sexta-feira, 24 de abril de 2009

O que Aprendi com a Arquitectura
















Siza fechou o ciclo. Depois de Eduardo Souto de Moura, coube-lhe a tarefa. Os mil e duzentos lugares da Casa da Música completamente esgotados para ouvir aquele que é provavelmente o maior vulto da cultura portuguesa. Durante quase 2 horas revelou o que ''aprendi com a arquitectura'', partilhando referências e entendimentos, lugares e viagens marcantes. Sempre com poética, a mesma que coloca nas obras, apresentou um discurso lindíssimo, falando-nos de uma carreira que se inicia em Barcelona, com Gaudi, e não terminará nunca, não cessará, como poeticamente se referiu a Le Corbusier, um exemplo a todos os título para Siza. A mesma perseverança e apego aos locais amados vão certamente movê-lo. Sempre.

Aproveitando as novas tecnologias e o desleixo que me impediu de conseguir bilhete antecipadamente, fiquei em casa, sentado no sofá, com o portátil ligado ao LCD, a ver a transmissão em directo em http://www.casadamusica.tv/. Não foi a mesma coisa, mas não me impediu de aprender imenso com as arquitecturas de Siza.

35 anos depois















Amanhã é dia 25 de Abril. 35 anos depois, eis a qualidade da nossa democracia:
- 2 milhões de cidadãos (sim, cidadãos) vivem na pobreza (um quinto da população, sublinhe-se);
- A fome aumenta todos os anos, segundo dados do Banco Alimentar Contra a Fome (em 2007 foram mais de 200 mil as pessoas que receberam apoio desta instituição);
- quase 10% de analfabetos (9 em cada 100 portugueses, com 10 anos ou mais, não sabem ler nem escrever, conforme os resultados definitivos do Censos 2001);
- Fátima Felgueiras foi absolvida;
- Avelino Ferreira Torres segue o mesmo caminho;
- Isaltino Morais perfila-se como candidato à Câmara de Oeiras;
- Santana Lopes é indicado como o homem certo para o lugar certo pela coligação de quatro partidos que o suporta na corrida à Câmara Municipal de Lisboa;
- Seis anos depois, o Processo Casa Pia não tem fim à vista;
- Os partidos políticos brincam no Parlamento sobre as medidas de combate e punição ao enriquecimento ilícito (em todo o mundo civilizado a matéria é entregue a especilistas em Direito Penal, segundo Maria José Morgado, que classifica a discussão como ''conversa de Casino e de Café'');
- ao abrigo da liberdade de imprensa, a comunicação social viola sistematicamente o segredo de justiça, achincalha qualquer cidadão na praça pública através de processos sumários em que se substitui à sede própria.

São apenas alguns exemplos. Não vou repetir a pergunta de Lobo Antunes. Mas, de facto, podiamos ter feito muito mais. Passou muito tempo. Avançámos muito, mas é claramente insuficiente e muitas vezes fizémo-lo de forma torpe. Enganados os que ano após ano dizem que estão fartos de comemorações do 25 de Abril, confundindo os que lembram a data com comunismo ou com a hipocrisía de quem não quer ficar de fora por motivos políticos. Não sou comunista, nunca fui, jamais exercerei política. No entanto, tenho a certeza: Abril está por cumprir. Portugal merece mais!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quebrar a Regra

Na Arquitectura como na vida. A poesia surge quando se quebram as regras.

Casa de Férias; Viana de Lima; Marinhas, Esposende.

Viana de Lima

Casa de férias; Marinhas, Esposende.


Música para a vida

É uma das vozes mais incríveis que conheço. O tom quente, a melodia incrível da música, são para conservar. Guardar e ouvir sempre.

A Cidade e os Outros

A cidade é o local onde tudo se sobrepõe. Continuamente.

Praça do Hospício dos Inocentes; Florença.

Os Vários Estratos do Tempo















Piazza del Duomo; Florença

A acumulação do tempo na cidade é intrigante, mas maravilhosa. Fala das várias sobreposições que a espessura da vida ao longo dos anos deposita, época atrás de época. Não gosto de áreas novas. Falta a vida incongruente, não planeada, nem programada. Falta a incoerência de histórias e percursos que nada sabem uns dos outros. Falta quase tudo.
A cidade fala com normalidade dos seus vários tempos, como uma fachada à qual se retiram pedaços, fazendo-o com a naturalidade da abertura de janelas ao sabor das necessidades e segundo os locais mais convenientes - sempre sob a acção da passagem do tempo, sempre de acordo com a vida.

Testemunhos do tempo em movimento






terça-feira, 21 de abril de 2009

Planos sem gente

A chuva humedece os planos. O chão permanece molhado. As cores intensificam-se.
A percepção do espaço altera-se. Despe-se de gente, abrigada nos interiores de uma arquitectura que já não é a mesma. Durante algum tempo, cumprir-se-á com uma outra face.

Faup; Álvaro Siza.



segunda-feira, 20 de abril de 2009

Detalhes de divina beleza

Deus está nos pormenores
Mies van der Rohe

Boa Nova: Álvaro Siza.

Entre dois mundos

Na espessura de uma parede é provocada a relação entre interior e exterior. Com desvelo, o espaço transita entre dois mundos.
A luz que passa pela abertura rasgada na superfície mede a intensidade da relação pretendida. A cor acentua o contraste. Define, com rigorosa demarcação, o espaço. A textura da parede domestica as sensações. Dá conforto.
E a lição de Barragan permanece, intacta, sobrevivendo ao tempo.

Quinta da Conceição; Fernando Távora.





domingo, 19 de abril de 2009

Ainda Há Pastores?











Hermínio, o pastor. O que se move na Serra todos os dias. Domingos e dias santos, sem parar, como refere. Rodeado do abandono que se aprofundou com a chegada das leis comunitárias que foram fechando as queijarias, as mesmas leis que deixaram longe os sinais de desenvolvimento e conforto do local que as criou, vive os dias na solidão. Não vê ninguém de sol a sol. Tem pouco e ambiciona pouco. Mas o pouco que deseja, porque mais não pode, significa muito. Entre os desejos do corpo e os poucos sonhos que alimenta, mantém o olhar vivo. A certeza de que um dia há-de ver e ouvir Quim Barreiros tem a grandeza de um grande sonho que se pretende vivido. O Vale não permite mais. Ele sabe-o.
Rosa, a menina que, junto com o seu irmão, dominava os sorrisos e os sonhos de criança do vale. A mesma a quem a poeira e dureza da terra retirou ao sonho a vontade de estudar. Gouveia ficou fora das rotas da vontade do seu pai, e a economia de subsistência encerrou-lhe as saídas do vale.
Casais de Folgosinho, um local ausente do Portugal europeu, dos fundos comunitários que não trouxeram o bem estar que habita os olhos que vêem com interesse turístico ou alheamento um outro país que não conhecem. Um país divido entre os excluídos de uma geografia ignorada e distante, do lado errado da vida, e o privilégio adormecido pela estupidez sem limites, que nunca se sente satisfeita, por mais que tenha, por muito que acumule.
Ainda há Pastores é um lindíssimo documentário realizado por Jorge Pelicano, escrito pelo próprio, por Cátia Vicente e João Morais, a que Fernando Alves empresta a voz. Vale a pena ver. Ver, também, como bem nos corre a vida.

sábado, 18 de abril de 2009

Imagens de apropriação espacial

O corpo mede e compara. Usa. Atribui sentido.
Só o corpo importa.

Praça de Espanha; Roma.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Abrir janelas

Abrir uma janela é complicado. Nunca se sabe se é demais ou insuficiente até à verificação na obra. Dúvidas sobre o enquadramento e a quantidade de luz são constantes antes desse momento. Quando se acerta, é uma satisfação enorme.
Quando se verifica esse acerto nas obras de outros, é um prazer fantástico.

Poética singular

A suprema beleza da curva é difícil. O seu domínio foge e escapa.
Quando acontece, porém, é marcante. Única.

Faup, museu; Álvaro Siza.





Palavras a menos para Arquitectura a mais

O pavilão Carlos Ramos esteve lá desde sempre. Foi das primeiras obras de arquitectura que vi, adquirida alguma consciência do que pudesse ser a arquitectura, no início da minha formação. Sempre me impressionou. A dúvida é instantânea: como é que é possivel fazer tanto com tão pouco. Não vale a pena equacioná-lo. Existe, sublime, e pronto.



Faup debaixo de luz

Le Corbusier definiu a arquitectura como o jogo sábio, correcto e magnífico dos volumes sob a luz.

Só a luz permite o recorte de uma superfície ou a profundidade de um espaço;
a beleza sempre surpreendente da arquitectura acontece debaixo de luz.
A luz emociona e torna um espaço único.

Faup; Álvaro Siza.























quinta-feira, 16 de abril de 2009

Prémio ''Não haverá por aí uma mordaça?''

Acho admirável as coisas que se dizem. Será que certas pessoas são completamente deprovidas de filtro e auto-censura que as impeça de dizer tudo que pensam? Não haverá mecanismos de modéstia que obstem a que se profira palavras que, ainda que possam corresponder à mais pura das verdades, são completamente dispensáveis de cair no domínio público? Actualmente, já não haverá muito que possa espantar no que refere à exposição puública - tudo é comum e notícia - mas as particularidades do comportamento humano e os seus insondáveis propósitos confesso que continuam a espantar-me!



















P.S.- Imagem descoberta em http://www.nemtodasasgatassaoparvas.blogspot.com/

Expressão de opostos






















Uma das realidades mais ricas da arquitectura joga-se na relação interior/exterior. A comunicação entre dois universos, complementares, introduz uma complexidade na vivência espacial que a exploração de opostos deve potenciar. Uma das coisas marcantes na Holanda - com o hábito de não cortar a relação entre a cidade e o interior das habitações, à noite - é a extensão do ambiente doméstico com os seus rituais e rotinas, a sua escala mais contida, o calor da sua iluminação, as diversas tonalidades de mobiliário, livros e tecidos, sobre a rua, contaminando-a, dando-lhe calor e uma atmosfera mais humana, mais confortável.
No nosso plano, ninguém como Siza tira partido da iluminação interior para caracterizar os espaços externos. Não sendo um exclusivo da Faup, é neste edifício uma nota dominante. Os seus espaços exteriores não seriam apropriáveis à noite sem a invasão de luz originada nos ambientes internos. E é notável como essa iluminação, que sai pelas janelas, com penumbras e contrastes, se mostra tão amável.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Imagens de apropriação espacial

Só a presença humana lhe dá sentido. Só o corpo confere escala e permite medir os espaços. Sem pessoas, o espaço é uma abstracção indecifrável sem usos reconhecíveis.
O corpo permite medir, ao comportar-se de acordo com os sinais, ao manobrar gestos, ao afagar uma pedra macia, ao procurar o conforto que pressente.

Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra.




Testemunhos do tempo em movimento

domingo, 12 de abril de 2009

Zumthor, Pritzker 2009














“é um arquitecto magistral admirado pelos seus colegas de todo o mundo pelo seu trabalho centrado, sem compromissos e excepcionalmente determinado”

É com estas palavras o júri do prémio Pritzker de 2009 se refere a Peter Zumthor. O arquitecto suiço de 65 anos, de raro talento e sentido poético, foi o destacado para receber a edição deste ano da prestigiada distinção atribúida pela norte-americana Fundação Hyatt.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Museu Nacional de Machado de Castro; Gonçalo Byrne (remodelação), Coimbra.
































Gonçalo Byrne é um dos arquitectos portugueses mais significativos. É certamente um dos autores que mais tem contribuído para a boa fase que esta disciplina atravessa entre nós e a ele se deve, também, o amplo reconhecimento que a mesma tem alcançado para lá das fronteiras.
Reconhece-se-lhe cuidado e rigor dsciplinares, bem como um profundo sentido ético, em obra nova, em trabalhos à escala da cidade e do território, bem como em intervenções sobre o património.
A modéstia e simplicidade são marcas fortes da sua personalidade e um modelo que sempre me impressionou. Fui aluno de Gonçalo Byrne no início dos anos 90, em Projecto do 5º ano, e desde essa altura que passei a admirá-lo, também pessoalmente. Passei, pois, a seguir a sua obra de modo particular, sobretudo, a que vem realizando em Coimbra.
Foi com este espírito que aguardei, com curiosidade e interersse, a abertura do recentemente, embora não de todo concluído, remodelado Museu Nacional de Machado de Castro.
Esta intervenção tem sido encarada como uma lufada de ar fresco no centro histórico (marcado por um abandono de anos ou por – pior - intervenções ao arrepio do que deveriam ser as preocupações de regeneração, tanto no edificado, como no espaço público) e vista como um forte impulso no património museológico da cidade.
Não duvido de que o conseguirá - felizmente para a cidade - e, espera-se, com efeitos multiplicadores.

A intervenção pode ser encarada em vários planos: os que dizem respeito a uma abordagem eminentemente disciplinar - morfo-tipológica, espacial e de linguagem; urbana - de inserção no sítio e dos impactos no local (das rupturas e/ou continuidades) e quanto ao contributo para acentuar a vida, convocando novas dinâmicas; patrimonial - de valorização e promoção dos valores pré-existentes.

A minha visita, incompleta, não me permitirá juízos completos sobre o primeiro tema. No entanto, as primeiras impressões transmitem a ideia de um objecto belo, equilibrado pelo domínio das proporções, com um cuidado geral na escolha e combinação dos materiais e das soluções que lhes dão suporte físico.

A Alta só pode ter ganho com o novo Machado de Castro. É esta a primeira apreciação, parcelar, de uma abordagem de cariz urbano. A Rua Borges Carneiro é hoje seguramente melhor; o largo de entrada, abaixo da Sé Nova, está visivelmente mais qualificado; a paisagem urbana, numa visão distante sobre o tecido urbano, foi fortemente melhorada: desapareceram as feridas com que a demolição e a ruína marcavam há muitos anos as diversas vistas que se ofereciam a partir de vários importantes pontos de observação.
O partido proposto para a intervenção, assente na desmaterialização através de vários volumes dialogantes, mas fisicamente autónomos, revela-se uma estratégia acertada de inserção local e numa abordagem à escala urbana e de diálogo com todo o morro da Alta. As fendas que se abrem - nas novas superfícies, rompendo os volumes propostos, e entre estes e as pré-existências – mostram-se, adicionalmente, como mais um procedimento para a procura da escala justa, bem como para a construção das aberturas de luz, de entradas e percursos com distância física e formal relativamente às janelas e portas do edificado existente: às pré-existências oferece-se a serenidade, silêncio e enquadramento de planos lisos de pedra, desenhados como instrumento de fuga a rupturas e contrastes, no que refere à expressão e dimensão das fenestrações.
Adicionalmente, assistir-se-á, certamente, a uma nova dinâmica local, fruto da maior qualificação urbana, de um interesse renovado pelo museu (com capacidade de atrair um novo público, espera-se) e, como normalmente acontece, motivada pelo efeito de novidade que se espera que solidifique e evolua para qualquer coisa de mais perene e estruturado.

As questões patrimoniais colocam-se para além das condições de preservação e exposição, certamente irrepreensíveis.
O museu era marcante por três elementos, chave da sua caracterização do ponto de vista do edificado, do significado urbano e da riqueza patrimonial. A par com o acervo, partes fundamentais, adivinhavam-se três elementos fundadores do projecto: o pátio que se abre por detrás do portão de ferro, centro aglutinador do volume em U e primeiro momento de uma vista que se projectava sobre a cidade; a Loggia que o fecha sempre foi um ponto fundamental de observação da paisagem urbana, um local único da Alta aberta à contemplação, sendo, adicionalmente, uma peça de um refinamento excepcional, de uma beleza pura, de umas proporções exactas, com uma forte presença a partir, quer da Rua Borges Carneiro, quer de outros pontos de observação mais distantes; sob o pátio, o criptopórtico constitui a mais significativa presença da cidade romana de Aeminium.
O pátio, encontra-se mais clarificado, mais limpo, sem perturbações na apreensão da sua espacialidade e dos elementos que o pontuam: a fonte e a Loggia. Esta última, porém, não conservou o protagonismo que se desejava. Antes da intervenção, era um limite, uma fronteira entre o chão e a encosta. Era o último elemento entre o espaço apropriável e a cidade aberta à contemplação. Era um elemento de forte caracterização local, como mediador entre o olhar e a cidade, e como remate na subida a partir da Sé Velha.
Essas relações perderam a força e expressão que detinham: uma nova cafetaria com esplanada bloqueia um horizonte que se impunha como o de maior protagonismo local - a nova construção reclama essa importância, substituindo-se à pré-existência; na Rua Borges Carneiro o pano de fundo é, agora, desempenhado pela malha metálica da fachada de gradil, cuja dobtragem para o plano horizontal se constitui, na cota mais elevada, como prolongamento visual do pavimento do pátio - a Loggia deixa de se expor sem reservas como limite e elemento último no forte desnível e, onde antes se afirmava, esconde-se com timidez, por detrás dos novos elementos adicionados.
Provavelmente, a dimensão do programa não tornava fácil uma outra solução. Mas pela sua importância e qualidade arquitectónica, a loggia deveria ter-se assumido no projecto como um elemento-base, a que se deveria ter submetido toda a articulação volumétrica. Pelo valor intrínseco e significado urbano da mesma e devido admiração que manifesto pelo autor, lamento que a intervenção não tenha ido mais longe neste aspecto particular, mas de capital importância.

Imagens soltas de um mundo em movimento

Sé Nova, segundo Il Gesú de Roma; Coimbra.



























Il Gesú; Roma.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Publicidade e (também) a vida



Declaro: sou um admirador de publicidade. Nunca me deu para ir uma das edições do Festival de Devoradores de Publicidade. Mas por puro acaso. Confesso que seria fantástico.
No cinema, por outro lado, os spots antes da sessão prendem-me completamente a atenção. Em tempos mais recentes, o filme Super Bock é dos meus preferidos. Não me canso de o ver. Considero-o uma homenagem ao Amor, à relação entre as pessoas, ao convívio são, à alegria, à boa disposição, à vida, à suprema beleza de um sorriso feminimo, à mulher, por que não dizê-lo. Só este último motivo seria razão suficiente para incorporar esse filme neste espaço. Mas, adicionalmente, trata-se de um belo filme, com uma articulação perfeita entre som e imagem e o Porto como pano de fundo. Aqui fica, portanto, a versão sem cortes.

Por estes dias... a janela que liga ao mundo

















No meio das palavras, evado-me.
O sol invade com sombra os espaços que percorre. A vontade de o tocar causa-me abandono e entrega. Move-me para outras paragens.
O tempo, imóvel, permanece suspenso. Faz morrer brevemente na agitação imaginada. Desejada.
Onde a luz se esgota, um sorriso recebe. A vida renasce no conforto desejado, entre dedos, na pele macia.
Lá fora, cá dentro, os opostos. E as palavras de novo.