sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
36 anos DEPOIS!
Ao fim de quase quatro décadas, Portugal pôs fim a um regime de excepção, descontextualizado, desajustado, bárbaro e injusto.
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
imagens soltas de um mundo em movimento
Voltar a imagens do passado, revisitar a memória.
Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.
FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.
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Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.
FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Desenhos
No corpo feminino, como quem busca cura para os males do mundo.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Desenhos
Desenhos
Desenhos
Na Almedina, enquanto trabalho. Todos os desenhos contam uma história e deixam adivinhar ou escondem outra. Indiscretamente, a Bic penetra no universo de outros.
Por instantes, demora-se na observação. Por vezes, mais reveladora; outras, pouco percebe.
Dedicadamente explicando ou empenhadamente seduzindo?
Por instantes, demora-se na observação. Por vezes, mais reveladora; outras, pouco percebe.
Dedicadamente explicando ou empenhadamente seduzindo?
sexta-feira, 8 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Prémio AICA/MC 08


Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, distnguidos com a última edição do Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte / Ministério da Cultura.
São duas das pessoas que mais contribuiram para a minha formação. Em planos distintos e em fases diversas, fico a dever-lhes muito. Agradeço-lhes enquanto arquitectos e professores e é, pois, com enorme prazer que os felicito.
Muitos parabéns Sérgio; muitos parabéns Alexandre.
Imagens soltas de um mundo em movimento
Com a chegada da noite, é a Arquitectura que serve de fonte de luz para os espaços externos. O mundo como que se inverte.
As cores que antes se ocultavam sem desejo de exibição, tornam-se fortes, já sem o pudor que as fontes luminosas neutralizaram. As interacções entre o interior e o exterior são permanentemente renovadas e permitem novas descobertas. A riqueza da vida descobre-se nessas surpresas.
Roche. Basileia; Herzog & de Meuron
As cores que antes se ocultavam sem desejo de exibição, tornam-se fortes, já sem o pudor que as fontes luminosas neutralizaram. As interacções entre o interior e o exterior são permanentemente renovadas e permitem novas descobertas. A riqueza da vida descobre-se nessas surpresas.
Roche. Basileia; Herzog & de Meuron
Imagens de apropriação espacial
As primeiras sensações foram de algum embaraço e apreensão, procurando identificar o modo de uso do espaço. Com o passar de algum tempo, as coisas surgem com mais naturalidade. Caminhando em redor do edifício por entre os seus espaços, contornando os apoios que tocam o chão, lançando o olhar para lá das perfurações que rasgam o volume desde o céu até aos passos que cadenciadamente se movem, começa um tactear que tudo revela. Os espaços imensos precisarão de gente, muita gente. A pouca ocupação humana permite perceber o quão insuficiente ainda é. O mistério apesar de tudo, vai acontecendo e faz desejar um regresso noutras circunstâncias. Com pessoas. Muitas.
Fórum 2004; Herzog & de Meuron; Barcelona.

Fórum 2004; Herzog & de Meuron; Barcelona.

quarta-feira, 6 de maio de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
A sempre surpreendente espessura do tempo.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Pela cidade, sem rumo, à deriva.

Hoje em dia ninguém arrisca. Toda a gente quer estar segura, à partida. Só com todos os dados conhecidos avançam. Assim em tudo. Na vida.
Os Gps, Via Michelin, Multimaps e outros agentes da certeza tomaram o lugar do incerto e da descoberta. E há prazeres que ficam pelo caminho quando não se consegue resistir. Adoro perder-me na cidade, vaguear e deambular, sem me encontrar em cada momento. A seguir a cada lugar desconhecido, virá sempre o deslumbramento pelo conhecimento de um novo local. É fantástico.
Uma Carta Coreográfica
É o título da exposição inaugurada em 199 municípios e patente em todas as Livrarias Almedina, a propósito do dia mundial da dança, comemorado a 29 de Abril.
Os painéis que compõem a mostra exibem títulos de uma beleza singular. As fotos, na maioria de cena, correspondem à poesia do texto. Mas é sobretudo a palavra que mais me prendeu a atenção. Maravilhosamente bela.
Não resisto à transcrição.
''Terceira Fábula
Os dentes da princesa sem braços.
Braços, acreditar no que fazer sem usar os braços, prender alguém sem abraçar
Dentes, sorrir com os olhos, fazer covinhas no sorriso, chamar sem usar a voz
Mostrar a beleza do corpo incompleto
Por vezes, as mãos os braços não servem para nada. Isto se houver dentes, olhos e sorrisos que os saibam substituir. Hoje em dia, existem no campo e na cidade princesas que vivem incógnitas. Elas, só com os seus dentes muito brancos, os seus olhos de qualquer cor e os seus lábios que rasgam sorrisos preciososos, conseguem por um instante impressionar muito: criam com as suas armas a sugestão de um instante feito de luz, cor e transparências. E assim, sem necessitar de usar os braços que não têm, aprisionam-nos para sempre. Este instante duradouro chama-se amor à primeira e à última vista.
Faça de princesa: fixe um ponto desejado. Exercite a luz do seu olhar, focando, piscando, batendo as pálpebras como asas de insecto, recolhendo os olhos demoradamente, para os abrir em simultâneo com um sorriso novo.''
Os painéis que compõem a mostra exibem títulos de uma beleza singular. As fotos, na maioria de cena, correspondem à poesia do texto. Mas é sobretudo a palavra que mais me prendeu a atenção. Maravilhosamente bela.
Não resisto à transcrição.
''Terceira Fábula
Os dentes da princesa sem braços.
Braços, acreditar no que fazer sem usar os braços, prender alguém sem abraçar
Dentes, sorrir com os olhos, fazer covinhas no sorriso, chamar sem usar a voz
Mostrar a beleza do corpo incompleto
Por vezes, as mãos os braços não servem para nada. Isto se houver dentes, olhos e sorrisos que os saibam substituir. Hoje em dia, existem no campo e na cidade princesas que vivem incógnitas. Elas, só com os seus dentes muito brancos, os seus olhos de qualquer cor e os seus lábios que rasgam sorrisos preciososos, conseguem por um instante impressionar muito: criam com as suas armas a sugestão de um instante feito de luz, cor e transparências. E assim, sem necessitar de usar os braços que não têm, aprisionam-nos para sempre. Este instante duradouro chama-se amor à primeira e à última vista.
Faça de princesa: fixe um ponto desejado. Exercite a luz do seu olhar, focando, piscando, batendo as pálpebras como asas de insecto, recolhendo os olhos demoradamente, para os abrir em simultâneo com um sorriso novo.''
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Alguma novidade?!
Nada muda com este sol. O dia está de uma beleza sem limites. Todas as cores são outras. Tudo brilha. Mas o vento...
Nada é - nunca! - completo. Antes em Coimbra, que em frente do mar. Especialmente hoje.
Nada é - nunca! - completo. Antes em Coimbra, que em frente do mar. Especialmente hoje.
Cheiro a papel
Nos jornais já é mau. Nos livros, insuportável.
Não gosto de livros em sacos. Após um livro acabado de comnprar, a célebre pergunta: - deseja um saco?!
Um livro de papel macio, que se adapta suavemente à forma das mãos, repentinamente apriosionado no interior de um saco de plástico, não é certamente objecto de comparações benévolas. É trágico.
Não me interessa.
Gosto do cheiro a papel. Gosto de sentir a capa nas mãos. Gosto de poder folhear o livro enquanto ainda o conservo entre os dedos.
Os sacos matam esse prazer. É como comprar um livro online, perdendo a sedução de entrar numa livraria.
Até no plano estético o resultado é mau. Muito mau. Um saco que pende das mãos de alguém que sai de uma livraria é feio. Infinitamente mais belo o gesto de quem conserva o livro debaixo do braço, entalado entre os dedos ou apertado contra o peito. Trata-se de uma proximidade com o objecto de leitura que o dignifica. O saco, não. Banaliza-o.
Não gosto de livros em sacos. Após um livro acabado de comnprar, a célebre pergunta: - deseja um saco?!
Um livro de papel macio, que se adapta suavemente à forma das mãos, repentinamente apriosionado no interior de um saco de plástico, não é certamente objecto de comparações benévolas. É trágico.
Não me interessa.
Gosto do cheiro a papel. Gosto de sentir a capa nas mãos. Gosto de poder folhear o livro enquanto ainda o conservo entre os dedos.
Os sacos matam esse prazer. É como comprar um livro online, perdendo a sedução de entrar numa livraria.
Até no plano estético o resultado é mau. Muito mau. Um saco que pende das mãos de alguém que sai de uma livraria é feio. Infinitamente mais belo o gesto de quem conserva o livro debaixo do braço, entalado entre os dedos ou apertado contra o peito. Trata-se de uma proximidade com o objecto de leitura que o dignifica. O saco, não. Banaliza-o.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Entre dois mundos
Entre dois mundos, como Janus - a divindade de duas cabeças.
Colocada nas portas das cidades romanas, observava o confronto de opostos e marcava o contraste entre a civilização e a natureza - um outro universo.
Uma porta é sempre uma antinomia. Deve convidar a entrar, a abandonar um universo a favor de outro, que se deseja confortável e com vida própria, idiossincrático. As penumbras devem marcar-se. O contraste passa também pela luz. Só a diferença interessa.
Sta Clara-a-Velha; Atelier 15; Coimbra.

Colocada nas portas das cidades romanas, observava o confronto de opostos e marcava o contraste entre a civilização e a natureza - um outro universo.
Uma porta é sempre uma antinomia. Deve convidar a entrar, a abandonar um universo a favor de outro, que se deseja confortável e com vida própria, idiossincrático. As penumbras devem marcar-se. O contraste passa também pela luz. Só a diferença interessa.
Sta Clara-a-Velha; Atelier 15; Coimbra.
Imagens soltas de um mundo em movimento
A Cidade descobre-se em cada passo, em cada mistério arrancado a cada nova esquina forçada sob o andar. O tempo sucede-se em intervalos superiores aos da cadência do movimento. A Cidade é isso: permanente revelação, sob um tempo em permanente movimento e desfile encantatório. É assim que os olhos descobrem a primeira obra renascentista.
Santa Maria das Flores; Cúpula de Fillipo Bruneleschi; Florença.
Santa Maria das Flores; Cúpula de Fillipo Bruneleschi; Florença.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Mais um chapitô
Ali está. Impassível.
Todos os anos, nesta altura, um chapitô ocupa a Praça da República. É um clássico, afastado, ainda assim, do clássico que era entrar num circo a sério. Neste, recordo o mistério do cheiro a terra, a mofo e a animal que se escondiam debaixo da tela e despertavam, em cada entrada renovada, a curiosidade pelo que iria ser o espectáculo. No outro, no que todos os anos insiste em ocupar selvaticamente uma das poucas Praças da cidade, não se reconhece a mesma atmosfera fascinante. A escuridão não cativa ninguém, as bancas entortadas pelos desníveis do pavimento não são desejadas, o mobiliário estilo ''Móveis Paços de Ferreira com estilos florais'' ou a esplanada interna de ferro forjado - estupidamente afastada do exterior - mostram a pior face da cidade, que parece querer mostrar-se provinciana, mesmo contra a vontade de muita da população, mesmo da que frequenta a Feira do Livro. As pinturas - não é de obras de arte que se trata - expostas nesses ambientes reforçam a desqualificação geral e afastam, ainda mais, esta cidade e a iniciativa de quem sonha com uma cidade cosmopolita e integrada nas melhores dinâmicas nacionais.
Coimbra tem um panorama livreiro só comparável aos de Lisboa e do Porto. Há inumeras e boas livrarias em inúmeros locais da cidade, espalhadas não só pelos centros comerciais, mas pelas ruas. Por isso digo: não merecia este horror!
No exterior, o ambiente não melhora. O espaço onde o chapitô aterra fica desfeito por um longo período. É incrível, como, em nome da cultura, a cidade atenta contra si mesma. A Cidade é a expressão e realização máximas da cultura. A Cidade é sinónimo e motor de civilização. Todas as grandes civilizações são e foram urbanas. Todas as grandes formas de cultura nasceram nos espaços qualificados da Urbe. Coimbra afasta-se desta evidência e quer afastar os seus cidadãos do espaço público. Do espaço de cidadania. Não consigo entender!
Todos os anos, nesta altura, um chapitô ocupa a Praça da República. É um clássico, afastado, ainda assim, do clássico que era entrar num circo a sério. Neste, recordo o mistério do cheiro a terra, a mofo e a animal que se escondiam debaixo da tela e despertavam, em cada entrada renovada, a curiosidade pelo que iria ser o espectáculo. No outro, no que todos os anos insiste em ocupar selvaticamente uma das poucas Praças da cidade, não se reconhece a mesma atmosfera fascinante. A escuridão não cativa ninguém, as bancas entortadas pelos desníveis do pavimento não são desejadas, o mobiliário estilo ''Móveis Paços de Ferreira com estilos florais'' ou a esplanada interna de ferro forjado - estupidamente afastada do exterior - mostram a pior face da cidade, que parece querer mostrar-se provinciana, mesmo contra a vontade de muita da população, mesmo da que frequenta a Feira do Livro. As pinturas - não é de obras de arte que se trata - expostas nesses ambientes reforçam a desqualificação geral e afastam, ainda mais, esta cidade e a iniciativa de quem sonha com uma cidade cosmopolita e integrada nas melhores dinâmicas nacionais.
Coimbra tem um panorama livreiro só comparável aos de Lisboa e do Porto. Há inumeras e boas livrarias em inúmeros locais da cidade, espalhadas não só pelos centros comerciais, mas pelas ruas. Por isso digo: não merecia este horror!
No exterior, o ambiente não melhora. O espaço onde o chapitô aterra fica desfeito por um longo período. É incrível, como, em nome da cultura, a cidade atenta contra si mesma. A Cidade é a expressão e realização máximas da cultura. A Cidade é sinónimo e motor de civilização. Todas as grandes civilizações são e foram urbanas. Todas as grandes formas de cultura nasceram nos espaços qualificados da Urbe. Coimbra afasta-se desta evidência e quer afastar os seus cidadãos do espaço público. Do espaço de cidadania. Não consigo entender!
sábado, 25 de abril de 2009
Elogio da cidade
''(...) amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestada irregular da cidade tranquila, sob o luar, visto da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.''
Bernardo Soares in Livro do Desassossego
Bernardo Soares in Livro do Desassossego
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Cassandra de novo.
Não resisto. A fechar a semana, a iniciar o fim-de-semana, a voz tocante de Cassandra Wilson.
O que Aprendi com a Arquitectura

Siza fechou o ciclo. Depois de Eduardo Souto de Moura, coube-lhe a tarefa. Os mil e duzentos lugares da Casa da Música completamente esgotados para ouvir aquele que é provavelmente o maior vulto da cultura portuguesa. Durante quase 2 horas revelou o que ''aprendi com a arquitectura'', partilhando referências e entendimentos, lugares e viagens marcantes. Sempre com poética, a mesma que coloca nas obras, apresentou um discurso lindíssimo, falando-nos de uma carreira que se inicia em Barcelona, com Gaudi, e não terminará nunca, não cessará, como poeticamente se referiu a Le Corbusier, um exemplo a todos os título para Siza. A mesma perseverança e apego aos locais amados vão certamente movê-lo. Sempre.
Aproveitando as novas tecnologias e o desleixo que me impediu de conseguir bilhete antecipadamente, fiquei em casa, sentado no sofá, com o portátil ligado ao LCD, a ver a transmissão em directo em http://www.casadamusica.tv/. Não foi a mesma coisa, mas não me impediu de aprender imenso com as arquitecturas de Siza.
35 anos depois

Amanhã é dia 25 de Abril. 35 anos depois, eis a qualidade da nossa democracia:
- 2 milhões de cidadãos (sim, cidadãos) vivem na pobreza (um quinto da população, sublinhe-se);
- A fome aumenta todos os anos, segundo dados do Banco Alimentar Contra a Fome (em 2007 foram mais de 200 mil as pessoas que receberam apoio desta instituição);
- quase 10% de analfabetos (9 em cada 100 portugueses, com 10 anos ou mais, não sabem ler nem escrever, conforme os resultados definitivos do Censos 2001);
- Fátima Felgueiras foi absolvida;
- Avelino Ferreira Torres segue o mesmo caminho;
- Isaltino Morais perfila-se como candidato à Câmara de Oeiras;
- Santana Lopes é indicado como o homem certo para o lugar certo pela coligação de quatro partidos que o suporta na corrida à Câmara Municipal de Lisboa;
- Seis anos depois, o Processo Casa Pia não tem fim à vista;
- Os partidos políticos brincam no Parlamento sobre as medidas de combate e punição ao enriquecimento ilícito (em todo o mundo civilizado a matéria é entregue a especilistas em Direito Penal, segundo Maria José Morgado, que classifica a discussão como ''conversa de Casino e de Café'');
- ao abrigo da liberdade de imprensa, a comunicação social viola sistematicamente o segredo de justiça, achincalha qualquer cidadão na praça pública através de processos sumários em que se substitui à sede própria.
São apenas alguns exemplos. Não vou repetir a pergunta de Lobo Antunes. Mas, de facto, podiamos ter feito muito mais. Passou muito tempo. Avançámos muito, mas é claramente insuficiente e muitas vezes fizémo-lo de forma torpe. Enganados os que ano após ano dizem que estão fartos de comemorações do 25 de Abril, confundindo os que lembram a data com comunismo ou com a hipocrisía de quem não quer ficar de fora por motivos políticos. Não sou comunista, nunca fui, jamais exercerei política. No entanto, tenho a certeza: Abril está por cumprir. Portugal merece mais!
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Quebrar a Regra
Música para a vida
É uma das vozes mais incríveis que conheço. O tom quente, a melodia incrível da música, são para conservar. Guardar e ouvir sempre.
Os Vários Estratos do Tempo

Piazza del Duomo; Florença
A acumulação do tempo na cidade é intrigante, mas maravilhosa. Fala das várias sobreposições que a espessura da vida ao longo dos anos deposita, época atrás de época. Não gosto de áreas novas. Falta a vida incongruente, não planeada, nem programada. Falta a incoerência de histórias e percursos que nada sabem uns dos outros. Falta quase tudo.
A cidade fala com normalidade dos seus vários tempos, como uma fachada à qual se retiram pedaços, fazendo-o com a naturalidade da abertura de janelas ao sabor das necessidades e segundo os locais mais convenientes - sempre sob a acção da passagem do tempo, sempre de acordo com a vida.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Planos sem gente
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Entre dois mundos
Na espessura de uma parede é provocada a relação entre interior e exterior. Com desvelo, o espaço transita entre dois mundos.
A luz que passa pela abertura rasgada na superfície mede a intensidade da relação pretendida. A cor acentua o contraste. Define, com rigorosa demarcação, o espaço. A textura da parede domestica as sensações. Dá conforto.
E a lição de Barragan permanece, intacta, sobrevivendo ao tempo.
Quinta da Conceição; Fernando Távora.
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A luz que passa pela abertura rasgada na superfície mede a intensidade da relação pretendida. A cor acentua o contraste. Define, com rigorosa demarcação, o espaço. A textura da parede domestica as sensações. Dá conforto.
E a lição de Barragan permanece, intacta, sobrevivendo ao tempo.
Quinta da Conceição; Fernando Távora.
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domingo, 19 de abril de 2009
Ainda Há Pastores?

Hermínio, o pastor. O que se move na Serra todos os dias. Domingos e dias santos, sem parar, como refere. Rodeado do abandono que se aprofundou com a chegada das leis comunitárias que foram fechando as queijarias, as mesmas leis que deixaram longe os sinais de desenvolvimento e conforto do local que as criou, vive os dias na solidão. Não vê ninguém de sol a sol. Tem pouco e ambiciona pouco. Mas o pouco que deseja, porque mais não pode, significa muito. Entre os desejos do corpo e os poucos sonhos que alimenta, mantém o olhar vivo. A certeza de que um dia há-de ver e ouvir Quim Barreiros tem a grandeza de um grande sonho que se pretende vivido. O Vale não permite mais. Ele sabe-o.
Rosa, a menina que, junto com o seu irmão, dominava os sorrisos e os sonhos de criança do vale. A mesma a quem a poeira e dureza da terra retirou ao sonho a vontade de estudar. Gouveia ficou fora das rotas da vontade do seu pai, e a economia de subsistência encerrou-lhe as saídas do vale.
Casais de Folgosinho, um local ausente do Portugal europeu, dos fundos comunitários que não trouxeram o bem estar que habita os olhos que vêem com interesse turístico ou alheamento um outro país que não conhecem. Um país divido entre os excluídos de uma geografia ignorada e distante, do lado errado da vida, e o privilégio adormecido pela estupidez sem limites, que nunca se sente satisfeita, por mais que tenha, por muito que acumule.
Ainda há Pastores é um lindíssimo documentário realizado por Jorge Pelicano, escrito pelo próprio, por Cátia Vicente e João Morais, a que Fernando Alves empresta a voz. Vale a pena ver. Ver, também, como bem nos corre a vida.
sábado, 18 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Abrir janelas
Abrir uma janela é complicado. Nunca se sabe se é demais ou insuficiente até à verificação na obra. Dúvidas sobre o enquadramento e a quantidade de luz são constantes antes desse momento. Quando se acerta, é uma satisfação enorme.
Quando se verifica esse acerto nas obras de outros, é um prazer fantástico.
Quando se verifica esse acerto nas obras de outros, é um prazer fantástico.
Poética singular
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