quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O estado do país


''Portugal não é conhecido por ser um país de grande arquitectura, apesar de ter grandes arquitectos e exibir edifícios premiados. Um deles - a Escola Superior de Arte e Design, nas Caldas da Rainha (ESAD), ganhou o prémio Secil em 1998 - foi desenhado por Vítor Figueiredo. O arquitecto morreu (1929--2004), mas se fosse vivo iria assistir ao que Siza Vieira, Graça Dias, Duarte Cabral de Mello e a vice-presidente da Ordem dos Arquitectos, Ana Tostões, temem ser "alterações profundas" que podem arruinar de vez o projecto original.

Para evitar o que temem ser uma desfiguração, estes arquitectos escreveram um email e, mais tarde, uma carta ao presidente do Instituto Politécnico de Leiria - que tutela a ESAD -, pedindo-lhe que a intervenção fosse antecedida por um "estudo rigoroso" e que, mais tarde, a reabilitação da escola fosse orientada por um arquitecto indicado pela Ordem e pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Desta maneira, sentiam que o projecto de Vítor Figueiredo ficaria defendido.

(...)

Confrontado com a necessidade de fazer obras, o Instituto Politécnico de Leiria avançou para um concurso público - ainda em curso - com um orçamento de 2,8 milhões de euros. Questionado sobre o envolvimento de um arquitecto indicado pela Ordem, o presidente do instituto de Leiria, João Paulo Marques, respondeu ao i que a reabilitação será feita "por uma equipa de fiscalização externa e multidisciplinar". Quanto ao envolvimento da Ordem dos Arquitectos, nem pensar. Nem sequer admite o envolvimento do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, porque, não sendo um edifício classificado, "não está sujeito a qualquer consulta ou aprovação". Limitar-se-á, portanto, a seguir "as regras da contratação pública", omissas quanto ao cuidado arquitectónico.''

in I online, edição de hoje.

As declarações do director do Instituto Politécnico de Leiria a propósito das obras programadas para intervenção no edifício da Escola Superior de Arte e Design, nas Caldas da Rainha, são surpreendentes vindas, como vêm, do que deveria ser um agente cultural. A instituição irá atentar contra o património arquitectónico do país e o seu responsável máximo nem se dá conta. Lamentável.

A Foz do rio


Faço uma declaração inicial. Apenas me movem as palavras escritas. Não tenho nenhuma agenda não declarada.

Cresci a fazer praia na Figueira. Nasci, vivi e tenho-me mantido sempre perto de Coimbra. Passo aqui muito tempo.
O Mondego é-me próximo. Quando penso num rio este é-me o mais familiar.

Não consigo esquecer a participação cívica a propósito dos molhes do Douro, no Porto, ou do muro de contentores, em Alcântara. Com as inicitivas desinteressadas dos cidadãos, os molhes não deixaram de se fazer, é certo, mas o Porto e o Douro conseguiram um bom projecto. Com este, aquilo que normalmente é uma vulgar infraestrutura portuária foi realizada como prolongamento do espaço público envolvente e aberta à cidade. Em Lisboa, o debate contribui certamente para a não desqualificação permanente de uma zona sensível da cidade.

E na Figueira da Foz?
No centro tudo é diferente. Desde logo, a consciência dos autarcas. Quando chega a período eleitoral além do mais, vende-se tudo. Os outdoors mostram-nos Duarte Silva, exultante, com uma frase lapidar: molhe Norte; valeu a pena lutar. Pouco lhe importa, pois, que a solução construída seja miserável. A cidade e o país perderam muito, mas que interessa? Que interessa que o Mondego tenha neste momento a foz mais miserável do país, sem que uma única voz, nem da sociedade civil, se manifestasse contra o atentado. E aí está: o rio corre contra o muro de enrocamento que já não deixa ver o mar.
A ideia mais imediatista de progresso mais uma vez vingou. Grave não é o IPTM querer resolver um problema de navegação. O Estado funciona sectorialmente, já o sabemos, e quem provoca danos paisagísticos ou o emagrecimenmento das praias não ouve os colegas do Ministério do Ambiente. Obras Públicas é outro departamento, isso é conhecido. O que é grave, é que não se tenha procurado uma alternativa, um desenho melhor, mais consequente e menos desqualificador, ante a passividade geral. Já sei. Qualquer outra solução seria mais cara. O argumento é sempre o do mesmo tipo de eficácia. E à ''província'' não chegam certas veleidades. E assim se vai desbaratando o território, mesmo sabendo que não é reprodutível.
Fica a imagem do Mondego desimpedido, enquanto corria livremente para o mar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A atenção que me foge

Como concentrar-me aqui e agora, quando tudo em mim me diz que não?
A luz não é a mesma.

Imagens soltas de um mundo em movimento - Alentejo


Algures entre Aljustrel e Messejana. A profundidade espacial pacificadora.
Ali parece que tudo tem início e fim. Parece bastar, no breve momento que dura o eterno abandono com que rodamos para além de onde estamos.

Projectos. Habitação Colectiva - mais um passo

Fachada posterior quase pronta. Falta o ripado/grelha de madeira que ocultará os planos de vidro.


domingo, 23 de agosto de 2009

Inscrições (na alma)
























Voltar é revisitar.
É ser de novo.

Inscrições (na memória)


Final de tarde em Vale Figueiras.

inscrições
























leve marca como ligação ao local de sempre

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

...sem alternativa.

Por estes dias, a prisão do texto.
Os leitores calaram-se.
Todo o mundo se tornou mais silencioso.
Muitos continuam de férias.
Outras formas de escape escaparam-se-me, toldando-me a capacidade de mais acção.
Fugi da agitação balnear mas é para a praia que quero fugir.
A minha indolência só se agitará se entrar na humidade salgada.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Obrigado, Mr. Cohen!

terça-feira, 28 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Segunda-feira

Sexta-feira é véspera de fim-de-semana e, por isso, é um dia diferente. Sábados e domingos são dias diferentes. Terças, quartas e quintas são dias próprios em que acontecem coisas próprias de acontecer às terças, quartas e quintas. As segundas-feiras são dias correntes, anónimos. São todos os dias.

José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos

sexta-feira, 24 de julho de 2009

AR e Choupal

A Assembleia da República rejeitou ontem dois projectos-resolução para suspensão do traçado do IC2 sobre o Choupal.
Mais uma achega a favor da decadência da cidade, lamentavelmente imparável.
Depois dos viadutos da Casa do Sal, esperava-se outro cuidado, já com consciência daquela experiência trágica.
Mais: os argumentos para sustentar a posição do grupo parlamentar do PS são de rir. Diz um dos deputados - Horácio Antunes - que o projecto do novo IC2 representa ''uma oportunidade para que autarquia de Coimbra, o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a Estradas de Portugal lutem por contrapartidas que permitam recuperar a mata e ampliar a sua área actual.''*
Tem lógica: primeiro desfaz-se, depois compõe-se. Isto se fosse verdade, claro.

* in Público de hoje

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Aforismos Roubados

O amor começa antes de começar e acaba depois de já ter acabado.

José Cardoso Pires

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vida Contermporânea

Os edifícios têm bombas para elevar a água e depósitos na cobertura, para garantir pressão e bom funcionamento das torneiras.
As caldeiras e esquentadores tornaram-se inteligentes e já não dependem de um ignóbil fósforo a desfazer-se no preto da ponta queimada para entrarem em funcionamento.
As escadas estão enclausuradas com portas corta-fogo e, espaços menores, não são habitualmente utilizadas.
Tudo isto funciona bem enquanto a sub-estação da EDP não entra em colapso. A manhã de hoje provou-me uma realidade esquecida: a fragilidade de todo este mundo de sofisticação. Enquanto me decidia a tomar banho de água fria, a água perdeu pressão e deixou de correr. Passei a olhar com satisfação as garrafas de Água do Luso - com alguma tranquilidade, diga-se - enquanto ouvia os murros pelo interior da porta de um dos elevadores, batidos por uma voz feminina que gritava por socorro.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ideias para estes dias

Alberto João Jardim, com a proposta de revisão constitucional que propõe, quer tornar a Madeira quase independente. A Ideia é em sim mesmo uma violência. Retiremos a palavra quase.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Aforismos Roubados

''É impossível namorar num separador de auto-estrada''

Manuel Graça Dias
A cidade é o que queremos fazer com ela.