(latim migro, -are, passar de um lugar para outro)
2. [
Num tempo em que todos se sentem, Este blog não se sente incomodado. Sente que lhe escapam temas, motivos, frases, músicas, imagens. Mas não faz caso. Vê-os a por aí. Migram para outras paragens. Circulam. Deixam de lhe pertencer, sendo já de outros, que os incorporam ou assumem como seus.
Não reclama. Observa, Pensa. Fica tranquilo. Parece-lhe bem que aquilo que já foi seu passe para outros. Que a partilha se alargue e o universo possa explodir - não numa gargalhada, como esperava Jeremias, o tal, o fora da lei - mas em limites mais vastos. Mesmo que seja apenas o universo reduzido de alguns bits, de alguns sectores do sistema binário, de algumas parcelas de memória RAM, de algumas batidas de teclado, de alguns olhos fixados no ecrã, de algumas ideias que se tornam convergentes, de alguns sorrisos que se abrem com o sentido que encontram no que não era seu e passa a ser. Tudo se passa. Tudo pode ser aqui, mas num outro local também.
Sinto que já nada é meu. E então?! Agrada-me que seja deste modo. Não porque, como refere Ricardo Reis, tudo se passará independentemente do que eu pense sobre o que se passa, mas porque me agrada pensar deste modo sobre o que se passa. Passa-se assim e eu gosto. Gosto, porque gosto. Porque me agrada gostar. Porque nada disto é só meu. E o desejo de boas vindas será sempre o acolhimento. Até porque está sol. E a chuva foi-se.
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