Há momentos de pura sorte e, em simultâneo, de absoluto infortúnio.
A espera por uma onda bela, rápida, perfeita, ocupa grande parte do tempo passado na água. A felicidade de poder participar no desenvolvimento de um desses instantes que a energia do mar proporciona, desfrutando-o, tirando dele o maior partido que a competência e o jeito ou a destreza - ou as suas ausências - permitem - ou negam - é única.
É nesses momentos que as máquinas fotográficas, - para nossa maior felicidade - deveriam funcionar sem reservas. Mas o mundo nem sempre é como deveria. Por vezes, a tecnologia decide não funcionar e os mecanismos de focagem traem as expectativas e o mar. Eis um desses instantes, causador de saudades da verdadeira fotografia - sem autofocus.
O incidente não nega o prazer vivido, mas pegunto: estarão as máquinas fotográficas contra mim?



