domingo, 17 de outubro de 2010

Murtinheira

O vazio vai tomando o lugar da praia alegre e feliz, antes habitada. Os mesmos sítios parecem perder um certo sentido. O olhar não encontra onde se fixar. Tudo parece incompleto. Demasiado amplo para tão pouca presença ou alma. Mas talvez seja apenas ilusório...

Bom Swing

Uma banda que não me desculpo de nunca ter visto ao vivo, apesar das várias vezes que já passaram pelo país.... É música com swing, boa onda. Se me perguntarem o que gostaria de ver em concerto respondo sem ter de pensar: Simply Red. São simplesmente fantásticos. Músicos para ouvir, ver e voltar a ouvir. Enjoy them!


Palavras revisitadas

Há textos de que por vezes me lembro ou com os quais volto a chocar.
Miguel Esteves Cardoso é uma descoberta que fiz nos tempos do Independente. Escrevia umas crónicas maravilhosas. As crónicas evoluíram para livros e os livros foram ficando. Uma das vezes em que numa livraria abri um livro ao acaso, não mais esqueci as palavras que li. O título já não recordo. Mas o texto era inesquecível. Era um desses pedaços de prosa que nos fazem pensar e tocam o prazer, pela beleza e realismo que afirmam.

''Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso, Elogio do amor puro.

Palavras para surpreender ou como a realidade é muito mais complexa do que os juízos

As pessoas que mais me fascinam são as mais complexas. Adoro-as pelas suas contradições. Gosto de pessoas. Gosto de pessoas, ponto. Mas não nego que há características mais fascinantes ou intrigantes, se quisermos, do que outras. De resto, estas palavras parecem até desnecessárias. As pessoas são por natureza contraditórias. Faz parte da condição de ser gente, de nos expressarmos como humanos, com fraquezas, forças e fragilidades. Nada é sempre linear e facilmente reconhecível ou sempre previsível. Felizmente, direi. É por isso que mesmo as pessoas que mais nos dizem não param de nos surpreender. A surpresa faz, é um facto, parte das relações humanas. Umas vezes mais fortes, outras mais suavizadas, ela lá está. E por vezes, os juízos são tão inesperadamente incompletos ou errados! O que parecia ser não passa, afinal, de máscaras que repousam sobre uma face e escondem a pessoa de verdade, resguardada por pudor ou qualquer outro cuidado.
É verdade que não gosto de relativismos totais, do totalmente ilusório, mas tão-pouco vejo grandes vantagens nas certezas totais sobre a vida e as pessoas. Acho-as tão deslocadas como inúteis.

lembrei-me de voltar a ter estes pensamentos a propósito da entrevista de Lobo Antunes ao Expresso este fim-de-semana. As palavras são supreendentes. Diria que estão no limite do possível, quase para lá do possível, mas não deixam de fazer pensar.

''O Christian Bourgois [editor francês da obra de Lobo Antunes] com quem não falava de livros, escreveu-me uma carta, antes de morrer, em que diz: 'Tu és meu irmão e não há escritor no mundo que admire tanto'.
Nunca me tinha dito isto. Era um homem que parecia seco, mas por baixo desta frieza aparente havia um calor humano extraordinário.''

sábado, 16 de outubro de 2010

Of course we can...

Wim Mertens como parte da memória e dos sentidos

Conheci a sonoridade de Wim Mertens há longo tempo. Era música mais ou menos de culto pelas salas de projecto do 1º ao 5º anos do curso de arquitectura. Habituei-me a ouvi-lo em momentos de maior e mais intenso convívio em sessões de trabalho conjunto, fora do período das aulas, ou quando me dedicava, solitário, a outras ocupações. Daí até me confrontar ao vivo com os seus piano e voz passou tempo, muitos anos. Falhei várias actuações em Portugal, até que há dois anos (julgo) consegui ter o privilégio de o ver e ouvir no Gil Vicente. Essa noite produziu em mim a vontade de não a deixar como acontecimento isolado. E surge agora uma outra oportunidade. Dia 5 de Novembro estará no CAE, na Figueira da Foz, para novo concerto. A não perder, direi.

Segundo dia no mar da mítica Murtinheira



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E porque é fim-de-semana, o tempo é de alegria... TUDO, TUDO, TUDO VAI DAR PÉ!

Pequenos pensamentos com palavras banais

Esta semana, 33 homens escaparam a 69 dias a 700 metros de profundidade. 69 dias e 700 metros que os separavam da vida verdadeira, que os mantinham em suspenso, que os colocavam numa gaveta de sobrevivência por tempo indefinido. 69 dias e 700 metros que mantiveram famílias inteiras, mulheres, pais, mães, filhos também suspensos, por um fino fio de esperança que os unia biunivocamente através da imensa distância que atravessava os vários estratos de sedimentação do solo que nestes mais de dois messes resolveram aumentar de espessura. Foram mais de dois meses em que muitos seres humanos conheceram uma angústia infinda. Não apenas a de perder a vida ou de a ver perder. Mas a da privação definitiva do amor insubstituível de toda a vida, de pai, de mãe, de amigo, de filho, de mulher, de amante. Isto é incompreensível (ou esquecido, pelo menos) para todos os que, deste lado certo da vida, confortavelmente se sentam no sofá ou experimentam a mais radical de todas as experiências de movimentos verticais e para lá da luz solar: a tranquilidade das subidas e descidas na fiabilidade dos elevadores que nos transportam no nosso mundo de normas e regras de segurança.
Durante esses 69 dias, muitos de nós passaram pela praia, pelas esplanadas, pela ideia de que a vida não muda. Mas muda. ''A vida muda. A vida muda depressa. Você senta-se para jantar e a vida que conhecia acaba num instante'', escreveu Joan Didion, em O ano do Pensamento Mágico, depois de ver o marido morrer à mesa, enquanto jantavam. Mas será a vida cruel? Claro que não é. Não se vira contra nós. Simplesmente é assim. A nós cabe-nos aproveitar. Ou o fazemos ou deitamo-la pela janela das coisas que negligenciamos, que desprezamos ou tratamos com indiferença. Por vezes, quase sempre, temos tendência para esquecer que todos os equilíbrios que afortunadamente vamos conseguindo são de uma casualidade tremenda. Quase partes de uma qualquer Teoria do Caos. Esquecemos que segundo essa teoria, um movimento suave e súbito num qualquer ponto distante e desconhecido pode abalar e destruir tudo o que julgávamos conquistado. Mas como nos iludimos e desperdiçamos tudo! Como nos confortamos e acomodamos, como pensamos que o amor está por aí disponível e é um bem em sobra, apto a ser conquistado e usado a qualquer instante e que teremos sempre oportunidade de o conhecer de novo, tendo-o já deixado para trás em circusntância várias, porque não era do nosso número, não tinha o nosso tamanho, não tinha a cor que julgávamos mais recomendável, não parecia ser do tipo correcto, tinha um qualquer defeito, ou não nos parecia o adequado! Pelo meio, deixamos o engano, o logro, o equívoco, comandar a vida ou parte dela, não dizemos às pessoas o quanto gostamos delas, não as fazemos sentir-se especiais. No fundo, julgamos que vivemos num ciclo em que tudo se repete: o que se perde hoje será encontrado noutro momento deste movimento circular, contínuo, julga-se. Se estava lá ontem ou há meses ou anos, disponível, porque não há-de estar daqui por outros tantos meses ou dias, noutro lugar e com outras pessoas? A resposta é simples. Porque não se trata de um jogo. Porque nada está pré-determinado. Porque as circunstÂncias e as pessoas que nos envolvem mudam, mudam muito, são outras, muito distintas. Porque não dominamos a vida, embora gostemos de pensar que sim. Porque o tempo é linear e não sabemos onde iremos passar e em que paragens iremos repousar a esperança. Perante isto qual é a resposta? Boa pergunta... Mas está certamente para além do orgulho. Nisto estou com a Sade!


Palavras para um dia como o de hoje

Partir, quebrar, dobrar, ultrapassar limites absurdos.
Pontapear riscos e medos.
Não parar perante o óbvio.
Não corresponder ao expectável.
Colocar em causa.
Agir pela vontade.
Rejeitar opiniões.
Querer o que ninguém quer.
Desejar para além do permitido.
Ambicionar o sonho.
Procurar o mais difícil.
Beijar como quem respira.
Deixar a vida entrar no corpo.
Ousar ser feliz.

Segredado e partilhado

Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não divinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos

E tudo proibido. Então, falamos.

Carlos Drummond de Andrade, Certas Palavras

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Só as palavras são pouco, demasiado pouco

Não há palavras para corresponder à profunda generosidade. A aquela que nos toca e deixa desarmados. Sem saber como reagir ou pensar. Não basta um sorriso ou uma não estendida. Não basta deixá-la suspensa no ar com aquele sem se fechar à espera de poder corresponder. É excessiva insuficiência para um mundo demasiado grande.
Palavras por inventar, sorrisos incansáveis e sem fim e mãos, muitas mãos, todas disponíveis, talvez fossem um começo para expressar o muito que percorre a minha alma, eternamente reconhecida e generosamente feliz. Dizê-lo é relembrar. É assinalar e agradecer.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Palavras para repetir, para sempre te repetir

É urgente o amor
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade, É Urgente o Amor

domingo, 10 de outubro de 2010

O que pode?...

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 9 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Porque simplesmente é assim mesmo

A prudência é tão só a maior inimiga de quem quer viver. Viver é intenso, no limite, lutar até ao fim, sem receio do pior que há-de vir sem se saber se virá. Viver é arriscar, é querer mais do que a prevenção cómoda e segura, sem surpresas. Viver é ousar ultrapassar a banalidade. Viver é ser capaz de atingir a exaltação e o sublime. O medo é simplesmente desistir da vida e da felicidade. O medo é o alinhamento com pequenas alegrias rasteiras de algibeira. O medo é um domingo banal de jogo da bola da terceira divisão B. Viver é tudo e querer tudo. O medo é uma casa em ruínas que há muito desistiu de ficar em pé.


“Houve um tempo em que, nos amores e nas paixões, se falhava de forma espectacular. Com baba e ranho. Dava-se tudo. Saíamos rasgados de pele e coração. Valia sempre a pena, mesmo quando perdíamos o chão. Os erros, as faltas, as vertigens, o pé à beira do abismo existiam para nos lembrarmos de que somos humanos. A regra era cair e levantar, prontos para outra depois de lutos intensos, sofridos, partilhados. Agora tudo isso existe sob a forma de prevenção. Para nos lembrarmos do que não devemos fazer, dos riscos que não devemos correr, contra o vírus da solidão. Fomos ficando higienizados. Da alma à cama. Uma espécie de “se conduzir, não beba” para evitar os males do coração. Como se pudéssemos dizer “se amar, não se magoe”. Com o passar dos anos, aprendemos a contornar os sintomas a bem da decência, da pose e da anestesia geral ou local, conforme as necessidades. O importante é não dar parte de fracos. O ciúme é uma coisa moderna, para ser compreendida. A discussão acalorada está fora de moda. A vingança é um prato que não se serve nem frio nem quente nas relações mais conceituadas. É coisa do povo, ementa de vidas de tasco, entre um tiro de caçadeira e um facalhão de meter respeito. O civismo entrou definitivamente na nossa intimidade para amansar os corpos, os gestos, as palavras. A postura é um fato de pronto-a-vestir que o usamos para entrar e sair das relações. Talvez até já nem se rasguem roupas quando chega a hora. O sentimento não ferve, a aprendizagem das loucuras que fizemos é renegada e a história do que fomos não tem disco duro porque a caixa de mensagens é mais prática e descartável. De resto, já não há cartas para guardar porque ninguém as escreve. Como num poema do Eugénio, já não há nada que nos peça água. E estamos como ela: insípidos, inodoros e incolores. Leves. Capazes de ir do tudo ao nada sem efusão de sangue. Deve andar a escapar-nos o momento em que deixamos de olhar para a vida nos olhos e a desregrada infinidade de coisas que vinha junto com ela”.

Revista Egoísta, Setembro 2009

Palavras sábias para usar diariamente sem cansar

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Concordo com você,e é por isto que eu me arrisco tanto.
TE AMO...TE AMO...TE AMO...TE AMO...TE AMO...!!!!!!!!!!


Carlos Drumond de Andrade

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

The power of words or the power of LIFE*

What and If are two words as non-threatening as words can be. But put them together side-by-side and they have the power to haunt you for the rest of your life: What if? What if? What if?
I don't know how your story ended but if what you felt then was true love, then it's never too late. If it was true then, why wouldn't it be true now? You need only the courage to follow your heart. I don't know what a love like Juliet's feels like - love to leave loved ones for, love to cross oceans for but I'd like to believe if I ever were to feel it, that I will have the courage to seize it. And, Claire, if you didn't, I hope one day that you will.



*retirado de uma qualquer tela de projecção.