...que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo e a liberdade
é uma maluca que sabe quanto vale um beijo!...
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Mundo imperfeito
Não percebo muito de quotas. Sei que deixei de as pagar quando me desinteressei por futebol, farto de tanta incompetência, apesar das verbas implicadas em contratações, ''plantéis'' e épocas. Mas quanto a pescas, frotas pesqueiras, abate de barcos e produção pecuária ou agrícola, não consigo entender. Já se sabe que os produtores deitam fruta fora, que as explorações se desfazem do leite, que a PAC subsidia a produção ou a sua ausência, que os países mais fracos são mesmo o elo mais fraco perante as regras de comércio mundial impostas de cima para baixo; contudo, não se imagina a totalidade. Já se sabe que tudo se joga entre nascer do lado certo ou errado da vida. Tudo porque o bem estar de uns, condena os restantes. Tudo porque é importante controlar e manter os preços. É fácil pensar nisto enquanto a questão é abstracta. O que não se vê não se sente. Mas quando passa para a retina, a realidade torna-se mais dura.
Quénia; lixeira de Nairóbi. Perto vive, como muitos outros, milhares, uma mãe. É naquele local que procura diariamente alimento e forma de sustento. Os restos sáo a sua forma de vida. Todos os dias atravessa, com o filho, descalços, o rio e a cólera que nele se aloja. O destino é sempre o mesmo: os enormes montes de lixo onde se junta aos milhares de pessoas que buscam o mesmo. No local, só mesmo quem nada tem e os abutres que rodeiam os humanos na mesma procura de alimentos. O momento mais aguardado é a chegada do camião de lixo proveniente do aeroporto. Tudo é resgatado quando o veículo se imobiliza: pratos e talheres de plástico, restos de comida. Do meio da multidão, emerge a imagem de um homem que come, directamente das mãos, o que aparenta ser esparguete. Come no meio da confusão e do assalto ao camião que acaba de abrir as portas da caixa de carga, para efectuar o despejo. Todos se amontoam, mas as hierarquias imperam. Primeiro escolhem os chefes dos gangs. Depois, os outros ficam com as sobras das sobras. Finda a procura, a mãe regressa à barraca com o filho, atravessando de novo a cólera. Conseguiu centenas de sacos de plástico que, depois de lavados, venderá na feira, em Nairóbi. A sessão valeu-lhe também muitos bombons. O aspecto é o que se imagina: uma massa informe, esmagada, indeterminada na forma. As crianças comem-nos; a mãe serve-se deles como adoçante. A mãe está contente. Nunca conheceu outra realidade. Não sonha com outra. Está acostumada a esta rotina e modo de vida. Dá graças a Deus por viver perto da lixeira. Se esta se mudasse, a mãe e outros, como ela, iam atrás. Na cidade, tudo se vende, na feira, depois de arrancado à lixeira: brinquedos partidos; objectos incompletos; restos de pão ensacados.
A União Europeia seria um lugar perfeito, com um perfeito controlo dos seus excedentes de produção, com perfeitos subsídios para para nada produzir, com uma tranqulidade perfeita, se não não houvesse televisões e os noticiários não expusessem, em reportagem, como ontem, o que se passa fora das suas fronteiras e que o mundo não é assim tão idílico.
Quénia; lixeira de Nairóbi. Perto vive, como muitos outros, milhares, uma mãe. É naquele local que procura diariamente alimento e forma de sustento. Os restos sáo a sua forma de vida. Todos os dias atravessa, com o filho, descalços, o rio e a cólera que nele se aloja. O destino é sempre o mesmo: os enormes montes de lixo onde se junta aos milhares de pessoas que buscam o mesmo. No local, só mesmo quem nada tem e os abutres que rodeiam os humanos na mesma procura de alimentos. O momento mais aguardado é a chegada do camião de lixo proveniente do aeroporto. Tudo é resgatado quando o veículo se imobiliza: pratos e talheres de plástico, restos de comida. Do meio da multidão, emerge a imagem de um homem que come, directamente das mãos, o que aparenta ser esparguete. Come no meio da confusão e do assalto ao camião que acaba de abrir as portas da caixa de carga, para efectuar o despejo. Todos se amontoam, mas as hierarquias imperam. Primeiro escolhem os chefes dos gangs. Depois, os outros ficam com as sobras das sobras. Finda a procura, a mãe regressa à barraca com o filho, atravessando de novo a cólera. Conseguiu centenas de sacos de plástico que, depois de lavados, venderá na feira, em Nairóbi. A sessão valeu-lhe também muitos bombons. O aspecto é o que se imagina: uma massa informe, esmagada, indeterminada na forma. As crianças comem-nos; a mãe serve-se deles como adoçante. A mãe está contente. Nunca conheceu outra realidade. Não sonha com outra. Está acostumada a esta rotina e modo de vida. Dá graças a Deus por viver perto da lixeira. Se esta se mudasse, a mãe e outros, como ela, iam atrás. Na cidade, tudo se vende, na feira, depois de arrancado à lixeira: brinquedos partidos; objectos incompletos; restos de pão ensacados.
A União Europeia seria um lugar perfeito, com um perfeito controlo dos seus excedentes de produção, com perfeitos subsídios para para nada produzir, com uma tranqulidade perfeita, se não não houvesse televisões e os noticiários não expusessem, em reportagem, como ontem, o que se passa fora das suas fronteiras e que o mundo não é assim tão idílico.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Chill out session
Ana Tostões deu tréguas. A arquitectura Portuguesa 1920-1970, para trás. Texto em suspenso.
Forças a recuperar entre o descanso dos dedos e um som para retemperar.
Forças a recuperar entre o descanso dos dedos e um som para retemperar.
Pensamento do momento...
Sob o cinzento que cobre a cidade: felizmente em Coimbra. Resta o contentamento de um céu mais impiedoso a Norte, no Porto.
A estupidez de um pensamento estúpido
Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é (Alberto Caeiro, 1915).
Nada de mais estúpido e fora de contexto. Só um tipo que nunca tenha feito amor, que se julga várias pessoas, é capaz de o dizer.
É preciso sentir. Não basta exprimir pensamentos racionais sobre a racionalidade dos elementos. A natureza como ela é não é para aqui chamada, O que me importa é o que vejo para além - ou antes - das suas regras intrínsecas. Não me interessa dissecá-la neste momento em que a humidade não larga cada molécula que respiro. Tudo de belo que se possa fazer sob um tecto de água está-me vedado no momento. O sentido não se cumpre. Gene Kelly não é para aqui chamado. As serenatas são um outro assunto. E a Diana, A Krall, que não pára de preencher o espaço, insiste em reforçar o céu que não abre.
Resta a certeza de que depois da tempestade vem a bonança. Vem sempre. Nem que seja à força. Aqui onde me sento, as palavras não o dizem. Mas o que interessam as palavras que escrevo? São signos, alinhados, com significantes que pouco me interessam agora.
O que eu quero é um raio de sol e uma brancura luminosa. Rasgada.
Ambos existem; cada um como é (Alberto Caeiro, 1915).
Nada de mais estúpido e fora de contexto. Só um tipo que nunca tenha feito amor, que se julga várias pessoas, é capaz de o dizer.
É preciso sentir. Não basta exprimir pensamentos racionais sobre a racionalidade dos elementos. A natureza como ela é não é para aqui chamada, O que me importa é o que vejo para além - ou antes - das suas regras intrínsecas. Não me interessa dissecá-la neste momento em que a humidade não larga cada molécula que respiro. Tudo de belo que se possa fazer sob um tecto de água está-me vedado no momento. O sentido não se cumpre. Gene Kelly não é para aqui chamado. As serenatas são um outro assunto. E a Diana, A Krall, que não pára de preencher o espaço, insiste em reforçar o céu que não abre.
Resta a certeza de que depois da tempestade vem a bonança. Vem sempre. Nem que seja à força. Aqui onde me sento, as palavras não o dizem. Mas o que interessam as palavras que escrevo? São signos, alinhados, com significantes que pouco me interessam agora.
O que eu quero é um raio de sol e uma brancura luminosa. Rasgada.
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