quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Oscar e Simply red

É curioso ver Niemeyer rendido à música dos Simply Red.
A casa que se vê no clip é a Casa das Canoas, projetada em 1951 e construída em 1953, para sua própia residência, no Rio de Janeiro.

Sobre a casa, o arquitecto disse:
Minha preocupação foi projectar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta.


Não sei a motivação de Oscar Niemeyer partiu da possibilidade de ver muitas mulheres a desfilar pelos limites da sua piscina - nunca escondeu o fascínio pela mulher e pelas curvas do seu corpo, até como fonte inspiradora para a arquitectura - ou se é um sério admirador da banda. Seja como for, aquela rocha que une a água da piscina ao interior da habitação é um magnífico cenário para esta música.

Música do dia; simplesmente Simply Red

Se há banda que eu lamento não ter visto e ouvido ao vivo, essa banda é Simply Red. É som a sério; verdadeira música! Em concerto, é certamente magistral.

Um despertar metaforicamente luminoso ou o fim do Carnaval!

O mundo voltou à sua ordem natural; as coisas, ao seu lugar; a ridicularia, guardada.
Passados estes dias - graças a Deus - os biquinis voltaram às gavetas lá de casa, para só de lá saírem no Verão e se molharem, não à chuva, mas no mar.

Na verdade, está na hora.

(...)
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
(...)

Fernando Pessoa, Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bizarias do mundo contemporâneo

Confesso: cada vez percebo menos este mundo e o comportamento humano. As redes sociais confuguram um universo que me causa estranheza. O modo como as pessoas se movem no seu ''espaço'' é para mim um enigma.
Num outro tempo, o Dia de S. Valentim (embora uma artificialidade inventada pelo comércio, sedento de consumo) era celebrado entre namorados. Mas isso parece ser uma realidade distante. Agora, há quem use o que lhe está ao alcance para mandar mensagens/presente ''que tenho especialmente para ti'' a quem se escolhe vá lá saber-se porquê. Normal não é, certamente. Já que não se trata de mais um dano colateral provocado pelo caso das escutas telefónicas, resta saber se é mais um efeito do buraco da camada de ozono ou, eventualmente, de um outro - em todo o caso não menos preocupante - dano devido ao aquecimento global.

Um domingo qualquer


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Palavras precisas

Muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos.

Honoré de Balzac

Música do dia

Precisa-se um Remake

Em meados do século XIX, o país tinha 4,5 milhões de habitantes e Lisboa, 220 mil.
Em 1910, a população tinha dobrado. A capital tinha crescido graças a novos habitantes vindos do campo.
A nova população era de base rural. A dimensão urbana estava, nesse tempo, ainda em desenvolvimento e, mesmo no centro, a cidade possuía franjas de ruralidade.

Moral da história? O desenvolvimento do teatro (a aposta na cultura, direi) constitui-se, na época, como estratégia de desenvolvimento da urbanidade.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vals de novo

As famosas Termas de Zumthor são a referência espacial para este filme publicitário.
Sou um admirador de publicidade. Adoro publicidade bem feita e a capacidade, que lhe é própria, de passar uma mensagem em pouco tempo, de modo forte e claro.

A publicidade diz-me ainda mais quando é feita por um grande amigo como é o caso. Gosto que os amigos me digam coisas. Gosto que falem comigo, que comuniquem comigo, que o façam de modo claro e belo, nem que seja para que me digam qual a água que devo comprar.

O meu fascínio por publicidade ficou ampliado pelas palavras do próprio e o modo como descreve o processo de ''fabrico'' do filme.
''Como curiosidade, foi das filmagens mais estranhas e sublimes a que assisti. (...) Sobretudo pelo processo que o realizador (habitualmente fotógrafo de moda) usou para relacionar dois perfeitos estranhos: músicas belas de arrepiar, raios de luz a simular os reflexos da água e sentimentos a correr sem freios.''

Aqui fica o filme e o meu reconhecimento e admiração pelo seu trabalho.

20 anos de liberdade exemplar

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.

Nelson Mandela

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

(...)
onde começa um corpo ganho eu forma e
[consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso em seu cadinho desposo o seu
[tormento
Sua infâmia me honra o coração e a vida.


Paul Eluard, De Um e de Dois, de Todos

Em Vals, por outra objectiva

Fotos: Fernando Guerra









Arquitectura como experiência total

Vals, Suiça; Peter Zumthor

Os sentidos participam na captação do espaço.

A dimensão fenomenológica da arquitectura é expressa em todos os espaços, em cada esquina dobrada, em cada nova parede transposta, em cada partícula de água que toca o corpo.

A luz velada que se insinua pelas fendas na cobertura é mágica; o seu azul é indizível e contrasta com as penumbras ou francas janelas sobre a paisagem. Os sons da água a bater nas superfícies têm um valor extremo e dão singularidade aos silêncios que se ouvem; a luz que se deforma ao romper a espessura da água, até atingir paredes e tectos, revela-se sempre diferente e única; as pétalas que flutuam captam o olfacto e ocupam-no; a temperatura que se liberta da pedra do chão transporta para o conforto desejado; a neve, lá fora, apela à mesma sensação e ao contraste absoluto entre dentro e fora; a água no exterior, por fim, a 36º, permite o sublime.






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Aforismos Roubados

(...)
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

Eis a qualidade da nossa democracia

Podemos até conceder que € 50 000 00,00 não são nada (eu descordo que não sejam), quantia adicional em causa com a nova Lei das Finanças Regionais. Mas não é disso que se trata. Estamos em presença de um assunto de justiça e rigor. A solidariedade nacional funciona em todos os sentidos e não apenas do Continente para a Madeira (que, se dependesse de mim, já era um Estado independente). A Madeira, à luz dos critérios europeus, é uma região rica: tem um rendimento equivalente a 88% da média da União Europeia. Mais: tem um rendimento per capita superior à média nacional, correspondente a 128% desse valor, apenas batido pela região de Lisboa. Mais, ainda: o endividamento dos Açores é praticamente nulo e o da Madeira é 127% do produto interno bruto da região. Quanto a mim, tenho uma certeza: não quero continuar a pagar esses desgovernos e a contribuir para uma região que é mais rica do que aquela onde vivo.
Basta uma viagem à Madeira para ver o quão bem é gasto o dinheiro dos contribuintes em Equipamentos Públicos, novos, em todos os ''buracos no meio do nada'' e quase sem população. É bom de ver, sobretudo, porque muitos deles não funcionam.
Os senhores deputados, sensíveis ao facto, quiseram dar um impulso adicional à região.

Por mim, tenho uma certeza: declaro, unilateralmente, a independência da Madeira e da Assembleia da República.

Música do dia

Nenhum instrumento me toca como o piano. Pedro Burmester refere-o como o mais completo de todos. Quando bem tocado atinge a perfeição. Sempre me impressionou como se consegue arrancar sons, beleza, a um objecto inerte - é um dom! Os solos de piano são transcendência. Quando são ouvidos, o tempo imobiliza-se. A atenção detém-se. Tudo o resto é suspenso.

Transparência das coisas sábias

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...


William Shakespeare