quarta-feira, 31 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
Testemumhos do tempo em movimento - AGORA
quinta-feira, 25 de março de 2010
Volto a dizer, com total propriedade
Alguns pressentem a chuva; outros contentam-se em molhar-se.
Henry Miller
...e eu queria simplesmente que passasse!
Henry Miller
...e eu queria simplesmente que passasse!
Para apaziguar
Para mentes inquietas a precisar de férias. Com solidariedade.
Não vou inventar histórias, desfiando um novelo que não sei onde começa, muito menos onde termina. Não vou invocar doces indolências reconfortantes. Não vou evocar o espírito da paz serena. Não vou lembrar o rigor e acerto do PEC, a necessidade urgente de mais uma travessia sobre o Tejo ou a falta que fará gastar mais nas despesas intermédias do Estado. Não quero elogiar todo o bom rumo do país, nem os 15 pontos percentuais que o déficit cresceu durante a governação do PSD e do PS, com maior empennho do primeiro para esse número, que alguns chamam de descontrolo das contas públicas e que eu não classifico de forma alguma. Não quero saber da Fitch, do FMI, nem do Banco Central Europeu, da Euribor ou das notas de €500,00 que nunca vi (dizem que existem, como as bruxas). Não vou lembrar-me do sector imobiliário em crise, nem da redução das vendas do sector automóvel. Não me vou recordar das históricas datas de 1143, 1640, 1910, 1926, 1974, 1986, nem de todas as outras. A Tap continuará a voar independentemente do que eu poste. O sindicatos não querem saber de mim. As eleições na Rua de São Caetano à Lapa seguirão entre o mau, o menos mau, o que não é para levar a sério e o salve-se que puder. Não vi o Avatar e vou continuar assim. O buraco do Ozono não tem aqui lugar. O Aquecimento Global está afastado. O Plano de Saúde norte americando é um outro tema. O amor não quer saber desses problemas para nada. Uma mulher sorrirá com indiferença para tudo isso. As mãos permanecerão quentes para além da realidade. Por isso, vou limitar-me a postar esta imagem. Ela fala por si. Tudo que eu possa acrescentar será vago, impreciso, redundante. Aí fica.
Não vou inventar histórias, desfiando um novelo que não sei onde começa, muito menos onde termina. Não vou invocar doces indolências reconfortantes. Não vou evocar o espírito da paz serena. Não vou lembrar o rigor e acerto do PEC, a necessidade urgente de mais uma travessia sobre o Tejo ou a falta que fará gastar mais nas despesas intermédias do Estado. Não quero elogiar todo o bom rumo do país, nem os 15 pontos percentuais que o déficit cresceu durante a governação do PSD e do PS, com maior empennho do primeiro para esse número, que alguns chamam de descontrolo das contas públicas e que eu não classifico de forma alguma. Não quero saber da Fitch, do FMI, nem do Banco Central Europeu, da Euribor ou das notas de €500,00 que nunca vi (dizem que existem, como as bruxas). Não vou lembrar-me do sector imobiliário em crise, nem da redução das vendas do sector automóvel. Não me vou recordar das históricas datas de 1143, 1640, 1910, 1926, 1974, 1986, nem de todas as outras. A Tap continuará a voar independentemente do que eu poste. O sindicatos não querem saber de mim. As eleições na Rua de São Caetano à Lapa seguirão entre o mau, o menos mau, o que não é para levar a sério e o salve-se que puder. Não vi o Avatar e vou continuar assim. O buraco do Ozono não tem aqui lugar. O Aquecimento Global está afastado. O Plano de Saúde norte americando é um outro tema. O amor não quer saber desses problemas para nada. Uma mulher sorrirá com indiferença para tudo isso. As mãos permanecerão quentes para além da realidade. Por isso, vou limitar-me a postar esta imagem. Ela fala por si. Tudo que eu possa acrescentar será vago, impreciso, redundante. Aí fica.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Passos soltos

A cidade conta histórias, sabia-o. Mas tudo lhe parecia incompleto. Nunca encontrava a chave para todos os enigmas. Eram demasiadas pontas para além do que se mostrava à compreensão. E a partir de pequenos indícios, tentava encontrar os fios e as meadas que ficavam por revelar. Sabia que não o conseguiria: permaneceria pelas interrogações que formulasse para dentro de si. Ficava intrigado.
Seguia aqueles passos com o olhar e pensava: onde haviam perdido o rumo onde se encontrassem? Que percursos teriam seguido para chegarem até ali. A cidade era uma realidade que amava, mas conhecia-lhe os problemas. Sabia que não era perfeita. Sabia que aqueles passsos poderiam ser uns de muitos passos que continuariam soltos, sem rumo certo. O que havia sucedido a quem se elevava sobre aquele andar, que passava pela multidão com a mesma indiferença que esta lhe dispensava, como se não se vissem mutuamente? Quem seria? Para onde iria aquele chapéu?
terça-feira, 23 de março de 2010
Cumplicidade

Todos os comportamentos lhe pareciam únicos. Nada se repetia. A cidade renovava-se a cada instante, em cada esquina transposta, em cada dobra do tempo.
O espaço que a cidade lhe oferecia era um inesgotável oceano de emoções. Fixava-se em duas pessoas. O modo como se comportavam prendeu-lhe a atenção.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Temperatura a subir
...um convite a passear, a permanecer no exterior, a conviver, a sentir o ar quente, a respirar a temperatura, a sentar na esplanada, a observar quem passa, ao abandono lânguido de nada para fazer senão permanecer, a desfrutar, a percorrer a cidade ou a simplemente ficar numa das suas muitas zonas, mas, essencialmente, a viver. Especialmente no exterior.
Que cada um faça um favor a si próprio: aproveite!

Que cada um faça um favor a si próprio: aproveite!

Outras palavras - para além da tecnocracia
O know-how técnico é imprescindícel, mas o sentido do seu uso é-lhe conferido pelo know-how ético que, como tal, tem prioridade na argumentação.
Boaventura de Sousa Santos, Introdução a uma ciência pós-moderna, 1989
Boaventura de Sousa Santos, Introdução a uma ciência pós-moderna, 1989
Atavismos notados na palavra
Para quê teimar em permanecer quando tudo nos convida para um caminho diferente?
O passado é uma prisão de que poucos sabem livar-se airosa e produtivamente.
Fernando Távora, O problema da Casa Portuguesa, 1945.
O passado é uma prisão de que poucos sabem livar-se airosa e produtivamente.
Fernando Távora, O problema da Casa Portuguesa, 1945.
E nunca reparamos
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
domingo, 21 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Não há mudanças por esta latitude?
Aquitectura regional não é, não pode ser um apinocar de fachadas e de interiores com elementos decorativos típcos. Não é, não pode ser 'isso' que para aí se tem feito e nos apresentam como exemplo: beirados graciosos de telhados, paineisinhos de azulejo, alpendres de coluninhas, ferros forjados em profusão...
Keil do Amaral, Uma Iniciativa Necessária, in Arquitectura, 14, 1947
Keil do Amaral, Uma Iniciativa Necessária, in Arquitectura, 14, 1947
quinta-feira, 18 de março de 2010
Anoitecer
a.noi.te.cer, intransitivo
1.fazer-se noite
2.escurecer

Enquanto caminhava, pensava. Para ele, a quem a cidade nunca deixava de surpreender, o significado do cair do dia era mais do que uma circunscrição semâmtica. Os diciónários não lhe bastavam para descrever o que via asempre que o dia acabava.
Com o final do dia, sentia que chegava um encerramento. Sentia que já não havia vida para além das fachadas. O que via eram planos moribundos que limitavam as ruas. Olhava e sentia: não havia nada que trouxesse vida às janelas.
Essa era a sua realidade desde sempre, era assim que sempre havia habitado, mas, apesar de há muito a conhecer, não se habituava à ideia. Sabia da existência de outros mundos. Mais ricos.
Lembrava-se de uma pequena terra que vivia ao contrário da morte anunciada com o sol poente. Ali - recordava-se - com a noite, os edifícios animavam-se. As janelas ganhavam vida, as fachadas comunicavam. A intensidade da vida das casas era trazia para o exterior. Ali não havia cortinas, não havia persianas, não havia ocultações da luz proveniente de cada compartimento com gente. Era como uma inversão da cidade a que assistia: depois das horas diurnas, a luz irrompia a partir do interior.
Verificava não existir a necessidade de defesa em relação a um inimigo não identificado em nome de uma qualquer ideia de privacidade. À ideia de separação e afastamento, via que a Holanda contrapunha a partilha: a partilha de um espaço entendido como comum: a cidade. Isso agradava-lhe.
1.fazer-se noite
2.escurecer

Enquanto caminhava, pensava. Para ele, a quem a cidade nunca deixava de surpreender, o significado do cair do dia era mais do que uma circunscrição semâmtica. Os diciónários não lhe bastavam para descrever o que via asempre que o dia acabava.
Com o final do dia, sentia que chegava um encerramento. Sentia que já não havia vida para além das fachadas. O que via eram planos moribundos que limitavam as ruas. Olhava e sentia: não havia nada que trouxesse vida às janelas.
Essa era a sua realidade desde sempre, era assim que sempre havia habitado, mas, apesar de há muito a conhecer, não se habituava à ideia. Sabia da existência de outros mundos. Mais ricos.
Lembrava-se de uma pequena terra que vivia ao contrário da morte anunciada com o sol poente. Ali - recordava-se - com a noite, os edifícios animavam-se. As janelas ganhavam vida, as fachadas comunicavam. A intensidade da vida das casas era trazia para o exterior. Ali não havia cortinas, não havia persianas, não havia ocultações da luz proveniente de cada compartimento com gente. Era como uma inversão da cidade a que assistia: depois das horas diurnas, a luz irrompia a partir do interior.
Verificava não existir a necessidade de defesa em relação a um inimigo não identificado em nome de uma qualquer ideia de privacidade. À ideia de separação e afastamento, via que a Holanda contrapunha a partilha: a partilha de um espaço entendido como comum: a cidade. Isso agradava-lhe.
Aforismos Roubados - actualidade de conceitos
''proteger o actual conceito de 'Casa Portuguesa' é legalizar a mentira, e a sociedade que assim procede, em qualquer das suas formas activas, é uma sociedade falhada.''
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1945
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1945
Aindas as palavras
Eu sempre tive a obsessão, desde que me lembro, que a história só serve para alguma coisa se servir para fazer previsões (…).
Ou melhor, a única coisa que há de interessante no passado é o futuro. O passado em si… o que me interessa a mim o passado?
Paulo Varela Gomes, O Susto in Unidade nº2, 1989
Ou melhor, a única coisa que há de interessante no passado é o futuro. O passado em si… o que me interessa a mim o passado?
Paulo Varela Gomes, O Susto in Unidade nº2, 1989
Outras palavras
A história vale na medida em que pode resolver os problemas do presente e na medida em que se torna um auxiliar e não uma obsessão.
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1945
Fernando Távora, O Problema da Casa Portuguesa, 1945
Palavras belas
Considerai os joelhos com doçura:
vereis a noite arder mas não queimar
a boca onde a beijo a beijo foi acesa.
Eugénio de Andrade, Os Joelhos in Obscuro Domínio
vereis a noite arder mas não queimar
a boca onde a beijo a beijo foi acesa.
Eugénio de Andrade, Os Joelhos in Obscuro Domínio
quarta-feira, 17 de março de 2010
Dúvidas formuladas
Se Deus existe porque permite que os políticos vivam tanto tempo? Envelhecem mas duram.
António Lobo Antunes
terça-feira, 16 de março de 2010
Palavras de quem as domina
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade, Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade, Respiro o teu corpo
segunda-feira, 15 de março de 2010
Música do dia
Simplesmente Genial:
RUA DA SAUDADE, Canções de Ary dos Santos, no ano em que assinala os 25 anos da morte de um dos mais talentosos poetas portugueses.
RUA DA SAUDADE, Canções de Ary dos Santos, no ano em que assinala os 25 anos da morte de um dos mais talentosos poetas portugueses.
Palavra, porque sim
(...)
Música do fogo
em redor dos lábios.
Desatada
à roda da cintura.
Entre as pernas,
junta.
Música
das primeiras chuvas
sobre o feno.
Só aroma.
Abelha de água.
Regaço
Onde o lume breve
de uma romã brilha.
Música, levai-me:
Ondes estão as barcas?
Onde são as ilhas?
Eugénio de Andrade, A música in Obscuro Domínio
Música do fogo
em redor dos lábios.
Desatada
à roda da cintura.
Entre as pernas,
junta.
Música
das primeiras chuvas
sobre o feno.
Só aroma.
Abelha de água.
Regaço
Onde o lume breve
de uma romã brilha.
Música, levai-me:
Ondes estão as barcas?
Onde são as ilhas?
Eugénio de Andrade, A música in Obscuro Domínio
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