segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Descubra as diferenças
O exemplo de um homem cuja estatura excede claramente a dimensão do mundo e do seu tempo. Uma lição de perdão, de compaixão, de amor, de determinação, de inteligência, de sensibilidade.
Simplesmente inspirador.
Simplesmente inspirador.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Não Gosto!
Cada vez gosto mais de ser português e cada vez tenho mais orgulho no meu país. É-me insuportável ouvir dizer «somos um país pequeno e periférico». Para mim Portugal é central e muito grande.
António Lobo Antunes, Jornal de Letras, 25.10.2006
É como os familiares de quem não gostamos. Só nós é que podemos dizer mal deles e não suportamos que outros o façam.
Não gosto que um qualquer cidadão da União Europeia de uma qualquer agência sinistra de rating diga que Portugal está todo tramado e que não é fiável.
António Lobo Antunes, Jornal de Letras, 25.10.2006
É verdade que este país é pródigo em bizarrias e no ilógico. Mas é o nosso.
É como os familiares de quem não gostamos. Só nós é que podemos dizer mal deles e não suportamos que outros o façam.
Não gosto que um qualquer cidadão da União Europeia de uma qualquer agência sinistra de rating diga que Portugal está todo tramado e que não é fiável.
Palavra certa
Todos nós, homens e mulheres, não somos, de facto, tão diferentes, senão aquilo que escrevemos ou pintamos não teria nenhum impacto nos outros. Afinal, o que nos faz aderir a um livro é pensar «É mesmo isto que eu sinto e não era capaz de exprimir», não é?
António Lobo Antunes, O Jornal, 30.10.1992
António Lobo Antunes, O Jornal, 30.10.1992
Livro de Horas
Livro de Horas
Aqui diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas
O dos facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Miguel Torga
Aqui diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas
O dos facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Miguel Torga
Música do dia/sons de sempre
Música escrita em 1959 por Jacques Brel, na sequência da separação de Suzanne Gabriello, foi interpretada por diversos cantores e em vários idiomas, incluindo Maysa Matarazzo, numa versão surpreendente.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Casinha de bonecas; literalmente
Para um verdadeira educação para a arquitectura (direi, eu), a empresa Sirch criou um brinquedo completamete distinto daqueles que se podem encontrar no mercado.
Não creio que este modelo seja mais válido do que outros; não me manifesto a favor de uma imagem específica; mas acredito que a diversidade só pode ser benéfica e ajudar a alargar horizontes e referências. Fá-lo-ía com toda a certeza em Portugal, onde o caminho a percorrer ainda é necessariamente longo, apesar das evidentes transformações que a sociedade tem registado na convivência e entendimento com e da arquitectura.
Não creio que este modelo seja mais válido do que outros; não me manifesto a favor de uma imagem específica; mas acredito que a diversidade só pode ser benéfica e ajudar a alargar horizontes e referências. Fá-lo-ía com toda a certeza em Portugal, onde o caminho a percorrer ainda é necessariamente longo, apesar das evidentes transformações que a sociedade tem registado na convivência e entendimento com e da arquitectura.
Música do dia
Não há nada mais estúpido e sem sentido do que a morte. Lobo Antunes tem razão: ''A morte é sempre uma puta e, a uma puta, não se pode dar confiança.''
Resta, apesar disso, o talento ou as realizações, que fazem com que certas pessoas permaneçam para além da presença física. É francamente o caso.
Resta, apesar disso, o talento ou as realizações, que fazem com que certas pessoas permaneçam para além da presença física. É francamente o caso.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Momentos de desatenção
Todos os desenhos têm uma história: entre fugas do espaço concreto de uma reunião, a evasões entre palavras não lidas, é impossível deter a Bic de cor preta. Nesses momentos, é ela que me comanda. É como um exercício de superação, um desafio, face ao momento inicial e frente à folha branca. Lembro-me sempre das palavras de Távora (tão conpreensíveis para qualquer arquitecto), a propósito do começo de um novo projecto: ''é este que eu não vou conseguir fazer.''




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Perversidades
O livro, coisa boa? Tal como acontece com o cinema, a ideia de que o livro é bom, por si só, porque é livro ou, no segundo caso, porque suportamente forma a 7ª arte, é das ideias mais perversas que já tiveram oportunidade de ser expostas.
Uma passagem pelos cartazes das coisas em exibição, pelas páginas dos programas ditos culturais ou, no primeiro caso, pelas estantes das livrarias, desmente qualquer veleidade: a maioria dos livros impressos são a expressão fiel do lixo se produz sob o disfarce de um qualquer génio criador; os trailers dos filmes que, forçado, vejo cada vez que escolho um a que quero assistir deveriam, na maioria dos casos, ser colocados na categoria de atentado à inteligência, disponíveis para neurónios inexistentes ou mentes pouco habituadas a pensar.
São produtos que em vez de libertarem, aprisionam, matam a imaginação, não permitem, debaixo de tanta expressão literal, ir além do imediato, ver para além do inexistente subtil.
A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado (André Malraux).
Uma passagem pelos cartazes das coisas em exibição, pelas páginas dos programas ditos culturais ou, no primeiro caso, pelas estantes das livrarias, desmente qualquer veleidade: a maioria dos livros impressos são a expressão fiel do lixo se produz sob o disfarce de um qualquer génio criador; os trailers dos filmes que, forçado, vejo cada vez que escolho um a que quero assistir deveriam, na maioria dos casos, ser colocados na categoria de atentado à inteligência, disponíveis para neurónios inexistentes ou mentes pouco habituadas a pensar.
São produtos que em vez de libertarem, aprisionam, matam a imaginação, não permitem, debaixo de tanta expressão literal, ir além do imediato, ver para além do inexistente subtil.
A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado (André Malraux).
Cumplicidades anotadas
Acertos de outrem
(...)
Não preciso de escolher as palavras
quando eslas passam por mim, como
nuvens, e me indicam o sentido da vida.
Palavras, Nuno Júdice
Não preciso de escolher as palavras
quando eslas passam por mim, como
nuvens, e me indicam o sentido da vida.
Palavras, Nuno Júdice
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
A cidade porque não há
mais nada. Entre as ruas
nem sequer espaço
para a experiência,
e a maturidade é uma
superstição. Temos
a arquitectura do nosso lado
e o movimento das luzes,
nadamos no sentido
errado por empatia,
mas os néons apagados
mostram que alguma coisa
realmente morreu.
ou muitas coisas.
A cidade, Pedro Mexia
mais nada. Entre as ruas
nem sequer espaço
para a experiência,
e a maturidade é uma
superstição. Temos
a arquitectura do nosso lado
e o movimento das luzes,
nadamos no sentido
errado por empatia,
mas os néons apagados
mostram que alguma coisa
realmente morreu.
ou muitas coisas.
A cidade, Pedro Mexia
sábado, 23 de janeiro de 2010
Pó
Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa. O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também.
Pedro Mexia, in Duplo Império
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa. O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também.
Pedro Mexia, in Duplo Império
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Post recuperado
Cruzei com este post, já velhinho. Decidi sacodir-lhe a poeira, tirar-lhe os vincos, e expô-lo de novo. O acto em si não tem qualquer significado preciso. O que acontece por si só não tem que ser explicado. Não se explica o que simplesmente acontece. Apenas, achei graça ao texto, vá lá saber-se porquê.
Deambular
Do latim deambulare
de.am.bu.lar intransitivo
passear
vagar
Não tenho vagar, é aqui claramente contrariado. Andar à deriva. Mas como o mar urbano é amigo, chega-se sempre a bom porto. ''O Homem que Gostava de Cidades'',inicialmente transmitido na TSF e depois publicado em livro, em ambos os caso por Manuel Graça Dias, traduz bem o que pode ser a riqueza da vida urbana. E tal como as pessoas, quanto mais contraditória e complexa, mais rica, motivadora e inspiradora. A Surpresa, o inesperado são a chave do interesse da deambulação. Deambulação pelas ruas, alamedas, avenidas e praças, mas também pelas dobras e esquinas do tempo, e no cruzamento com as pessoas ao longo da vida.
Deambular é obrigatório. Quem não o faz, regride. Fio condutor, saber tudo à partida, não faz parte do trajecto de quem quer realmente viver e aprender com a vida. Porque, como nos ensina Niemeyer de uma forma assustadoramente crua, tudo isto é demasiado elementar: ''nasceu, morreu, fodeu-se''.
Deambular
Do latim deambulare
de.am.bu.lar intransitivo
passear
vagar
Não tenho vagar, é aqui claramente contrariado. Andar à deriva. Mas como o mar urbano é amigo, chega-se sempre a bom porto. ''O Homem que Gostava de Cidades'',inicialmente transmitido na TSF e depois publicado em livro, em ambos os caso por Manuel Graça Dias, traduz bem o que pode ser a riqueza da vida urbana. E tal como as pessoas, quanto mais contraditória e complexa, mais rica, motivadora e inspiradora. A Surpresa, o inesperado são a chave do interesse da deambulação. Deambulação pelas ruas, alamedas, avenidas e praças, mas também pelas dobras e esquinas do tempo, e no cruzamento com as pessoas ao longo da vida.
Deambular é obrigatório. Quem não o faz, regride. Fio condutor, saber tudo à partida, não faz parte do trajecto de quem quer realmente viver e aprender com a vida. Porque, como nos ensina Niemeyer de uma forma assustadoramente crua, tudo isto é demasiado elementar: ''nasceu, morreu, fodeu-se''.
Escrito e inscrito
Se eu tivesse crescido num lugar onde os dias são mais leves e as horas mais esguias,
inventado teria uma grande festa para te celebrar
e as minhas mãos não te prenderiam assim frias,
como muitas vezes te prendem, assustadas e duras.
Rainer Maria Rilke in Livro das Horas
inventado teria uma grande festa para te celebrar
e as minhas mãos não te prenderiam assim frias,
como muitas vezes te prendem, assustadas e duras.
Rainer Maria Rilke in Livro das Horas
Apropriações espaciais
Cidade descoberta
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Texto
Horas suspensas.
Tempo engolido.
É assim por estes momentos, em que a vontade se deixa dominar pelas teclas do computador.
Tempo engolido.
É assim por estes momentos, em que a vontade se deixa dominar pelas teclas do computador.
Sob os reflexos da arquitectura
Reduz as necessidades se queres passar bem
...que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo e a liberdade
é uma maluca que sabe quanto vale um beijo!...
é uma maluca que sabe quanto vale um beijo!...
domingo, 17 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
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