestra nº 2 em Dó menor. Sublime!
Confesso sentir alguma inveja dos músicos. Tudo se reúne para que o resultado do seu trabalho seja o mais elevado possível. O público, parte fundamental, não só o deseja - exige-o! Os instrumentos são os melhores. As salas de actuação, com todas as condições. Todos os executantes, com o mesmo nivel de exigência. A direcção musical, com um esforço para tirar todo o partido da beleza das peças e da qualidade dos músicos.
Que apreoveitemos essa oportunidade do Belo.
Sequeira Costa, a Orquestra Nacional do Porto e a direcção de Cristoph Konig, na Casa da Música e numa tarde luminosa, aparentemente sem qualquer esforço e como se tratasse da coisa mais natural deste mundo, deixaram a prova. está no concerto para piano e orquestra nº 2 em Dó menor. Sublime!
Confesso sentir alguma inveja dos músicos. Tudo se reúne para que o resultado do seu trabalho seja o mais elevado possível. O público, parte fundamental, não só o deseja - exige-o! Os instrumentos são os melhores. As salas de actuação, com todas as condições. Todos os executantes, com o mesmo nivel de exigência. A direcção musical, com um esforço para tirar todo o partido da beleza das peças e da qualidade dos músicos.
Que apreoveitemos essa oportunidade do Belo.
Imagens soltas de um mundo em movimento
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Siza em Cantanhede e 68 desenhos

Já tinha lido, contado pelo próprio Castanheira.
Uma noite, um encontro de amigos, em casa do narrador da história. E a propósito de nunca ter feito o retrato de Nuno Higino, Siza inicia a viagem. Um após outro, enche o caderno: 68 desenhos.
Parte desse registo, de beleza invulgar, está agora exposto no Museu da Pedra, em Cantanhede. Junta-se-lhe um conjunto, extenso, de objectos e de obras, bem documentadas, por esquissos, desenhos de projecto, maquetes e fotografias. Algumas já conhecidas, outras nada - ou completamente desconhecidas. Não me sai da retina o pequeno mas maravilhoso moínho de produção de papel, em Leiria.
Notícia do dia
Amanhã, sábado, dia 23, festa comemorativa dos 20 anos da Licenciatura em Arquitectura do Darq da Fauldade de Ciências e Tecnologia da Universidade.
Será às 13h00, no claustro do Colégio das Artes.
Será às 13h00, no claustro do Colégio das Artes.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Que mundo e justiça esta...
Nestas coisas da justiça há qualquer coisa que me escapa.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.
Testemunhos do tempo em movimento
segunda-feira, 18 de maio de 2009
No siléncio, o que importa...
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
Aforismos roubados
''Portugal é um país em adaptação.''
Cidadão em declarações a um noticiário televisivo, fazendo notar a condição europeia incompleta do país, a propósito da colocação dos contentores de um ecoponto numa paragem de autocarros, na Baixa da Banheira.
Cidadão em declarações a um noticiário televisivo, fazendo notar a condição europeia incompleta do país, a propósito da colocação dos contentores de um ecoponto numa paragem de autocarros, na Baixa da Banheira.
domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
36 anos DEPOIS!
Ao fim de quase quatro décadas, Portugal pôs fim a um regime de excepção, descontextualizado, desajustado, bárbaro e injusto.
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
imagens soltas de um mundo em movimento
Voltar a imagens do passado, revisitar a memória.
Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.
FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.
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Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.
FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Desenhos
No corpo feminino, como quem busca cura para os males do mundo.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Desenhos
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