quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Faup. E porque hoje é quinta-feira





Hoje na Faup

Os Curadores da Conferência Internacional ''Arquitectura [in] ]out[ Política'' integrada na Trienal de Arquitectura de Lisboa, Cláudia Taborda e José Capela, subiram ao Porto para propor um debate em torno do Bairro da Bouça e o SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local (organismo central na promoção de habitação popular no pós 25 de Abril).
Álvaro Siza, Alexandre Alves Costa e Orquídea Santos revisitaram a condição de protagonistas de 75: como arquitecto, como dirigente do Secretariado Norte do SAAL e como moradora.
Frase da tarde: ''A luta por habitação condigna foi a luta mais bonita ao seguir ao 25 de Abril'' - Orquídea Santos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Just surrender; music is almost everything...

Palavras exactas e belas

"Procure o sr. Cabral do Nascimento ter sempre este facto tão presente, que não saiba que o tem presente - que uma obra de arte, por dispersa que seja a sua realisação detalhada, deve ser sempre uma cousa una e organica, em que cada parte é essencial tanto ao todo, como ás outras que lhe são annexas, e em que o todo existe syntheticamente em cada uma das partes, e na ligação d'essas partes umas ás outras. Comprehenda isto até á inconsciencia. Sinta isto até não o sentir. E, sentido e comprehendido isto até com o corpo, despreze todo o resto. Salte por cima de todas as logicas. Rasgue e queime todas as grammaticas. Reduza a pó todas as coherencias, todas as decencias, e todas as convicções. Feita sua aquella, a unica regra de arte, pode desvairar á vontade, que nunca desvairará; pode exceder-se, que nunca poderá exceder-se; pode dar ao seu espirito todas as liberdades, que elle nunca tomará a de o tornar mau poeta.
O resto é a literatura portugueza."

Fernando Pessoa

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poética no trabalho

Entre muros de granito áspero e duro e superfícies docemente banhadas pela luz solar, entre pura beleza e espaços inspiradores, entre o afago do olhar e a tranquilidade sensorial. Espaços para descoberta de novos amores, amizades e para namorar - para uns; para ser feliz, para vida - para mim. Para me dar conforto e envolver de Belo.


Faculdade de Arquitectura, Porto; Álvaro Siza.

Espaço de encontro com a felicidade

Leirosa, esta manhã.

Música do dia (ou dos dias)

Liberdade para dentro da cabeça...

Fotos: Christine Haering (09OUT10)



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Palavras que me ocorrem para repetir ao acordar

Negligenciar a pequena inveja, a raiva e o ciúme.
Não ouvir.
Sentir.
Caminhar por conta e risco.
Deixar as bem intencionadas opiniões fora do tempo e do espaço.
Crer na intuição.
Acreditar porque sim e por vontade.
Gostar de um dia de sol.
Não resistir a um sorriso franco.
Afastar os maus olhados.
Combater a miopia de quem julga abrir os olhos.
Crer contra a descrença alheia.
Beijar com inocência e ousadia até ao limite dos raios solares.
Saudar a vida, por ser uma só.
Viver sem reservas, sem medos ou bloqueios.
Simplesmente, não esquecer de aproveitar plenamente a vida.

Outras descobertas musicais

Para terminar bem o dia ao som da insubstiuível tonalidade do piano

Para iniciar a semana com energia entusiástica

domingo, 17 de outubro de 2010

Niemeyer sobre si mesmo

Os grande homens são como os grande livros. Perante as suas palavras pensamos: era isto mesmo que eu queria dizer e nunca consegui expressá-lo deste modo, com esta certeza e clareza. Abrem-nos os olhos. Tudo parece tão claro na boca ou nas páginas de outros. Tudo parece tão óbvio e sem parecer poder ser de outro modo. Acho que esses homens existem para melhorar a nossa vida, nasceram com essa missão, e sem eles a nossa existência seria certamente mais pobre. Pior.

“Eu diria que é um ser humano como outro qualquer - que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. Acho ridículo esse negocio de se dar importância. Eu consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.

Oscar Niemeyer em entrevista, Abril de 2004

Um dia mais na mítica praia da Murtinheira

Se a alegria se encontra nos locais, este é seguramente um dos lugares do mundo onde só se pode ser feliz.

Murtinheira

O vazio vai tomando o lugar da praia alegre e feliz, antes habitada. Os mesmos sítios parecem perder um certo sentido. O olhar não encontra onde se fixar. Tudo parece incompleto. Demasiado amplo para tão pouca presença ou alma. Mas talvez seja apenas ilusório...

Bom Swing

Uma banda que não me desculpo de nunca ter visto ao vivo, apesar das várias vezes que já passaram pelo país.... É música com swing, boa onda. Se me perguntarem o que gostaria de ver em concerto respondo sem ter de pensar: Simply Red. São simplesmente fantásticos. Músicos para ouvir, ver e voltar a ouvir. Enjoy them!


Palavras revisitadas

Há textos de que por vezes me lembro ou com os quais volto a chocar.
Miguel Esteves Cardoso é uma descoberta que fiz nos tempos do Independente. Escrevia umas crónicas maravilhosas. As crónicas evoluíram para livros e os livros foram ficando. Uma das vezes em que numa livraria abri um livro ao acaso, não mais esqueci as palavras que li. O título já não recordo. Mas o texto era inesquecível. Era um desses pedaços de prosa que nos fazem pensar e tocam o prazer, pela beleza e realismo que afirmam.

''Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso, Elogio do amor puro.

Palavras para surpreender ou como a realidade é muito mais complexa do que os juízos

As pessoas que mais me fascinam são as mais complexas. Adoro-as pelas suas contradições. Gosto de pessoas. Gosto de pessoas, ponto. Mas não nego que há características mais fascinantes ou intrigantes, se quisermos, do que outras. De resto, estas palavras parecem até desnecessárias. As pessoas são por natureza contraditórias. Faz parte da condição de ser gente, de nos expressarmos como humanos, com fraquezas, forças e fragilidades. Nada é sempre linear e facilmente reconhecível ou sempre previsível. Felizmente, direi. É por isso que mesmo as pessoas que mais nos dizem não param de nos surpreender. A surpresa faz, é um facto, parte das relações humanas. Umas vezes mais fortes, outras mais suavizadas, ela lá está. E por vezes, os juízos são tão inesperadamente incompletos ou errados! O que parecia ser não passa, afinal, de máscaras que repousam sobre uma face e escondem a pessoa de verdade, resguardada por pudor ou qualquer outro cuidado.
É verdade que não gosto de relativismos totais, do totalmente ilusório, mas tão-pouco vejo grandes vantagens nas certezas totais sobre a vida e as pessoas. Acho-as tão deslocadas como inúteis.

lembrei-me de voltar a ter estes pensamentos a propósito da entrevista de Lobo Antunes ao Expresso este fim-de-semana. As palavras são supreendentes. Diria que estão no limite do possível, quase para lá do possível, mas não deixam de fazer pensar.

''O Christian Bourgois [editor francês da obra de Lobo Antunes] com quem não falava de livros, escreveu-me uma carta, antes de morrer, em que diz: 'Tu és meu irmão e não há escritor no mundo que admire tanto'.
Nunca me tinha dito isto. Era um homem que parecia seco, mas por baixo desta frieza aparente havia um calor humano extraordinário.''

sábado, 16 de outubro de 2010

Of course we can...

Wim Mertens como parte da memória e dos sentidos

Conheci a sonoridade de Wim Mertens há longo tempo. Era música mais ou menos de culto pelas salas de projecto do 1º ao 5º anos do curso de arquitectura. Habituei-me a ouvi-lo em momentos de maior e mais intenso convívio em sessões de trabalho conjunto, fora do período das aulas, ou quando me dedicava, solitário, a outras ocupações. Daí até me confrontar ao vivo com os seus piano e voz passou tempo, muitos anos. Falhei várias actuações em Portugal, até que há dois anos (julgo) consegui ter o privilégio de o ver e ouvir no Gil Vicente. Essa noite produziu em mim a vontade de não a deixar como acontecimento isolado. E surge agora uma outra oportunidade. Dia 5 de Novembro estará no CAE, na Figueira da Foz, para novo concerto. A não perder, direi.

Segundo dia no mar da mítica Murtinheira



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E porque é fim-de-semana, o tempo é de alegria... TUDO, TUDO, TUDO VAI DAR PÉ!

Pequenos pensamentos com palavras banais

Esta semana, 33 homens escaparam a 69 dias a 700 metros de profundidade. 69 dias e 700 metros que os separavam da vida verdadeira, que os mantinham em suspenso, que os colocavam numa gaveta de sobrevivência por tempo indefinido. 69 dias e 700 metros que mantiveram famílias inteiras, mulheres, pais, mães, filhos também suspensos, por um fino fio de esperança que os unia biunivocamente através da imensa distância que atravessava os vários estratos de sedimentação do solo que nestes mais de dois messes resolveram aumentar de espessura. Foram mais de dois meses em que muitos seres humanos conheceram uma angústia infinda. Não apenas a de perder a vida ou de a ver perder. Mas a da privação definitiva do amor insubstituível de toda a vida, de pai, de mãe, de amigo, de filho, de mulher, de amante. Isto é incompreensível (ou esquecido, pelo menos) para todos os que, deste lado certo da vida, confortavelmente se sentam no sofá ou experimentam a mais radical de todas as experiências de movimentos verticais e para lá da luz solar: a tranquilidade das subidas e descidas na fiabilidade dos elevadores que nos transportam no nosso mundo de normas e regras de segurança.
Durante esses 69 dias, muitos de nós passaram pela praia, pelas esplanadas, pela ideia de que a vida não muda. Mas muda. ''A vida muda. A vida muda depressa. Você senta-se para jantar e a vida que conhecia acaba num instante'', escreveu Joan Didion, em O ano do Pensamento Mágico, depois de ver o marido morrer à mesa, enquanto jantavam. Mas será a vida cruel? Claro que não é. Não se vira contra nós. Simplesmente é assim. A nós cabe-nos aproveitar. Ou o fazemos ou deitamo-la pela janela das coisas que negligenciamos, que desprezamos ou tratamos com indiferença. Por vezes, quase sempre, temos tendência para esquecer que todos os equilíbrios que afortunadamente vamos conseguindo são de uma casualidade tremenda. Quase partes de uma qualquer Teoria do Caos. Esquecemos que segundo essa teoria, um movimento suave e súbito num qualquer ponto distante e desconhecido pode abalar e destruir tudo o que julgávamos conquistado. Mas como nos iludimos e desperdiçamos tudo! Como nos confortamos e acomodamos, como pensamos que o amor está por aí disponível e é um bem em sobra, apto a ser conquistado e usado a qualquer instante e que teremos sempre oportunidade de o conhecer de novo, tendo-o já deixado para trás em circusntância várias, porque não era do nosso número, não tinha o nosso tamanho, não tinha a cor que julgávamos mais recomendável, não parecia ser do tipo correcto, tinha um qualquer defeito, ou não nos parecia o adequado! Pelo meio, deixamos o engano, o logro, o equívoco, comandar a vida ou parte dela, não dizemos às pessoas o quanto gostamos delas, não as fazemos sentir-se especiais. No fundo, julgamos que vivemos num ciclo em que tudo se repete: o que se perde hoje será encontrado noutro momento deste movimento circular, contínuo, julga-se. Se estava lá ontem ou há meses ou anos, disponível, porque não há-de estar daqui por outros tantos meses ou dias, noutro lugar e com outras pessoas? A resposta é simples. Porque não se trata de um jogo. Porque nada está pré-determinado. Porque as circunstÂncias e as pessoas que nos envolvem mudam, mudam muito, são outras, muito distintas. Porque não dominamos a vida, embora gostemos de pensar que sim. Porque o tempo é linear e não sabemos onde iremos passar e em que paragens iremos repousar a esperança. Perante isto qual é a resposta? Boa pergunta... Mas está certamente para além do orgulho. Nisto estou com a Sade!


Palavras para um dia como o de hoje

Partir, quebrar, dobrar, ultrapassar limites absurdos.
Pontapear riscos e medos.
Não parar perante o óbvio.
Não corresponder ao expectável.
Colocar em causa.
Agir pela vontade.
Rejeitar opiniões.
Querer o que ninguém quer.
Desejar para além do permitido.
Ambicionar o sonho.
Procurar o mais difícil.
Beijar como quem respira.
Deixar a vida entrar no corpo.
Ousar ser feliz.

Segredado e partilhado

Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não divinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos

E tudo proibido. Então, falamos.

Carlos Drummond de Andrade, Certas Palavras

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Só as palavras são pouco, demasiado pouco

Não há palavras para corresponder à profunda generosidade. A aquela que nos toca e deixa desarmados. Sem saber como reagir ou pensar. Não basta um sorriso ou uma não estendida. Não basta deixá-la suspensa no ar com aquele sem se fechar à espera de poder corresponder. É excessiva insuficiência para um mundo demasiado grande.
Palavras por inventar, sorrisos incansáveis e sem fim e mãos, muitas mãos, todas disponíveis, talvez fossem um começo para expressar o muito que percorre a minha alma, eternamente reconhecida e generosamente feliz. Dizê-lo é relembrar. É assinalar e agradecer.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Palavras para repetir, para sempre te repetir

É urgente o amor
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade, É Urgente o Amor

domingo, 10 de outubro de 2010

O que pode?...

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 9 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Porque simplesmente é assim mesmo

A prudência é tão só a maior inimiga de quem quer viver. Viver é intenso, no limite, lutar até ao fim, sem receio do pior que há-de vir sem se saber se virá. Viver é arriscar, é querer mais do que a prevenção cómoda e segura, sem surpresas. Viver é ousar ultrapassar a banalidade. Viver é ser capaz de atingir a exaltação e o sublime. O medo é simplesmente desistir da vida e da felicidade. O medo é o alinhamento com pequenas alegrias rasteiras de algibeira. O medo é um domingo banal de jogo da bola da terceira divisão B. Viver é tudo e querer tudo. O medo é uma casa em ruínas que há muito desistiu de ficar em pé.


“Houve um tempo em que, nos amores e nas paixões, se falhava de forma espectacular. Com baba e ranho. Dava-se tudo. Saíamos rasgados de pele e coração. Valia sempre a pena, mesmo quando perdíamos o chão. Os erros, as faltas, as vertigens, o pé à beira do abismo existiam para nos lembrarmos de que somos humanos. A regra era cair e levantar, prontos para outra depois de lutos intensos, sofridos, partilhados. Agora tudo isso existe sob a forma de prevenção. Para nos lembrarmos do que não devemos fazer, dos riscos que não devemos correr, contra o vírus da solidão. Fomos ficando higienizados. Da alma à cama. Uma espécie de “se conduzir, não beba” para evitar os males do coração. Como se pudéssemos dizer “se amar, não se magoe”. Com o passar dos anos, aprendemos a contornar os sintomas a bem da decência, da pose e da anestesia geral ou local, conforme as necessidades. O importante é não dar parte de fracos. O ciúme é uma coisa moderna, para ser compreendida. A discussão acalorada está fora de moda. A vingança é um prato que não se serve nem frio nem quente nas relações mais conceituadas. É coisa do povo, ementa de vidas de tasco, entre um tiro de caçadeira e um facalhão de meter respeito. O civismo entrou definitivamente na nossa intimidade para amansar os corpos, os gestos, as palavras. A postura é um fato de pronto-a-vestir que o usamos para entrar e sair das relações. Talvez até já nem se rasguem roupas quando chega a hora. O sentimento não ferve, a aprendizagem das loucuras que fizemos é renegada e a história do que fomos não tem disco duro porque a caixa de mensagens é mais prática e descartável. De resto, já não há cartas para guardar porque ninguém as escreve. Como num poema do Eugénio, já não há nada que nos peça água. E estamos como ela: insípidos, inodoros e incolores. Leves. Capazes de ir do tudo ao nada sem efusão de sangue. Deve andar a escapar-nos o momento em que deixamos de olhar para a vida nos olhos e a desregrada infinidade de coisas que vinha junto com ela”.

Revista Egoísta, Setembro 2009

Palavras sábias para usar diariamente sem cansar

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Concordo com você,e é por isto que eu me arrisco tanto.
TE AMO...TE AMO...TE AMO...TE AMO...TE AMO...!!!!!!!!!!


Carlos Drumond de Andrade

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

The power of words or the power of LIFE*

What and If are two words as non-threatening as words can be. But put them together side-by-side and they have the power to haunt you for the rest of your life: What if? What if? What if?
I don't know how your story ended but if what you felt then was true love, then it's never too late. If it was true then, why wouldn't it be true now? You need only the courage to follow your heart. I don't know what a love like Juliet's feels like - love to leave loved ones for, love to cross oceans for but I'd like to believe if I ever were to feel it, that I will have the courage to seize it. And, Claire, if you didn't, I hope one day that you will.



*retirado de uma qualquer tela de projecção.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Desenhos I

Todos os desnhos contam uma história. A sua própria ou a de um qualquer momento. São instantes de vida, preenchidos, quer sejam a fuga à atenção de uma reunião, quer sejam um desafio ou um exercício em si mesmos, quer sejam outra coisa, mais pessoal ou emotiva. Todos têm em comum um traço, uma narrativa, que se funde com o lápis, a caneta, a mão, o braço, a cabeça que que lhes dá vida. E quando terminam, quando ganham autonomia, se correspondem ao que esperávamos, são, em si mesmos, momentos de alegria, sentida sempre que revisitados.

Desenhos II

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Não vamos ter descanso enquanto as árvores da cidade não forem todas derrubadas!

Desta vez foi na Rua João Pinto Ribeiro (entre a Afonso Hernrique e a Dias da Silva). Foram abatidas 24 das 32 árvores ali existentes. No entanto, apenas 11 estavam em más condições fitossanitárias, ou seja, só essas haviam sido alvo da recomendação de abate. O resto deve-se à inteira responsabilidade e vontade da Junta de Freguesia. E a reacção da Câmara? Não comenta. Em intervenção oficial (num jornal local) diz que foi uma intervenção da responsabilidade da Junta de Freguesia. ...muito Bom!
A culpa, já se sabe, morre solteira. Simplesmente aconteceu. Suponhamos, porém, que a tal Junta lesava patrimonialmente um de nós, um qualquer cidadão, no valor correspodente ao da totalidade das árvores cortadas sem motivo ( e isto para colocar a questão de modo completamente redutor, pois está em causa muito mais do que dinheiro); tinha que o indemnizar, é óbvio. Ou seja, havia apuramento de responsabilidades. Mas como se trata de nos lesar a todos em nome de um suposto exercício de competências públicas de natureza indeterminada, está tudo bem. Acontece o que costuma suceder em circunstâncias idênticas. Até porque estão legitimados por voto. Uma coisa é certa, se já era dominante a ideia que, no quadro vigente, as Junta de Freguesias são uma nebulosa que ninguém sabe para o que é que servem, face a este tipo de actuação instala-se a certeza: não servem para absolutamente nada.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Momento de libertação

Figueira da Foz, hoje.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

Há vida na Faculdade...

Esta tarde, intervalando na Faup.


Aforismos Roubados

...o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo

Porque está sol!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mobilidade

...ou falta dela.

Lisboa, regresso da Praia do Meco, num sábado de meter medo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vida moderna...

Haverá coisa mais insana e sem sentido do que andar a esburacar a cidade para guardar ou esconder carros??? ...sobretudo quando há alternativas???


Aforismos Roubados

Conrad tem razão quando diz que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que, normalmente, chega demasiado tarde.

António Lobo Antunes

Outras versões, o mesmo som... sempre diferente!

A música estava sempre presente no enorme ecrã. Não sei quantas vezes entrei e saí do hotel enquanto Ana Carolina e Seu Jorge invadiam o espaço com o conforto das suas vozes.
Era assim que inúmeras vezes passava para a Visconde de Pirajá ou dela saía. Era já uma marca familiar nessa rotina sempre diferente do que pode ser um dia no Rio de Janeiro. É assim um dia na cidade, como uma música que conhecemos há muito tempo. Nunca é igual. Renova-se sempre com as circunstâncias. A vida comanda tudo. E esta nunca se repete.

Passos de um Explorador da Cidade; Lisboa - LX FACTORY

Havia funcionado ali uma gráfica que entrou em absoluto abandono. Mas o tempo tinha mudado. Agora aquele sítio era outra coisa. A enorme vitalidade estava por todo o lado. As indústrias criativas que se espalhavam por cada dobra de esquina ou metro de fachada conviviam com as marcas de decadêndia que o local e os diversos edifícios não tinham querido perder. O vibrante do presente convivia serenamente com os vincos de um passado já obsoleto. E isso agradava-lhe. Era um contaste inspirador. Havia ali uma qualquer estética de grande vigor. Tudo lhe parecia autêntico, convidativo. Novos escritórios, galerias, agências de castings, bares ou restaurantes acomodavam-se como podiam sem desvirtuar o tom geral de uma fábrica em reocupação por novos habitantes. À entrada, descobriu a Cantina. Já não se lembrava do sabor de Pescadinha de rabo na boca com arroz de cenoura. Divino, pensou! Os seus sentidos captavam a perfeição, como se a simplicidade do local fosse espontânea. Sabia que o cuidado não se havia deixado submergir pelo acaso, mas deixava convencer-se pelo logro. Noutra mesa, uma jovens mulheres, modelos, conversavam numa qualquer língua estrangeira, aguardando uma sessão fotográfica no exterior.
A cidade não parava de o seduzir e supreender.





S. Pedro de Alcântara no centro da objectiva e da vida na cidade

Lisboa, na última quinta-feira.



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Figueira, de novo no mapa.

Depois de um primeiro dia de ondas pequenas, mas a permitir boas manobras, o segundo dia de competição mudou tudo, com o mar a subir a proporcionar boas oportunidades para performances espectaculares e pontuações elevadas.

A partir de dia 14, espera-se mais e melhor, com o circuito de qualificação para o mundial.

Figueira Pro 2010 Nacional de Surf Dia 1 from FB_ST2DIO on Vimeo.

Closer, Portman e outras tonalidades sonoras (entre ruas e casas)

Desenhos - curiosidade despertada pela Bic em movimento

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Pulsar da cidade

Lisboa; Miradouro de S. Pedro de Alcântara.