sábado, 23 de outubro de 2010

Cool sound

Momentos únicos, hoje.


O mar é tranquilizador. É belo e relaxante. Único. Quase perfeito. Na sua superfície mora quase toda a felicidade.

A cidade - a vida - como local de encontro e desencontro

Impressionam-me histórias de vida. Histórias singulares. Diferentes de tudo que conheço. É usual dizer-se que a vida das pessoas não é assim tão distinta. A seguir ao nascimento, já se sabe o esperado. É inevitável e cru. Mas o modo de lá chegar é cheio de nuances, particulares, singularidades, diversidades, sendo isto mais verdade para alguns do que para outros. ''Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira'', escreveu Toslstoi em Anna Karenina. Na verdade, é isto mesmo. É nos momentos de maior infortúnio que tudo, na vida, se mostra de modo único, não repetível, exclusivo.

Confesso que não gosto de televisão. Desde pequeno que tenho dificuldade em lidar com essa caixa alienante e com os conteúdos com que, com poucas excepções, me sinto violentado no interior da minha intimidade pessoal e espacial. Mas ontem, por um acaso inesperado, cruzei os olhos com um programa que me absorveu. ''Histórias com gente dentro'' fez-me ficar a olhar. O relato na primeira pessoa era impressionante. Tocante. Um homem falava de si próprio, recuando ao ano de 1972. Paris era a cidade. Um dos muitos cafés, o local. Contrariando a sua descrença de sempre em amor à primeira vista, uma qualquer circunstância inexplicável fê-lo atravessar a sala para se apresentar a uma jovem mulher, movido por um forte impulso interior, irreprimível, do coração, nunca antes conhecido. A rapariga achou-o muito simpático, agradeceu a atenção, mas estando a iniciar uma relação, não adiantou mais do que impõem regras de banal cordialidade. O homem rumou a Londres, segundo um dos múltiplos destinos da sua vida e deixou a paixão, esquecida, para trás.
12 anos depois, estava de novo num café, e sentiu exactamente o mesmo, a olhar novamente um rosto feminino. Perguntou-se como é que um acontecimento insólito, em que nunca havia acreditado, podia tocar a mesma pessoa duas vezes na vida . Perante uma cara desconhecida, disse, estava de novo a experimentar um daqueles momentos em que ''se suspende a respiração, aliás, um daqueles momentos em que não é sequer preciso respirar para continuar a viver.'' Com a mesma coragem de anos antes, apresentou-se a quem a sua alma já se encontrava rendida. Surpreendido, ela já o conhecia. Já se conheciam há 12 anos. Já se haviam conhecido em circusntâncias em tudo iguais, num café, em Paris. A história estava a repetir-se, com os mesmos protagonistas, mas, desta vez, adivinhava-se, toda a conjugação cósmica determinava que a alegria fosse não menos do que total. Mas a vida é como quer e não como quem a vive deseja. 6 meses depois, o fim é inesperado e pesado. O cancro mata a bonita mulher e a felicidade de ambos.
Bem diz Vinicius que ''a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida''. Quando tudo se julga ser perfeito, alguma peça aparece fora do sítio e provoca desacerto onde parecia estar a perfeição.
Mas o mais surpreendente são as capacidades inesperadas para aceitar ou lidar com o que parece ser a crueldade da vida. Neste caso, com o rude golpe que este homem sofreu, depois de pensar que a sua vida ía finalmente começar. As suas palavras são desarmantes. Toda esta história de vida dá que pensar. Deverá fazê-lo pelo que todos os dias se desperdiça, não dá, não é dito, não é feito, não é vivido, é guardado. E as palavras, essas, são, como muitas vezes o são, únicas. Belas. Mais do que belas.

''O amor é uma coisa extraordinária. O amor não é como o dinheiro. O amor, quanto mais se dá mais fica.''

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Palavras quase banais para hoje mesmo

As palavras não são tudo.
São um meio, um caminho.
Para percorrer e fazer da vida o presente.
Para convocar o melhor do que pode ser viver; viver plenamente, sem receios.
Mas é pouco.
Toda a palavra é insuficiente.
Com toda a palavra não chegarei a partir todas as pedras e obstáculos.
Mas toda a palavra vale a pena. Junto-a ao olhar, ao seu brilho, ao seu fogo, às mãos quentes, ao sorriso solar, ao ser, ao querer.
Através da palavra faço parte do caminho.
Palavras e vida misturam-se-me nos bolsos.
Com elas, ouso dizer.
Ouso viver.
Ouso dizer-te.
Palavras são surpresas.
Palavras são mudança.
Palavras são o que não eram.
Palavras são luta contra o medo.
Palavras trazem calma.
Palavras são generosas.
Mas palavras são ainda tão inúteis. Boas e bonitas, mas inúteis.
O que conta é vencer barreiras, todas as barreiras.
E acreditar.
E sentir.
Sentir o que vem de debaixo da pele.
Crer no que é único e especial e intensamente raro.
Intenso para lá do que as palavras conseguem captar e expressar.
Toda a palavra é insuficiente para a vida, rica como só a vida pode ser.
Toda a palavra não chega a valer o infinito de uma carícia.
Mas como podem ser belas as palavras. Como pode ser única a ideia que querem contar.
Como é especial ouvi-las, como me deixo seduzir, como são BELAS.
Como são importantes.
E como a música é importante.

Só a palavra certa é de utilidade pública

E só a palavra certa permanece.
Não se esgota.
Não tem prazo de validade.
Não é sujeita a período de utilidade.
Vence-nos e permanece para além do que pensemos.
Sente-se independente e não recebe ordens.
Ordena mais do que qualquer outro condicionamento.
É insubstituível e imperecível.
Ecoa porque tem sonoridade própria.
Não adormece com uma palmadinha nas costas.
Não é de poisar à entrada de casa até novo uso mais conveniente.
É beleza e brilho para quem ousa ceder-lhe.
Mistura-se com a vida e faz parte dela.
É a própria vida, que a aceita sorrindo.
É tudo.
Com tudo.
Dá tudo.
E é tão só palavra
Enorme palavra.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

João Gilberto - Genial

Faup. E porque hoje é quinta-feira





Hoje na Faup

Os Curadores da Conferência Internacional ''Arquitectura [in] ]out[ Política'' integrada na Trienal de Arquitectura de Lisboa, Cláudia Taborda e José Capela, subiram ao Porto para propor um debate em torno do Bairro da Bouça e o SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local (organismo central na promoção de habitação popular no pós 25 de Abril).
Álvaro Siza, Alexandre Alves Costa e Orquídea Santos revisitaram a condição de protagonistas de 75: como arquitecto, como dirigente do Secretariado Norte do SAAL e como moradora.
Frase da tarde: ''A luta por habitação condigna foi a luta mais bonita ao seguir ao 25 de Abril'' - Orquídea Santos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Just surrender; music is almost everything...

Palavras exactas e belas

"Procure o sr. Cabral do Nascimento ter sempre este facto tão presente, que não saiba que o tem presente - que uma obra de arte, por dispersa que seja a sua realisação detalhada, deve ser sempre uma cousa una e organica, em que cada parte é essencial tanto ao todo, como ás outras que lhe são annexas, e em que o todo existe syntheticamente em cada uma das partes, e na ligação d'essas partes umas ás outras. Comprehenda isto até á inconsciencia. Sinta isto até não o sentir. E, sentido e comprehendido isto até com o corpo, despreze todo o resto. Salte por cima de todas as logicas. Rasgue e queime todas as grammaticas. Reduza a pó todas as coherencias, todas as decencias, e todas as convicções. Feita sua aquella, a unica regra de arte, pode desvairar á vontade, que nunca desvairará; pode exceder-se, que nunca poderá exceder-se; pode dar ao seu espirito todas as liberdades, que elle nunca tomará a de o tornar mau poeta.
O resto é a literatura portugueza."

Fernando Pessoa

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poética no trabalho

Entre muros de granito áspero e duro e superfícies docemente banhadas pela luz solar, entre pura beleza e espaços inspiradores, entre o afago do olhar e a tranquilidade sensorial. Espaços para descoberta de novos amores, amizades e para namorar - para uns; para ser feliz, para vida - para mim. Para me dar conforto e envolver de Belo.


Faculdade de Arquitectura, Porto; Álvaro Siza.

Espaço de encontro com a felicidade

Leirosa, esta manhã.

Música do dia (ou dos dias)

Liberdade para dentro da cabeça...

Fotos: Christine Haering (09OUT10)



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Palavras que me ocorrem para repetir ao acordar

Negligenciar a pequena inveja, a raiva e o ciúme.
Não ouvir.
Sentir.
Caminhar por conta e risco.
Deixar as bem intencionadas opiniões fora do tempo e do espaço.
Crer na intuição.
Acreditar porque sim e por vontade.
Gostar de um dia de sol.
Não resistir a um sorriso franco.
Afastar os maus olhados.
Combater a miopia de quem julga abrir os olhos.
Crer contra a descrença alheia.
Beijar com inocência e ousadia até ao limite dos raios solares.
Saudar a vida, por ser uma só.
Viver sem reservas, sem medos ou bloqueios.
Simplesmente, não esquecer de aproveitar plenamente a vida.

Outras descobertas musicais

Para terminar bem o dia ao som da insubstiuível tonalidade do piano

Para iniciar a semana com energia entusiástica

domingo, 17 de outubro de 2010

Niemeyer sobre si mesmo

Os grande homens são como os grande livros. Perante as suas palavras pensamos: era isto mesmo que eu queria dizer e nunca consegui expressá-lo deste modo, com esta certeza e clareza. Abrem-nos os olhos. Tudo parece tão claro na boca ou nas páginas de outros. Tudo parece tão óbvio e sem parecer poder ser de outro modo. Acho que esses homens existem para melhorar a nossa vida, nasceram com essa missão, e sem eles a nossa existência seria certamente mais pobre. Pior.

“Eu diria que é um ser humano como outro qualquer - que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. Acho ridículo esse negocio de se dar importância. Eu consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.

Oscar Niemeyer em entrevista, Abril de 2004

Um dia mais na mítica praia da Murtinheira

Se a alegria se encontra nos locais, este é seguramente um dos lugares do mundo onde só se pode ser feliz.