quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Passado ou actual?
Em Portugal hoje não se faz arquitectuta e, pior ainda, entre nós não pretende sequer fazer-se arquitectura.
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1947
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1947
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O país em números - II
Em 1932, de seiscentos projectos submetidos à Câmara de Lisboa só dez foram assinados por arquitectos - e o total da cidade recente tinha mais de noventa e nove por cento de edifícios projectados por 'curiosos'!
Adelino Nunes in José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX
Adelino Nunes in José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Hesitações na arquitectura portuguesa - II
O país em números
Portugal, 1962
Lisboa: 157 arquitectos;
Porto: 148 arquitectos.
Aumento de 100% no Porto e de 133% em Lisboa, relativamente a 1948.
Lisboa: 157 arquitectos;
Porto: 148 arquitectos.
Aumento de 100% no Porto e de 133% em Lisboa, relativamente a 1948.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Ainda a propósito da ParquEscolar
Comentários e notícias sobre a ParquEscolar têm feito marca nos jornais e blogues.
O programa de modernização das escolas é com toda a certeza uma boa iniciativa, iniciada ainda no anterior Governo. Isso não está em causa. Mas os número e factos são mais um indicador da qualidade da nossa democracia e da forma como se comportam as instituições e aqueles que as representam.
A adjudicação directa dos projectos de arquitectura e especialidades só não é anedótica por ser grave. E os factos, números e palavras só não causam escândalo porque, em Portugal, a indignação anda retirada da cena pública, talvez a banhos e à procura de se libertar para melhores paragens.
Vale a pena reter algumas frases e declarações.
Cumpridas e por ajuste directo, estão já as fases 0, 1 e 2 deste programa. E uma coisa resulta óbvia. A urgência que podia justificar a contratação directa naquela primeira fase esgotou-se nesse momento inicial e nada o pode sustentar no prosseguimento do programa. É sabido que a empresa tem justificado a via contratual seguida com a especialização dos projectos e a competência dos profissionais seleccionados. No artigo do Jornal Público de 15/02/2010, e que o artigo de opinião de Guilherme Castro (arquitecto) reproduz no mesmo jornal, em 21/02/2010, há ‘’poucos [gabinetes de projectos] com capacidade para responder a este tipo de encomenda’’. Talvez essa convicção justifique, aos olhos Sintra Nunes, que tenham sido adjudicados 25 projectos a apenas três empresas/equipas de projectistas e que tão só 12 empresas sejam responsáveis por mais de 19% da encomenda.
Deve ser a mesma que justifica que um único gabinete se tenha elaborado 11 projectos e que a muitos outros tenha cabido em sorte 2 ou 3. Será certamente essa, ainda, que dá suporte a que nenhum concurso tenha sido lançado para selecção dos projectistas ou que continue a fazer-se dentro de meios extremamente reduzidos e circunscritos.
Face ao quadro em questão, a Ordem dos Arquitectos, esteve votada a silêncio ensurdecedor e só recentemente tomou posição pública sobre o assunto. O seu papel é, em todo o caso, a defesa intransigente da Arquitectura. Pode pensar-se que nada dizendo, estava a exercer essa defesa de modo convicto. Mas a pergunta resulta óbvia: se fossem outros os projectistas envolvidos a posição da Ordem seria a mesma?
Quanto ao Presidente da ParquEscolar, não se pode deixar de reparar nos equívocos que só são recomendáveis para consumo externo. Porém, no interior da classe dos arquitectos, não deixam de fazer sorrir. O meio é pequeno, somos poucos, muita gente conhece-se, sabe-se quem tem encomenda dessa empresa de capitais públicos, sabe-se da dimensão dos gabinetes envolvidos. Justificar as escolhas com especiais capacidades é apenas mais uma curiosidade de todo o processo.
A verdade de tudo isto, para além de tudo que possa ser dito, é que até agora toda a gente estava calada e expectante. Mas agora que os resultados se começam a conhecer, já ninguém consegue manter o mesmo silêncio, nem esconder o incómodo. Pode reconhecer-se que todos os bons projectos precisam de tempo de realização e que as boas ideias necessitam de amadurecimento. Ora tempo é coisa que a ParquEscolar não concede. Isso pode desculpar a falta de entusiasmo que, em ternos puramente disciplinares, suscitam as obras até agora conhecidas, mas já não justifica os silêncios da Ordem, nem os dogmatismos da empresa.
Injustificável é, por fim e como mais um atropelo do programa, a falta de incorporação de critérios patrimoniais na selecção das escolas para cada fase de intervenção. Não é admissível que, a favor de escolas de projecto tipo dos anos 80 ou de outras que, embora melhores, não acompanham a melhor arquitectura do país, sejam preteridos exemplares valiosos da arquitectura do primeiro ciclo moderno dos anos 30. Está em causa o Liceu José Falcão, da autoria de Carlos Ramos, erigido durante o Estado Novo. Esta Escola é um dos mais significativos testemunhos do ciclo de obras públicas que foi construído segundo um léxico inteiramente novo no país. É incompreensível, pois, segundo um olhar patrimonial, que a desinteressante Escola do vale das Flores, O pastelão nacionalista-pitoresco do D. Maria ou mesmo a hesitante Brotero, sejam alvo de preferência relativamente a aquela escola e só para citar a cidade de Coimbra.
O programa de modernização das escolas é com toda a certeza uma boa iniciativa, iniciada ainda no anterior Governo. Isso não está em causa. Mas os número e factos são mais um indicador da qualidade da nossa democracia e da forma como se comportam as instituições e aqueles que as representam.
A adjudicação directa dos projectos de arquitectura e especialidades só não é anedótica por ser grave. E os factos, números e palavras só não causam escândalo porque, em Portugal, a indignação anda retirada da cena pública, talvez a banhos e à procura de se libertar para melhores paragens.
Vale a pena reter algumas frases e declarações.
Cumpridas e por ajuste directo, estão já as fases 0, 1 e 2 deste programa. E uma coisa resulta óbvia. A urgência que podia justificar a contratação directa naquela primeira fase esgotou-se nesse momento inicial e nada o pode sustentar no prosseguimento do programa. É sabido que a empresa tem justificado a via contratual seguida com a especialização dos projectos e a competência dos profissionais seleccionados. No artigo do Jornal Público de 15/02/2010, e que o artigo de opinião de Guilherme Castro (arquitecto) reproduz no mesmo jornal, em 21/02/2010, há ‘’poucos [gabinetes de projectos] com capacidade para responder a este tipo de encomenda’’. Talvez essa convicção justifique, aos olhos Sintra Nunes, que tenham sido adjudicados 25 projectos a apenas três empresas/equipas de projectistas e que tão só 12 empresas sejam responsáveis por mais de 19% da encomenda.
Deve ser a mesma que justifica que um único gabinete se tenha elaborado 11 projectos e que a muitos outros tenha cabido em sorte 2 ou 3. Será certamente essa, ainda, que dá suporte a que nenhum concurso tenha sido lançado para selecção dos projectistas ou que continue a fazer-se dentro de meios extremamente reduzidos e circunscritos.
Face ao quadro em questão, a Ordem dos Arquitectos, esteve votada a silêncio ensurdecedor e só recentemente tomou posição pública sobre o assunto. O seu papel é, em todo o caso, a defesa intransigente da Arquitectura. Pode pensar-se que nada dizendo, estava a exercer essa defesa de modo convicto. Mas a pergunta resulta óbvia: se fossem outros os projectistas envolvidos a posição da Ordem seria a mesma?
Quanto ao Presidente da ParquEscolar, não se pode deixar de reparar nos equívocos que só são recomendáveis para consumo externo. Porém, no interior da classe dos arquitectos, não deixam de fazer sorrir. O meio é pequeno, somos poucos, muita gente conhece-se, sabe-se quem tem encomenda dessa empresa de capitais públicos, sabe-se da dimensão dos gabinetes envolvidos. Justificar as escolhas com especiais capacidades é apenas mais uma curiosidade de todo o processo.
A verdade de tudo isto, para além de tudo que possa ser dito, é que até agora toda a gente estava calada e expectante. Mas agora que os resultados se começam a conhecer, já ninguém consegue manter o mesmo silêncio, nem esconder o incómodo. Pode reconhecer-se que todos os bons projectos precisam de tempo de realização e que as boas ideias necessitam de amadurecimento. Ora tempo é coisa que a ParquEscolar não concede. Isso pode desculpar a falta de entusiasmo que, em ternos puramente disciplinares, suscitam as obras até agora conhecidas, mas já não justifica os silêncios da Ordem, nem os dogmatismos da empresa.
Injustificável é, por fim e como mais um atropelo do programa, a falta de incorporação de critérios patrimoniais na selecção das escolas para cada fase de intervenção. Não é admissível que, a favor de escolas de projecto tipo dos anos 80 ou de outras que, embora melhores, não acompanham a melhor arquitectura do país, sejam preteridos exemplares valiosos da arquitectura do primeiro ciclo moderno dos anos 30. Está em causa o Liceu José Falcão, da autoria de Carlos Ramos, erigido durante o Estado Novo. Esta Escola é um dos mais significativos testemunhos do ciclo de obras públicas que foi construído segundo um léxico inteiramente novo no país. É incompreensível, pois, segundo um olhar patrimonial, que a desinteressante Escola do vale das Flores, O pastelão nacionalista-pitoresco do D. Maria ou mesmo a hesitante Brotero, sejam alvo de preferência relativamente a aquela escola e só para citar a cidade de Coimbra.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Imagem do dia - my work
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Na verdade, é isso mesmo
Ser optimista sai caro. Custa muito: tanto no esforço de virarmos as costas às coisas que vimos no sentido da esperança, como na rajada da dor, que provocamos, acreditando que, apesar de tudo, tivemos sorte.
Ser optimista é passar por estúpido. Não é inteligente porque os resultados esperados (não apenas desejados, mas esperados) são, pelo menos 90 por cento das vezes, piores do que se esperava.
Quanto maior o número de tristezas que acontecem - que doem e que deixam marca - mais difícil é manter a visão optismista que, mal por mal, tudo acabará por resolver-se. Quanto mais velhos ficamos e mais desilusões acumulamos, a tendência preguiçosa é concluir que são as esperanças que nos fazem sofrer.
No entanto, pode ser ainda mais estúpido julgar as esperanças e ilusões conforme os resultados delas. Vamos supor que eu passo 50 anos a acreditar que um dia reconhecerão o meu talento para escrever ou pintar. Quando perfaço 50 anos, descubro, através da reacção dos outros, que não tenho jeito nenhum. Chego á conclusão que perdi meio século a dedicar-me erradamente. E fico, de repente, infeliz. E esclarecido. Sou uma merda.
Entretanto, parece que me esqueço da felicidade e da segurança durante os 40 e tal anos em que era optimista e convencido. Se calhar, o resultado ou a opinião dos outros é apenas um elemento, ocasional e aleatório, do que valemos e de quem somos e do que vale o que escolhemos fazer. Ou não?
Miguel Esteves Cardoso, in Público, 29-01-10
Ser optimista é passar por estúpido. Não é inteligente porque os resultados esperados (não apenas desejados, mas esperados) são, pelo menos 90 por cento das vezes, piores do que se esperava.
Quanto maior o número de tristezas que acontecem - que doem e que deixam marca - mais difícil é manter a visão optismista que, mal por mal, tudo acabará por resolver-se. Quanto mais velhos ficamos e mais desilusões acumulamos, a tendência preguiçosa é concluir que são as esperanças que nos fazem sofrer.
No entanto, pode ser ainda mais estúpido julgar as esperanças e ilusões conforme os resultados delas. Vamos supor que eu passo 50 anos a acreditar que um dia reconhecerão o meu talento para escrever ou pintar. Quando perfaço 50 anos, descubro, através da reacção dos outros, que não tenho jeito nenhum. Chego á conclusão que perdi meio século a dedicar-me erradamente. E fico, de repente, infeliz. E esclarecido. Sou uma merda.
Entretanto, parece que me esqueço da felicidade e da segurança durante os 40 e tal anos em que era optimista e convencido. Se calhar, o resultado ou a opinião dos outros é apenas um elemento, ocasional e aleatório, do que valemos e de quem somos e do que vale o que escolhemos fazer. Ou não?
Miguel Esteves Cardoso, in Público, 29-01-10
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Oscar e Simply red
É curioso ver Niemeyer rendido à música dos Simply Red.
A casa que se vê no clip é a Casa das Canoas, projetada em 1951 e construída em 1953, para sua própia residência, no Rio de Janeiro.
Sobre a casa, o arquitecto disse:
Minha preocupação foi projectar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta.
Não sei a motivação de Oscar Niemeyer partiu da possibilidade de ver muitas mulheres a desfilar pelos limites da sua piscina - nunca escondeu o fascínio pela mulher e pelas curvas do seu corpo, até como fonte inspiradora para a arquitectura - ou se é um sério admirador da banda. Seja como for, aquela rocha que une a água da piscina ao interior da habitação é um magnífico cenário para esta música.
A casa que se vê no clip é a Casa das Canoas, projetada em 1951 e construída em 1953, para sua própia residência, no Rio de Janeiro.
Sobre a casa, o arquitecto disse:
Minha preocupação foi projectar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta.
Não sei a motivação de Oscar Niemeyer partiu da possibilidade de ver muitas mulheres a desfilar pelos limites da sua piscina - nunca escondeu o fascínio pela mulher e pelas curvas do seu corpo, até como fonte inspiradora para a arquitectura - ou se é um sério admirador da banda. Seja como for, aquela rocha que une a água da piscina ao interior da habitação é um magnífico cenário para esta música.
Música do dia; simplesmente Simply Red
Se há banda que eu lamento não ter visto e ouvido ao vivo, essa banda é Simply Red. É som a sério; verdadeira música! Em concerto, é certamente magistral.
Um despertar metaforicamente luminoso ou o fim do Carnaval!
O mundo voltou à sua ordem natural; as coisas, ao seu lugar; a ridicularia, guardada.
Passados estes dias - graças a Deus - os biquinis voltaram às gavetas lá de casa, para só de lá saírem no Verão e se molharem, não à chuva, mas no mar.
Passados estes dias - graças a Deus - os biquinis voltaram às gavetas lá de casa, para só de lá saírem no Verão e se molharem, não à chuva, mas no mar.
Na verdade, está na hora.
(...)
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
(...)
Fernando Pessoa, Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
(...)
Fernando Pessoa, Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Bizarias do mundo contemporâneo
Confesso: cada vez percebo menos este mundo e o comportamento humano. As redes sociais confuguram um universo que me causa estranheza. O modo como as pessoas se movem no seu ''espaço'' é para mim um enigma.
Num outro tempo, o Dia de S. Valentim (embora uma artificialidade inventada pelo comércio, sedento de consumo) era celebrado entre namorados. Mas isso parece ser uma realidade distante. Agora, há quem use o que lhe está ao alcance para mandar mensagens/presente ''que tenho especialmente para ti'' a quem se escolhe vá lá saber-se porquê. Normal não é, certamente. Já que não se trata de mais um dano colateral provocado pelo caso das escutas telefónicas, resta saber se é mais um efeito do buraco da camada de ozono ou, eventualmente, de um outro - em todo o caso não menos preocupante - dano devido ao aquecimento global.
Num outro tempo, o Dia de S. Valentim (embora uma artificialidade inventada pelo comércio, sedento de consumo) era celebrado entre namorados. Mas isso parece ser uma realidade distante. Agora, há quem use o que lhe está ao alcance para mandar mensagens/presente ''que tenho especialmente para ti'' a quem se escolhe vá lá saber-se porquê. Normal não é, certamente. Já que não se trata de mais um dano colateral provocado pelo caso das escutas telefónicas, resta saber se é mais um efeito do buraco da camada de ozono ou, eventualmente, de um outro - em todo o caso não menos preocupante - dano devido ao aquecimento global.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Palavras precisas
Muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos.
Honoré de Balzac
Honoré de Balzac
Precisa-se um Remake
Em meados do século XIX, o país tinha 4,5 milhões de habitantes e Lisboa, 220 mil.
Em 1910, a população tinha dobrado. A capital tinha crescido graças a novos habitantes vindos do campo.
A nova população era de base rural. A dimensão urbana estava, nesse tempo, ainda em desenvolvimento e, mesmo no centro, a cidade possuía franjas de ruralidade.
Moral da história? O desenvolvimento do teatro (a aposta na cultura, direi) constitui-se, na época, como estratégia de desenvolvimento da urbanidade.
Em 1910, a população tinha dobrado. A capital tinha crescido graças a novos habitantes vindos do campo.
A nova população era de base rural. A dimensão urbana estava, nesse tempo, ainda em desenvolvimento e, mesmo no centro, a cidade possuía franjas de ruralidade.
Moral da história? O desenvolvimento do teatro (a aposta na cultura, direi) constitui-se, na época, como estratégia de desenvolvimento da urbanidade.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Vals de novo
As famosas Termas de Zumthor são a referência espacial para este filme publicitário.
Sou um admirador de publicidade. Adoro publicidade bem feita e a capacidade, que lhe é própria, de passar uma mensagem em pouco tempo, de modo forte e claro.
A publicidade diz-me ainda mais quando é feita por um grande amigo como é o caso. Gosto que os amigos me digam coisas. Gosto que falem comigo, que comuniquem comigo, que o façam de modo claro e belo, nem que seja para que me digam qual a água que devo comprar.
O meu fascínio por publicidade ficou ampliado pelas palavras do próprio e o modo como descreve o processo de ''fabrico'' do filme.
''Como curiosidade, foi das filmagens mais estranhas e sublimes a que assisti. (...) Sobretudo pelo processo que o realizador (habitualmente fotógrafo de moda) usou para relacionar dois perfeitos estranhos: músicas belas de arrepiar, raios de luz a simular os reflexos da água e sentimentos a correr sem freios.''
Aqui fica o filme e o meu reconhecimento e admiração pelo seu trabalho.
Sou um admirador de publicidade. Adoro publicidade bem feita e a capacidade, que lhe é própria, de passar uma mensagem em pouco tempo, de modo forte e claro.
A publicidade diz-me ainda mais quando é feita por um grande amigo como é o caso. Gosto que os amigos me digam coisas. Gosto que falem comigo, que comuniquem comigo, que o façam de modo claro e belo, nem que seja para que me digam qual a água que devo comprar.
O meu fascínio por publicidade ficou ampliado pelas palavras do próprio e o modo como descreve o processo de ''fabrico'' do filme.
''Como curiosidade, foi das filmagens mais estranhas e sublimes a que assisti. (...) Sobretudo pelo processo que o realizador (habitualmente fotógrafo de moda) usou para relacionar dois perfeitos estranhos: músicas belas de arrepiar, raios de luz a simular os reflexos da água e sentimentos a correr sem freios.''
Aqui fica o filme e o meu reconhecimento e admiração pelo seu trabalho.
20 anos de liberdade exemplar
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
Nelson Mandela
Nelson Mandela
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Arquitectura como experiência total
Vals, Suiça; Peter Zumthor
Os sentidos participam na captação do espaço.
A dimensão fenomenológica da arquitectura é expressa em todos os espaços, em cada esquina dobrada, em cada nova parede transposta, em cada partícula de água que toca o corpo.
A luz velada que se insinua pelas fendas na cobertura é mágica; o seu azul é indizível e contrasta com as penumbras ou francas janelas sobre a paisagem. Os sons da água a bater nas superfícies têm um valor extremo e dão singularidade aos silêncios que se ouvem; a luz que se deforma ao romper a espessura da água, até atingir paredes e tectos, revela-se sempre diferente e única; as pétalas que flutuam captam o olfacto e ocupam-no; a temperatura que se liberta da pedra do chão transporta para o conforto desejado; a neve, lá fora, apela à mesma sensação e ao contraste absoluto entre dentro e fora; a água no exterior, por fim, a 36º, permite o sublime.


Os sentidos participam na captação do espaço.
A dimensão fenomenológica da arquitectura é expressa em todos os espaços, em cada esquina dobrada, em cada nova parede transposta, em cada partícula de água que toca o corpo.
A luz velada que se insinua pelas fendas na cobertura é mágica; o seu azul é indizível e contrasta com as penumbras ou francas janelas sobre a paisagem. Os sons da água a bater nas superfícies têm um valor extremo e dão singularidade aos silêncios que se ouvem; a luz que se deforma ao romper a espessura da água, até atingir paredes e tectos, revela-se sempre diferente e única; as pétalas que flutuam captam o olfacto e ocupam-no; a temperatura que se liberta da pedra do chão transporta para o conforto desejado; a neve, lá fora, apela à mesma sensação e ao contraste absoluto entre dentro e fora; a água no exterior, por fim, a 36º, permite o sublime.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Eis a qualidade da nossa democracia
Podemos até conceder que € 50 000 00,00 não são nada (eu descordo que não sejam), quantia adicional em causa com a nova Lei das Finanças Regionais. Mas não é disso que se trata. Estamos em presença de um assunto de justiça e rigor. A solidariedade nacional funciona em todos os sentidos e não apenas do Continente para a Madeira (que, se dependesse de mim, já era um Estado independente). A Madeira, à luz dos critérios europeus, é uma região rica: tem um rendimento equivalente a 88% da média da União Europeia. Mais: tem um rendimento per capita superior à média nacional, correspondente a 128% desse valor, apenas batido pela região de Lisboa. Mais, ainda: o endividamento dos Açores é praticamente nulo e o da Madeira é 127% do produto interno bruto da região. Quanto a mim, tenho uma certeza: não quero continuar a pagar esses desgovernos e a contribuir para uma região que é mais rica do que aquela onde vivo.
Basta uma viagem à Madeira para ver o quão bem é gasto o dinheiro dos contribuintes em Equipamentos Públicos, novos, em todos os ''buracos no meio do nada'' e quase sem população. É bom de ver, sobretudo, porque muitos deles não funcionam.
Os senhores deputados, sensíveis ao facto, quiseram dar um impulso adicional à região.
Por mim, tenho uma certeza: declaro, unilateralmente, a independência da Madeira e da Assembleia da República.
Basta uma viagem à Madeira para ver o quão bem é gasto o dinheiro dos contribuintes em Equipamentos Públicos, novos, em todos os ''buracos no meio do nada'' e quase sem população. É bom de ver, sobretudo, porque muitos deles não funcionam.
Os senhores deputados, sensíveis ao facto, quiseram dar um impulso adicional à região.
Por mim, tenho uma certeza: declaro, unilateralmente, a independência da Madeira e da Assembleia da República.
Música do dia
Nenhum instrumento me toca como o piano. Pedro Burmester refere-o como o mais completo de todos. Quando bem tocado atinge a perfeição. Sempre me impressionou como se consegue arrancar sons, beleza, a um objecto inerte - é um dom! Os solos de piano são transcendência. Quando são ouvidos, o tempo imobiliza-se. A atenção detém-se. Tudo o resto é suspenso.
Transparência das coisas sábias
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
William Shakespeare
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
William Shakespeare
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Descubra as diferenças
O exemplo de um homem cuja estatura excede claramente a dimensão do mundo e do seu tempo. Uma lição de perdão, de compaixão, de amor, de determinação, de inteligência, de sensibilidade.
Simplesmente inspirador.
Simplesmente inspirador.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Não Gosto!
Cada vez gosto mais de ser português e cada vez tenho mais orgulho no meu país. É-me insuportável ouvir dizer «somos um país pequeno e periférico». Para mim Portugal é central e muito grande.
António Lobo Antunes, Jornal de Letras, 25.10.2006
É como os familiares de quem não gostamos. Só nós é que podemos dizer mal deles e não suportamos que outros o façam.
Não gosto que um qualquer cidadão da União Europeia de uma qualquer agência sinistra de rating diga que Portugal está todo tramado e que não é fiável.
António Lobo Antunes, Jornal de Letras, 25.10.2006
É verdade que este país é pródigo em bizarrias e no ilógico. Mas é o nosso.
É como os familiares de quem não gostamos. Só nós é que podemos dizer mal deles e não suportamos que outros o façam.
Não gosto que um qualquer cidadão da União Europeia de uma qualquer agência sinistra de rating diga que Portugal está todo tramado e que não é fiável.
Palavra certa
Todos nós, homens e mulheres, não somos, de facto, tão diferentes, senão aquilo que escrevemos ou pintamos não teria nenhum impacto nos outros. Afinal, o que nos faz aderir a um livro é pensar «É mesmo isto que eu sinto e não era capaz de exprimir», não é?
António Lobo Antunes, O Jornal, 30.10.1992
António Lobo Antunes, O Jornal, 30.10.1992
Livro de Horas
Livro de Horas
Aqui diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas
O dos facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Miguel Torga
Aqui diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas
O dos facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Miguel Torga
Música do dia/sons de sempre
Música escrita em 1959 por Jacques Brel, na sequência da separação de Suzanne Gabriello, foi interpretada por diversos cantores e em vários idiomas, incluindo Maysa Matarazzo, numa versão surpreendente.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Casinha de bonecas; literalmente
Para um verdadeira educação para a arquitectura (direi, eu), a empresa Sirch criou um brinquedo completamete distinto daqueles que se podem encontrar no mercado.
Não creio que este modelo seja mais válido do que outros; não me manifesto a favor de uma imagem específica; mas acredito que a diversidade só pode ser benéfica e ajudar a alargar horizontes e referências. Fá-lo-ía com toda a certeza em Portugal, onde o caminho a percorrer ainda é necessariamente longo, apesar das evidentes transformações que a sociedade tem registado na convivência e entendimento com e da arquitectura.
Não creio que este modelo seja mais válido do que outros; não me manifesto a favor de uma imagem específica; mas acredito que a diversidade só pode ser benéfica e ajudar a alargar horizontes e referências. Fá-lo-ía com toda a certeza em Portugal, onde o caminho a percorrer ainda é necessariamente longo, apesar das evidentes transformações que a sociedade tem registado na convivência e entendimento com e da arquitectura.
Música do dia
Não há nada mais estúpido e sem sentido do que a morte. Lobo Antunes tem razão: ''A morte é sempre uma puta e, a uma puta, não se pode dar confiança.''
Resta, apesar disso, o talento ou as realizações, que fazem com que certas pessoas permaneçam para além da presença física. É francamente o caso.
Resta, apesar disso, o talento ou as realizações, que fazem com que certas pessoas permaneçam para além da presença física. É francamente o caso.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Momentos de desatenção
Todos os desenhos têm uma história: entre fugas do espaço concreto de uma reunião, a evasões entre palavras não lidas, é impossível deter a Bic de cor preta. Nesses momentos, é ela que me comanda. É como um exercício de superação, um desafio, face ao momento inicial e frente à folha branca. Lembro-me sempre das palavras de Távora (tão conpreensíveis para qualquer arquitecto), a propósito do começo de um novo projecto: ''é este que eu não vou conseguir fazer.''




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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