Nestas coisas da justiça há qualquer coisa que me escapa.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no
Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.