terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

My work

Fotos: Fernando Guerra







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Inesperadas paisagens

Caixa Fórum, Herzog & de Meuron

Imagens e cidade em movimento

Caixa Fórum; Herzog & de Meuron

Cenários urbanos

Fontana Dei Quattro Fiumi, Bernini. Piazza Navona; Roma.

domingo, 31 de janeiro de 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Testemunhos do tempo em movimento


Perversidades

O livro, coisa boa? Tal como acontece com o cinema, a ideia de que o livro é bom, por si só, porque é livro ou, no segundo caso, porque suportamente forma a 7ª arte, é das ideias mais perversas que já tiveram oportunidade de ser expostas.
Uma passagem pelos cartazes das coisas em exibição, pelas páginas dos programas ditos culturais ou, no primeiro caso, pelas estantes das livrarias, desmente qualquer veleidade: a maioria dos livros impressos são a expressão fiel do lixo se produz sob o disfarce de um qualquer génio criador; os trailers dos filmes que, forçado, vejo cada vez que escolho um a que quero assistir deveriam, na maioria dos casos, ser colocados na categoria de atentado à inteligência, disponíveis para neurónios inexistentes ou mentes pouco habituadas a pensar.
São produtos que em vez de libertarem, aprisionam, matam a imaginação, não permitem, debaixo de tanta expressão literal, ir além do imediato, ver para além do inexistente subtil.

A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado (André Malraux).

Sobreposições de sentido na cidade

Cumplicidades anotadas

(...)
e quando me olhares, num incêndio de lenda,
chamas de desejo devorar-te-ão aos molhos.

Nuno Júdice in Breve Sentimento do Eterno

Acertos de outrem

(...)
Não preciso de escolher as palavras
quando eslas passam por mim, como
nuvens, e me indicam o sentido da vida.

Palavras, Nuno Júdice

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aforismos Roubados

O mundo é tudo o que acontece.

Wittgenstein

Pausas entre palavras







segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Arquitectura de Luz, na noite

Teatro constatino Nery, Matosinhos; Atelier 15


Representações do urbano




A cidade porque não há
mais nada. Entre as ruas
nem sequer espaço
para a experiência,
e a maturidade é uma
superstição. Temos
a arquitectura do nosso lado
e o movimento das luzes,
nadamos no sentido
errado por empatia,
mas os néons apagados
mostram que alguma coisa
realmente morreu.

ou muitas coisas.

A cidade, Pedro Mexia

sábado, 23 de janeiro de 2010

Na auto-estrada, esta manhã; por Hotel Babilónia

Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa. O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também.

Pedro Mexia, in Duplo Império

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Post recuperado

Cruzei com este post, já velhinho. Decidi sacodir-lhe a poeira, tirar-lhe os vincos, e expô-lo de novo. O acto em si não tem qualquer significado preciso. O que acontece por si só não tem que ser explicado. Não se explica o que simplesmente acontece. Apenas, achei graça ao texto, vá lá saber-se porquê.


Deambular
Do latim deambulare
de.am.bu.lar intransitivo

passear
vagar


Não tenho vagar, é aqui claramente contrariado. Andar à deriva. Mas como o mar urbano é amigo, chega-se sempre a bom porto. ''O Homem que Gostava de Cidades'',inicialmente transmitido na TSF e depois publicado em livro, em ambos os caso por Manuel Graça Dias, traduz bem o que pode ser a riqueza da vida urbana. E tal como as pessoas, quanto mais contraditória e complexa, mais rica, motivadora e inspiradora. A Surpresa, o inesperado são a chave do interesse da deambulação. Deambulação pelas ruas, alamedas, avenidas e praças, mas também pelas dobras e esquinas do tempo, e no cruzamento com as pessoas ao longo da vida.
Deambular é obrigatório. Quem não o faz, regride. Fio condutor, saber tudo à partida, não faz parte do trajecto de quem quer realmente viver e aprender com a vida. Porque, como nos ensina Niemeyer de uma forma assustadoramente crua, tudo isto é demasiado elementar: ''nasceu, morreu, fodeu-se''.

Escrito e inscrito

Se eu tivesse crescido num lugar onde os dias são mais leves e as horas mais esguias,
inventado teria uma grande festa para te celebrar
e as minhas mãos não te prenderiam assim frias,
como muitas vezes te prendem, assustadas e duras.

Rainer Maria Rilke in Livro das Horas

Apropriações espaciais

A arquitectura só me interessa enquanto suporte de vida. Terá sempre de permitir usos inesperados, descobertas do momento. Tem de estar ligada à vida, fundindo-se com ela.

Caixa Fórum; Hrezog & de Meuron

Cidade descoberta

Nada como me perder na cidade para encontrar o inesperado. Gosto de vaguear sem saber por onde vou. Acredito no improvável: 'a distância mais curta entre dois pontos é uma curva' (Oscar Niemeyer).

Roma, em parte incerta.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Texto

Horas suspensas.
Tempo engolido.
É assim por estes momentos, em que a vontade se deixa dominar pelas teclas do computador.

Sob os reflexos da arquitectura

No meio deste cinzento que não larga o tecto acima dos dias, espreito pelo estreita abertura à procura. É o sol que me apetece ver, por entre as chapas de textura irregular que o reflectem.
Este tempo não dá tréguas?

Fórum. Herzog e de Meuron

Surfhouse - XTEN Architecture

Reduz as necessidades se queres passar bem

...que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo e a liberdade
é uma maluca que sabe quanto vale um beijo!...

Arquitectura sob contraste


Aforismos Roubados

Só as pessoas vazias não julgam pelas aparências.

Oscar Wilde

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cidade revelada; espaços descobertos

Mundo imperfeito

Não percebo muito de quotas. Sei que deixei de as pagar quando me desinteressei por futebol, farto de tanta incompetência, apesar das verbas implicadas em contratações, ''plantéis'' e épocas. Mas quanto a pescas, frotas pesqueiras, abate de barcos e produção pecuária ou agrícola, não consigo entender. Já se sabe que os produtores deitam fruta fora, que as explorações se desfazem do leite, que a PAC subsidia a produção ou a sua ausência, que os países mais fracos são mesmo o elo mais fraco perante as regras de comércio mundial impostas de cima para baixo; contudo, não se imagina a totalidade. Já se sabe que tudo se joga entre nascer do lado certo ou errado da vida. Tudo porque o bem estar de uns, condena os restantes. Tudo porque é importante controlar e manter os preços. É fácil pensar nisto enquanto a questão é abstracta. O que não se vê não se sente. Mas quando passa para a retina, a realidade torna-se mais dura.
Quénia; lixeira de Nairóbi. Perto vive, como muitos outros, milhares, uma mãe. É naquele local que procura diariamente alimento e forma de sustento. Os restos sáo a sua forma de vida. Todos os dias atravessa, com o filho, descalços, o rio e a cólera que nele se aloja. O destino é sempre o mesmo: os enormes montes de lixo onde se junta aos milhares de pessoas que buscam o mesmo. No local, só mesmo quem nada tem e os abutres que rodeiam os humanos na mesma procura de alimentos. O momento mais aguardado é a chegada do camião de lixo proveniente do aeroporto. Tudo é resgatado quando o veículo se imobiliza: pratos e talheres de plástico, restos de comida. Do meio da multidão, emerge a imagem de um homem que come, directamente das mãos, o que aparenta ser esparguete. Come no meio da confusão e do assalto ao camião que acaba de abrir as portas da caixa de carga, para efectuar o despejo. Todos se amontoam, mas as hierarquias imperam. Primeiro escolhem os chefes dos gangs. Depois, os outros ficam com as sobras das sobras. Finda a procura, a mãe regressa à barraca com o filho, atravessando de novo a cólera. Conseguiu centenas de sacos de plástico que, depois de lavados, venderá na feira, em Nairóbi. A sessão valeu-lhe também muitos bombons. O aspecto é o que se imagina: uma massa informe, esmagada, indeterminada na forma. As crianças comem-nos; a mãe serve-se deles como adoçante. A mãe está contente. Nunca conheceu outra realidade. Não sonha com outra. Está acostumada a esta rotina e modo de vida. Dá graças a Deus por viver perto da lixeira. Se esta se mudasse, a mãe e outros, como ela, iam atrás. Na cidade, tudo se vende, na feira, depois de arrancado à lixeira: brinquedos partidos; objectos incompletos; restos de pão ensacados.
A União Europeia seria um lugar perfeito, com um perfeito controlo dos seus excedentes de produção, com perfeitos subsídios para para nada produzir, com uma tranqulidade perfeita, se não não houvesse televisões e os noticiários não expusessem, em reportagem, como ontem, o que se passa fora das suas fronteiras e que o mundo não é assim tão idílico.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Chill out session

Ana Tostões deu tréguas. A arquitectura Portuguesa 1920-1970, para trás. Texto em suspenso.
Forças a recuperar entre o descanso dos dedos e um som para retemperar.

Pensamento do momento...

Sob o cinzento que cobre a cidade: felizmente em Coimbra. Resta o contentamento de um céu mais impiedoso a Norte, no Porto.

A estupidez de um pensamento estúpido

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é
(Alberto Caeiro, 1915).

Nada de mais estúpido e fora de contexto. Só um tipo que nunca tenha feito amor, que se julga várias pessoas, é capaz de o dizer.
É preciso sentir. Não basta exprimir pensamentos racionais sobre a racionalidade dos elementos. A natureza como ela é não é para aqui chamada, O que me importa é o que vejo para além - ou antes - das suas regras intrínsecas. Não me interessa dissecá-la neste momento em que a humidade não larga cada molécula que respiro. Tudo de belo que se possa fazer sob um tecto de água está-me vedado no momento. O sentido não se cumpre. Gene Kelly não é para aqui chamado. As serenatas são um outro assunto. E a Diana, A Krall, que não pára de preencher o espaço, insiste em reforçar o céu que não abre.
Resta a certeza de que depois da tempestade vem a bonança. Vem sempre. Nem que seja à força. Aqui onde me sento, as palavras não o dizem. Mas o que interessam as palavras que escrevo? São signos, alinhados, com significantes que pouco me interessam agora.
O que eu quero é um raio de sol e uma brancura luminosa. Rasgada.
Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto.

António Lobo Antunes, Ler, 1997

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ideias que circulam em mentes desinformadas

Ouve-se muito a ideia de que a praia é o triunfo do tédio, que não passa de inércia inútil, que nada se faz e nada varia. Pensamento mais irreal e fora do possível. Só de quem não anda informado.
Eu permito-me discordar e os pilotos que aterram em Saint Martin também. Pura adrelanina. Gozo extremo!

Sob a Luz da cidade

Great Keith, grandes teclas.



Nada como o som deste grande pianista para desfrutar do sol que tudo inunda, enquanto, eu próprio, bato as minhas teclas. Até o texto me parece melhor. Tudo me parece melhor quando ouço Keith Jarrett. A música é, na verdade, a mais poderosa de todas as artes. Nenhuma outra produz o mesmo envolvimento, a mesma capacidade de nos deixar levar. Sempre me intrigou a possibilidade - quase impossibilidade, diria - de arrancar sons sublimes a um objecto inerte. Não o percebo! Desfruto-o e quase me basta.

75 anos, hoje.

Entre sons e uma sombra no chão

Entre um solo de piano, música da adolescência a evocar um outro músico, sento-me na cadeira de sempre, com os papéis costumeiros.
Melhor o sol que me quer tirar a esta tentativa de concentração sobre o texto. As sombras no exterior são perfeitas sob estes sons. As pessoas passam, o movimento exterior corre por si, dão sentido à cidade. Nada é mais perfeito do que a cidade na sua imperfeição e sempre incompleta: os sorrisos acontecem, as palavras trocam-se, a conversa acontece, os encontros produzem-se. A minha atenção daqui se solta e aqui regressa. Quando me escapo é a este lugar que retorno.
Neste momento, prendo-me de novo às linhas que pretendo minhas.
Para de novo me evadir quando a palavra for uma prisão.
Este som é libertador.
Fico.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Que faço com isto?...

Não sei se salve o mundo ou se o deixe cair! Depende dos pedidos... estilo quando o telefone toca: pode dizer a frase e pedir o disco...

http://en.tackfilm.se/?id=1262802040296RA27

Aforismos Roubados


nulla die sine linea.

Viollet le Duc


nulla linea sine ratio.

Fernando Távora

Projectos e Obras - Couraça de Lisboa

Foto: Fernando Guerra

Projectos e Obras - Couraça de Lisboa

Foto: Fernando Guerra

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Em trânsito, até terminar

Só a palavra certa é de utilidade pública, segundo o poeta.
É o que me vem à ideia, esperando ter encontrado os meios ajustados para me exprimir. Texto concluído, apenas a necessitar de pequenas correcções, mais de forma do que de conteúdo. Preciso retocar-lhe a pintura, diria; pô-lo em condições para se apresentar perante as pessoas. Está como se tivésse acabado de se vestir. A compostura virá a seguir, entre citações correctamente realizadas e uma ou outra gralha corrigida.
Até lá, virá uma pausa para almoço que fará esquecer estes três meses à volta de documentos muito mais velhos do que eu.
A escrita é um exercício terrível, mas vem-me ao corpo uma sensação de alivio.
Vou sair para almoçar! Os papéis, para trás!

...a seguir terei mais um percurso de meses. Será como o tecto da capela Sistina, pelo próprio Miguel Ângelo: terminará quando acabar!

So do I

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Excentricidades, Excessos ou simplesmente DUBAI

Mais de mil apartamentos.
Cinquenta pisos de escritórios.
Mil e duzentas lojas: o maior centro comercial do mundo.
Vários hotéis de Luxo.
O primeiro Hotel Armani.
Cento e sessenta andares.
Piso 124, a 442 metros do solo: a vista a 360º permite um horizonte superior a 80 km.
No chão: 111 hectares envolventes de verde, espelhos de água, monumentos aquáticos (?) e um lago.
Altura superior a 800 metros: superação do anterior recorde detido pela torre Taipé 101, em Taiwan, com ''apenas'' 508 metros.

O disparate continua no Dubai. Desta vez com a inauguração, hoje, do Burj Dubai, o arranha-céus mais alto do mundo.

Lhasa. FIM!

A cantora Lhasa, com apenas 37 anos, não mais cantará. Permanecerão os seus albúns, maravilhosos, que lutarão contra a sua ausência.
Foi com La llorona que tomei contacto com a sua voz única. Essa permanecerá por meio das suas fantásticas interpretações.

O maravilhoso Elogio da Luz. Absolutamente poético!