
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Mundo imperfeito
Não percebo muito de quotas. Sei que deixei de as pagar quando me desinteressei por futebol, farto de tanta incompetência, apesar das verbas implicadas em contratações, ''plantéis'' e épocas. Mas quanto a pescas, frotas pesqueiras, abate de barcos e produção pecuária ou agrícola, não consigo entender. Já se sabe que os produtores deitam fruta fora, que as explorações se desfazem do leite, que a PAC subsidia a produção ou a sua ausência, que os países mais fracos são mesmo o elo mais fraco perante as regras de comércio mundial impostas de cima para baixo; contudo, não se imagina a totalidade. Já se sabe que tudo se joga entre nascer do lado certo ou errado da vida. Tudo porque o bem estar de uns, condena os restantes. Tudo porque é importante controlar e manter os preços. É fácil pensar nisto enquanto a questão é abstracta. O que não se vê não se sente. Mas quando passa para a retina, a realidade torna-se mais dura.
Quénia; lixeira de Nairóbi. Perto vive, como muitos outros, milhares, uma mãe. É naquele local que procura diariamente alimento e forma de sustento. Os restos sáo a sua forma de vida. Todos os dias atravessa, com o filho, descalços, o rio e a cólera que nele se aloja. O destino é sempre o mesmo: os enormes montes de lixo onde se junta aos milhares de pessoas que buscam o mesmo. No local, só mesmo quem nada tem e os abutres que rodeiam os humanos na mesma procura de alimentos. O momento mais aguardado é a chegada do camião de lixo proveniente do aeroporto. Tudo é resgatado quando o veículo se imobiliza: pratos e talheres de plástico, restos de comida. Do meio da multidão, emerge a imagem de um homem que come, directamente das mãos, o que aparenta ser esparguete. Come no meio da confusão e do assalto ao camião que acaba de abrir as portas da caixa de carga, para efectuar o despejo. Todos se amontoam, mas as hierarquias imperam. Primeiro escolhem os chefes dos gangs. Depois, os outros ficam com as sobras das sobras. Finda a procura, a mãe regressa à barraca com o filho, atravessando de novo a cólera. Conseguiu centenas de sacos de plástico que, depois de lavados, venderá na feira, em Nairóbi. A sessão valeu-lhe também muitos bombons. O aspecto é o que se imagina: uma massa informe, esmagada, indeterminada na forma. As crianças comem-nos; a mãe serve-se deles como adoçante. A mãe está contente. Nunca conheceu outra realidade. Não sonha com outra. Está acostumada a esta rotina e modo de vida. Dá graças a Deus por viver perto da lixeira. Se esta se mudasse, a mãe e outros, como ela, iam atrás. Na cidade, tudo se vende, na feira, depois de arrancado à lixeira: brinquedos partidos; objectos incompletos; restos de pão ensacados.
A União Europeia seria um lugar perfeito, com um perfeito controlo dos seus excedentes de produção, com perfeitos subsídios para para nada produzir, com uma tranqulidade perfeita, se não não houvesse televisões e os noticiários não expusessem, em reportagem, como ontem, o que se passa fora das suas fronteiras e que o mundo não é assim tão idílico.
Quénia; lixeira de Nairóbi. Perto vive, como muitos outros, milhares, uma mãe. É naquele local que procura diariamente alimento e forma de sustento. Os restos sáo a sua forma de vida. Todos os dias atravessa, com o filho, descalços, o rio e a cólera que nele se aloja. O destino é sempre o mesmo: os enormes montes de lixo onde se junta aos milhares de pessoas que buscam o mesmo. No local, só mesmo quem nada tem e os abutres que rodeiam os humanos na mesma procura de alimentos. O momento mais aguardado é a chegada do camião de lixo proveniente do aeroporto. Tudo é resgatado quando o veículo se imobiliza: pratos e talheres de plástico, restos de comida. Do meio da multidão, emerge a imagem de um homem que come, directamente das mãos, o que aparenta ser esparguete. Come no meio da confusão e do assalto ao camião que acaba de abrir as portas da caixa de carga, para efectuar o despejo. Todos se amontoam, mas as hierarquias imperam. Primeiro escolhem os chefes dos gangs. Depois, os outros ficam com as sobras das sobras. Finda a procura, a mãe regressa à barraca com o filho, atravessando de novo a cólera. Conseguiu centenas de sacos de plástico que, depois de lavados, venderá na feira, em Nairóbi. A sessão valeu-lhe também muitos bombons. O aspecto é o que se imagina: uma massa informe, esmagada, indeterminada na forma. As crianças comem-nos; a mãe serve-se deles como adoçante. A mãe está contente. Nunca conheceu outra realidade. Não sonha com outra. Está acostumada a esta rotina e modo de vida. Dá graças a Deus por viver perto da lixeira. Se esta se mudasse, a mãe e outros, como ela, iam atrás. Na cidade, tudo se vende, na feira, depois de arrancado à lixeira: brinquedos partidos; objectos incompletos; restos de pão ensacados.
A União Europeia seria um lugar perfeito, com um perfeito controlo dos seus excedentes de produção, com perfeitos subsídios para para nada produzir, com uma tranqulidade perfeita, se não não houvesse televisões e os noticiários não expusessem, em reportagem, como ontem, o que se passa fora das suas fronteiras e que o mundo não é assim tão idílico.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Chill out session
Ana Tostões deu tréguas. A arquitectura Portuguesa 1920-1970, para trás. Texto em suspenso.
Forças a recuperar entre o descanso dos dedos e um som para retemperar.
Forças a recuperar entre o descanso dos dedos e um som para retemperar.
Pensamento do momento...
Sob o cinzento que cobre a cidade: felizmente em Coimbra. Resta o contentamento de um céu mais impiedoso a Norte, no Porto.
A estupidez de um pensamento estúpido
Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é (Alberto Caeiro, 1915).
Nada de mais estúpido e fora de contexto. Só um tipo que nunca tenha feito amor, que se julga várias pessoas, é capaz de o dizer.
É preciso sentir. Não basta exprimir pensamentos racionais sobre a racionalidade dos elementos. A natureza como ela é não é para aqui chamada, O que me importa é o que vejo para além - ou antes - das suas regras intrínsecas. Não me interessa dissecá-la neste momento em que a humidade não larga cada molécula que respiro. Tudo de belo que se possa fazer sob um tecto de água está-me vedado no momento. O sentido não se cumpre. Gene Kelly não é para aqui chamado. As serenatas são um outro assunto. E a Diana, A Krall, que não pára de preencher o espaço, insiste em reforçar o céu que não abre.
Resta a certeza de que depois da tempestade vem a bonança. Vem sempre. Nem que seja à força. Aqui onde me sento, as palavras não o dizem. Mas o que interessam as palavras que escrevo? São signos, alinhados, com significantes que pouco me interessam agora.
O que eu quero é um raio de sol e uma brancura luminosa. Rasgada.
Ambos existem; cada um como é (Alberto Caeiro, 1915).
Nada de mais estúpido e fora de contexto. Só um tipo que nunca tenha feito amor, que se julga várias pessoas, é capaz de o dizer.
É preciso sentir. Não basta exprimir pensamentos racionais sobre a racionalidade dos elementos. A natureza como ela é não é para aqui chamada, O que me importa é o que vejo para além - ou antes - das suas regras intrínsecas. Não me interessa dissecá-la neste momento em que a humidade não larga cada molécula que respiro. Tudo de belo que se possa fazer sob um tecto de água está-me vedado no momento. O sentido não se cumpre. Gene Kelly não é para aqui chamado. As serenatas são um outro assunto. E a Diana, A Krall, que não pára de preencher o espaço, insiste em reforçar o céu que não abre.
Resta a certeza de que depois da tempestade vem a bonança. Vem sempre. Nem que seja à força. Aqui onde me sento, as palavras não o dizem. Mas o que interessam as palavras que escrevo? São signos, alinhados, com significantes que pouco me interessam agora.
O que eu quero é um raio de sol e uma brancura luminosa. Rasgada.
domingo, 10 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Ideias que circulam em mentes desinformadas
Ouve-se muito a ideia de que a praia é o triunfo do tédio, que não passa de inércia inútil, que nada se faz e nada varia. Pensamento mais irreal e fora do possível. Só de quem não anda informado.
Eu permito-me discordar e os pilotos que aterram em Saint Martin também. Pura adrelanina. Gozo extremo!
Eu permito-me discordar e os pilotos que aterram em Saint Martin também. Pura adrelanina. Gozo extremo!
Great Keith, grandes teclas.
Nada como o som deste grande pianista para desfrutar do sol que tudo inunda, enquanto, eu próprio, bato as minhas teclas. Até o texto me parece melhor. Tudo me parece melhor quando ouço Keith Jarrett. A música é, na verdade, a mais poderosa de todas as artes. Nenhuma outra produz o mesmo envolvimento, a mesma capacidade de nos deixar levar. Sempre me intrigou a possibilidade - quase impossibilidade, diria - de arrancar sons sublimes a um objecto inerte. Não o percebo! Desfruto-o e quase me basta.
Entre sons e uma sombra no chão
Entre um solo de piano, música da adolescência a evocar um outro músico, sento-me na cadeira de sempre, com os papéis costumeiros.
Melhor o sol que me quer tirar a esta tentativa de concentração sobre o texto. As sombras no exterior são perfeitas sob estes sons. As pessoas passam, o movimento exterior corre por si, dão sentido à cidade. Nada é mais perfeito do que a cidade na sua imperfeição e sempre incompleta: os sorrisos acontecem, as palavras trocam-se, a conversa acontece, os encontros produzem-se. A minha atenção daqui se solta e aqui regressa. Quando me escapo é a este lugar que retorno.
Neste momento, prendo-me de novo às linhas que pretendo minhas.
Para de novo me evadir quando a palavra for uma prisão.
Este som é libertador.
Fico.
Melhor o sol que me quer tirar a esta tentativa de concentração sobre o texto. As sombras no exterior são perfeitas sob estes sons. As pessoas passam, o movimento exterior corre por si, dão sentido à cidade. Nada é mais perfeito do que a cidade na sua imperfeição e sempre incompleta: os sorrisos acontecem, as palavras trocam-se, a conversa acontece, os encontros produzem-se. A minha atenção daqui se solta e aqui regressa. Quando me escapo é a este lugar que retorno.
Neste momento, prendo-me de novo às linhas que pretendo minhas.
Para de novo me evadir quando a palavra for uma prisão.
Este som é libertador.
Fico.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Que faço com isto?...
Não sei se salve o mundo ou se o deixe cair! Depende dos pedidos... estilo quando o telefone toca: pode dizer a frase e pedir o disco...
http://en.tackfilm.se/?id=1262802040296RA27
http://en.tackfilm.se/?id=1262802040296RA27
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Em trânsito, até terminar
Só a palavra certa é de utilidade pública, segundo o poeta.
É o que me vem à ideia, esperando ter encontrado os meios ajustados para me exprimir. Texto concluído, apenas a necessitar de pequenas correcções, mais de forma do que de conteúdo. Preciso retocar-lhe a pintura, diria; pô-lo em condições para se apresentar perante as pessoas. Está como se tivésse acabado de se vestir. A compostura virá a seguir, entre citações correctamente realizadas e uma ou outra gralha corrigida.
Até lá, virá uma pausa para almoço que fará esquecer estes três meses à volta de documentos muito mais velhos do que eu.
A escrita é um exercício terrível, mas vem-me ao corpo uma sensação de alivio.
Vou sair para almoçar! Os papéis, para trás!
...a seguir terei mais um percurso de meses. Será como o tecto da capela Sistina, pelo próprio Miguel Ângelo: terminará quando acabar!
É o que me vem à ideia, esperando ter encontrado os meios ajustados para me exprimir. Texto concluído, apenas a necessitar de pequenas correcções, mais de forma do que de conteúdo. Preciso retocar-lhe a pintura, diria; pô-lo em condições para se apresentar perante as pessoas. Está como se tivésse acabado de se vestir. A compostura virá a seguir, entre citações correctamente realizadas e uma ou outra gralha corrigida.
Até lá, virá uma pausa para almoço que fará esquecer estes três meses à volta de documentos muito mais velhos do que eu.
A escrita é um exercício terrível, mas vem-me ao corpo uma sensação de alivio.
Vou sair para almoçar! Os papéis, para trás!
...a seguir terei mais um percurso de meses. Será como o tecto da capela Sistina, pelo próprio Miguel Ângelo: terminará quando acabar!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Excentricidades, Excessos ou simplesmente DUBAI
Mais de mil apartamentos.
Cinquenta pisos de escritórios.
Mil e duzentas lojas: o maior centro comercial do mundo.
Vários hotéis de Luxo.
O primeiro Hotel Armani.
Cento e sessenta andares.
Piso 124, a 442 metros do solo: a vista a 360º permite um horizonte superior a 80 km.
No chão: 111 hectares envolventes de verde, espelhos de água, monumentos aquáticos (?) e um lago.
Altura superior a 800 metros: superação do anterior recorde detido pela torre Taipé 101, em Taiwan, com ''apenas'' 508 metros.
O disparate continua no Dubai. Desta vez com a inauguração, hoje, do Burj Dubai, o arranha-céus mais alto do mundo.
Cinquenta pisos de escritórios.
Mil e duzentas lojas: o maior centro comercial do mundo.
Vários hotéis de Luxo.
O primeiro Hotel Armani.
Cento e sessenta andares.
Piso 124, a 442 metros do solo: a vista a 360º permite um horizonte superior a 80 km.
No chão: 111 hectares envolventes de verde, espelhos de água, monumentos aquáticos (?) e um lago.
Altura superior a 800 metros: superação do anterior recorde detido pela torre Taipé 101, em Taiwan, com ''apenas'' 508 metros.
O disparate continua no Dubai. Desta vez com a inauguração, hoje, do Burj Dubai, o arranha-céus mais alto do mundo.
Lhasa. FIM!
A cantora Lhasa, com apenas 37 anos, não mais cantará. Permanecerão os seus albúns, maravilhosos, que lutarão contra a sua ausência.
Foi com La llorona que tomei contacto com a sua voz única. Essa permanecerá por meio das suas fantásticas interpretações.
Foi com La llorona que tomei contacto com a sua voz única. Essa permanecerá por meio das suas fantásticas interpretações.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Contra os equívocos
''As grandes ideias não provêm tanto de um grande intelecto, mas de um grande sentimento.''
Fiódor Dostoiévski, O Eterno Marido
Fiódor Dostoiévski, O Eterno Marido
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Citroën, Birkin e a impossibilidade do presente
Sempre me intrigaram as fotografias de um outro tempo. Acho-as mais sedutoras. São plasticamente mais belas. O distanciamento a coisas, objectos, comportamentos e imagens que já não são de agora dão um acréscimo de beleza.
Esta foto não seria a mesma com um anódino Audi A4 cabriolet ou com uma qualquer pop star contemporânea. Impossível.
Esta foto não seria a mesma com um anódino Audi A4 cabriolet ou com uma qualquer pop star contemporânea. Impossível.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Vertigo a chá e chocolate, a qualquer hora
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Simplesmente, essencial
''Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. [...] frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.''
António Lobo Antunes in Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002
António Lobo Antunes in Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Nós, como arquitectura
''Nós somos casas muito grandes, muito compridas. É como se morássemos apenas num quarto ou dois. Às vezes, por medo ou cegueira, não abrimos as nossas portas.''
António Lobo Antunes, Diário de Notícias, 09.11.2004
António Lobo Antunes, Diário de Notícias, 09.11.2004
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Aforismos Roubados
Todos os Olhares que incluem excluem.
João Leal, ''Entre o Vernáculo e o Híbrido: a partir do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal''
João Leal, ''Entre o Vernáculo e o Híbrido: a partir do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal''
Aforismos Roubados
Whatever space and time mean, place and occasion mean more.
For space in the image of man is place, and time in the image of man is occasion.
Aldo Van Eyck
For space in the image of man is place, and time in the image of man is occasion.
Aldo Van Eyck
domingo, 22 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
O céu como Limite
domingo, 15 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Linguagem hermética?!
Presto homenagem a uma amiga minha, transcrevendo uma das últimas frases que lhe ouvi, ainda hoje:
''quietismo tanático, por um futurismo nefelibata e por um utupismo voluntarista.''
Muito bom!
''quietismo tanático, por um futurismo nefelibata e por um utupismo voluntarista.''
Muito bom!
Design português
Vida confortável e higienizada
“Houve um tempo em que, nos amores e nas paixões, se falhava de forma espectacular. Com baba e ranho. Dava-se tudo. Saíamos rasgados de pele e coração. Valia sempre a pena, mesmo quando perdíamos o chão. Os erros, as faltas, as vertigens, o pé à beira do abismo existiam para nos lembrarmos de que somos humanos. A regra era cair e levantar, prontos para outra depois de lutos intensos, sofridos, partilhados. Agora tudo isso existe sob a forma de prevenção. Para nos lembrarmos do que não devemos fazer, dos riscos que não devemos correr, contra o vírus da solidão. Fomos ficando higienizados. Da alma à cama. Uma espécie de “se conduzir, não beba” para evitar os males do coração. Como se pudéssemos dizer “se amar, não se magoe”. Com o passar dos anos, aprendemos a contornar os sintomas a bem da decência, da pose e da anestesia geral ou local, conforme as necessidades. O importante é não dar parte de fracos. O ciúme é uma coisa moderna, para ser compreendida. A discussão acalorada está fora de moda. A vingança é um prato que não se serve nem frio nem quente nas relações mais conceituadas. É coisa do povo, ementa de vidas de tasco, entre um tiro de caçadeira e um facalhão de meter respeito. O civismo entrou definitivamente na nossa intimidade para amansar os corpos, os gestos, as palavras. A postura é um fato de pronto-a-vestir que o usamos para entrar e sair das relações. Talvez até já nem se rasguem roupas quando chega a hora. O sentimento não ferve, a aprendizagem das loucuras que fizemos é renegada e a história do que fomos não tem disco duro porque a caixa de mensagens é mais prática e descartável. De resto, já não há cartas para guardar porque ninguém as escreve. Como num poema do Eugénio, já não há nada que nos peça água. E estamos como ela: insípidos, inodoros e incolores. Leves. Capazes de ir do tudo ao nada sem efusão de sangue. Deve andar a escapar-nos o momento em que deixamos de olhar para a vida nos olhos e a desregrada infinidade de coisas que vinha junto com ela”.
Revista Egoísta, Setembro 2009
Revista Egoísta, Setembro 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
I' rather dance...
I'd rather dance than talk with you.
I'd rather dance than talk with you.
I'd rather dance than talk with you.
The music's too loud
and the noise from the crowd
increases the chance of misinterpretation.
So let your hips do the talking.
I'll make you laugh by acting like the guy who sings,
and you'll make me smile by really Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Kings of Convenience, I'd rather dance with you
I'd rather dance than talk with you.
I'd rather dance than talk with you.
The music's too loud
and the noise from the crowd
increases the chance of misinterpretation.
So let your hips do the talking.
I'll make you laugh by acting like the guy who sings,
and you'll make me smile by really Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Getting into the swing.
Kings of Convenience, I'd rather dance with you
A vida, como ela é
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
Vinicius de Moraes, Samba da Benção
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
Vinicius de Moraes, Samba da Benção
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O eterno problema
Nesta cidade, quase nada dá certo. Tudo demora a concretizar-se. A contemplação tomou o lugar da acção. A cidade é pouco usada. Os espaços são desqualificados. O locais de encontro e reunião de pessoas, praticamente inexistentes.
Quem vem de fora, ou não vem de todo, ou não se detém muito tempo.
A admiração do resto do país hà muito tempo que se esgotou.
A este propósito, que desejaria de outro modo, convoco outras palavras e uma outra visão sobre os problemas do costume e a forma como Coimbra continua obcecadamente a olhar para o seu interior, sem notar que existe um mundo fora do seu espaço.
''O problema de Coimbra é, como se sabe, o do sentimentalismo. O sentimentalismo afecta a cultura e o quotidiano Coimbrãos (...), criando uma retórica paralisante, antipragmática. Afogando os sentidos em mágoas, o sentimentalismo só produz reticências e pontos de exclamação.
(...)
São os estereótipos que se abatem sobre Coimbra, e que a cidade cultiva como património florescente, que permitem o desdém de Lisboa, e a crescente indiferença do país. O sentimentalismo, que se veste de uma episódica boémia, e se experimenta ritualista na praxe, prolonga a agonia de Coimbra.
(...)
Em Coimbra, os maneirismos ocupam o lugar da forma, e substituem a necessidade de confronto e projecto.''
Jorge Figueira, Para uma Coimbra não Sentimental, 2004
Quem vem de fora, ou não vem de todo, ou não se detém muito tempo.
A admiração do resto do país hà muito tempo que se esgotou.
A este propósito, que desejaria de outro modo, convoco outras palavras e uma outra visão sobre os problemas do costume e a forma como Coimbra continua obcecadamente a olhar para o seu interior, sem notar que existe um mundo fora do seu espaço.
''O problema de Coimbra é, como se sabe, o do sentimentalismo. O sentimentalismo afecta a cultura e o quotidiano Coimbrãos (...), criando uma retórica paralisante, antipragmática. Afogando os sentidos em mágoas, o sentimentalismo só produz reticências e pontos de exclamação.
(...)
São os estereótipos que se abatem sobre Coimbra, e que a cidade cultiva como património florescente, que permitem o desdém de Lisboa, e a crescente indiferença do país. O sentimentalismo, que se veste de uma episódica boémia, e se experimenta ritualista na praxe, prolonga a agonia de Coimbra.
(...)
Em Coimbra, os maneirismos ocupam o lugar da forma, e substituem a necessidade de confronto e projecto.''
Jorge Figueira, Para uma Coimbra não Sentimental, 2004
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