Cruzei com este post, já velhinho. Decidi sacodir-lhe a poeira, tirar-lhe os vincos, e expô-lo de novo. O acto em si não tem qualquer significado preciso. O que acontece por si só não tem que ser explicado. Não se explica o que simplesmente acontece. Apenas, achei graça ao texto, vá lá saber-se porquê.
DeambularDo latim deambulare
de.am.bu.lar intransitivo
passear
vagar
Não tenho vagar, é aqui claramente contrariado. Andar à deriva. Mas como o mar urbano é amigo, chega-se sempre a bom porto. ''O Homem que Gostava de Cidades'',inicialmente transmitido na TSF e depois publicado em livro, em ambos os caso por Manuel Graça Dias, traduz bem o que pode ser a riqueza da vida urbana. E tal como as pessoas, quanto mais contraditória e complexa, mais rica, motivadora e inspiradora. A Surpresa, o inesperado são a chave do interesse da deambulação. Deambulação pelas ruas, alamedas, avenidas e praças, mas também pelas dobras e esquinas do tempo, e no cruzamento com as pessoas ao longo da vida.
Deambular é obrigatório. Quem não o faz, regride. Fio condutor, saber tudo à partida, não faz parte do trajecto de quem quer realmente viver e aprender com a vida. Porque, como nos ensina Niemeyer de uma forma assustadoramente crua, tudo isto é demasiado elementar: ''nasceu, morreu, fodeu-se''.