Habituei-me a admirar a obra de Oscar Niemeyer. Vejo-o como um hábito por se tratar de uma coisa tão natural como respirar, andar ou ver repetidamente um novo dia. É tocante, única, expressiva, bonita. A beleza mora nas suas paredes.
Niemeyer é simplesmente o que se pode chamar um criador, um poeta do espaço.
É um artista generoso. Um humanista. Mais do que a obra, em que sempre se empenhou com convicção, é a vida que lhe interessa. Sempre esteve centrado no apego às pessoas, aos amigos, à família. No convívio fraterno com os outros. É, simplesmente, gente. E é a gente que mais lhe interessa.

Repórter: Se o senhor fosse chamado a escrever um verbete sobre Oscar Niemeyer numa enciclopédia, qual seria a primeira frase ?
Niemeyer : “Eu diria que é um ser humano como outro qualquer - que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. Acho ridículo esse negócio de se dar importância. Eu consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar.Mas,se o projeto inicial foi ruim,fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria : é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.