terça-feira, 15 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Simplesmente verdade, para além de tudo
O que importa, é o que te dizem ao ouvido.
O corpo é um lugar-comum.
O corpo é um lugar-comum.
Contéudos vãos
As mensagens que são passadas pelos outdoors da campanha autáquica só me suscitam uma ideia e um único comentário.
Ao que parece, ainda estamos demasiado próximos da eternamente lembrada e mais forte história de amor de Coimbra. Convém, no entanto, não esquecer que Inês morreu de AMOR.
Ao que parece, ainda estamos demasiado próximos da eternamente lembrada e mais forte história de amor de Coimbra. Convém, no entanto, não esquecer que Inês morreu de AMOR.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Nada é como nada
A cidade convida à observação. A pausa no texto remete-me para outras palavras.
A atenção desprende-se. Solta, agarra-se aqui e ali, sem se deter.
Um ou outro pormenor saltam da normalidade.
Nada como o olhar coberto por brilho e um sorriso a inundar o rosto;
como tudo é singular!
A atenção desprende-se. Solta, agarra-se aqui e ali, sem se deter.
Um ou outro pormenor saltam da normalidade.
Nada como o olhar coberto por brilho e um sorriso a inundar o rosto;
como tudo é singular!
Equilíbrios precisam-se
''(...) a extrema riqueza é inimiga da arquitectura.''
''O dinheiro excessivo mata a inteligência de onde emerge a arquitectura que é relevante.''
''Na prática, a sustentabilidade significa um ajuste de contas com o mercado da arquitectura.''
''(...) tende a ser uma ofensiva tecnocrática, com os painéis solares e o que se seguirá.''
in JA, nº235, Abril/Maio/Junho de 2009 - Jorge Figueira
''O dinheiro excessivo mata a inteligência de onde emerge a arquitectura que é relevante.''
''Na prática, a sustentabilidade significa um ajuste de contas com o mercado da arquitectura.''
''(...) tende a ser uma ofensiva tecnocrática, com os painéis solares e o que se seguirá.''
in JA, nº235, Abril/Maio/Junho de 2009 - Jorge Figueira
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Álvaro Siza
O Arquitecto Álvaro Siza foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural atribuída pelo Ministério da Cultura, MC, "em reconhecimento do seu percurso de cidadão, da projecção nacional e internacional da sua obra arquitectónica e do seu contributo para o prestígio e dignificação da cultura portuguesa".
in Mensageiro - Ordem dos Arquitectos
in Mensageiro - Ordem dos Arquitectos
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A descoberta evidente
Volto a Lobo Antunes e recupero o seu juízo sobre o corpo feminino:
''Um corpo feminino é um milagre que nenhum homem merece.''
De facto, não merece. Tenho consciência disso. Mas faço por me esquecer rápida e repetidamente.
Mas o que mais me interessa na frase é o mais belo elogio feito ao triunfo da beleza que é um corpo de mulher. Nada o supera. Acho que, respondendo a um amigo meu, é nele que está a transcendência.
''Um corpo feminino é um milagre que nenhum homem merece.''
De facto, não merece. Tenho consciência disso. Mas faço por me esquecer rápida e repetidamente.
Mas o que mais me interessa na frase é o mais belo elogio feito ao triunfo da beleza que é um corpo de mulher. Nada o supera. Acho que, respondendo a um amigo meu, é nele que está a transcendência.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O estado do país

''Portugal não é conhecido por ser um país de grande arquitectura, apesar de ter grandes arquitectos e exibir edifícios premiados. Um deles - a Escola Superior de Arte e Design, nas Caldas da Rainha (ESAD), ganhou o prémio Secil em 1998 - foi desenhado por Vítor Figueiredo. O arquitecto morreu (1929--2004), mas se fosse vivo iria assistir ao que Siza Vieira, Graça Dias, Duarte Cabral de Mello e a vice-presidente da Ordem dos Arquitectos, Ana Tostões, temem ser "alterações profundas" que podem arruinar de vez o projecto original.
Para evitar o que temem ser uma desfiguração, estes arquitectos escreveram um email e, mais tarde, uma carta ao presidente do Instituto Politécnico de Leiria - que tutela a ESAD -, pedindo-lhe que a intervenção fosse antecedida por um "estudo rigoroso" e que, mais tarde, a reabilitação da escola fosse orientada por um arquitecto indicado pela Ordem e pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Desta maneira, sentiam que o projecto de Vítor Figueiredo ficaria defendido.
(...)
Confrontado com a necessidade de fazer obras, o Instituto Politécnico de Leiria avançou para um concurso público - ainda em curso - com um orçamento de 2,8 milhões de euros. Questionado sobre o envolvimento de um arquitecto indicado pela Ordem, o presidente do instituto de Leiria, João Paulo Marques, respondeu ao i que a reabilitação será feita "por uma equipa de fiscalização externa e multidisciplinar". Quanto ao envolvimento da Ordem dos Arquitectos, nem pensar. Nem sequer admite o envolvimento do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, porque, não sendo um edifício classificado, "não está sujeito a qualquer consulta ou aprovação". Limitar-se-á, portanto, a seguir "as regras da contratação pública", omissas quanto ao cuidado arquitectónico.''
in I online, edição de hoje.
As declarações do director do Instituto Politécnico de Leiria a propósito das obras programadas para intervenção no edifício da Escola Superior de Arte e Design, nas Caldas da Rainha, são surpreendentes vindas, como vêm, do que deveria ser um agente cultural. A instituição irá atentar contra o património arquitectónico do país e o seu responsável máximo nem se dá conta. Lamentável.
A Foz do rio

Faço uma declaração inicial. Apenas me movem as palavras escritas. Não tenho nenhuma agenda não declarada.
Cresci a fazer praia na Figueira. Nasci, vivi e tenho-me mantido sempre perto de Coimbra. Passo aqui muito tempo.
O Mondego é-me próximo. Quando penso num rio este é-me o mais familiar.
Não consigo esquecer a participação cívica a propósito dos molhes do Douro, no Porto, ou do muro de contentores, em Alcântara. Com as inicitivas desinteressadas dos cidadãos, os molhes não deixaram de se fazer, é certo, mas o Porto e o Douro conseguiram um bom projecto. Com este, aquilo que normalmente é uma vulgar infraestrutura portuária foi realizada como prolongamento do espaço público envolvente e aberta à cidade. Em Lisboa, o debate contribui certamente para a não desqualificação permanente de uma zona sensível da cidade.
E na Figueira da Foz?
No centro tudo é diferente. Desde logo, a consciência dos autarcas. Quando chega a período eleitoral além do mais, vende-se tudo. Os outdoors mostram-nos Duarte Silva, exultante, com uma frase lapidar: molhe Norte; valeu a pena lutar. Pouco lhe importa, pois, que a solução construída seja miserável. A cidade e o país perderam muito, mas que interessa? Que interessa que o Mondego tenha neste momento a foz mais miserável do país, sem que uma única voz, nem da sociedade civil, se manifestasse contra o atentado. E aí está: o rio corre contra o muro de enrocamento que já não deixa ver o mar.
A ideia mais imediatista de progresso mais uma vez vingou. Grave não é o IPTM querer resolver um problema de navegação. O Estado funciona sectorialmente, já o sabemos, e quem provoca danos paisagísticos ou o emagrecimenmento das praias não ouve os colegas do Ministério do Ambiente. Obras Públicas é outro departamento, isso é conhecido. O que é grave, é que não se tenha procurado uma alternativa, um desenho melhor, mais consequente e menos desqualificador, ante a passividade geral. Já sei. Qualquer outra solução seria mais cara. O argumento é sempre o do mesmo tipo de eficácia. E à ''província'' não chegam certas veleidades. E assim se vai desbaratando o território, mesmo sabendo que não é reprodutível.
Fica a imagem do Mondego desimpedido, enquanto corria livremente para o mar.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento - Alentejo
domingo, 23 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
...sem alternativa.
Por estes dias, a prisão do texto.
Os leitores calaram-se.
Todo o mundo se tornou mais silencioso.
Muitos continuam de férias.
Outras formas de escape escaparam-se-me, toldando-me a capacidade de mais acção.
Fugi da agitação balnear mas é para a praia que quero fugir.
A minha indolência só se agitará se entrar na humidade salgada.
Os leitores calaram-se.
Todo o mundo se tornou mais silencioso.
Muitos continuam de férias.
Outras formas de escape escaparam-se-me, toldando-me a capacidade de mais acção.
Fugi da agitação balnear mas é para a praia que quero fugir.
A minha indolência só se agitará se entrar na humidade salgada.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Segunda-feira
Sexta-feira é véspera de fim-de-semana e, por isso, é um dia diferente. Sábados e domingos são dias diferentes. Terças, quartas e quintas são dias próprios em que acontecem coisas próprias de acontecer às terças, quartas e quintas. As segundas-feiras são dias correntes, anónimos. São todos os dias.
José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos
José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos
sexta-feira, 24 de julho de 2009
AR e Choupal
A Assembleia da República rejeitou ontem dois projectos-resolução para suspensão do traçado do IC2 sobre o Choupal.
Mais uma achega a favor da decadência da cidade, lamentavelmente imparável.
Depois dos viadutos da Casa do Sal, esperava-se outro cuidado, já com consciência daquela experiência trágica.
Mais: os argumentos para sustentar a posição do grupo parlamentar do PS são de rir. Diz um dos deputados - Horácio Antunes - que o projecto do novo IC2 representa ''uma oportunidade para que autarquia de Coimbra, o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a Estradas de Portugal lutem por contrapartidas que permitam recuperar a mata e ampliar a sua área actual.''*
Tem lógica: primeiro desfaz-se, depois compõe-se. Isto se fosse verdade, claro.
* in Público de hoje
Mais uma achega a favor da decadência da cidade, lamentavelmente imparável.
Depois dos viadutos da Casa do Sal, esperava-se outro cuidado, já com consciência daquela experiência trágica.
Mais: os argumentos para sustentar a posição do grupo parlamentar do PS são de rir. Diz um dos deputados - Horácio Antunes - que o projecto do novo IC2 representa ''uma oportunidade para que autarquia de Coimbra, o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a Estradas de Portugal lutem por contrapartidas que permitam recuperar a mata e ampliar a sua área actual.''*
Tem lógica: primeiro desfaz-se, depois compõe-se. Isto se fosse verdade, claro.
* in Público de hoje
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Aforismos Roubados
O amor começa antes de começar e acaba depois de já ter acabado.
José Cardoso Pires
José Cardoso Pires
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Vida Contermporânea
Os edifícios têm bombas para elevar a água e depósitos na cobertura, para garantir pressão e bom funcionamento das torneiras.
As caldeiras e esquentadores tornaram-se inteligentes e já não dependem de um ignóbil fósforo a desfazer-se no preto da ponta queimada para entrarem em funcionamento.
As escadas estão enclausuradas com portas corta-fogo e, espaços menores, não são habitualmente utilizadas.
Tudo isto funciona bem enquanto a sub-estação da EDP não entra em colapso. A manhã de hoje provou-me uma realidade esquecida: a fragilidade de todo este mundo de sofisticação. Enquanto me decidia a tomar banho de água fria, a água perdeu pressão e deixou de correr. Passei a olhar com satisfação as garrafas de Água do Luso - com alguma tranquilidade, diga-se - enquanto ouvia os murros pelo interior da porta de um dos elevadores, batidos por uma voz feminina que gritava por socorro.
As caldeiras e esquentadores tornaram-se inteligentes e já não dependem de um ignóbil fósforo a desfazer-se no preto da ponta queimada para entrarem em funcionamento.
As escadas estão enclausuradas com portas corta-fogo e, espaços menores, não são habitualmente utilizadas.
Tudo isto funciona bem enquanto a sub-estação da EDP não entra em colapso. A manhã de hoje provou-me uma realidade esquecida: a fragilidade de todo este mundo de sofisticação. Enquanto me decidia a tomar banho de água fria, a água perdeu pressão e deixou de correr. Passei a olhar com satisfação as garrafas de Água do Luso - com alguma tranquilidade, diga-se - enquanto ouvia os murros pelo interior da porta de um dos elevadores, batidos por uma voz feminina que gritava por socorro.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Ideias para estes dias
Alberto João Jardim, com a proposta de revisão constitucional que propõe, quer tornar a Madeira quase independente. A Ideia é em sim mesmo uma violência. Retiremos a palavra quase.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento - Luz Reveladora
quarta-feira, 15 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
A foto e o quotidiano.
António Costa, fez-se acompanhar pelo seu número dois, Manuel Salgado.
José Sá Fernandes, chegou com o seu apoiante, Gonçalo Ribeiro Teles.
Normalmente é assim.
Este encontro para firmar o acordo com vista às eleições autárquicas de Lisboa não é muito diferente, na aparência, do que se passa regularmente: os políticos de braço dado com os arquitectos - para mostrar serviço e que se preocupam com as questões da paisagem urbana - para posar para a fotografia, num primeiro momento, rapidamente esquecido na prática quotidiana.
Desejo que Manuel Salgado imponha diferenças e ambiciono o seu efeito multiplicador.
José Sá Fernandes, chegou com o seu apoiante, Gonçalo Ribeiro Teles.
Normalmente é assim.
Este encontro para firmar o acordo com vista às eleições autárquicas de Lisboa não é muito diferente, na aparência, do que se passa regularmente: os políticos de braço dado com os arquitectos - para mostrar serviço e que se preocupam com as questões da paisagem urbana - para posar para a fotografia, num primeiro momento, rapidamente esquecido na prática quotidiana.
Desejo que Manuel Salgado imponha diferenças e ambiciono o seu efeito multiplicador.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Porque sim
Não gosto de linguagem cifrada. De coisas meias ditas. De mensagens mandadas para o éter. Não as agarro. Intrigo-me sem lhes apanhar o sentido. Fico irritado.
Gosto da reserva. Gosto de não ver o que não é comigo. Gosto de ficar à parte.
Gosto de papel. Gosto de exemplares únicos. Gosto do que, ao destruir-se, se sabe que não é recuperável.
Não gosto de undo.
Gosto do que é meu e permanece. E guardo. E não exponho.
Gosto da reserva. Gosto de não ver o que não é comigo. Gosto de ficar à parte.
Gosto de papel. Gosto de exemplares únicos. Gosto do que, ao destruir-se, se sabe que não é recuperável.
Não gosto de undo.
Gosto do que é meu e permanece. E guardo. E não exponho.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
António Segadães Tavares à TSF
''(...) muitos arquitectos não trabalham para as necessidades da arquitectura e dos seus clientes, mas para a publicação na revista, para aparecerem nas revistas e para se canditarem a 50 prémios.''
Exagero ou verdade? Mal estar entre engenheiros e arquitectos? Apenas uma desvio determinado pelos autores?
Exagero ou verdade? Mal estar entre engenheiros e arquitectos? Apenas uma desvio determinado pelos autores?
terça-feira, 7 de julho de 2009
Sem sentido preciso
O mundo está louco. As pessoas frontalizadas. Tudo sem tino. O Norte foi-se.
As atitudes bizarras sucedem-se. A palavras desatinam sem encontrar sentido.
O que se passa aqui?
Que insanidade é esta?
Reset.
As atitudes bizarras sucedem-se. A palavras desatinam sem encontrar sentido.
O que se passa aqui?
Que insanidade é esta?
Reset.
Aforismos Roubados
''Tudo que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais.''
Conrad
Conrad
Imagens de apropriação espacial
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Detalhes de divina beleza
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Corpo de mulher
Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,
assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.
Pablo Neruda
assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.
Pablo Neruda
quarta-feira, 1 de julho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Merecido reconhecimento
"Coração Independente Dourado", uma peça de Joana Vasconcelos, vai a leilão em Londres amanhã, com um valor estimado entre 94 mil e 140 mil euros.
in Público online
in Público online
Sabedoria Jesuíta
''A medida da vida não é dada pela idade biológica; o amor é a medida da vida. Porque só vive quem ama.''
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A normalidade acontece
Portugal: rendimento per capita correspondente a 75% da média da União Europeia. Atrás de nós, em 27 países, apenas a Eslováquia, com 72%. Como diria Cândido, ''Tudo vai bem no melhor dos Mundos''.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A todos os pantufeiros deste mundo
«Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.»
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Esteves Cardoso
Argumentação do momento
Argumentação do momento
Deve ou não haver coincidência de datas das eleições?
O autismo ''s. bentiano'' divide-se segundo razões de natureza económica ou de clareza discursiva, alinhado, contudo, por uma total indiferença em relação ao que se passa no país. O malabarismo das palavras continua.
Deve ou não haver coincidência de datas das eleições?
O autismo ''s. bentiano'' divide-se segundo razões de natureza económica ou de clareza discursiva, alinhado, contudo, por uma total indiferença em relação ao que se passa no país. O malabarismo das palavras continua.
A propósito de palavras
O AMOR é para cumprir.
Histórias impossíveis são bonitas na literatura e no cinema, mas não na vida. Fazem pensar no que se perde com barreiras e muros à felicidade, mas não as quero no meu universo. Eu prefiro dizer: que seja infinito enquanto dure. Não fujo da vida e do amor para o tornar mais heróico. No fim da linha, os heróis olham para quem teve uma vida normal, mas cheia - plena - lamentando não terem sido menos singulares.
Mais uma vez, prefiro ficar com Vinicius e com a proximidade do sorriso da mulher amada.
Sim
Eu poderia fugir, meu amor
Eu poderia partir
Sem dizer pra onde vou
Nem se devo voltar
Sim
Eu poderia morrer de dor
Eu poderia morrer
E me serenizar
Ah
Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa sombria
Uma casa vazia
Sem luz nem calor
Mas
Quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir iluminar nosso amor
Vinicius de Moraes
Histórias impossíveis são bonitas na literatura e no cinema, mas não na vida. Fazem pensar no que se perde com barreiras e muros à felicidade, mas não as quero no meu universo. Eu prefiro dizer: que seja infinito enquanto dure. Não fujo da vida e do amor para o tornar mais heróico. No fim da linha, os heróis olham para quem teve uma vida normal, mas cheia - plena - lamentando não terem sido menos singulares.
Mais uma vez, prefiro ficar com Vinicius e com a proximidade do sorriso da mulher amada.
Sim
Eu poderia fugir, meu amor
Eu poderia partir
Sem dizer pra onde vou
Nem se devo voltar
Sim
Eu poderia morrer de dor
Eu poderia morrer
E me serenizar
Ah
Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa sombria
Uma casa vazia
Sem luz nem calor
Mas
Quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir iluminar nosso amor
Vinicius de Moraes
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Cenários Inusitados
O que se passa com esta cidade? Maldição?
A Igreja de Santa Cruz é Monumento Nacional e foi classificada como Panteão Nacional há poucos anos por intervenção directa da Câmara Municipal de Coimbra. Incomprensível, a afixação de 1 painel suspenso por cabos em frente da sua fachada e - cereja no topo do bolo - ao nível da bandeira de Portugal.
Mesmo ao lado do edifício dos Paços do Concelho!
A Igreja de Santa Cruz é Monumento Nacional e foi classificada como Panteão Nacional há poucos anos por intervenção directa da Câmara Municipal de Coimbra. Incomprensível, a afixação de 1 painel suspenso por cabos em frente da sua fachada e - cereja no topo do bolo - ao nível da bandeira de Portugal.
Mesmo ao lado do edifício dos Paços do Concelho!
Claro que sim, Jay.
A ponte pedonal projectada por Cecil Balmond e Adão da Fonseca está a iniciar o processo de ruína: vidros partidos; as guardas de vidro parecem um biotério, tal é a quantidade de formas de vida e de lixo que ali coexistem; metade das armaduras (lâmpadas e suportes) foram-se, migraram ou estão a banhos.
Lamentável!
A propósito da qualidade de desenho dessa ponte, no Jornal The Independent, ''Jay Merrick, chega mesmo a questionar se a nova ponte não representará o arranque de uma nova era em Coimbra (...)*''... Claro que sim, Jay. Tudo está diferente!
*fonte: Arquitectura.pt, Críticos ingleses elogiam ponte Pedro e Inês em Coimbra como “ícone da arquitectura”
Lamentável!
A propósito da qualidade de desenho dessa ponte, no Jornal The Independent, ''Jay Merrick, chega mesmo a questionar se a nova ponte não representará o arranque de uma nova era em Coimbra (...)*''... Claro que sim, Jay. Tudo está diferente!
*fonte: Arquitectura.pt, Críticos ingleses elogiam ponte Pedro e Inês em Coimbra como “ícone da arquitectura”
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Aforismos Roubados.
''A nudez, sozinha, não é assim tão erótica; precisa que lhe ponham um trapinho em cima. Precisa de um filtro. Pode ser puramente visual, mas deve estar lá. Sensualidade é o obstáculo.''
Faíza Hayta, Revista Xis de 15.07.2006
Faíza Hayta, Revista Xis de 15.07.2006
Mulher Nua
''Limite exacto da vida,
perfeito continente,
harmonia formada, único fim,
definição real da beleza,
mulher nua (...)''
La Mujer Desnuda , Juan Ramón Jiménez
perfeito continente,
harmonia formada, único fim,
definição real da beleza,
mulher nua (...)''
La Mujer Desnuda , Juan Ramón Jiménez
Beleza urbana
Isto é património. Criatividade pura. Desenho a sério. Poesia.
Não acontece em todas a cidades, mesmo nas mais cosmopolitas.
Não sei se o mais bonito não serão mesmo as setinhas reflectoras. proponho o mesmo na Praça da República e na Praça 8 de Maio - devem ser os únicos locais onde ainda não existem. Já estou a ver: em frente da fachada da Igreja de Santa Cruz para orientar o trânsito de cargas e descargas.
Não acontece em todas a cidades, mesmo nas mais cosmopolitas.
Não sei se o mais bonito não serão mesmo as setinhas reflectoras. proponho o mesmo na Praça da República e na Praça 8 de Maio - devem ser os únicos locais onde ainda não existem. Já estou a ver: em frente da fachada da Igreja de Santa Cruz para orientar o trânsito de cargas e descargas.
Seis pontos para um bom início de fim-de-semana
1.adormecer com a janela aberta;
2.sentir na pele a brisa que entra no quarto;
3.convocar um sonho que embale e devolva a paz da inocência;
4.ficar na mesma posição sem contar as horas;
5.acordar com os pés fora da cama;
6.levantar, caminhar para o espelho e abrir um sorriso.
2.sentir na pele a brisa que entra no quarto;
3.convocar um sonho que embale e devolva a paz da inocência;
4.ficar na mesma posição sem contar as horas;
5.acordar com os pés fora da cama;
6.levantar, caminhar para o espelho e abrir um sorriso.
Não sei comentar.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Detalhes de divina beleza - Largo de Santana
Não posso deixar de exultar com a identificação toponímica, maravilhosa, fantástica de uma beleza extrema, da igualmente fantástica e maravilhosa, de uma beleza divina, género-de-rotunda que está a surgir à porta da Penitenciária.
O Largo de Santana não poderia ter ficado marcado de uma forma mais singular. O absoluto afinal existe e quem o quiser ver bastará que se desloque a essa local.
O Largo de Santana não poderia ter ficado marcado de uma forma mais singular. O absoluto afinal existe e quem o quiser ver bastará que se desloque a essa local.
Detalhes de divina beleza
Imagens soltas de um mundo em movimento - Opostos
Gosto como o afago no estuque branco ou o calor do soalho contrasta com o toque irregular da rocha. Gosto do oposição em que assenta o binómio interior/exterior. Gosto de diferenças. Gosto de as perceber e sentir, de as cheirar e experimentar, que me emocionem.
Gosto da experiência global da arquitectura. Gosto do pequeno mundo que propõe em sintonia total com a vida. Só essa me interessa.
Gosto da experiência global da arquitectura. Gosto do pequeno mundo que propõe em sintonia total com a vida. Só essa me interessa.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento - Luz Modeladora
Revitalização das Cidades
Novo pacote legislativo. Anunciada a intenção de promover a recuperação das cidades não só no refere ao edificado, mas abrangendo, também, os espaços públicos. Espera-se uma importante mudança de mentalidades, já que muita da degradação dos espaços urbanos não se deve a falta de instrumentos legais ou de dinheiro, mas a puro desleixo ou falta de gosto.
Coimbra é um bom caso de estudo, com imensos exemplos de falta de actuação injustificada, de desperdício de dinheiros públicos ou de falta de cuidado: ajardinamento de rotundas e de canteiros de reduzida dimensão?... rotundas de gosto e geometria duvidosos, para mais desnecesárias?... canteiros de 10 m2 em separadores ao abandono em espaços nobres da cidade?... construção de baías de estacionamento à pressa e sem articulação com os espaços onde se inserem?... outdoors das europeias a ocultar os Arcos do Jardim?... ''tendas'' regularmente montadas na Praça da República?... falta de passeios e alcatrão a bater nas paredes no edificado em algumas ruas em importantes zonas da cidade?... placas de indicação de curva e rails no interior do espaço urbano?... intervenções em ruas declaradamente sem projecto?... prioridade ao automóvel, sem qualquer tipo de consideração pelo peão e pelos espaços de e para a cidadania?... Podem parecer exemplos escolhidos a dedo mas são generalizados o suficiente para indicar um modo de pensar a cidade (ou de não o fazer). A lista, com efeito, é imensa e reveladora- de obras mal pensadas, desarticuladas, de desperdício e de falta de gosto, ou de falta de actuação com medidas que exigiriam muito poucos meios - e só uma completa revolução pode modificar o estado a que se chegou. Esperemos que, de facto, chegue. Tanto mais que, em Coimbra, o efeito Expo98 não se fez de todo sentir. Nem levemente.
Coimbra é um bom caso de estudo, com imensos exemplos de falta de actuação injustificada, de desperdício de dinheiros públicos ou de falta de cuidado: ajardinamento de rotundas e de canteiros de reduzida dimensão?... rotundas de gosto e geometria duvidosos, para mais desnecesárias?... canteiros de 10 m2 em separadores ao abandono em espaços nobres da cidade?... construção de baías de estacionamento à pressa e sem articulação com os espaços onde se inserem?... outdoors das europeias a ocultar os Arcos do Jardim?... ''tendas'' regularmente montadas na Praça da República?... falta de passeios e alcatrão a bater nas paredes no edificado em algumas ruas em importantes zonas da cidade?... placas de indicação de curva e rails no interior do espaço urbano?... intervenções em ruas declaradamente sem projecto?... prioridade ao automóvel, sem qualquer tipo de consideração pelo peão e pelos espaços de e para a cidadania?... Podem parecer exemplos escolhidos a dedo mas são generalizados o suficiente para indicar um modo de pensar a cidade (ou de não o fazer). A lista, com efeito, é imensa e reveladora- de obras mal pensadas, desarticuladas, de desperdício e de falta de gosto, ou de falta de actuação com medidas que exigiriam muito poucos meios - e só uma completa revolução pode modificar o estado a que se chegou. Esperemos que, de facto, chegue. Tanto mais que, em Coimbra, o efeito Expo98 não se fez de todo sentir. Nem levemente.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Imagens soltas de um mundo em movimento
A beleza decadente de uma ruína é intrigante. Já tudo está fora de sítio; a perfeição de uma ordem clássica espalha-se pelo chão; as paredes perderam o revestimento de mármore; o espaço apenas se adivinha; o dramatismo é acentuado pela presença dominante de uma árvore, a composição torna-se aleatória sob a acção do tempo, superior à do homem.
Mas Souto de Moura tem razão. Esse mundo desfeito oferece uma beleza intensa.
Monte Palatino; Roma.
Mas Souto de Moura tem razão. Esse mundo desfeito oferece uma beleza intensa.
Monte Palatino; Roma.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Para lá da utopia
Sim, a perfeição existe.
Sequeira Costa, a Orquestra Nacional do Porto e a direcção de Cristoph Konig, na Casa da Música e numa tarde luminosa, aparentemente sem qualquer esforço e como se tratasse da coisa mais natural deste mundo, deixaram a prova. está no concerto para piano e orquestra nº 2 em Dó menor. Sublime!
Confesso sentir alguma inveja dos músicos. Tudo se reúne para que o resultado do seu trabalho seja o mais elevado possível. O público, parte fundamental, não só o deseja - exige-o! Os instrumentos são os melhores. As salas de actuação, com todas as condições. Todos os executantes, com o mesmo nivel de exigência. A direcção musical, com um esforço para tirar todo o partido da beleza das peças e da qualidade dos músicos.
Que apreoveitemos essa oportunidade do Belo.
Sequeira Costa, a Orquestra Nacional do Porto e a direcção de Cristoph Konig, na Casa da Música e numa tarde luminosa, aparentemente sem qualquer esforço e como se tratasse da coisa mais natural deste mundo, deixaram a prova. está no concerto para piano e orquestra nº 2 em Dó menor. Sublime!
Confesso sentir alguma inveja dos músicos. Tudo se reúne para que o resultado do seu trabalho seja o mais elevado possível. O público, parte fundamental, não só o deseja - exige-o! Os instrumentos são os melhores. As salas de actuação, com todas as condições. Todos os executantes, com o mesmo nivel de exigência. A direcção musical, com um esforço para tirar todo o partido da beleza das peças e da qualidade dos músicos.
Que apreoveitemos essa oportunidade do Belo.
Imagens soltas de um mundo em movimento
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Siza em Cantanhede e 68 desenhos

Já tinha lido, contado pelo próprio Castanheira.
Uma noite, um encontro de amigos, em casa do narrador da história. E a propósito de nunca ter feito o retrato de Nuno Higino, Siza inicia a viagem. Um após outro, enche o caderno: 68 desenhos.
Parte desse registo, de beleza invulgar, está agora exposto no Museu da Pedra, em Cantanhede. Junta-se-lhe um conjunto, extenso, de objectos e de obras, bem documentadas, por esquissos, desenhos de projecto, maquetes e fotografias. Algumas já conhecidas, outras nada - ou completamente desconhecidas. Não me sai da retina o pequeno mas maravilhoso moínho de produção de papel, em Leiria.
Notícia do dia
Amanhã, sábado, dia 23, festa comemorativa dos 20 anos da Licenciatura em Arquitectura do Darq da Fauldade de Ciências e Tecnologia da Universidade.
Será às 13h00, no claustro do Colégio das Artes.
Será às 13h00, no claustro do Colégio das Artes.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Que mundo e justiça esta...
Nestas coisas da justiça há qualquer coisa que me escapa.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.
Que mundo este que convenciona normas que se sobrepõem ao bom senso e aos mais elementares direitos de uma criança. Para que serve um direito que atenta contra um ser indefeso que não faz nenhuma ideia das convenções que é suposto defenderem-na de um mundo que não tem contemmplações na sua crueldade. As vítimas por aqui parecem estar sempre do lado mais fraco da corda.
A história vem hoje relatada no Público e é simples. Uma mãe russa, um pai ucraniano a trabalhar fora de Portugal. Uma criança, com falta de condições para ser criada e educada pela mãe biológica, com problemas de alcoolismo e dedicada à prostituição, é por esta entrega para adopção, no reconhecimento das suas próprias limitações para ser uma mãe capaz.
Uma família de Barcelos acolhe a menina, educa-a e dá-lhe amor. Agora, passados anos, a mãe reclama a criança e um tribunal dá-lhe razão. Ontem é entregue para ser ''deportada '' para um país distante de que nada sabe. É, assim, arrancada a quem ama, no meio de lágrimas e dramatismo, para ser remetida para junto da avó materna de quem parece nada conhecer.
Que justiça é esta, que considera uma criança um ser reclamável ao sabor das conveniências pessoais e do evoluir das vontades.
Os objectos são tratáveis desse modo. Uma criança quer bem a quem dela trata quando necessita e não pode ser sujeita a essa violência, mesmo que o processo por que a mãe passou no momento de se separar dela tenha sido duro e igualmente violento.
Testemunhos do tempo em movimento
segunda-feira, 18 de maio de 2009
No siléncio, o que importa...
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Retrato Ardente, Eugénio de Andrade
in Obscuro Domínio
Aforismos roubados
''Portugal é um país em adaptação.''
Cidadão em declarações a um noticiário televisivo, fazendo notar a condição europeia incompleta do país, a propósito da colocação dos contentores de um ecoponto numa paragem de autocarros, na Baixa da Banheira.
Cidadão em declarações a um noticiário televisivo, fazendo notar a condição europeia incompleta do país, a propósito da colocação dos contentores de um ecoponto numa paragem de autocarros, na Baixa da Banheira.
domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
36 anos DEPOIS!
Ao fim de quase quatro décadas, Portugal pôs fim a um regime de excepção, descontextualizado, desajustado, bárbaro e injusto.
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
A proposta de lei 116/10 foi aprovada na comissão parlamentar de Obras Públicas e, com ela, chegará a revogação do Decreto-Lei 73/73.
Resultado prático? O exercício da arquitectura será consagrado aos arquitectos, tal como em qualquer país civilizado.
A medida só terá efeitos daqui a 5 anos, mas é uma óptima notícia. É a notícia do dia!
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