quarta-feira, 30 de junho de 2010

Outros momentos - semelhanças que o Atlântico não apaga

Vendedor de praia; Iha de Luanda, Angola.

Foto: MCG

terça-feira, 29 de junho de 2010

Prova do insuperável

É necessária grande sensibilidade. É imprescindível enorme sentido estético. Nada menos, para chegar a uma cidade em que construção e suporte físico se fundem de modo tão profundo e harmónico; simbiótico.
Não importa a dimensão das construções - invariavelmente altas. Quem quer saber que não sejam todas obras primas? A força e correcção do conjunto sobressái. Está aí, para ser admirado e contemplado como expressão do génio criador do homem. Está aí, disponível, para ser vivido e desfrutado. Está aí, para provar que a cidade é a maior de todas as realizações humanas.


Música do dia

Toda a admiração não cabe nas palavras - um homem maior do que o mundo

Habituei-me a admirar a obra de Oscar Niemeyer. Vejo-o como um hábito por se tratar de uma coisa tão natural como respirar, andar ou ver repetidamente um novo dia. É tocante, única, expressiva, bonita. A beleza mora nas suas paredes.
Niemeyer é simplesmente o que se pode chamar um criador, um poeta do espaço.
É um artista generoso. Um humanista. Mais do que a obra, em que sempre se empenhou com convicção, é a vida que lhe interessa. Sempre esteve centrado no apego às pessoas, aos amigos, à família. No convívio fraterno com os outros. É, simplesmente, gente. E é a gente que mais lhe interessa.





Repórter: Se o senhor fosse chamado a escrever um verbete sobre Oscar Niemeyer numa enciclopédia, qual seria a primeira frase ?


Niemeyer : “Eu diria que é um ser humano como outro qualquer - que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. Acho ridículo esse negócio de se dar importância. Eu consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar.Mas,se o projeto inicial foi ruim,fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria : é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.

Final de tarde, para além de tudo

...furtando-me a mais um jogo de futebol, deixando a cidade para trás.

Cabedelo, ontem; 20h30m.

Indiscrição de um olhar furtivo

Casa das Canoas (1951 - 1953), Rio de janeiro; Oscar Niemeyer




segunda-feira, 28 de junho de 2010

Música do dia (recuperada)

Depois de ter estado face a face com a Casa da Canoas, faz todo o sentido voltar a ouvir esta música, acompanhado pelas imagens rodadas na habitação que Oscar Niemeyer desenhou e fez construir para morar.

Tudo aconteceu por acaso. Subia a Estrada das Canoas, para me aventurar pelo céu do Rio de Janeiro e, numa curva, do lado direito, surge, serena, curvando-se sobre o terreno, com as figuras femininas esculpidas, o rochedo, a piscina e a liberdade de concepção que anima todo o conjunto. As árvores quase a ocultavam mas, a espaços, por entre a densa vegetação, espreitava, bela e convidativa à indiscrição do olhar.

Entrar revelou-se impossível. O Brasil jogava no Mundial. Era uma tarde em que tudo estaria irremediavelmente encerrado.

A Casa das Canoas ficou, pois, entre as várias motivações que me farão regressar ao Rio de Janeiro.

Pelas ruas

As ruas desertas, enquanto o motorista angolano conduz animado por uma música preferia, escutada com elevado volume sonoro. Longe, bastante longe, o Brasil joga pela primeira vez.






Momentos

Ipanema, posto 9.



Corpos em movimento pela cidade

Movimentos inesperados, que se animam pelos espaços.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Todos as palavras são insuficientes

É um cenário único. Que esmaga. Que convida. Que obriga. Que domina. Que se impõe. Que atrái. Que seduz. Que permanece no olhar. Na memória. Na cabeça. No coração. É a delicadeza dos contornos. É a sensualidade que prende o olhar. É a paisagem delineada como corpo de mulher deitado, deixando-se tocar pelo afago húmido do mar e pelo tranqulizador toque dos raios solares. É a beleza que não se deixa encaixar em simples palavras.

O chão da cidade






quarta-feira, 23 de junho de 2010

As diversas camadas do quotidiano

A sobreposição do tempo é uma experiência única. Sente-se o espaço de um outro modo, habitado. Respira outras épocas. Tempos que permanecem para além de si mesmos, na capacidade que se constrói para os sonhar. Imagina-se como teriam sido usados. Como seriam as pessoas que se haviam sentado sob o mesmo tecto. Como se teriam comportado e que conversas haviam tido.
Tudo isso conferia mistério e capacidade de sedução às paredes, ao chão de motivos geométricos, aos armários e espelhos que rodeavam o olhar, aos frisos e dourados que moldavam e coloriam as formas.
Tudo era belo. Uma beleza que não vem de cada motivo em si mesmo. Era a sua conjugação, aquilo que usa designar-se como ambiente, o que anestesiava o tempo, como se o quisesse parar e prolongar o momento. Era a luz suave e as penumbras. Eram os pequenos ecos mais pressentidos do que escutados. Era um mundo parado.
O café, esse, oferecia-se, melhor, ao ser saboreado num cenário de tanta beleza. Nesses momentos, tudo parece ser perfeito como se houvesse sido determinado para acontecer desse modo.

Confeitaria Colombo; Rio de Janeiro.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Deslizar sobre toda a liberdade pensada

O dia em que perdi a sanidade mental ou a sensação maravilhosa de voar.

525 metros de altitude.
Corre, corre, corre... As palavras mágicas para iniciar o salto.
Encarar a rampa e o abismo não é com toda a certeza o acto mais tranquilizador do mundo. Mas uma vez em movimento, já não há ponto de retorno. Não há como parar. E o que é que isso interessa? Depois de os pés deixarem de tocar o solo já nada disso importa, na verdade.
Enquanto o Brasil jogava e as ruas do Rio de Janeiro permaneciam despovoadas e sós, todo o céu da cidade se me oferecia para ser desfrutado.
Uma vez no ar, o pensamento é apenas um: saltava outra vez!
















segunda-feira, 21 de junho de 2010

E porque hoje começa o Verão!

Vale a pena celebrar o dia mais comprido do ano.

Música do dia

domingo, 20 de junho de 2010

Beleza construída para vida bonita

Aos descobridores portugueses que chegaram à baía de Guanabara a 1 de Janeiro de 1502, aos que a 1 de Março de 1565 fundaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e aos brasileiros que lhe deram a actual face e o maravilhoso uso que a todos apaixona, a humanidade só pode estar profundamente grata.