E só a palavra certa permanece.
Não se esgota.
Não tem prazo de validade.
Não é sujeita a período de utilidade.
Vence-nos e permanece para além do que pensemos.
Sente-se independente e não recebe ordens.
Ordena mais do que qualquer outro condicionamento.
É insubstituível e imperecível.
Ecoa porque tem sonoridade própria.
Não adormece com uma palmadinha nas costas.
Não é de poisar à entrada de casa até novo uso mais conveniente.
É beleza e brilho para quem ousa ceder-lhe.
Mistura-se com a vida e faz parte dela.
É a própria vida, que a aceita sorrindo.
É tudo.
Com tudo.
Dá tudo.
E é tão só palavra
Enorme palavra.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Hoje na Faup
Os Curadores da Conferência Internacional ''Arquitectura [in] ]out[ Política'' integrada na Trienal de Arquitectura de Lisboa, Cláudia Taborda e José Capela, subiram ao Porto para propor um debate em torno do Bairro da Bouça e o SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local (organismo central na promoção de habitação popular no pós 25 de Abril).
Álvaro Siza, Alexandre Alves Costa e Orquídea Santos revisitaram a condição de protagonistas de 75: como arquitecto, como dirigente do Secretariado Norte do SAAL e como moradora.
Frase da tarde: ''A luta por habitação condigna foi a luta mais bonita ao seguir ao 25 de Abril'' - Orquídea Santos.
Álvaro Siza, Alexandre Alves Costa e Orquídea Santos revisitaram a condição de protagonistas de 75: como arquitecto, como dirigente do Secretariado Norte do SAAL e como moradora.
Frase da tarde: ''A luta por habitação condigna foi a luta mais bonita ao seguir ao 25 de Abril'' - Orquídea Santos.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Palavras exactas e belas
"Procure o sr. Cabral do Nascimento ter sempre este facto tão presente, que não saiba que o tem presente - que uma obra de arte, por dispersa que seja a sua realisação detalhada, deve ser sempre uma cousa una e organica, em que cada parte é essencial tanto ao todo, como ás outras que lhe são annexas, e em que o todo existe syntheticamente em cada uma das partes, e na ligação d'essas partes umas ás outras. Comprehenda isto até á inconsciencia. Sinta isto até não o sentir. E, sentido e comprehendido isto até com o corpo, despreze todo o resto. Salte por cima de todas as logicas. Rasgue e queime todas as grammaticas. Reduza a pó todas as coherencias, todas as decencias, e todas as convicções. Feita sua aquella, a unica regra de arte, pode desvairar á vontade, que nunca desvairará; pode exceder-se, que nunca poderá exceder-se; pode dar ao seu espirito todas as liberdades, que elle nunca tomará a de o tornar mau poeta.
O resto é a literatura portugueza."
Fernando Pessoa
O resto é a literatura portugueza."
Fernando Pessoa
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Poética no trabalho
Entre muros de granito áspero e duro e superfícies docemente banhadas pela luz solar, entre pura beleza e espaços inspiradores, entre o afago do olhar e a tranquilidade sensorial. Espaços para descoberta de novos amores, amizades e para namorar - para uns; para ser feliz, para vida - para mim. Para me dar conforto e envolver de Belo.
Faculdade de Arquitectura, Porto; Álvaro Siza.
Faculdade de Arquitectura, Porto; Álvaro Siza.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Palavras que me ocorrem para repetir ao acordar
Negligenciar a pequena inveja, a raiva e o ciúme.
Não ouvir.
Sentir.
Caminhar por conta e risco.
Deixar as bem intencionadas opiniões fora do tempo e do espaço.
Crer na intuição.
Acreditar porque sim e por vontade.
Gostar de um dia de sol.
Não resistir a um sorriso franco.
Afastar os maus olhados.
Combater a miopia de quem julga abrir os olhos.
Crer contra a descrença alheia.
Beijar com inocência e ousadia até ao limite dos raios solares.
Saudar a vida, por ser uma só.
Viver sem reservas, sem medos ou bloqueios.
Simplesmente, não esquecer de aproveitar plenamente a vida.
Não ouvir.
Sentir.
Caminhar por conta e risco.
Deixar as bem intencionadas opiniões fora do tempo e do espaço.
Crer na intuição.
Acreditar porque sim e por vontade.
Gostar de um dia de sol.
Não resistir a um sorriso franco.
Afastar os maus olhados.
Combater a miopia de quem julga abrir os olhos.
Crer contra a descrença alheia.
Beijar com inocência e ousadia até ao limite dos raios solares.
Saudar a vida, por ser uma só.
Viver sem reservas, sem medos ou bloqueios.
Simplesmente, não esquecer de aproveitar plenamente a vida.
domingo, 17 de outubro de 2010
Niemeyer sobre si mesmo
Os grande homens são como os grande livros. Perante as suas palavras pensamos: era isto mesmo que eu queria dizer e nunca consegui expressá-lo deste modo, com esta certeza e clareza. Abrem-nos os olhos. Tudo parece tão claro na boca ou nas páginas de outros. Tudo parece tão óbvio e sem parecer poder ser de outro modo. Acho que esses homens existem para melhorar a nossa vida, nasceram com essa missão, e sem eles a nossa existência seria certamente mais pobre. Pior.
“Eu diria que é um ser humano como outro qualquer - que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. Acho ridículo esse negocio de se dar importância. Eu consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.
Oscar Niemeyer em entrevista, Abril de 2004
“Eu diria que é um ser humano como outro qualquer - que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. Acho ridículo esse negocio de se dar importância. Eu consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.
Oscar Niemeyer em entrevista, Abril de 2004
Um dia mais na mítica praia da Murtinheira
Murtinheira
Bom Swing
Uma banda que não me desculpo de nunca ter visto ao vivo, apesar das várias vezes que já passaram pelo país.... É música com swing, boa onda. Se me perguntarem o que gostaria de ver em concerto respondo sem ter de pensar: Simply Red. São simplesmente fantásticos. Músicos para ouvir, ver e voltar a ouvir. Enjoy them!
Palavras revisitadas
Há textos de que por vezes me lembro ou com os quais volto a chocar.
Miguel Esteves Cardoso é uma descoberta que fiz nos tempos do Independente. Escrevia umas crónicas maravilhosas. As crónicas evoluíram para livros e os livros foram ficando. Uma das vezes em que numa livraria abri um livro ao acaso, não mais esqueci as palavras que li. O título já não recordo. Mas o texto era inesquecível. Era um desses pedaços de prosa que nos fazem pensar e tocam o prazer, pela beleza e realismo que afirmam.
''Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso, Elogio do amor puro.
Miguel Esteves Cardoso é uma descoberta que fiz nos tempos do Independente. Escrevia umas crónicas maravilhosas. As crónicas evoluíram para livros e os livros foram ficando. Uma das vezes em que numa livraria abri um livro ao acaso, não mais esqueci as palavras que li. O título já não recordo. Mas o texto era inesquecível. Era um desses pedaços de prosa que nos fazem pensar e tocam o prazer, pela beleza e realismo que afirmam.
''Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso, Elogio do amor puro.
Palavras para surpreender ou como a realidade é muito mais complexa do que os juízos
As pessoas que mais me fascinam são as mais complexas. Adoro-as pelas suas contradições. Gosto de pessoas. Gosto de pessoas, ponto. Mas não nego que há características mais fascinantes ou intrigantes, se quisermos, do que outras. De resto, estas palavras parecem até desnecessárias. As pessoas são por natureza contraditórias. Faz parte da condição de ser gente, de nos expressarmos como humanos, com fraquezas, forças e fragilidades. Nada é sempre linear e facilmente reconhecível ou sempre previsível. Felizmente, direi. É por isso que mesmo as pessoas que mais nos dizem não param de nos surpreender. A surpresa faz, é um facto, parte das relações humanas. Umas vezes mais fortes, outras mais suavizadas, ela lá está. E por vezes, os juízos são tão inesperadamente incompletos ou errados! O que parecia ser não passa, afinal, de máscaras que repousam sobre uma face e escondem a pessoa de verdade, resguardada por pudor ou qualquer outro cuidado.
É verdade que não gosto de relativismos totais, do totalmente ilusório, mas tão-pouco vejo grandes vantagens nas certezas totais sobre a vida e as pessoas. Acho-as tão deslocadas como inúteis.
lembrei-me de voltar a ter estes pensamentos a propósito da entrevista de Lobo Antunes ao Expresso este fim-de-semana. As palavras são supreendentes. Diria que estão no limite do possível, quase para lá do possível, mas não deixam de fazer pensar.
''O Christian Bourgois [editor francês da obra de Lobo Antunes] com quem não falava de livros, escreveu-me uma carta, antes de morrer, em que diz: 'Tu és meu irmão e não há escritor no mundo que admire tanto'.
Nunca me tinha dito isto. Era um homem que parecia seco, mas por baixo desta frieza aparente havia um calor humano extraordinário.''
É verdade que não gosto de relativismos totais, do totalmente ilusório, mas tão-pouco vejo grandes vantagens nas certezas totais sobre a vida e as pessoas. Acho-as tão deslocadas como inúteis.
lembrei-me de voltar a ter estes pensamentos a propósito da entrevista de Lobo Antunes ao Expresso este fim-de-semana. As palavras são supreendentes. Diria que estão no limite do possível, quase para lá do possível, mas não deixam de fazer pensar.
''O Christian Bourgois [editor francês da obra de Lobo Antunes] com quem não falava de livros, escreveu-me uma carta, antes de morrer, em que diz: 'Tu és meu irmão e não há escritor no mundo que admire tanto'.
Nunca me tinha dito isto. Era um homem que parecia seco, mas por baixo desta frieza aparente havia um calor humano extraordinário.''
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