sexta-feira, 26 de junho de 2009
A normalidade acontece
Portugal: rendimento per capita correspondente a 75% da média da União Europeia. Atrás de nós, em 27 países, apenas a Eslováquia, com 72%. Como diria Cândido, ''Tudo vai bem no melhor dos Mundos''.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A todos os pantufeiros deste mundo
«Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.»
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Esteves Cardoso
Argumentação do momento
Argumentação do momento
Deve ou não haver coincidência de datas das eleições?
O autismo ''s. bentiano'' divide-se segundo razões de natureza económica ou de clareza discursiva, alinhado, contudo, por uma total indiferença em relação ao que se passa no país. O malabarismo das palavras continua.
Deve ou não haver coincidência de datas das eleições?
O autismo ''s. bentiano'' divide-se segundo razões de natureza económica ou de clareza discursiva, alinhado, contudo, por uma total indiferença em relação ao que se passa no país. O malabarismo das palavras continua.
A propósito de palavras
O AMOR é para cumprir.
Histórias impossíveis são bonitas na literatura e no cinema, mas não na vida. Fazem pensar no que se perde com barreiras e muros à felicidade, mas não as quero no meu universo. Eu prefiro dizer: que seja infinito enquanto dure. Não fujo da vida e do amor para o tornar mais heróico. No fim da linha, os heróis olham para quem teve uma vida normal, mas cheia - plena - lamentando não terem sido menos singulares.
Mais uma vez, prefiro ficar com Vinicius e com a proximidade do sorriso da mulher amada.
Sim
Eu poderia fugir, meu amor
Eu poderia partir
Sem dizer pra onde vou
Nem se devo voltar
Sim
Eu poderia morrer de dor
Eu poderia morrer
E me serenizar
Ah
Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa sombria
Uma casa vazia
Sem luz nem calor
Mas
Quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir iluminar nosso amor
Vinicius de Moraes
Histórias impossíveis são bonitas na literatura e no cinema, mas não na vida. Fazem pensar no que se perde com barreiras e muros à felicidade, mas não as quero no meu universo. Eu prefiro dizer: que seja infinito enquanto dure. Não fujo da vida e do amor para o tornar mais heróico. No fim da linha, os heróis olham para quem teve uma vida normal, mas cheia - plena - lamentando não terem sido menos singulares.
Mais uma vez, prefiro ficar com Vinicius e com a proximidade do sorriso da mulher amada.
Sim
Eu poderia fugir, meu amor
Eu poderia partir
Sem dizer pra onde vou
Nem se devo voltar
Sim
Eu poderia morrer de dor
Eu poderia morrer
E me serenizar
Ah
Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa sombria
Uma casa vazia
Sem luz nem calor
Mas
Quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir iluminar nosso amor
Vinicius de Moraes
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Cenários Inusitados
O que se passa com esta cidade? Maldição?
A Igreja de Santa Cruz é Monumento Nacional e foi classificada como Panteão Nacional há poucos anos por intervenção directa da Câmara Municipal de Coimbra. Incomprensível, a afixação de 1 painel suspenso por cabos em frente da sua fachada e - cereja no topo do bolo - ao nível da bandeira de Portugal.
Mesmo ao lado do edifício dos Paços do Concelho!
A Igreja de Santa Cruz é Monumento Nacional e foi classificada como Panteão Nacional há poucos anos por intervenção directa da Câmara Municipal de Coimbra. Incomprensível, a afixação de 1 painel suspenso por cabos em frente da sua fachada e - cereja no topo do bolo - ao nível da bandeira de Portugal.
Mesmo ao lado do edifício dos Paços do Concelho!
Claro que sim, Jay.
A ponte pedonal projectada por Cecil Balmond e Adão da Fonseca está a iniciar o processo de ruína: vidros partidos; as guardas de vidro parecem um biotério, tal é a quantidade de formas de vida e de lixo que ali coexistem; metade das armaduras (lâmpadas e suportes) foram-se, migraram ou estão a banhos.
Lamentável!
A propósito da qualidade de desenho dessa ponte, no Jornal The Independent, ''Jay Merrick, chega mesmo a questionar se a nova ponte não representará o arranque de uma nova era em Coimbra (...)*''... Claro que sim, Jay. Tudo está diferente!
*fonte: Arquitectura.pt, Críticos ingleses elogiam ponte Pedro e Inês em Coimbra como “ícone da arquitectura”
Lamentável!
A propósito da qualidade de desenho dessa ponte, no Jornal The Independent, ''Jay Merrick, chega mesmo a questionar se a nova ponte não representará o arranque de uma nova era em Coimbra (...)*''... Claro que sim, Jay. Tudo está diferente!
*fonte: Arquitectura.pt, Críticos ingleses elogiam ponte Pedro e Inês em Coimbra como “ícone da arquitectura”
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Aforismos Roubados.
''A nudez, sozinha, não é assim tão erótica; precisa que lhe ponham um trapinho em cima. Precisa de um filtro. Pode ser puramente visual, mas deve estar lá. Sensualidade é o obstáculo.''
Faíza Hayta, Revista Xis de 15.07.2006
Faíza Hayta, Revista Xis de 15.07.2006
Mulher Nua
''Limite exacto da vida,
perfeito continente,
harmonia formada, único fim,
definição real da beleza,
mulher nua (...)''
La Mujer Desnuda , Juan Ramón Jiménez
perfeito continente,
harmonia formada, único fim,
definição real da beleza,
mulher nua (...)''
La Mujer Desnuda , Juan Ramón Jiménez
Beleza urbana
Isto é património. Criatividade pura. Desenho a sério. Poesia.
Não acontece em todas a cidades, mesmo nas mais cosmopolitas.
Não sei se o mais bonito não serão mesmo as setinhas reflectoras. proponho o mesmo na Praça da República e na Praça 8 de Maio - devem ser os únicos locais onde ainda não existem. Já estou a ver: em frente da fachada da Igreja de Santa Cruz para orientar o trânsito de cargas e descargas.
Não acontece em todas a cidades, mesmo nas mais cosmopolitas.
Não sei se o mais bonito não serão mesmo as setinhas reflectoras. proponho o mesmo na Praça da República e na Praça 8 de Maio - devem ser os únicos locais onde ainda não existem. Já estou a ver: em frente da fachada da Igreja de Santa Cruz para orientar o trânsito de cargas e descargas.
Seis pontos para um bom início de fim-de-semana
1.adormecer com a janela aberta;
2.sentir na pele a brisa que entra no quarto;
3.convocar um sonho que embale e devolva a paz da inocência;
4.ficar na mesma posição sem contar as horas;
5.acordar com os pés fora da cama;
6.levantar, caminhar para o espelho e abrir um sorriso.
2.sentir na pele a brisa que entra no quarto;
3.convocar um sonho que embale e devolva a paz da inocência;
4.ficar na mesma posição sem contar as horas;
5.acordar com os pés fora da cama;
6.levantar, caminhar para o espelho e abrir um sorriso.
Não sei comentar.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Detalhes de divina beleza - Largo de Santana
Não posso deixar de exultar com a identificação toponímica, maravilhosa, fantástica de uma beleza extrema, da igualmente fantástica e maravilhosa, de uma beleza divina, género-de-rotunda que está a surgir à porta da Penitenciária.
O Largo de Santana não poderia ter ficado marcado de uma forma mais singular. O absoluto afinal existe e quem o quiser ver bastará que se desloque a essa local.
O Largo de Santana não poderia ter ficado marcado de uma forma mais singular. O absoluto afinal existe e quem o quiser ver bastará que se desloque a essa local.
Detalhes de divina beleza
Imagens soltas de um mundo em movimento - Opostos
Gosto como o afago no estuque branco ou o calor do soalho contrasta com o toque irregular da rocha. Gosto do oposição em que assenta o binómio interior/exterior. Gosto de diferenças. Gosto de as perceber e sentir, de as cheirar e experimentar, que me emocionem.
Gosto da experiência global da arquitectura. Gosto do pequeno mundo que propõe em sintonia total com a vida. Só essa me interessa.
Gosto da experiência global da arquitectura. Gosto do pequeno mundo que propõe em sintonia total com a vida. Só essa me interessa.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento - Luz Modeladora
Revitalização das Cidades
Novo pacote legislativo. Anunciada a intenção de promover a recuperação das cidades não só no refere ao edificado, mas abrangendo, também, os espaços públicos. Espera-se uma importante mudança de mentalidades, já que muita da degradação dos espaços urbanos não se deve a falta de instrumentos legais ou de dinheiro, mas a puro desleixo ou falta de gosto.
Coimbra é um bom caso de estudo, com imensos exemplos de falta de actuação injustificada, de desperdício de dinheiros públicos ou de falta de cuidado: ajardinamento de rotundas e de canteiros de reduzida dimensão?... rotundas de gosto e geometria duvidosos, para mais desnecesárias?... canteiros de 10 m2 em separadores ao abandono em espaços nobres da cidade?... construção de baías de estacionamento à pressa e sem articulação com os espaços onde se inserem?... outdoors das europeias a ocultar os Arcos do Jardim?... ''tendas'' regularmente montadas na Praça da República?... falta de passeios e alcatrão a bater nas paredes no edificado em algumas ruas em importantes zonas da cidade?... placas de indicação de curva e rails no interior do espaço urbano?... intervenções em ruas declaradamente sem projecto?... prioridade ao automóvel, sem qualquer tipo de consideração pelo peão e pelos espaços de e para a cidadania?... Podem parecer exemplos escolhidos a dedo mas são generalizados o suficiente para indicar um modo de pensar a cidade (ou de não o fazer). A lista, com efeito, é imensa e reveladora- de obras mal pensadas, desarticuladas, de desperdício e de falta de gosto, ou de falta de actuação com medidas que exigiriam muito poucos meios - e só uma completa revolução pode modificar o estado a que se chegou. Esperemos que, de facto, chegue. Tanto mais que, em Coimbra, o efeito Expo98 não se fez de todo sentir. Nem levemente.
Coimbra é um bom caso de estudo, com imensos exemplos de falta de actuação injustificada, de desperdício de dinheiros públicos ou de falta de cuidado: ajardinamento de rotundas e de canteiros de reduzida dimensão?... rotundas de gosto e geometria duvidosos, para mais desnecesárias?... canteiros de 10 m2 em separadores ao abandono em espaços nobres da cidade?... construção de baías de estacionamento à pressa e sem articulação com os espaços onde se inserem?... outdoors das europeias a ocultar os Arcos do Jardim?... ''tendas'' regularmente montadas na Praça da República?... falta de passeios e alcatrão a bater nas paredes no edificado em algumas ruas em importantes zonas da cidade?... placas de indicação de curva e rails no interior do espaço urbano?... intervenções em ruas declaradamente sem projecto?... prioridade ao automóvel, sem qualquer tipo de consideração pelo peão e pelos espaços de e para a cidadania?... Podem parecer exemplos escolhidos a dedo mas são generalizados o suficiente para indicar um modo de pensar a cidade (ou de não o fazer). A lista, com efeito, é imensa e reveladora- de obras mal pensadas, desarticuladas, de desperdício e de falta de gosto, ou de falta de actuação com medidas que exigiriam muito poucos meios - e só uma completa revolução pode modificar o estado a que se chegou. Esperemos que, de facto, chegue. Tanto mais que, em Coimbra, o efeito Expo98 não se fez de todo sentir. Nem levemente.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
A beleza decadente de uma ruína é intrigante. Já tudo está fora de sítio; a perfeição de uma ordem clássica espalha-se pelo chão; as paredes perderam o revestimento de mármore; o espaço apenas se adivinha; o dramatismo é acentuado pela presença dominante de uma árvore, a composição torna-se aleatória sob a acção do tempo, superior à do homem.
Mas Souto de Moura tem razão. Esse mundo desfeito oferece uma beleza intensa.
Monte Palatino; Roma.
Mas Souto de Moura tem razão. Esse mundo desfeito oferece uma beleza intensa.
Monte Palatino; Roma.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Para lá da utopia
Sim, a perfeição existe.
Sequeira Costa, a Orquestra Nacional do Porto e a direcção de Cristoph Konig, na Casa da Música e numa tarde luminosa, aparentemente sem qualquer esforço e como se tratasse da coisa mais natural deste mundo, deixaram a prova. está no concerto para piano e orquestra nº 2 em Dó menor. Sublime!
Confesso sentir alguma inveja dos músicos. Tudo se reúne para que o resultado do seu trabalho seja o mais elevado possível. O público, parte fundamental, não só o deseja - exige-o! Os instrumentos são os melhores. As salas de actuação, com todas as condições. Todos os executantes, com o mesmo nivel de exigência. A direcção musical, com um esforço para tirar todo o partido da beleza das peças e da qualidade dos músicos.
Que apreoveitemos essa oportunidade do Belo.
Sequeira Costa, a Orquestra Nacional do Porto e a direcção de Cristoph Konig, na Casa da Música e numa tarde luminosa, aparentemente sem qualquer esforço e como se tratasse da coisa mais natural deste mundo, deixaram a prova. está no concerto para piano e orquestra nº 2 em Dó menor. Sublime!
Confesso sentir alguma inveja dos músicos. Tudo se reúne para que o resultado do seu trabalho seja o mais elevado possível. O público, parte fundamental, não só o deseja - exige-o! Os instrumentos são os melhores. As salas de actuação, com todas as condições. Todos os executantes, com o mesmo nivel de exigência. A direcção musical, com um esforço para tirar todo o partido da beleza das peças e da qualidade dos músicos.
Que apreoveitemos essa oportunidade do Belo.
Imagens soltas de um mundo em movimento
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Siza em Cantanhede e 68 desenhos

Já tinha lido, contado pelo próprio Castanheira.
Uma noite, um encontro de amigos, em casa do narrador da história. E a propósito de nunca ter feito o retrato de Nuno Higino, Siza inicia a viagem. Um após outro, enche o caderno: 68 desenhos.
Parte desse registo, de beleza invulgar, está agora exposto no Museu da Pedra, em Cantanhede. Junta-se-lhe um conjunto, extenso, de objectos e de obras, bem documentadas, por esquissos, desenhos de projecto, maquetes e fotografias. Algumas já conhecidas, outras nada - ou completamente desconhecidas. Não me sai da retina o pequeno mas maravilhoso moínho de produção de papel, em Leiria.
Notícia do dia
Amanhã, sábado, dia 23, festa comemorativa dos 20 anos da Licenciatura em Arquitectura do Darq da Fauldade de Ciências e Tecnologia da Universidade.
Será às 13h00, no claustro do Colégio das Artes.
Será às 13h00, no claustro do Colégio das Artes.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Que mundo e justiça esta...
Nestas coisas da justiça há qualquer coisa que me escapa.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.
Testemunhos do tempo em movimento
segunda-feira, 18 de maio de 2009
No siléncio, o que importa...
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
Aforismos roubados
''Portugal é um país em adaptação.''
Cidadão em declarações a um noticiário televisivo, fazendo notar a condição europeia incompleta do país, a propósito da colocação dos contentores de um ecoponto numa paragem de autocarros, na Baixa da Banheira.
Cidadão em declarações a um noticiário televisivo, fazendo notar a condição europeia incompleta do país, a propósito da colocação dos contentores de um ecoponto numa paragem de autocarros, na Baixa da Banheira.
domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
36 anos DEPOIS!
Ao fim de quase quatro décadas, Portugal pôs fim a um regime de excepção, descontextualizado, desajustado, bárbaro e injusto.
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
imagens soltas de um mundo em movimento
Voltar a imagens do passado, revisitar a memória.
Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.
FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.
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Desenhar uma escada, um percurso, a variação da imagem no tempo, a relação espaço/tempo.
Uma escada nunca é apenas uma escada. Num regresso a Venturi, prefiro pensar que pode ser um local de paragem, um miradouro, um percurso para passear com alheamento, um sítio para conversar ou namorar. Simplesmente, para que a vida aconteça.
Em Santiago, uma das formas mais ricas e apaixonantes de percorrer um edifício. Com prazer.
FCI; Santiago de Compostela; Álvaro Siza.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Desenhos
No corpo feminino, como quem busca cura para os males do mundo.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.
Desenhando o seu contorno, com a fluidez de um movimento contínuo, em curva suave, sem cortes, de modo inspirador, inspirado, absorvido, generoso e egoísta - como quem agradece toda a beleza que se rouba e nunca se poderá pagar (não há preço para a beleza ilimitada) -, o mundo reproduz vezes sem conta o que de tão banal, nunca se banaliza, na procura do gesto belo.
Só o desejo da beleza como redenção motiva a criação do inútil. O inútil como necessário.
A criação não é útil. Não serve um propósito imediato, identificável, utilitário. Mas a beleza é util, enquanto necessária, coisa vaga que se pretende respirada como se não houvesse alternativa.
A mulher está presente, sempre esteve, imaginada, recriada, reproduzida, desenhada, pintada, esculpida, filmada, descrita, observada, amada, desejada.
Nada muda entre as paredes ásperas de um primeiro abrigo e as páginas do caderno que guardo hoje entre os dedos. Nada é diferente na sensualidade da arquitectura de Niemeyer, encontrada ''nas curvas da mulher do meu país''. Como diz, ''o que importa é a mulher, o resto é brincadeira''.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Desenhos
Desenhos
Desenhos
Na Almedina, enquanto trabalho. Todos os desenhos contam uma história e deixam adivinhar ou escondem outra. Indiscretamente, a Bic penetra no universo de outros.
Por instantes, demora-se na observação. Por vezes, mais reveladora; outras, pouco percebe.
Dedicadamente explicando ou empenhadamente seduzindo?
Por instantes, demora-se na observação. Por vezes, mais reveladora; outras, pouco percebe.
Dedicadamente explicando ou empenhadamente seduzindo?
sexta-feira, 8 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Prémio AICA/MC 08


Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, distnguidos com a última edição do Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte / Ministério da Cultura.
São duas das pessoas que mais contribuiram para a minha formação. Em planos distintos e em fases diversas, fico a dever-lhes muito. Agradeço-lhes enquanto arquitectos e professores e é, pois, com enorme prazer que os felicito.
Muitos parabéns Sérgio; muitos parabéns Alexandre.
Imagens soltas de um mundo em movimento
Com a chegada da noite, é a Arquitectura que serve de fonte de luz para os espaços externos. O mundo como que se inverte.
As cores que antes se ocultavam sem desejo de exibição, tornam-se fortes, já sem o pudor que as fontes luminosas neutralizaram. As interacções entre o interior e o exterior são permanentemente renovadas e permitem novas descobertas. A riqueza da vida descobre-se nessas surpresas.
Roche. Basileia; Herzog & de Meuron
As cores que antes se ocultavam sem desejo de exibição, tornam-se fortes, já sem o pudor que as fontes luminosas neutralizaram. As interacções entre o interior e o exterior são permanentemente renovadas e permitem novas descobertas. A riqueza da vida descobre-se nessas surpresas.
Roche. Basileia; Herzog & de Meuron
Imagens de apropriação espacial
As primeiras sensações foram de algum embaraço e apreensão, procurando identificar o modo de uso do espaço. Com o passar de algum tempo, as coisas surgem com mais naturalidade. Caminhando em redor do edifício por entre os seus espaços, contornando os apoios que tocam o chão, lançando o olhar para lá das perfurações que rasgam o volume desde o céu até aos passos que cadenciadamente se movem, começa um tactear que tudo revela. Os espaços imensos precisarão de gente, muita gente. A pouca ocupação humana permite perceber o quão insuficiente ainda é. O mistério apesar de tudo, vai acontecendo e faz desejar um regresso noutras circunstâncias. Com pessoas. Muitas.
Fórum 2004; Herzog & de Meuron; Barcelona.

Fórum 2004; Herzog & de Meuron; Barcelona.

quarta-feira, 6 de maio de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
A sempre surpreendente espessura do tempo.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Pela cidade, sem rumo, à deriva.

Hoje em dia ninguém arrisca. Toda a gente quer estar segura, à partida. Só com todos os dados conhecidos avançam. Assim em tudo. Na vida.
Os Gps, Via Michelin, Multimaps e outros agentes da certeza tomaram o lugar do incerto e da descoberta. E há prazeres que ficam pelo caminho quando não se consegue resistir. Adoro perder-me na cidade, vaguear e deambular, sem me encontrar em cada momento. A seguir a cada lugar desconhecido, virá sempre o deslumbramento pelo conhecimento de um novo local. É fantástico.
Uma Carta Coreográfica
É o título da exposição inaugurada em 199 municípios e patente em todas as Livrarias Almedina, a propósito do dia mundial da dança, comemorado a 29 de Abril.
Os painéis que compõem a mostra exibem títulos de uma beleza singular. As fotos, na maioria de cena, correspondem à poesia do texto. Mas é sobretudo a palavra que mais me prendeu a atenção. Maravilhosamente bela.
Não resisto à transcrição.
''Terceira Fábula
Os dentes da princesa sem braços.
Braços, acreditar no que fazer sem usar os braços, prender alguém sem abraçar
Dentes, sorrir com os olhos, fazer covinhas no sorriso, chamar sem usar a voz
Mostrar a beleza do corpo incompleto
Por vezes, as mãos os braços não servem para nada. Isto se houver dentes, olhos e sorrisos que os saibam substituir. Hoje em dia, existem no campo e na cidade princesas que vivem incógnitas. Elas, só com os seus dentes muito brancos, os seus olhos de qualquer cor e os seus lábios que rasgam sorrisos preciososos, conseguem por um instante impressionar muito: criam com as suas armas a sugestão de um instante feito de luz, cor e transparências. E assim, sem necessitar de usar os braços que não têm, aprisionam-nos para sempre. Este instante duradouro chama-se amor à primeira e à última vista.
Faça de princesa: fixe um ponto desejado. Exercite a luz do seu olhar, focando, piscando, batendo as pálpebras como asas de insecto, recolhendo os olhos demoradamente, para os abrir em simultâneo com um sorriso novo.''
Os painéis que compõem a mostra exibem títulos de uma beleza singular. As fotos, na maioria de cena, correspondem à poesia do texto. Mas é sobretudo a palavra que mais me prendeu a atenção. Maravilhosamente bela.
Não resisto à transcrição.
''Terceira Fábula
Os dentes da princesa sem braços.
Braços, acreditar no que fazer sem usar os braços, prender alguém sem abraçar
Dentes, sorrir com os olhos, fazer covinhas no sorriso, chamar sem usar a voz
Mostrar a beleza do corpo incompleto
Por vezes, as mãos os braços não servem para nada. Isto se houver dentes, olhos e sorrisos que os saibam substituir. Hoje em dia, existem no campo e na cidade princesas que vivem incógnitas. Elas, só com os seus dentes muito brancos, os seus olhos de qualquer cor e os seus lábios que rasgam sorrisos preciososos, conseguem por um instante impressionar muito: criam com as suas armas a sugestão de um instante feito de luz, cor e transparências. E assim, sem necessitar de usar os braços que não têm, aprisionam-nos para sempre. Este instante duradouro chama-se amor à primeira e à última vista.
Faça de princesa: fixe um ponto desejado. Exercite a luz do seu olhar, focando, piscando, batendo as pálpebras como asas de insecto, recolhendo os olhos demoradamente, para os abrir em simultâneo com um sorriso novo.''
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Alguma novidade?!
Nada muda com este sol. O dia está de uma beleza sem limites. Todas as cores são outras. Tudo brilha. Mas o vento...
Nada é - nunca! - completo. Antes em Coimbra, que em frente do mar. Especialmente hoje.
Nada é - nunca! - completo. Antes em Coimbra, que em frente do mar. Especialmente hoje.
Cheiro a papel
Nos jornais já é mau. Nos livros, insuportável.
Não gosto de livros em sacos. Após um livro acabado de comnprar, a célebre pergunta: - deseja um saco?!
Um livro de papel macio, que se adapta suavemente à forma das mãos, repentinamente apriosionado no interior de um saco de plástico, não é certamente objecto de comparações benévolas. É trágico.
Não me interessa.
Gosto do cheiro a papel. Gosto de sentir a capa nas mãos. Gosto de poder folhear o livro enquanto ainda o conservo entre os dedos.
Os sacos matam esse prazer. É como comprar um livro online, perdendo a sedução de entrar numa livraria.
Até no plano estético o resultado é mau. Muito mau. Um saco que pende das mãos de alguém que sai de uma livraria é feio. Infinitamente mais belo o gesto de quem conserva o livro debaixo do braço, entalado entre os dedos ou apertado contra o peito. Trata-se de uma proximidade com o objecto de leitura que o dignifica. O saco, não. Banaliza-o.
Não gosto de livros em sacos. Após um livro acabado de comnprar, a célebre pergunta: - deseja um saco?!
Um livro de papel macio, que se adapta suavemente à forma das mãos, repentinamente apriosionado no interior de um saco de plástico, não é certamente objecto de comparações benévolas. É trágico.
Não me interessa.
Gosto do cheiro a papel. Gosto de sentir a capa nas mãos. Gosto de poder folhear o livro enquanto ainda o conservo entre os dedos.
Os sacos matam esse prazer. É como comprar um livro online, perdendo a sedução de entrar numa livraria.
Até no plano estético o resultado é mau. Muito mau. Um saco que pende das mãos de alguém que sai de uma livraria é feio. Infinitamente mais belo o gesto de quem conserva o livro debaixo do braço, entalado entre os dedos ou apertado contra o peito. Trata-se de uma proximidade com o objecto de leitura que o dignifica. O saco, não. Banaliza-o.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Entre dois mundos
Entre dois mundos, como Janus - a divindade de duas cabeças.
Colocada nas portas das cidades romanas, observava o confronto de opostos e marcava o contraste entre a civilização e a natureza - um outro universo.
Uma porta é sempre uma antinomia. Deve convidar a entrar, a abandonar um universo a favor de outro, que se deseja confortável e com vida própria, idiossincrático. As penumbras devem marcar-se. O contraste passa também pela luz. Só a diferença interessa.
Sta Clara-a-Velha; Atelier 15; Coimbra.

Colocada nas portas das cidades romanas, observava o confronto de opostos e marcava o contraste entre a civilização e a natureza - um outro universo.
Uma porta é sempre uma antinomia. Deve convidar a entrar, a abandonar um universo a favor de outro, que se deseja confortável e com vida própria, idiossincrático. As penumbras devem marcar-se. O contraste passa também pela luz. Só a diferença interessa.
Sta Clara-a-Velha; Atelier 15; Coimbra.
Imagens soltas de um mundo em movimento
A Cidade descobre-se em cada passo, em cada mistério arrancado a cada nova esquina forçada sob o andar. O tempo sucede-se em intervalos superiores aos da cadência do movimento. A Cidade é isso: permanente revelação, sob um tempo em permanente movimento e desfile encantatório. É assim que os olhos descobrem a primeira obra renascentista.
Santa Maria das Flores; Cúpula de Fillipo Bruneleschi; Florença.
Santa Maria das Flores; Cúpula de Fillipo Bruneleschi; Florença.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Mais um chapitô
Ali está. Impassível.
Todos os anos, nesta altura, um chapitô ocupa a Praça da República. É um clássico, afastado, ainda assim, do clássico que era entrar num circo a sério. Neste, recordo o mistério do cheiro a terra, a mofo e a animal que se escondiam debaixo da tela e despertavam, em cada entrada renovada, a curiosidade pelo que iria ser o espectáculo. No outro, no que todos os anos insiste em ocupar selvaticamente uma das poucas Praças da cidade, não se reconhece a mesma atmosfera fascinante. A escuridão não cativa ninguém, as bancas entortadas pelos desníveis do pavimento não são desejadas, o mobiliário estilo ''Móveis Paços de Ferreira com estilos florais'' ou a esplanada interna de ferro forjado - estupidamente afastada do exterior - mostram a pior face da cidade, que parece querer mostrar-se provinciana, mesmo contra a vontade de muita da população, mesmo da que frequenta a Feira do Livro. As pinturas - não é de obras de arte que se trata - expostas nesses ambientes reforçam a desqualificação geral e afastam, ainda mais, esta cidade e a iniciativa de quem sonha com uma cidade cosmopolita e integrada nas melhores dinâmicas nacionais.
Coimbra tem um panorama livreiro só comparável aos de Lisboa e do Porto. Há inumeras e boas livrarias em inúmeros locais da cidade, espalhadas não só pelos centros comerciais, mas pelas ruas. Por isso digo: não merecia este horror!
No exterior, o ambiente não melhora. O espaço onde o chapitô aterra fica desfeito por um longo período. É incrível, como, em nome da cultura, a cidade atenta contra si mesma. A Cidade é a expressão e realização máximas da cultura. A Cidade é sinónimo e motor de civilização. Todas as grandes civilizações são e foram urbanas. Todas as grandes formas de cultura nasceram nos espaços qualificados da Urbe. Coimbra afasta-se desta evidência e quer afastar os seus cidadãos do espaço público. Do espaço de cidadania. Não consigo entender!
Todos os anos, nesta altura, um chapitô ocupa a Praça da República. É um clássico, afastado, ainda assim, do clássico que era entrar num circo a sério. Neste, recordo o mistério do cheiro a terra, a mofo e a animal que se escondiam debaixo da tela e despertavam, em cada entrada renovada, a curiosidade pelo que iria ser o espectáculo. No outro, no que todos os anos insiste em ocupar selvaticamente uma das poucas Praças da cidade, não se reconhece a mesma atmosfera fascinante. A escuridão não cativa ninguém, as bancas entortadas pelos desníveis do pavimento não são desejadas, o mobiliário estilo ''Móveis Paços de Ferreira com estilos florais'' ou a esplanada interna de ferro forjado - estupidamente afastada do exterior - mostram a pior face da cidade, que parece querer mostrar-se provinciana, mesmo contra a vontade de muita da população, mesmo da que frequenta a Feira do Livro. As pinturas - não é de obras de arte que se trata - expostas nesses ambientes reforçam a desqualificação geral e afastam, ainda mais, esta cidade e a iniciativa de quem sonha com uma cidade cosmopolita e integrada nas melhores dinâmicas nacionais.
Coimbra tem um panorama livreiro só comparável aos de Lisboa e do Porto. Há inumeras e boas livrarias em inúmeros locais da cidade, espalhadas não só pelos centros comerciais, mas pelas ruas. Por isso digo: não merecia este horror!
No exterior, o ambiente não melhora. O espaço onde o chapitô aterra fica desfeito por um longo período. É incrível, como, em nome da cultura, a cidade atenta contra si mesma. A Cidade é a expressão e realização máximas da cultura. A Cidade é sinónimo e motor de civilização. Todas as grandes civilizações são e foram urbanas. Todas as grandes formas de cultura nasceram nos espaços qualificados da Urbe. Coimbra afasta-se desta evidência e quer afastar os seus cidadãos do espaço público. Do espaço de cidadania. Não consigo entender!
sábado, 25 de abril de 2009
Elogio da cidade
''(...) amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestada irregular da cidade tranquila, sob o luar, visto da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.''
Bernardo Soares in Livro do Desassossego
Bernardo Soares in Livro do Desassossego
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