Havia funcionado ali uma gráfica que entrou em absoluto abandono. Mas o tempo tinha mudado. Agora aquele sítio era outra coisa. A enorme vitalidade estava por todo o lado. As indústrias criativas que se espalhavam por cada dobra de esquina ou metro de fachada conviviam com as marcas de decadêndia que o local e os diversos edifícios não tinham querido perder. O vibrante do presente convivia serenamente com os vincos de um passado já obsoleto. E isso agradava-lhe. Era um contaste inspirador. Havia ali uma qualquer estética de grande vigor. Tudo lhe parecia autêntico, convidativo. Novos escritórios, galerias, agências de castings, bares ou restaurantes acomodavam-se como podiam sem desvirtuar o tom geral de uma fábrica em reocupação por novos habitantes. À entrada, descobriu a
Cantina. Já não se lembrava do sabor de Pescadinha de rabo na boca com arroz de cenoura. Divino, pensou! Os seus sentidos captavam a perfeição, como se a simplicidade do local fosse espontânea. Sabia que o cuidado não se havia deixado submergir pelo acaso, mas deixava convencer-se pelo logro. Noutra mesa, uma jovens mulheres, modelos, conversavam numa qualquer língua estrangeira, aguardando uma sessão fotográfica no exterior.
A cidade não parava de o seduzir e supreender.



