sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A cidade no tempo

Foto: Estúdio Mário Novais
Rua Visconde da Luz, Coimbra.

Novos significados, grande som; por Jay Kay

Imagem do dia - my work

diafaneidade
s. f.1. Propriedade ou qualidade do que é diáfano.
2. Transparência.

Foto: Fernando Guerra

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Imagem do dia - my work

Foto: Fernando Guerra


Na verdade, é isso mesmo

Ser optimista sai caro. Custa muito: tanto no esforço de virarmos as costas às coisas que vimos no sentido da esperança, como na rajada da dor, que provocamos, acreditando que, apesar de tudo, tivemos sorte.
Ser optimista é passar por estúpido. Não é inteligente porque os resultados esperados (não apenas desejados, mas esperados) são, pelo menos 90 por cento das vezes, piores do que se esperava.
Quanto maior o número de tristezas que acontecem - que doem e que deixam marca - mais difícil é manter a visão optismista que, mal por mal, tudo acabará por resolver-se. Quanto mais velhos ficamos e mais desilusões acumulamos, a tendência preguiçosa é concluir que são as esperanças que nos fazem sofrer.
No entanto, pode ser ainda mais estúpido julgar as esperanças e ilusões conforme os resultados delas. Vamos supor que eu passo 50 anos a acreditar que um dia reconhecerão o meu talento para escrever ou pintar. Quando perfaço 50 anos, descubro, através da reacção dos outros, que não tenho jeito nenhum. Chego á conclusão que perdi meio século a dedicar-me erradamente. E fico, de repente, infeliz. E esclarecido. Sou uma merda.
Entretanto, parece que me esqueço da felicidade e da segurança durante os 40 e tal anos em que era optimista e convencido. Se calhar, o resultado ou a opinião dos outros é apenas um elemento, ocasional e aleatório, do que valemos e de quem somos e do que vale o que escolhemos fazer. Ou não?

Miguel Esteves Cardoso, in Público, 29-01-10

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Um post leva a outro: Casa das Canoas




Oscar e Simply red

É curioso ver Niemeyer rendido à música dos Simply Red.
A casa que se vê no clip é a Casa das Canoas, projetada em 1951 e construída em 1953, para sua própia residência, no Rio de Janeiro.

Sobre a casa, o arquitecto disse:
Minha preocupação foi projectar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta.


Não sei a motivação de Oscar Niemeyer partiu da possibilidade de ver muitas mulheres a desfilar pelos limites da sua piscina - nunca escondeu o fascínio pela mulher e pelas curvas do seu corpo, até como fonte inspiradora para a arquitectura - ou se é um sério admirador da banda. Seja como for, aquela rocha que une a água da piscina ao interior da habitação é um magnífico cenário para esta música.

Música do dia; simplesmente Simply Red

Se há banda que eu lamento não ter visto e ouvido ao vivo, essa banda é Simply Red. É som a sério; verdadeira música! Em concerto, é certamente magistral.

Um despertar metaforicamente luminoso ou o fim do Carnaval!

O mundo voltou à sua ordem natural; as coisas, ao seu lugar; a ridicularia, guardada.
Passados estes dias - graças a Deus - os biquinis voltaram às gavetas lá de casa, para só de lá saírem no Verão e se molharem, não à chuva, mas no mar.

Na verdade, está na hora.

(...)
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
(...)

Fernando Pessoa, Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bizarias do mundo contemporâneo

Confesso: cada vez percebo menos este mundo e o comportamento humano. As redes sociais confuguram um universo que me causa estranheza. O modo como as pessoas se movem no seu ''espaço'' é para mim um enigma.
Num outro tempo, o Dia de S. Valentim (embora uma artificialidade inventada pelo comércio, sedento de consumo) era celebrado entre namorados. Mas isso parece ser uma realidade distante. Agora, há quem use o que lhe está ao alcance para mandar mensagens/presente ''que tenho especialmente para ti'' a quem se escolhe vá lá saber-se porquê. Normal não é, certamente. Já que não se trata de mais um dano colateral provocado pelo caso das escutas telefónicas, resta saber se é mais um efeito do buraco da camada de ozono ou, eventualmente, de um outro - em todo o caso não menos preocupante - dano devido ao aquecimento global.

Um domingo qualquer


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Palavras precisas

Muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos.

Honoré de Balzac

Música do dia

Precisa-se um Remake

Em meados do século XIX, o país tinha 4,5 milhões de habitantes e Lisboa, 220 mil.
Em 1910, a população tinha dobrado. A capital tinha crescido graças a novos habitantes vindos do campo.
A nova população era de base rural. A dimensão urbana estava, nesse tempo, ainda em desenvolvimento e, mesmo no centro, a cidade possuía franjas de ruralidade.

Moral da história? O desenvolvimento do teatro (a aposta na cultura, direi) constitui-se, na época, como estratégia de desenvolvimento da urbanidade.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vals de novo

As famosas Termas de Zumthor são a referência espacial para este filme publicitário.
Sou um admirador de publicidade. Adoro publicidade bem feita e a capacidade, que lhe é própria, de passar uma mensagem em pouco tempo, de modo forte e claro.

A publicidade diz-me ainda mais quando é feita por um grande amigo como é o caso. Gosto que os amigos me digam coisas. Gosto que falem comigo, que comuniquem comigo, que o façam de modo claro e belo, nem que seja para que me digam qual a água que devo comprar.

O meu fascínio por publicidade ficou ampliado pelas palavras do próprio e o modo como descreve o processo de ''fabrico'' do filme.
''Como curiosidade, foi das filmagens mais estranhas e sublimes a que assisti. (...) Sobretudo pelo processo que o realizador (habitualmente fotógrafo de moda) usou para relacionar dois perfeitos estranhos: músicas belas de arrepiar, raios de luz a simular os reflexos da água e sentimentos a correr sem freios.''

Aqui fica o filme e o meu reconhecimento e admiração pelo seu trabalho.

20 anos de liberdade exemplar

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.

Nelson Mandela

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

(...)
onde começa um corpo ganho eu forma e
[consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso em seu cadinho desposo o seu
[tormento
Sua infâmia me honra o coração e a vida.


Paul Eluard, De Um e de Dois, de Todos

Em Vals, por outra objectiva

Fotos: Fernando Guerra









Arquitectura como experiência total

Vals, Suiça; Peter Zumthor

Os sentidos participam na captação do espaço.

A dimensão fenomenológica da arquitectura é expressa em todos os espaços, em cada esquina dobrada, em cada nova parede transposta, em cada partícula de água que toca o corpo.

A luz velada que se insinua pelas fendas na cobertura é mágica; o seu azul é indizível e contrasta com as penumbras ou francas janelas sobre a paisagem. Os sons da água a bater nas superfícies têm um valor extremo e dão singularidade aos silêncios que se ouvem; a luz que se deforma ao romper a espessura da água, até atingir paredes e tectos, revela-se sempre diferente e única; as pétalas que flutuam captam o olfacto e ocupam-no; a temperatura que se liberta da pedra do chão transporta para o conforto desejado; a neve, lá fora, apela à mesma sensação e ao contraste absoluto entre dentro e fora; a água no exterior, por fim, a 36º, permite o sublime.






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Aforismos Roubados

(...)
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

Eis a qualidade da nossa democracia

Podemos até conceder que € 50 000 00,00 não são nada (eu descordo que não sejam), quantia adicional em causa com a nova Lei das Finanças Regionais. Mas não é disso que se trata. Estamos em presença de um assunto de justiça e rigor. A solidariedade nacional funciona em todos os sentidos e não apenas do Continente para a Madeira (que, se dependesse de mim, já era um Estado independente). A Madeira, à luz dos critérios europeus, é uma região rica: tem um rendimento equivalente a 88% da média da União Europeia. Mais: tem um rendimento per capita superior à média nacional, correspondente a 128% desse valor, apenas batido pela região de Lisboa. Mais, ainda: o endividamento dos Açores é praticamente nulo e o da Madeira é 127% do produto interno bruto da região. Quanto a mim, tenho uma certeza: não quero continuar a pagar esses desgovernos e a contribuir para uma região que é mais rica do que aquela onde vivo.
Basta uma viagem à Madeira para ver o quão bem é gasto o dinheiro dos contribuintes em Equipamentos Públicos, novos, em todos os ''buracos no meio do nada'' e quase sem população. É bom de ver, sobretudo, porque muitos deles não funcionam.
Os senhores deputados, sensíveis ao facto, quiseram dar um impulso adicional à região.

Por mim, tenho uma certeza: declaro, unilateralmente, a independência da Madeira e da Assembleia da República.

Música do dia

Nenhum instrumento me toca como o piano. Pedro Burmester refere-o como o mais completo de todos. Quando bem tocado atinge a perfeição. Sempre me impressionou como se consegue arrancar sons, beleza, a um objecto inerte - é um dom! Os solos de piano são transcendência. Quando são ouvidos, o tempo imobiliza-se. A atenção detém-se. Tudo o resto é suspenso.

Transparência das coisas sábias

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...


William Shakespeare

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Paisagem nocturna

A cidade, espaço de encontro ou para permanecer só

Frases no cinema

''Tu fazes-me rir, mas o outro faz-me chorar''

Música para uma tarde de céu pesado

Cidade nua, despida de gente









Música do dia

Pixelizado na memória

Piazza del Popolo, Roma

A cidade barroca, perfeita, magnífica.

Descubra as diferenças

O exemplo de um homem cuja estatura excede claramente a dimensão do mundo e do seu tempo. Uma lição de perdão, de compaixão, de amor, de determinação, de inteligência, de sensibilidade.
Simplesmente inspirador.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sexta-feira

VIDA própria como lugar esperado.
Wake up.

Não Gosto!

Cada vez gosto mais de ser português e cada vez tenho mais orgulho no meu país. É-me insuportável ouvir dizer «somos um país pequeno e periférico». Para mim Portugal é central e muito grande.

António Lobo Antunes, Jornal de Letras, 25.10.2006

É verdade que este país é pródigo em bizarrias e no ilógico. Mas é o nosso.
É como os familiares de quem não gostamos. Só nós é que podemos dizer mal deles e não suportamos que outros o façam.

Não gosto que um qualquer cidadão da União Europeia de uma qualquer agência sinistra de rating diga que Portugal está todo tramado e que não é fiável.

Palavra certa

Todos nós, homens e mulheres, não somos, de facto, tão diferentes, senão aquilo que escrevemos ou pintamos não teria nenhum impacto nos outros. Afinal, o que nos faz aderir a um livro é pensar «É mesmo isto que eu sinto e não era capaz de exprimir», não é?

António Lobo Antunes, O Jornal, 30.10.1992

Livro de Horas

Livro de Horas
Aqui diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,

e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.

Me confesso
o dono das minhas horas
O dos facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.

E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!

Miguel Torga

Música do dia/sons de sempre

Música escrita em 1959 por Jacques Brel, na sequência da separação de Suzanne Gabriello, foi interpretada por diversos cantores e em vários idiomas, incluindo Maysa Matarazzo, numa versão surpreendente.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Outros sons

Casinha de bonecas; literalmente

Para um verdadeira educação para a arquitectura (direi, eu), a empresa Sirch criou um brinquedo completamete distinto daqueles que se podem encontrar no mercado.
Não creio que este modelo seja mais válido do que outros; não me manifesto a favor de uma imagem específica; mas acredito que a diversidade só pode ser benéfica e ajudar a alargar horizontes e referências. Fá-lo-ía com toda a certeza em Portugal, onde o caminho a percorrer ainda é necessariamente longo, apesar das evidentes transformações que a sociedade tem registado na convivência e entendimento com e da arquitectura.



Música do dia

Não há nada mais estúpido e sem sentido do que a morte. Lobo Antunes tem razão: ''A morte é sempre uma puta e, a uma puta, não se pode dar confiança.''
Resta, apesar disso, o talento ou as realizações, que fazem com que certas pessoas permaneçam para além da presença física. É francamente o caso.

Registo de trabalho

Arquitecturas de um outro modo de vida.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Momentos de desatenção

Todos os desenhos têm uma história: entre fugas do espaço concreto de uma reunião, a evasões entre palavras não lidas, é impossível deter a Bic de cor preta. Nesses momentos, é ela que me comanda. É como um exercício de superação, um desafio, face ao momento inicial e frente à folha branca. Lembro-me sempre das palavras de Távora (tão conpreensíveis para qualquer arquitecto), a propósito do começo de um novo projecto: ''é este que eu não vou conseguir fazer.''





terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

My work

Fotos: Fernando Guerra







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Inesperadas paisagens

Caixa Fórum, Herzog & de Meuron

Imagens e cidade em movimento

Caixa Fórum; Herzog & de Meuron

Cenários urbanos

Fontana Dei Quattro Fiumi, Bernini. Piazza Navona; Roma.

domingo, 31 de janeiro de 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Testemunhos do tempo em movimento


Perversidades

O livro, coisa boa? Tal como acontece com o cinema, a ideia de que o livro é bom, por si só, porque é livro ou, no segundo caso, porque suportamente forma a 7ª arte, é das ideias mais perversas que já tiveram oportunidade de ser expostas.
Uma passagem pelos cartazes das coisas em exibição, pelas páginas dos programas ditos culturais ou, no primeiro caso, pelas estantes das livrarias, desmente qualquer veleidade: a maioria dos livros impressos são a expressão fiel do lixo se produz sob o disfarce de um qualquer génio criador; os trailers dos filmes que, forçado, vejo cada vez que escolho um a que quero assistir deveriam, na maioria dos casos, ser colocados na categoria de atentado à inteligência, disponíveis para neurónios inexistentes ou mentes pouco habituadas a pensar.
São produtos que em vez de libertarem, aprisionam, matam a imaginação, não permitem, debaixo de tanta expressão literal, ir além do imediato, ver para além do inexistente subtil.

A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado (André Malraux).

Sobreposições de sentido na cidade

Cumplicidades anotadas

(...)
e quando me olhares, num incêndio de lenda,
chamas de desejo devorar-te-ão aos molhos.

Nuno Júdice in Breve Sentimento do Eterno

Acertos de outrem

(...)
Não preciso de escolher as palavras
quando eslas passam por mim, como
nuvens, e me indicam o sentido da vida.

Palavras, Nuno Júdice

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aforismos Roubados

O mundo é tudo o que acontece.

Wittgenstein

Pausas entre palavras







segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Arquitectura de Luz, na noite

Teatro constatino Nery, Matosinhos; Atelier 15