quinta-feira, 11 de março de 2010
Lisa Surfs Better Than You
Com este título, Lisa Anderson tornava-se notícia, em 1996. Pela primeira vez, uma mulher fazia a capa da Surfer. O discurso era objectivo: uma mulher surfava melhor do que a esmagadora maioria dos homens. Sem mensagens subliminares ou rebuscadas era dada uma forte facada no machismo de um meio marcadamente masculino.
As 7 vezes que foi campeã do mundo deixam atrás de si uma história completamente diferente do surf feminino, do surf, em geral.
As 7 vezes que foi campeã do mundo deixam atrás de si uma história completamente diferente do surf feminino, do surf, em geral.
quarta-feira, 10 de março de 2010
What about now?
Salazar, uma entrevista, ano de 1938:
os arquitectos e urbanistas [na vida de então] teriam cada vez mais que fazer.
os arquitectos e urbanistas [na vida de então] teriam cada vez mais que fazer.
De novo, um novo céu
Música do dia
Uma grande versão, aqui intertpretada por Sting. Que interessa que a imagem seja horrível, despropositada, se o som é forte, poderoso, bom, magnífico?
Esta música é sempre surpreendente. É uma das marcas da música de língua francesa e, mais, de toda a música do século XX. Foi escrita por Brel depois de uma separação. Iroricamente, este tipo de choques, passos, atrás, desvios no percurso, quedas, estimulam o melhor do génio criativo. A mim, a nós, resta apreciar e desfrutar - pode até ser egoísta, mas é, seguramente, o que todo o criador deseja com a sua obra. Que se cumpra tal vontade.
Esta música é sempre surpreendente. É uma das marcas da música de língua francesa e, mais, de toda a música do século XX. Foi escrita por Brel depois de uma separação. Iroricamente, este tipo de choques, passos, atrás, desvios no percurso, quedas, estimulam o melhor do génio criativo. A mim, a nós, resta apreciar e desfrutar - pode até ser egoísta, mas é, seguramente, o que todo o criador deseja com a sua obra. Que se cumpra tal vontade.
Pensamento para um dia de sol ausente
Viver a vida em sonho e falso é sempre viver a vida. Abdicar é agir. Sonhar é confessar a necessidade de viver, substituindo a vida real pela vida irreal, e assim é uma compensação da inalienabilidade do querer viver.
Bernardo Soares, Livro do desassossego
Bernardo Soares, Livro do desassossego
terça-feira, 9 de março de 2010
As invariantes das coisas permanentes
Avenida da Liberdade por Fialho de Almeida - 1893:
corredor de cantaria (...), bisonho canal de casarões saloios que arrotam sobre a via, chatos e altíssimos.
corredor de cantaria (...), bisonho canal de casarões saloios que arrotam sobre a via, chatos e altíssimos.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Presente substituído - cenário(s) de evolução desejado(s)
Morning - evocação (para um tempo outro)
quarta-feira, 3 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Ensinamentos de Vitrúvio
Os arquitectos que sem letras só procuram ser prácticos e destros de mãos, não poderão conseguir crédito algum com as duas obras; os que se fiam somente no raciocínio e letras perseguirão apenas uma sombra das coisas, não as coisas mesmo.
Aforismos Roubados
O bom português é várias pessoas.
Fernando Pessoa, Páginas íntimas e de auto-interpretação.
Fernando Pessoa, Páginas íntimas e de auto-interpretação.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Onde pára a poética?
1938
Cardeal Cerejeira, a propósito das críticas dirigidas à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa: ''quanto a ser moderna não compreendemos sequer que pudesse ser outra coisa. Todas as formas artísticas do passado foram moderna em relação ao seu tempo''; ''copiar cegamente formas artísticas de outras épocas será fazer obras de arqueologia, mas não seguramente obra viva de arte.''
1953
Pastoral do Patriarcado sobre arte sacra: a Igreja ''acolhera [os novos estilos] em todos os tempos''; afirmara-se o ''desejo vivo de melhor adaptação das formas de arte às condições de vida, o gosto mais marcado da sua sinceridade, da clareza, da simplicidade.''
2010
Nossa Senhora de Lourdes, Coimbra
Cardeal Cerejeira, a propósito das críticas dirigidas à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa: ''quanto a ser moderna não compreendemos sequer que pudesse ser outra coisa. Todas as formas artísticas do passado foram moderna em relação ao seu tempo''; ''copiar cegamente formas artísticas de outras épocas será fazer obras de arqueologia, mas não seguramente obra viva de arte.''
1953
Pastoral do Patriarcado sobre arte sacra: a Igreja ''acolhera [os novos estilos] em todos os tempos''; afirmara-se o ''desejo vivo de melhor adaptação das formas de arte às condições de vida, o gosto mais marcado da sua sinceridade, da clareza, da simplicidade.''
2010
Nossa Senhora de Lourdes, Coimbra
Presente Cool
Inscrito por aí
Os documentos são um meio cómodo de nos dar a ilusão de originalidade. É, porém, mais difícil fazer leitura nova e fresca de factos já conhecidos.
George Duby, in Pedro Vieira de Almeida, Arquitectura no Estado Novo - uma leitura crírica
George Duby, in Pedro Vieira de Almeida, Arquitectura no Estado Novo - uma leitura crírica
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Explicação fundadora
Portugal não é um país de grande cidades.
A sua rede urbana assenta fundamentalmente em cidades de pequena e média dimensão, e ainda hoje o país apresenta a mais baixa taxa de urbanização da União Europeia.
Margaria Souza Lôbo, Cultura Urbana e Território in Portugal Arquitectura do Século XX
A sua rede urbana assenta fundamentalmente em cidades de pequena e média dimensão, e ainda hoje o país apresenta a mais baixa taxa de urbanização da União Europeia.
Margaria Souza Lôbo, Cultura Urbana e Território in Portugal Arquitectura do Século XX
Metáfora do fim impossível
Construção individual
A arquitectura é sempre uma elaboração indeterminada.
Nunca está completa. Tem tanto de intencional, como de abertura ao aleatório e à construção individual e pelas circunstâncias, sempre em mutação.
Cada pessoa é simultaneamente espectador/utilizador - na condição de utente - e agente activo de construção de espaços únicos e imagens singulares.
Nunca está completa. Tem tanto de intencional, como de abertura ao aleatório e à construção individual e pelas circunstâncias, sempre em mutação.
Cada pessoa é simultaneamente espectador/utilizador - na condição de utente - e agente activo de construção de espaços únicos e imagens singulares.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Passado ou actual?
Em Portugal hoje não se faz arquitectuta e, pior ainda, entre nós não pretende sequer fazer-se arquitectura.
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1947
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1947
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O país em números - II
Em 1932, de seiscentos projectos submetidos à Câmara de Lisboa só dez foram assinados por arquitectos - e o total da cidade recente tinha mais de noventa e nove por cento de edifícios projectados por 'curiosos'!
Adelino Nunes in José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX
Adelino Nunes in José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Hesitações na arquitectura portuguesa - II
O país em números
Portugal, 1962
Lisboa: 157 arquitectos;
Porto: 148 arquitectos.
Aumento de 100% no Porto e de 133% em Lisboa, relativamente a 1948.
Lisboa: 157 arquitectos;
Porto: 148 arquitectos.
Aumento de 100% no Porto e de 133% em Lisboa, relativamente a 1948.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Ainda a propósito da ParquEscolar
Comentários e notícias sobre a ParquEscolar têm feito marca nos jornais e blogues.
O programa de modernização das escolas é com toda a certeza uma boa iniciativa, iniciada ainda no anterior Governo. Isso não está em causa. Mas os número e factos são mais um indicador da qualidade da nossa democracia e da forma como se comportam as instituições e aqueles que as representam.
A adjudicação directa dos projectos de arquitectura e especialidades só não é anedótica por ser grave. E os factos, números e palavras só não causam escândalo porque, em Portugal, a indignação anda retirada da cena pública, talvez a banhos e à procura de se libertar para melhores paragens.
Vale a pena reter algumas frases e declarações.
Cumpridas e por ajuste directo, estão já as fases 0, 1 e 2 deste programa. E uma coisa resulta óbvia. A urgência que podia justificar a contratação directa naquela primeira fase esgotou-se nesse momento inicial e nada o pode sustentar no prosseguimento do programa. É sabido que a empresa tem justificado a via contratual seguida com a especialização dos projectos e a competência dos profissionais seleccionados. No artigo do Jornal Público de 15/02/2010, e que o artigo de opinião de Guilherme Castro (arquitecto) reproduz no mesmo jornal, em 21/02/2010, há ‘’poucos [gabinetes de projectos] com capacidade para responder a este tipo de encomenda’’. Talvez essa convicção justifique, aos olhos Sintra Nunes, que tenham sido adjudicados 25 projectos a apenas três empresas/equipas de projectistas e que tão só 12 empresas sejam responsáveis por mais de 19% da encomenda.
Deve ser a mesma que justifica que um único gabinete se tenha elaborado 11 projectos e que a muitos outros tenha cabido em sorte 2 ou 3. Será certamente essa, ainda, que dá suporte a que nenhum concurso tenha sido lançado para selecção dos projectistas ou que continue a fazer-se dentro de meios extremamente reduzidos e circunscritos.
Face ao quadro em questão, a Ordem dos Arquitectos, esteve votada a silêncio ensurdecedor e só recentemente tomou posição pública sobre o assunto. O seu papel é, em todo o caso, a defesa intransigente da Arquitectura. Pode pensar-se que nada dizendo, estava a exercer essa defesa de modo convicto. Mas a pergunta resulta óbvia: se fossem outros os projectistas envolvidos a posição da Ordem seria a mesma?
Quanto ao Presidente da ParquEscolar, não se pode deixar de reparar nos equívocos que só são recomendáveis para consumo externo. Porém, no interior da classe dos arquitectos, não deixam de fazer sorrir. O meio é pequeno, somos poucos, muita gente conhece-se, sabe-se quem tem encomenda dessa empresa de capitais públicos, sabe-se da dimensão dos gabinetes envolvidos. Justificar as escolhas com especiais capacidades é apenas mais uma curiosidade de todo o processo.
A verdade de tudo isto, para além de tudo que possa ser dito, é que até agora toda a gente estava calada e expectante. Mas agora que os resultados se começam a conhecer, já ninguém consegue manter o mesmo silêncio, nem esconder o incómodo. Pode reconhecer-se que todos os bons projectos precisam de tempo de realização e que as boas ideias necessitam de amadurecimento. Ora tempo é coisa que a ParquEscolar não concede. Isso pode desculpar a falta de entusiasmo que, em ternos puramente disciplinares, suscitam as obras até agora conhecidas, mas já não justifica os silêncios da Ordem, nem os dogmatismos da empresa.
Injustificável é, por fim e como mais um atropelo do programa, a falta de incorporação de critérios patrimoniais na selecção das escolas para cada fase de intervenção. Não é admissível que, a favor de escolas de projecto tipo dos anos 80 ou de outras que, embora melhores, não acompanham a melhor arquitectura do país, sejam preteridos exemplares valiosos da arquitectura do primeiro ciclo moderno dos anos 30. Está em causa o Liceu José Falcão, da autoria de Carlos Ramos, erigido durante o Estado Novo. Esta Escola é um dos mais significativos testemunhos do ciclo de obras públicas que foi construído segundo um léxico inteiramente novo no país. É incompreensível, pois, segundo um olhar patrimonial, que a desinteressante Escola do vale das Flores, O pastelão nacionalista-pitoresco do D. Maria ou mesmo a hesitante Brotero, sejam alvo de preferência relativamente a aquela escola e só para citar a cidade de Coimbra.
O programa de modernização das escolas é com toda a certeza uma boa iniciativa, iniciada ainda no anterior Governo. Isso não está em causa. Mas os número e factos são mais um indicador da qualidade da nossa democracia e da forma como se comportam as instituições e aqueles que as representam.
A adjudicação directa dos projectos de arquitectura e especialidades só não é anedótica por ser grave. E os factos, números e palavras só não causam escândalo porque, em Portugal, a indignação anda retirada da cena pública, talvez a banhos e à procura de se libertar para melhores paragens.
Vale a pena reter algumas frases e declarações.
Cumpridas e por ajuste directo, estão já as fases 0, 1 e 2 deste programa. E uma coisa resulta óbvia. A urgência que podia justificar a contratação directa naquela primeira fase esgotou-se nesse momento inicial e nada o pode sustentar no prosseguimento do programa. É sabido que a empresa tem justificado a via contratual seguida com a especialização dos projectos e a competência dos profissionais seleccionados. No artigo do Jornal Público de 15/02/2010, e que o artigo de opinião de Guilherme Castro (arquitecto) reproduz no mesmo jornal, em 21/02/2010, há ‘’poucos [gabinetes de projectos] com capacidade para responder a este tipo de encomenda’’. Talvez essa convicção justifique, aos olhos Sintra Nunes, que tenham sido adjudicados 25 projectos a apenas três empresas/equipas de projectistas e que tão só 12 empresas sejam responsáveis por mais de 19% da encomenda.
Deve ser a mesma que justifica que um único gabinete se tenha elaborado 11 projectos e que a muitos outros tenha cabido em sorte 2 ou 3. Será certamente essa, ainda, que dá suporte a que nenhum concurso tenha sido lançado para selecção dos projectistas ou que continue a fazer-se dentro de meios extremamente reduzidos e circunscritos.
Face ao quadro em questão, a Ordem dos Arquitectos, esteve votada a silêncio ensurdecedor e só recentemente tomou posição pública sobre o assunto. O seu papel é, em todo o caso, a defesa intransigente da Arquitectura. Pode pensar-se que nada dizendo, estava a exercer essa defesa de modo convicto. Mas a pergunta resulta óbvia: se fossem outros os projectistas envolvidos a posição da Ordem seria a mesma?
Quanto ao Presidente da ParquEscolar, não se pode deixar de reparar nos equívocos que só são recomendáveis para consumo externo. Porém, no interior da classe dos arquitectos, não deixam de fazer sorrir. O meio é pequeno, somos poucos, muita gente conhece-se, sabe-se quem tem encomenda dessa empresa de capitais públicos, sabe-se da dimensão dos gabinetes envolvidos. Justificar as escolhas com especiais capacidades é apenas mais uma curiosidade de todo o processo.
A verdade de tudo isto, para além de tudo que possa ser dito, é que até agora toda a gente estava calada e expectante. Mas agora que os resultados se começam a conhecer, já ninguém consegue manter o mesmo silêncio, nem esconder o incómodo. Pode reconhecer-se que todos os bons projectos precisam de tempo de realização e que as boas ideias necessitam de amadurecimento. Ora tempo é coisa que a ParquEscolar não concede. Isso pode desculpar a falta de entusiasmo que, em ternos puramente disciplinares, suscitam as obras até agora conhecidas, mas já não justifica os silêncios da Ordem, nem os dogmatismos da empresa.
Injustificável é, por fim e como mais um atropelo do programa, a falta de incorporação de critérios patrimoniais na selecção das escolas para cada fase de intervenção. Não é admissível que, a favor de escolas de projecto tipo dos anos 80 ou de outras que, embora melhores, não acompanham a melhor arquitectura do país, sejam preteridos exemplares valiosos da arquitectura do primeiro ciclo moderno dos anos 30. Está em causa o Liceu José Falcão, da autoria de Carlos Ramos, erigido durante o Estado Novo. Esta Escola é um dos mais significativos testemunhos do ciclo de obras públicas que foi construído segundo um léxico inteiramente novo no país. É incompreensível, pois, segundo um olhar patrimonial, que a desinteressante Escola do vale das Flores, O pastelão nacionalista-pitoresco do D. Maria ou mesmo a hesitante Brotero, sejam alvo de preferência relativamente a aquela escola e só para citar a cidade de Coimbra.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Imagem do dia - my work
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Na verdade, é isso mesmo
Ser optimista sai caro. Custa muito: tanto no esforço de virarmos as costas às coisas que vimos no sentido da esperança, como na rajada da dor, que provocamos, acreditando que, apesar de tudo, tivemos sorte.
Ser optimista é passar por estúpido. Não é inteligente porque os resultados esperados (não apenas desejados, mas esperados) são, pelo menos 90 por cento das vezes, piores do que se esperava.
Quanto maior o número de tristezas que acontecem - que doem e que deixam marca - mais difícil é manter a visão optismista que, mal por mal, tudo acabará por resolver-se. Quanto mais velhos ficamos e mais desilusões acumulamos, a tendência preguiçosa é concluir que são as esperanças que nos fazem sofrer.
No entanto, pode ser ainda mais estúpido julgar as esperanças e ilusões conforme os resultados delas. Vamos supor que eu passo 50 anos a acreditar que um dia reconhecerão o meu talento para escrever ou pintar. Quando perfaço 50 anos, descubro, através da reacção dos outros, que não tenho jeito nenhum. Chego á conclusão que perdi meio século a dedicar-me erradamente. E fico, de repente, infeliz. E esclarecido. Sou uma merda.
Entretanto, parece que me esqueço da felicidade e da segurança durante os 40 e tal anos em que era optimista e convencido. Se calhar, o resultado ou a opinião dos outros é apenas um elemento, ocasional e aleatório, do que valemos e de quem somos e do que vale o que escolhemos fazer. Ou não?
Miguel Esteves Cardoso, in Público, 29-01-10
Ser optimista é passar por estúpido. Não é inteligente porque os resultados esperados (não apenas desejados, mas esperados) são, pelo menos 90 por cento das vezes, piores do que se esperava.
Quanto maior o número de tristezas que acontecem - que doem e que deixam marca - mais difícil é manter a visão optismista que, mal por mal, tudo acabará por resolver-se. Quanto mais velhos ficamos e mais desilusões acumulamos, a tendência preguiçosa é concluir que são as esperanças que nos fazem sofrer.
No entanto, pode ser ainda mais estúpido julgar as esperanças e ilusões conforme os resultados delas. Vamos supor que eu passo 50 anos a acreditar que um dia reconhecerão o meu talento para escrever ou pintar. Quando perfaço 50 anos, descubro, através da reacção dos outros, que não tenho jeito nenhum. Chego á conclusão que perdi meio século a dedicar-me erradamente. E fico, de repente, infeliz. E esclarecido. Sou uma merda.
Entretanto, parece que me esqueço da felicidade e da segurança durante os 40 e tal anos em que era optimista e convencido. Se calhar, o resultado ou a opinião dos outros é apenas um elemento, ocasional e aleatório, do que valemos e de quem somos e do que vale o que escolhemos fazer. Ou não?
Miguel Esteves Cardoso, in Público, 29-01-10
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Oscar e Simply red
É curioso ver Niemeyer rendido à música dos Simply Red.
A casa que se vê no clip é a Casa das Canoas, projetada em 1951 e construída em 1953, para sua própia residência, no Rio de Janeiro.
Sobre a casa, o arquitecto disse:
Minha preocupação foi projectar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta.
Não sei a motivação de Oscar Niemeyer partiu da possibilidade de ver muitas mulheres a desfilar pelos limites da sua piscina - nunca escondeu o fascínio pela mulher e pelas curvas do seu corpo, até como fonte inspiradora para a arquitectura - ou se é um sério admirador da banda. Seja como for, aquela rocha que une a água da piscina ao interior da habitação é um magnífico cenário para esta música.
A casa que se vê no clip é a Casa das Canoas, projetada em 1951 e construída em 1953, para sua própia residência, no Rio de Janeiro.
Sobre a casa, o arquitecto disse:
Minha preocupação foi projectar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta.
Não sei a motivação de Oscar Niemeyer partiu da possibilidade de ver muitas mulheres a desfilar pelos limites da sua piscina - nunca escondeu o fascínio pela mulher e pelas curvas do seu corpo, até como fonte inspiradora para a arquitectura - ou se é um sério admirador da banda. Seja como for, aquela rocha que une a água da piscina ao interior da habitação é um magnífico cenário para esta música.
Música do dia; simplesmente Simply Red
Se há banda que eu lamento não ter visto e ouvido ao vivo, essa banda é Simply Red. É som a sério; verdadeira música! Em concerto, é certamente magistral.
Um despertar metaforicamente luminoso ou o fim do Carnaval!
O mundo voltou à sua ordem natural; as coisas, ao seu lugar; a ridicularia, guardada.
Passados estes dias - graças a Deus - os biquinis voltaram às gavetas lá de casa, para só de lá saírem no Verão e se molharem, não à chuva, mas no mar.
Passados estes dias - graças a Deus - os biquinis voltaram às gavetas lá de casa, para só de lá saírem no Verão e se molharem, não à chuva, mas no mar.
Na verdade, está na hora.
(...)
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
(...)
Fernando Pessoa, Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
(...)
Fernando Pessoa, Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Bizarias do mundo contemporâneo
Confesso: cada vez percebo menos este mundo e o comportamento humano. As redes sociais confuguram um universo que me causa estranheza. O modo como as pessoas se movem no seu ''espaço'' é para mim um enigma.
Num outro tempo, o Dia de S. Valentim (embora uma artificialidade inventada pelo comércio, sedento de consumo) era celebrado entre namorados. Mas isso parece ser uma realidade distante. Agora, há quem use o que lhe está ao alcance para mandar mensagens/presente ''que tenho especialmente para ti'' a quem se escolhe vá lá saber-se porquê. Normal não é, certamente. Já que não se trata de mais um dano colateral provocado pelo caso das escutas telefónicas, resta saber se é mais um efeito do buraco da camada de ozono ou, eventualmente, de um outro - em todo o caso não menos preocupante - dano devido ao aquecimento global.
Num outro tempo, o Dia de S. Valentim (embora uma artificialidade inventada pelo comércio, sedento de consumo) era celebrado entre namorados. Mas isso parece ser uma realidade distante. Agora, há quem use o que lhe está ao alcance para mandar mensagens/presente ''que tenho especialmente para ti'' a quem se escolhe vá lá saber-se porquê. Normal não é, certamente. Já que não se trata de mais um dano colateral provocado pelo caso das escutas telefónicas, resta saber se é mais um efeito do buraco da camada de ozono ou, eventualmente, de um outro - em todo o caso não menos preocupante - dano devido ao aquecimento global.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Palavras precisas
Muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos.
Honoré de Balzac
Honoré de Balzac
Precisa-se um Remake
Em meados do século XIX, o país tinha 4,5 milhões de habitantes e Lisboa, 220 mil.
Em 1910, a população tinha dobrado. A capital tinha crescido graças a novos habitantes vindos do campo.
A nova população era de base rural. A dimensão urbana estava, nesse tempo, ainda em desenvolvimento e, mesmo no centro, a cidade possuía franjas de ruralidade.
Moral da história? O desenvolvimento do teatro (a aposta na cultura, direi) constitui-se, na época, como estratégia de desenvolvimento da urbanidade.
Em 1910, a população tinha dobrado. A capital tinha crescido graças a novos habitantes vindos do campo.
A nova população era de base rural. A dimensão urbana estava, nesse tempo, ainda em desenvolvimento e, mesmo no centro, a cidade possuía franjas de ruralidade.
Moral da história? O desenvolvimento do teatro (a aposta na cultura, direi) constitui-se, na época, como estratégia de desenvolvimento da urbanidade.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Vals de novo
As famosas Termas de Zumthor são a referência espacial para este filme publicitário.
Sou um admirador de publicidade. Adoro publicidade bem feita e a capacidade, que lhe é própria, de passar uma mensagem em pouco tempo, de modo forte e claro.
A publicidade diz-me ainda mais quando é feita por um grande amigo como é o caso. Gosto que os amigos me digam coisas. Gosto que falem comigo, que comuniquem comigo, que o façam de modo claro e belo, nem que seja para que me digam qual a água que devo comprar.
O meu fascínio por publicidade ficou ampliado pelas palavras do próprio e o modo como descreve o processo de ''fabrico'' do filme.
''Como curiosidade, foi das filmagens mais estranhas e sublimes a que assisti. (...) Sobretudo pelo processo que o realizador (habitualmente fotógrafo de moda) usou para relacionar dois perfeitos estranhos: músicas belas de arrepiar, raios de luz a simular os reflexos da água e sentimentos a correr sem freios.''
Aqui fica o filme e o meu reconhecimento e admiração pelo seu trabalho.
Sou um admirador de publicidade. Adoro publicidade bem feita e a capacidade, que lhe é própria, de passar uma mensagem em pouco tempo, de modo forte e claro.
A publicidade diz-me ainda mais quando é feita por um grande amigo como é o caso. Gosto que os amigos me digam coisas. Gosto que falem comigo, que comuniquem comigo, que o façam de modo claro e belo, nem que seja para que me digam qual a água que devo comprar.
O meu fascínio por publicidade ficou ampliado pelas palavras do próprio e o modo como descreve o processo de ''fabrico'' do filme.
''Como curiosidade, foi das filmagens mais estranhas e sublimes a que assisti. (...) Sobretudo pelo processo que o realizador (habitualmente fotógrafo de moda) usou para relacionar dois perfeitos estranhos: músicas belas de arrepiar, raios de luz a simular os reflexos da água e sentimentos a correr sem freios.''
Aqui fica o filme e o meu reconhecimento e admiração pelo seu trabalho.
20 anos de liberdade exemplar
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
Nelson Mandela
Nelson Mandela
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