Com este título, Lisa Anderson tornava-se notícia, em 1996. Pela primeira vez, uma mulher fazia a capa da Surfer. O discurso era objectivo: uma mulher surfava melhor do que a esmagadora maioria dos homens. Sem mensagens subliminares ou rebuscadas era dada uma forte facada no machismo de um meio marcadamente masculino. As 7 vezes que foi campeã do mundo deixam atrás de si uma história completamente diferente do surf feminino, do surf, em geral.
A um sol que me invade este espaço, que se destapou após largas horas em que esteve para além do denso cinzento, que me aquece o olhar. Saúdo-o e às sombras, contrastes e penumbras que provoca.
Uma grande versão, aqui intertpretada por Sting. Que interessa que a imagem seja horrível, despropositada, se o som é forte, poderoso, bom, magnífico? Esta música é sempre surpreendente. É uma das marcas da música de língua francesa e, mais, de toda a música do século XX. Foi escrita por Brel depois de uma separação. Iroricamente, este tipo de choques, passos, atrás, desvios no percurso, quedas, estimulam o melhor do génio criativo. A mim, a nós, resta apreciar e desfrutar - pode até ser egoísta, mas é, seguramente, o que todo o criador deseja com a sua obra. Que se cumpra tal vontade.
Viver a vida em sonho e falso é sempre viver a vida. Abdicar é agir. Sonhar é confessar a necessidade de viver, substituindo a vida real pela vida irreal, e assim é uma compensação da inalienabilidade do querer viver.
Avenida da Liberdade por Fialho de Almeida - 1893: corredor de cantaria (...), bisonho canal de casarões saloios que arrotam sobre a via, chatos e altíssimos.
O mergulho na chuva que não larga o ar é evocativo. A estátua Morning, debaixo de sol, no pátio, surge-me imediatamente. A boa arquitectura tem solução para quase tudo
Os arquitectos que sem letras só procuram ser prácticos e destros de mãos, não poderão conseguir crédito algum com as duas obras; os que se fiam somente no raciocínio e letras perseguirão apenas uma sombra das coisas, não as coisas mesmo.
1938 Cardeal Cerejeira, a propósito das críticas dirigidas à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa: ''quanto a ser moderna não compreendemos sequer que pudesse ser outra coisa. Todas as formas artísticas do passado foram moderna em relação ao seu tempo''; ''copiar cegamente formas artísticas de outras épocas será fazer obras de arqueologia, mas não seguramente obra viva de arte.''
1953 Pastoral do Patriarcado sobre arte sacra: a Igreja ''acolhera [os novos estilos] em todos os tempos''; afirmara-se o ''desejo vivo de melhor adaptação das formas de arte às condições de vida, o gosto mais marcado da sua sinceridade, da clareza, da simplicidade.''
Portugal não é um país de grande cidades. A sua rede urbana assenta fundamentalmente em cidades de pequena e média dimensão, e ainda hoje o país apresenta a mais baixa taxa de urbanização da União Europeia.
Margaria Souza Lôbo, Cultura Urbana e Território in Portugal Arquitectura do Século XX
A cidade nunca está completa. É seguramente a mais indeterminada de todas as realizações do Homem. Nunca será possível colocar-lhe a palavra fim. Está sempre em definição, em estratos, em camadas sobrepostas de matéria e tempo. Qualquer estaleiro é uma metáfora de si própria.
A arquitectura é sempre uma elaboração indeterminada. Nunca está completa. Tem tanto de intencional, como de abertura ao aleatório e à construção individual e pelas circunstâncias, sempre em mutação. Cada pessoa é simultaneamente espectador/utilizador - na condição de utente - e agente activo de construção de espaços únicos e imagens singulares.