Olhava perplexo aquela que se mostrava ser uma entrada no espaço urbano, estruturado, de Coimbra, junto ao Túnel da Estação Velha.
Olhava, voltava a olhar e não percebia. Considerava-se a entrar na cidade. Para si, a cidade era una, indivisível. As divisões administrativas não lhe interessavam e, imaginava, tão-pouco interessariam à maioria daqueles que gostavam de cidades. Perguntava-se, pois: que faria ali aquela placa? Quem teria ordenado a sua colocação? Com que intenção? Todas as respostas que concebia eram insuficientes. E continuava: que motivação teriam as autoridades de governo da cidade para participarem ou consentirem o acto?
Nada lhe parecia claro. Quando se deslocava para fora da sua cidade, não eram pequenos sinais de bairrismo que procurava. Não eram insignificantes marcas de divisão espacial que nada acrescentavam à sua experiência que desejava. Tudo que negasse o imenso espaço de troca e vivências múltiplas que para si representava uma cidade não lhe captava a atenção. Fugia por indiferença. O campo e as marcas de ruralidade na divisão fundiária, preferia encontrá-los no sítio próprio.
Colocava-se, então, na pele de visitante daquela que se habituara a ver como a sua cidade. Que acréscimo de informação recolheria ao aproximar-se da cidade que pretendia visitar. Exultaria com a informação ou achá-la-ía um absurdo?