segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fotografia do Rio de Janeiro [uma cidade única]





Não esperes por mim, Rio de Janeiro. Tu nunca exististe
e eu nunca existi enquanto escutávamos relatos de futebol
nas nossas próprias vozes. Contigo, ficaram suspensas
todas as avaliações que fizemos da vida, todas as decisões.
Contigo, é a fome ou a sede. As tuas mãos seguram-me
os braços, Rio de Janeiro, porque querem ter a certeza
de que estou aqui. As tuas mãos deviam saber mais,
Rio de Janeiro. Eu sou o fantasma único da tua luz.
Eu sou o invisível invisível. E é desde esse lugar nenhum
que te peço: não esperes por mim, Rio de Janeiro,
não esperes por mim.

José Luís Peixoto, Fotografias de Cidades in Gaveta de Papéis.

domingo, 6 de novembro de 2011

Congrats King Ke11y!

Desta vez é a sério, sem falso alarme, nem possibilidade de recúo. A luta pelo campeonato terminou. É oficial: este homem nunca se esgota!

Acima do chão da cidade

'Arborismo' na Mata do Jardim Botânico - com o grande Raúl e o enorme Francisco.
E porque não injectar doses suplementares de adrenalida na corrente sanguínea? Vive Mais! Intensamente!







sábado, 5 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Detalhes de infinita beleza

Centro de Estudos Camilianos; Álvaro Siza.

Smooth FM na companhia dos dias

Para quem não suporta as costumeiras playlists, os habituais anúncios e locutores que não se calam: http://smoothfm.clix.pt/
Felizmente, há alternativa. Está disponível em emissão online ou em 92,60.
Enjoy!


Matosinhos através do telemóvel

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Música do dia

Tempo de tempestades

Visitando Camilo

Centro de Estudos Camilianos, São Miguel de Seide; Álvaro Siza.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

De volta às cidades

João Gilberto, o músico que não sai de casa, estará de volta em 2012. Aos 80 anos, actuará em 8 cidades brasileiras, onde deixará ecoar as melodias, depois de muitos anos em que apenas se passeou pelo seu apartamento no Leblon.
Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Porto Alegre são, entre outros, pontos de passagem da música, voz e violão e da sua entoação doce e calma.
Parece ser um motivo para atravessar o Oceano ...ou para, simplesmente, o voltar a ouvir.



Palavras belas

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

(...)

Eugénio de Andrade , Poema XVIII

Paredes marcadas por vida

''O caminho faz-se caminhando'' ...ou pedalando

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Palma revisitado

Uma manhã em casa. A procura de um cd, enquanto, em antena, os sons me são familiares.
De novo, revisito o albúm - o mais extraordinário e tocante de todos os que Jorge Palma gravou. E permaneço com o seu génio criador e a beleza de cada uma e de todas as palavras.


Manhã à porta de casa














segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Hoje

É hoje reeditado o mítico albúm dos U2, Achtung Baby, celebrando aquele que é considerado um momento de viragem na longa carreira musical dos irlandeses.
Há 20 anos, Bono e os seus pares viajavam para Berlim no meio da crise de identidade e de inspiração que viviam, após terem subido ao topo da glória.
É na atmosfera que se respirava na cidade, marcada pelo intenso processo de reunificação alemã, que a banda se reencontra. A segunda versão de One é o ponto chave desse momento de redescoberta. Um momento mágico de inspiração que prolongaria o sucesso do grupo. E como muito na vida, há coisas que não mudam.

Fim desejado (sem acordo ortográfico)























Estou insatisfeito com o que escrevi.
Disso me consola a verificação de que,
no geral, só os medíocres
ou certos génios narcísicos
se revêem babosamente
nos monumentos do seu talento.

Urbano Tavares Rodrigues, in A Natureza do Acto Criador, INCM, Julho de 2011.

domingo, 30 de outubro de 2011

Agora - na Câmara Clara

Amei a mulher amei a terra amei o mar
amei muitas coisas que hoje me é difícil enumerar
De muitas delas de resto falei.

Ruy Belo, Amei a mulher amei a terra amei o mar

Palavras de poeta são de utilidade pública

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
Que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda

Vida de arquitecto?!

O cinema e os seus mitos, na encenação glamourosa do quotidiano; Proposta Indecente.

Just dream...

...and your way will be inside your soul

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Like the weather, come shine. Obviously!

Postais*



Os teus lábios eram a noite, o abismo
e o silêncio das ondas paradas de encontro às
rochas. O teu rosto dentro das minhas mãos.
Os meus dedos sobre os teus lábios e a ternura,
como o horizonte, debaixo dos meus dedos.
Os meus lábios a aproximarem-se dos teus lábios.
Os teus olhos entreabertos, os teus olhos e os
teus lábios a aproximarem-se dos meus lábios
a aproximarem-se dos teus lábios a aproximarem-se
dos meus lábios, teus lábios.

*José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis

Esta manhã

O Verão voltou a encher os lugares...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Objectos em estado banal pelo chão das ruas

...uma marca corrente nas múltiplas esquinas e dobras da cidade, no final destes dias.

Testemunho do tempo em movimento

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Despedida do Verão adiado

A simplicidade da vida

Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.


Princípios, Nuno Júdice

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O que se ouve por aí: sabedoria da vida de muito anos

''Eu que já tive tudo, com a idade ganhei ainda mais.''

Música do dia em Voz de Mulher

A Mulher dá sentido aos sentidos do mundo

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Música do dia

Mais um dia que se fecha - hoje, com o trompete de Miles Davis, a inspirar e a convocar a calma que vai assentando no espaço em volta, preenchendo-o.

Exhibition room

Anuária; Faup.




Fotografia do Porto


















O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. Do que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.

José Luís Peixoto, Fotografias de Cidades, in Gaveta de Papeís

terça-feira, 18 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Hotel Babilónia

A manhã de um sábado banal - e o ritmo do fim-de-semana a suspender a passagem do tempo.
A cidade que se desloca a cada movimento do volante.
O tema de Lou Reed em antena.
A voz de Peter Gabriel a preencher as ruas que ficam para trás.
E o som a tomar o lugar do espaço, permanecendo no ar por alguns instantes.

sábado, 15 de outubro de 2011

Simplesmente

Outono improvável

Deambulatório pessoal

Quanto mais vivo a cidade, mas me deixo seduzir pelo ambiente natural; quanto mais sinto o ambiente natural, mais me deixo envolver pela cidade.


Horas boas em bons locais

Cafetaria do Museu; Coimbra.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A minha cidade és tu

Porque gosto de publicidade, porque adoro belas palavras; porque o bom tempo, a beleza, a tranquilidade, os bons momentos, as pessoas estão dentro da cidade que se condensa na palavra tu; porque é fim-de-semana e a alegria de um soalheiro entardecer de sábado ou a serenidade de uma breve manhã de domingo me esperam. A vida estará comigo. Será o meu espaço. A minha cidade.

after surfing dinner

As cidades dentro da cidade

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Para tardes calmas de um Outono suave

Outono improvável



Apelos à memória

A memória é redundante.
Repete os sinais para que a cidade comece a existir.

Italo Calvino, in As cidades Invisíveis

A manhã é mágica

O madeira do chão amanhece e em redor a luz liberta-se.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Aforismos roubados - variações

Less is More.
Mies van der Rohe

Less is bore.
Robert Venturi

Less is more or less.
Paulo Mendes da Rocha

Less is only more where more is no good.
Frank Llyd Wright

More and more, more is more.
Rem Koolhaas



Um dia banal na Faup

O lento abandono dos espaços segue o dia que se dissolve sobre o horizonte.
A intensa vida que os ocupa vai-se entregando a outros destinos.
O calor que preenche o ar é o de um Outono fora do sítio.
A beleza, porém, é sempre a de sempre.

Tardes de esplanada

Um livro sobre a mesa.
Uma música que sucede a outra.
A cidade que passa em frente.
Ritmos que me são alheios.
Uma pausa no relógio.
O descanso absoluto.
Viver também é isto.







Mundo à parte

A cidade não entra aqui. Ficou lá trás.
Um desejo de ordem é já estranho.
A decadência tomou conta do lugar.




domingo, 9 de outubro de 2011

Fotografia de Coimbra

Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde.
Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra.
Coimbra são as fotografias reveladas de um rolo antigo,
esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos,
Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado
apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater,
e esse é um milagre de deus que transcende deus.


José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis